
"Com "paradinha" não pode, né, Ceni? E de letra, pode? Chupa!" Robinho. A FOTAÇA é do Almeida Rocha (Folha Imagem)
Teve SPFC x SFC ontem, e o nome do dia foi Robinho. Se quiserem saber sobre ele, clique em qualquer outra página de qualquer portal.
Há tempos venho tentando encaixar um post sobre Rogério Ceni, o ídolo tricolor, um cara que já nos deu grandes alegrias. Mas um post-exaltação a Rogério é desnecessário e redundante, há uma profusão deles por aí. Façamos, pois, um post criticando o goleiro, algo mais à feição deste antro espaço.
Ontem, um garoto esperto, dezoito anos de praia, fez o mito Rogério Ceni estabacar-se no chão, aplicando-lhe uma monstruosa “paradinha” e convertendo o pênalti. À saída para o intervalo, um repórter perguntou ao goleiro: “o que você falou para o Neymar?”. O tricolor, com irritante soberba e ar professoral, respondeu: “Eu disse a ele que aproveite para fazer isso aqui, que na Europa ele não vai poder.”
Não vou discutir se paradinha é legal (de lei) ou não. Os PVCs da vida que o façam. Legal (de bacana), eu acho. O aspecto importante aqui é o quanto me irrita gente que não sabe rir do próprio infortúnio; gente que, quando vítima de troça, revolta-se, pensa em processar o autor da brincadeira, chama a mamãe pra acudir. E quando isso acontece dentro de um campo de futebol, o emputecimento vai aos píncaros, por ser um espaço onde eu aprendi que um dia você apronta, no outro é a vítima. E, no final, todo mundo sai abraçado e vai tomar cerveja no bar. Todos, exceto os chatos, como Ceni. Esses tomam banho e vão pra casa direto, sem falar com ninguém, emburrados. No time do bairro, eles podem ser os melhores, mas ninguém sente a falta deles quando não aparecem.
Talvez esse fato não fosse digno de nota, caso o goleiro do SPFC não fosse o (ainda e injustamente, pois não é bom nisso, já disse) batedor oficial de penalidades do time. E que, em diversas oportunidades, utilizou-se do recurso para ludibriar seus companheiros de profissão.
Tenho pra mim que Rogério perdeu o tesão de jogar futebol ao final da sua exibição épica contra o Liverpool, no mundial de clubes. Depois daquele jogo, tornou-se um jogador-cartola, que se julga muitos furos acima de todos os outros: o mais inteligente, o mais sagaz, o mais esclarecido. Tecnicamente falando, hoje é um goleiro lento, com reações previsíveis e falhas grosseiras. Deveria já ter cogitado o fim da carreira. Ninguém é eterno jogando. A eternidade vem das lembranças. E essas ele deixou, de monte, a todos os sãopaulinos. Pópará, Ceni. Já deu. E valeu.
A comparação, sinto muito, é mais uma vez, inevitável: fosse Marcos o humilhado pelo garoto santista ontem em Barueri, arrisco suas palavras: “Falei pro moleque ter respeito com os mais velhos, pô! Puta pivete folgado!”, seguido de uma gargalhada franca.
Mas como o futebol é o esporte comandado do céu por um anjo muito sacana, a declaração mal-humorada e pedante de Rogério foi devidamente castigada com um gol de letra de Robinho, selando a derrota tricolor. Só faltou passar entre as pernas. Mas aí, até o sacana comandante celeste respeita a história de Rogério Ceni, e deixou barato desta vez. Não sem antes avisar: “é só desta vez, RC! Larga de ser mala.“
Escrito por Vinicius Duarte 



