Apesar de estar sempre mais duro que pau de tarado sem grana, ganho na loteria dia sim, dia não. E loterias de todos os países: inglesa, espanhola, irlandesa, americana… É uma festa. João Alves, perto de mim, é um mendigo.
Sou também sortudo por outros meios: pessoas do mundo todo me propõem “parcerias” onde eu entro só com o pau nome e tenho direito a poços de petróleo na Arábia Saudita, descubro ser beneficiário de apólices de seguro milionárias na Nigéria, sou convidado a “rachar” boladas polpudas escondidas num banco em Burkina Faso. Enfim, só sou pobre porque eu quero. É o velho e bom “fique rico grátis”, do Humberto Capellari.
Esses emails são “seculares” na internet, e ainda devem pegar muita gente. Se não pegassem, já teriam sido abandonados pelos remetentes. Mas tem um tipo de mensagem que vai ser bastante recorrente nas caixas de entrada no ano vindouro: as “denúncias políticas”. E, sinto dizer, virão, majoritariamente, de setores e simpatizantes da oposição.
E vai ser coisa cabeluda, pode esperar. “Ficha do DOPS”? bobagem, truque de amador (no qual veículos importantes “caíram”). “Fazenda do Lulinha”? Ninguém mais entra nessa, nem com foto e cópia da escritura.
Aqui na minha caixa de entrada, email “ENC:” é sumariamente deletado, principalmente os que vêm no subject com “DENÚNCIA, ABSURDO, VAMOS NOS UNIR”, desse jeitinho aí, em caixa alta. A estes subjects eu dou o singelo nome de ”aroma da merda”.
A internet é o troço mais legal que a humanidade inventou desde o domínio do fogo. E, como este, se não souber usar, o cabra sai todo chamuscado. E o maior aliado do estelionatário sempre foi a crença do incauto em achar que só ele (o incauto) é esperto. Esperemos.
Feliz 2010, sem promessas vãs e desconfiando de tudo o que ouve e vê, como sempre.
De coração (se é que eu o tenho), gratíssimo a todos que nos visitam, comentam e até xingam. Vocês não sabem o bem que estão nos fazendo. Abraço a todos os envolvidos.
A cara de pau de certas pessoas, às vezes, chega a assustar. Depois de Lula ter sido elogiado até na Globonews pelo seu discurso na COP-15, nego conseguiu arrumar um jeito de enfiar o Serra na fita. É realmente de se tirar o chapéu a criatividade de setores da blogosfera.
Tem nada, não. Já que Lula foi malhado por ter dito que “as imagens não falam por si”,adotaremos a tese dos malhadores. As imagens abaixo falarão por si e denotarão a “importância” do governador na 15ª Conferência das Partes. Reparem o interesse que o Sr. Burns despertou no “Exterminador do Futuro”! Afinal, não é sempre que ficamos frente a frente com um verdadeiro estadista.
“Evamoquevamo”, né? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Para quem não quiser clicar no link, a história: Uma tal de “Banda Strike” – essas coisas EMOCore, tipo “Cine”, “NXZero” e tal – gravou um “na estrada” para o Multishow. Em uma das cenas, o baterista (Cadu) tenta ser tão engraçadinho quanto a sua capacidade musical, e prepara um “coquetel”, acrescentando como ingrediente, MIJO. Isto: ele mija no copo, mistura com gatorade, refrigerante e sei lá mais o quê. Depois de faturar uma grana dos colegas (que apostaram que ele não beberia a mistura macabra – ele deu um golinho), o imbecil oferece a nojeira para uma fã adolescente. Inocentemente, e confiando no ídolo, a menina bebe o mijo dele. Duas belas talagadas. Reclama do gosto, estranha, mas bebe. Afinal, está no camarim, abraçada com o bacana. Corta.
Antes que venha alguém dizer que era armação, pegadinha ou coisa do gênero, aviso: não muda porra nenhuma. Foi uma atitude grotesca e desrespeitosa, até mesmo se a infeliz da menina aceitou participar da farsa.
Antes que venha alguém dizer que eu “não sei brincar”, digo: SEI, sim. Só que uma brincadeira deve ter graça, e isso não tem graça nenhuma, só é humilhante.
Se você acha que isso é uma brincadeira inocente, deve ser fã da infinidade de tosqueiras travestidas de humor que os Pânicos da vida exibem na TV, usando anônimos como “escada”. Como fizeram com aquele coitado do Zina.
Mesmo com tudo isso, se algum eminho/a ainda se atrever a defender todos ou qualquer um dos envolvidos no episódio, mando um singelo “vão se foder, seus idiotas”.
E meu “especial agradecimento” ao canal Multishow, que vem contribuindo sobremaneira para a cultura e informação no país. Afinal, este é o papel da TV: mostrar que beber mijo do seu ídolo é cool.
O show do post anterior (leia antes deste, senão não faz sentido) é de 2mil e alguma coisa. Este aí é de milnovecentos e oitenta e um, oitenta e dois, presumo. Escolhi esta música (Let’s Groove), porque talvez ela seja o marco mais evidente da “branquelização” imposta pela indústria fonográfica de um grupo genuinamente preto,
Todo mundo adora esta música. Eu também adoro. Mas, quando você quiser saber se uma música é de preto ou de branco, tem de escutar o contrabaixo. E este contrabaixo, afora as bizarrices “vocoder” acopladas, é de branco.
Verdine White (baixista do EWF, o que toca no vídeo), na definição irretocável de mestre Valmir, é o cara que suinga com duas notas. Nesta apresentação, ao vivo (e, teoricamente, sem amarras), ele bate as notas junto com a bateria. O “suingue” fica por conta da mágica combinação que ele arrumou, sem precisar recorrer ao batido riff “disco” que, por limitações óbvias, não dá pra reproduzir em texto, mas pode ser ouvido aqui, para quem não souber como é.
Esta era a explicação para o segundo aspecto do filme “Dreamgirls” abordado no post anterior que, por eu não ter um revisor e querer fazer tudo na correria, ficou faltando.
Eles estão velhos, mudados, mas não acredito que um “preto novo” fará algo parecido com isso aí. Se gosta, veja os outros da série by request, clicando nas miniaturas.
Os pretos sumiram do cenário musical pop. O que hoje chamam de “black music”, “R&B”, “funk” ou até mesmo “RAP” é, sem dúvida, um arremedo muito malfeito e, sobretudo, desonesto da verdadeira música de preto que inspirou pretos, brancos, amarelos e incolores até meados dos anos 1980.
Da lista dos “melhores dos anos 00″ exposta também no blog do Forasta, ele admite não conhecer quase nada. Ponto pra ele, pois eu, então, zero (ou zero zero, pra combinar com a década). Não conheço porra nenhuma desses caras (tá, tira o Caetano). E, pra ser bem sincero e obtuso, não faço a menor questão de conhecer. Prefiro ficar aqui com minhas musiquinhas véias de guerra.
Só falei de música aqui em três oportunidades, e as três foram sobre pretos americanos (Ray Charles, EW&F e Michael Jackson). Dificilmente me arrisco, por não entender do assunto a ponto de ser um almanaque ambulante. Hoje, até para falar de música tem os PVCs da vida. E isso me enche bastante o saco.
Voltemos. Quem aí assistiu “Dreamgirls”? Nesse filme tem duas passagens bastante interessantes e esclarecedoras de como a coisa funcionou nos anos 60/70/80: no início do filme, o produtor (preto) queria fazer a música dos pretos tocar nas rádios de brancos. E a saída que ele encontrou foi subornar os DJs brancos. Com o caminho aberto nas rádios e gravadoras, veio a segunda passagem: o produtor pega uma linda balada R&B, dá uma acelerada,simplifica os arranjos e a transforma numa medonha “disco” (tá, não era tão medonha assim, é só pra reforçar). E vira um sucesso estrondoso.
Sobre a primeira passagem: é notória a “branquelização” da música negra, e aí estão os narizes dos astros “black-pop”, afilados cirurgicamente, para não me deixarem mentir sozinho. A Beyoncé é uma cantora extraordinária (veja o filme!), mas para a indústria fonográfica de hoje, com aquele par de pernas, aquela bunda e a voz da Xuxa, dava no mesmo. Afinal, Autotune, Protools e o cacete servem pra quê? Com as máquinas de hoje, até eu canto mais que o Nélson Gonçalves.
Vivemos numa época onde não se pode “perder tempo”. Não se concebe, hoje, que um disco demore um ano pra ficar pronto, que exija um batalhão de músicos para gravar, de técnicos para mixar, vários estúdios. E essa atitude é incompatível com a música negra “de raiz” (desculpem, odeio isso mas não veio outra coisa).
A música dos anos 1990, com os A-has e quejandos, é o embrião do binômio fast-food/photoshop que domina o meio fonográfico. Apareceu coisa boa? Sim, sempre aparece, mas é exceção cada vez mais rara, o negócio é faturar. Um “hit”, hoje, fica velho em 15 dias. Se o ouvinte vai descartar tão rápido, pra quê burilar?
Neste ponto, os pretos começaram a levar a pior: é inimaginável para qualquer produtor musical agenciar uma banda como Earth, Wind & Fire, com 4 líderes, 6 metais, 3 backing vocals, 2 percussionistas. Ele vai lá no Mac dele e tira todos os naipes (com fidelidade absurda), programa uma bateria eletrônica (até com som de casca de côco e kalimba) e pronto. Com o tempo “economizado”, o cara tem mais tempo para “promover o show”: embonecar o vocalista, cavar entrevistas em tudo que é buraco, ir ao Faustão. Afinal, tempo é dinheiro. A música é o que menos importa nisso tudo. Afinal, é pra jogar fora, mesmo…
Ah, mas e os pretos? Bem, eles perceberam, através do RAP, que para serem “músicos” não precisariam dominar nenhum instrumento musical, ser afinados, nem ter a voz do Barry White. Uma boa nem precisa ser tão boarima, um fruit loops no PC e uns discos velhos do papai/vovô para colocar na picape e riscar com a agulha (e “chupar” frases e harmonias), uma cara de mau e uma correntona de prata o transforma num astro da música.
E quem disse que RAP é música? Certamente, não foram “os inventores”, os pretos. Eles deixaram muito claro ao batizarem a criança: “ritmo e poesia”. Só com isso não deveria sair música. Falta alguma coisa, né? E “o que falta” eles pegam dos pretos velhos.
Os pretos sumiram porque, ou fazem música de branco, ou não fazem música. E não há Quincy Jones que dê jeito nisso. “Produtor” bom, hoje, é Will.I.Am. Coisas do mercado.
ps.: Sim, eu gosto de RAP. Mas também gosto de macarrão, e nem por isso digo que macarrão é fruta.
“Merda“, entre os artistas cênicos, significa “Sucesso!”, não é? O que mais se ouve, por aí, é neguinho falando “merda!”: pisa na merda, grita: “merda!”; erra um número na mega-sena, exclama: “que merda!”.
“Merda”não é palavrão há muito tempo. Mandar um cidadão à merda nem é tão ofensivo, assim. Muitos falam na brincadeira, e muitos aceitam do mesmo modo.
Agora, tirar alguém da merda… Tá difícil. Difícil quem tire, e mais difícil ainda, quem reconheça ter sido tirado da merda por alguém. É mesmo?
No caso do cidadão que vos fala no vídeo, não. Foi mole. Oitenta e três porcento da população brasileira reconhece ter sido tirada da merda por ele, ou para a merda não ter sido tragada. E só quem saiu da merda por obra de alguém sabe como é importante ser grato ao “resgatador da situação de merda“.
A oposição a Lula não entende isso, mesmo sendo poupadapor ele de ter sido jogada na merda, caso fosse ele um cara revanchista. E se fia numa palavra corriqueira para atacar quem lhe deu boa vida nesse tempo todo de governo.
A oposição não sofre com as “merdas” do Lula. Nem com as pessoas que ele tirou da merda, e hoje lhe são gratas. A oposição sofre, sim, por ser a merda que é.
Desde 2006 (início do blog), eu já devo ter escrito uns 20 posts sobre enchentes em SP. Já li muita coisa, também. As explicações de Kassab sobre o caos de ontem não diferiram muito das respostas de inúmeros prefeitos de SP. Em suma, todos culpam São Pedro pelas cheias. É a revolta da natureza. Então, tá.
Convido a todos a refletirem sobre as respostas-padrão, com o objetivo de mostrar que ninguém quer fazer nada, ou não sabe o que fazer. Vejamos:
- “foi a maior chuva desde… (preencha com o dia que quiser, desde que seja uma data distante)“: o que aponta esta frase? NADA. Ou tudo. Suponhamos que o problema não fosse água, e sim fogo. Quando ocorreu o incêndio do Joelma, a PMSP reformou a lei e passou a exigir dos edifícios uma série de equipamentos, e os bombeiros receberam mais carros e traquitanas anti-fogo. Nunca mais houve incêndios naquela proporção em SP. Analogamente, se houve uma catástrofe aquática na data que você escolheu, isto deveria servir de lição, de forma que chuvas daquela magnitude não mais causassem os mesmos estragos. Isto se chama EVOLUIR. Ou, então, as chuvas em SP estão crescendo em PG desde a data que você escolheu. Estão? Não. Sendo mais claro: sem em DD/MM/AA choveu 20 mm/h, você faz a lição de casa e a cidade nunca mais sofrerá com chuvas de 20 mm/h! Se chover 23 mm/h, você sofrerá só com A DIFERENÇA (3 mm/h). Mas SP sofre sempre o mesmo, com a mesma quantidade de chuva.
- “choveu o equivalente a “x” (x>10) dias em “y” (y<24) horas:”Pegadinha do malandro: E daí? Eu posso dizer que gasto o dinheiro do mês todo em 2 dias. Se eu ganhar só 1 salário-mínimo por mês, serei um perdulário? Este tipo de informação só serve para confundir a população e dramatizar as coisas. Vejamos: se houver uma tempestade num mês seco (junho, por ex.), usando essa “equação-que-não-diz-nada”, a cidade deveria estar abrigada numa arca, pois terá chovido, em UM dia, o equivalente a TRÊS MESES de chuva, ou mais. Além disso, desde quando chuva marca dia e hora pra cair? O último que recebeu essa informação com antecedência e precisão, de fonte fidedigna, foi Noé.
A pergunta que NINGUÉM responde é a seguinte: quanto a drenagem de SP aguenta de chuva, e por quanto tempo? É uma pergunta simples, e a resposta não deve ser simples, reconheço. Tem de esquadrinhar a cidade, fazer medições, dividir tudo por regiões, integrar os dados. Mas é uma resposta possível. Possível, mas NUNCA será dada, pois será uma forma de aferir se as obras e os serviços de limpeza de córregos, bueiros e rios estão realmente sendo bem feitos. Sim, porque se chover dentro do limite de escoamento daquela região e ela alagar, é porque alguém fez merda.
Quando estiver no banho, coloque o pé sobre o ralo e espere a água subir até o limite do degrauzinho. Retire o pé. O volume de água vai diminuir, mesmo com o chuveiro ligado. Por que? Porque o sistema de escoamento está dimensionado para a quantidade de água que sai do chuveiro e mais um pouco. Se o nível não baixar, chame o encanador. É isso: SP não precisa de um prefeito, precisa de um bom encanador.
Veja este vídeo. Nele, aparecem o Fábio Feldmann, Raquel Rolnik e, principalmente, o atual Secretário do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, o sr. Eduardo Jorge. E é sobre a fala desse cabra que gostaria da atenção de todos. Ele aparece lá pelos 50 seg. do vídeo.
Chega a me arrepiar os cabelos do saco quando eu vejo isto, porque HOJE, 2009, ele se transformou num defensor desta merda de obra, que não vai adiantar porra nenhuma.Veja aqui (não dá pra incorporar, procure pelo vídeo “Debate Nova Marginal” – parte 4 – Eduardo Jorge).
SP submersa, outra vez. Graças a canalhas como Eduardo Jorge, Kassab e Serra. O rio que “nunca mais iria transbordar”, transborda todo mês. E as águas de março estão longe, ainda. Sorria, SP.
Após a exibição da selvageria em Curitiba, no estádio Couto Pereira e nas ruas da cidade, diversas vozes se levantaram sob o argumento infame de “esse é o país que vai sediar a copa-2014?”. Sim, é ele mesmo. E, se este incidente for fator impeditivo para a realização, levem a copa para a LUA. Aqui na Terra, não há lugar próprio.
Cenas de violência em eventos esportivos não são, e NUNCA serão, exclusividade de países subdesenvolvidos. Ocorrem no mundo todo. Ontem mesmo, a riquíssima Itália foi palco de cenas lamentáveis, no jogo Lazio x Roma. O pau comeu feio, e estamos apenas no meio da temporada por lá. Ninguém caiu, ninguém foi campeão.
São muito comuns as cenas de depredação e violência em comemorações de títulos nos Estados Unidos. E lá não rola só futebol (aliás, não rola futebol): tem hóquei, basquete, futebol americano e beisebol. Na Inglaterra, hordas de hooligans arrebentam tudo, na vitória e na derrota.
Estes incidentes têm muito mais a ver com problemas de comportamento humano em meio a multidão do que com educação, civilidade ou desenvolvimento social. O homem, quando acobertado pela massa, libera os seus piores instintos.
Os mesmos que se incomodaram com a “piada” (aspas necessárias) de Robin Williams – que, a bem da verdade, atacou muito mais o Comitê Olímpico do que o Brasil -, prejudicam muito mais a imagem brasileira no exterior com esses comentários em tom de autoflagelação, atribuindo ao povo brasileiro uma culpa que não é exclusiva dele.
Toda essa baboseira aí de cima não exclui, evidentemente, a necessidade de punição exemplar a todos os envolvidos, inclusive o time do Coritiba. E isso, sim, é um problema nacional: se fosse na Itália ou na Inglaterra, iria direto jogar a série C em 2010.
O crime é igual no mundo todo, o problema está na aplicação do castigo. E isso, ninguém ataca de maneira séria.
ps.: Parabéns ao Flamengo, campeão de 2009. E de 1980, 1982, 1983, 1992. Esqueci algum?