"300 picaretas" x 800.000 patetas

março 26, 2006

O PT é o maior partido do Brasil em número de filiados. Começou lá nos idos de 1980 vendendo brochinhos de estrela vermelha em barraquinhas no Viaduto do Chá. Luiz Gushiken era militante do sindicato dos Bancários, com aquela cara de samurai aposentado -era bem mais gordo-, Lula era… bem, Lula já era Lula.
Vinte e cinco anos se passaram, o PT cresceu, o Palocci saiu da Libelu e virou prefeito. As calças jeans, sandálias Franciscano e camisetas manchadas (aquelas que o sujeito amarrava com barbante e deixava de molho na cândida) foram substituídas por carros blindados, ternos Armani e sapatos não menos chiques. Nada contra, o sujeito tem mais é que evoluir. Idéias revolucionárias foram substituídas por “acordos programáticos”, onde se viu até foto de Maluf “nefasto” com Marta Suplicy em campanha eleitoral. Dinheiro a rodo, financiando campanhas milionárias. Empresários (bons e maus), picaretas de ocasião e oportunistas de carteirinha começaram a nutrir estranhíssima simpatia pelo PT, e a cantilena destes personagens, aliada ao inebriante perfume do poder, transformou aquelas figuras retas, sóbrias e idealistas, num bando de zumbis em transe: “Temos o poder, vamos fazer a revolução” é o que pensavam. Mas esqueceram de combinar com o inimigo, que, para conceder-lhes a chance, levou em troca sua alma. Enredou-os numa sórdida armadilha, oferecendo aos incautos e despreparados petistas um caminho pelo qual ele (o inimigo) sempre trilhou, e que a soberba petista achou que poderia “transformar” e “melhorar” através de seus ideais. Ledo engano, companheiros: política não é coisa para amador. O “sistema” chupou vocês e só devolveu o caroço.
O “poder” é isso? Perguntem aos 800.000 patetas que se mataram para colocá-los lá. Ou melhor, aos poucos que não foram cooPTados com cargos, mordomias e benesses. Excluam também os que estão na “fila da boquinha”. Sobrarão poucos, mas bons companheiros.


Fora sigilo!

março 24, 2006

Esta história do caseiro me irritou profundamente. Não pelo personagem, mas por essa palavra: sigilo. Porra, pra que sigilo, pensei. Meus segredos têm origens nobres, ou de sobrevivência. Não sou uma “pessoa pública”, então, não preciso quebrar meus sigilos.
Proponho aqui uma Emenda Constitucional versando sobre a quebra de sigilos em situações especiais:

art.1: Qualquer cidadão brasileiro que se disponha a ser uma “pessoa pública” terá os seus sigilos bancário, fiscal, telefônico, internético, conversático de boteco e correlatos, automaticamente quebrados.
§ 1º: Por “pessoa pública” entende-se o cidadão disposto a:
a) ser candidato a qualquer cargo eletivo (síndico de prédio, presidente de clube, vereador, deputado…);
b) ser atleta, ator/atriz, jornalista, apresentador de TV/Rádio, modelo, manequim (ou as cinco funções anteriores concomitantes), prostituta, travesti ou transexual, denunciante em cadeia nacional de rádio/TV de escândalos de qualquer espécie envolvendo pares (“pessoas públicas”);

Essas são medidas realmente saneadoras de corrupção, extorsão, chantagem e crimes afins, e servirão, como consequência, para a diminuição sensível de candidatos a serem “pessoas públicas”, o que resultará de imediato numa depuração qualitativa da sociedade. Sem contar que o horário político durará somente 30 segundos, e a novela que passar a seguir contará somente com atores e atrizes.


Imprensa-Show

março 23, 2006

Não ia escrever porra nenhuma nesta semana (cansaço, saco cheio, sono), mas, motivado pelo post do sempre valoroso Valmir, tá aí.
Essa estória do caseiro é a prova cabal da irresponsabilidade da “imprença” brasileira. Imprensa, para mim, são os olhos da sociedade em cima do poder: vigilância, responsabilidade, apuração, cobrança. Infelizmente, não é isso que vemos.
Um zé-mané da CEF, querendo promoção fácil, tenta livrar a cara do chefão quebrando ilegalmente o sigilo bancário de outro zé-mané (o caseiro Francenildo). A estratégia do primeiro zé-mané é típica de um zé-mané: entrega o extrato bancário a uma revista (Época), para que ela faça o serviço sujo: jogar merda no ventilador e desqualificar o “dedo-de-seta” nas suas acusações ao ministro. Pois bem, algumas perguntas se seguirão:

1- Se você fosse um ministro putanheiro juramentado, iria admitir, numa CPI transmitida ao vivo para todo país, que frequentava a zona?
2- Quem quebrou o sigilo do caseiro? o zé-mané da CEF ou a revista “Época”? Pra mim, quem quebra sigilo é quem conta o fato. Se “Época” não tivesse publicado, quem saberia?

“Época”, ao publicar a história de Francenildo, em nenhum momento pensou em preservar sua vida particular, seu “problema com o pai” – entre aspas pois foi muito mal apurada essa parte da matéria -, descobrir a origem dos trinta paus, e aceitou, passiva e irresponsavelmente, a versão do “quebrador de sigilo”: e se o extrato fosse falso? Não é ilegal divulgar dados obtidos ilegalmente?
Todo esse caso mostra que nossa imprensa é de mentirinha, apenas mais um tentáculo do show-business, muito distante dessa minha visão puritana e ingênua do que deveria ser o papel do jornalista. Afinal, só para fazer um flash-back rápido, vamos a algumas “matérias” divulgadas, somente sobre os escândalos do governo, e seus resultados:

- As FARC financiaram a campanha de Lula em 2002 – qual o desfecho? o de sempre, o esquecimento. Afinal, o show já terminou…
- Dólares de Cuba (!) financiaram Lula – não me lembro (nem estou a fim de pesquisar), mas me recordo que, quando da apresentação da reportagem, fiz um cálculo rápido do volume ocupado pela quantia declarada (em notas de US$ 100), e cheguei à conclusão de que o dinheiro não cabia nas caixas de Red Label declaradas. Simples assim. E ninguém está falando mais nada sobre isso…
- Fernanda K Somaggio – Esta, então, nem se fala. Saiu na VIP (na Playboy seria um crime), atirou pra todo lado, mas, de prático, rendeu o que? Onde está FKS?

Onde quero chegar? Simples: nossa imprensa é rasa de idéias e ideais. É quase como aquela fofoqueira do bairro, que fica no portão falando dos vizinhos, sem nenhuma responsabilidade. Com a diferença que a fofoqueira faz isso de graça.


Sigilo Bancário – Dinheiro e dinheiro

março 21, 2006

Engraçado. Presidente gasta 20 contos de roupa, um camarada paga a conta e não mostra o canhoto do talão de cheque nem a pau. Congressista pode passar na boca do caixa e pegar um capilezinho - pau mínimo de vintinho – de uma das contas de um “Pubilcitário/Empresário” no mínimo trapalhão. No andar um pouco abaixo, durão e mequetrefe durante a vida toda, neguinho entra em partido político, assume cargo interno relevante, ganha jeepinho de empresa que, na contramão, ganha uma bolada trampando para a Petrobrás. O ex-mequetrefe, do dia p´ra noite, vira habituéé dos templos da VIPaiada. E ninguém se preocupa com o extrato bancário do cabra.
No meio do caminho, Ministrão é ex-parceiro de nego que, ao telefone, auto entitula-se corrupto. Até aí, beleza …
Até que me vem um caseiro e fala que o tal Ministrão e o auto-entitulado corrupto não são ex-brothers a tanto tempo assim. O quebra-pau entre eles é mais recente. Diz ainda que antes da briga os caras se viam, vez por outra, p´ra trocar umas idéias, numa casa alugada para um joguinho de tênis, preferencilamente desacompanhado das patroas e filhos … tipo futebol/cerva de 5ª à noite, que todo mundo gosta.
Até aí, beleza … Até que escarafuncham a conta do caseiro (sem que peçam e sem ele saber) e acham um dindim depositado. Como? O cara é caseiro, presumivelmente um duro !!! Trintinha na conta do malandro ??? Aí tem treta!!!
Ah, então tá, vai …


O Pravda da classe mérdia brasileira

março 14, 2006

Se você lê (só lê) a revista “Veja”, talvez identifique aqui algumas ofensas à sua qualidade de informação. Não, não vista a carapuça, por favor. Não é nada pessoal.
Eu leio a dita-cuja. Um pouco por dever profissional (sou taxista e jornaleiro, preciso saber o que meu público “pensa”), e um pouco para aumentar a secreção de fel, sempre necessária para a tarefa de escrever neste blog.
Estava com um rascunho para publicar falando sobre o que eu chamo de “engolição de notícia”. O senso crítico e questionador (o azedume), a desconfiança, a pulga atrás da orelha, enfim, as atitudes que realmente mudam a situação da espécie humana estão em franco recessso. Hoje ninguém está questionando nada. Talvez por isso os golpes dos estelionatários estão sendo tão bem sucedidos. Estamos em 2006, e até hoje se aplica o “golpe do bilhete”, alugam-se casas na praia que não existem, daqui a pouco estarão vendendo o Pão de Açúcar ou o Viaduto do Chá de novo. E os potenciais otários, como sempre, serão os bravos representantes da classe mérdia. Porque eles sempre se acham mais espertos que o vigarista, só isso.
Os classe mérdia acreditam no governo quando não devem e não acreditam quando devem. Seguem sempre a maioria de seus pares. Não questionam, não discordam (exceto em assuntos desimportantes, que é para não parecerem chatos) e seguem a cantilena propalada pela “imprensa”, sem perceberem que o interesse da “imprensa” é exatamente manipular suas opiniões para atingir seus (dela, a imprensa) interesses.
Gente da classe mérdia endeusa figuras bizarras como Diogo Mainardi, com comentários do tipo “É o novo Paulo Francis”, ou “fala o que eu sempre quis dizer”. E essa é foda, porque quem não tem opinião sempre quer dizer o que o outro diz, não é mesmo? Afinal, ele não ia falar nada mesmo…
Para quem quer se deformar, a “Veja” é mesmo uma referência. Tendenciosa desde a seção de cartas (onde alguns babacas ainda se jactam de ver suas missivas -sempre elogiosas- publicadas), publica opinião como se fosse notícia, com linguagem engraçadinha (bem ao gosto da “bem-humorada” classe mérdia), distorce fatos de maneira acintosa a um leitor razoavelmente informado, coloca testas-de-ferro para escrever matérias, digamos, perigosas, destila ódio contra os inimigos e ex-amigos. Mas, convenhamos, o serviço é muito bem feito. Vende mais que a tradicional “The Economist” americana.
Para eles, esta é A Verdade.


Leia antes de acreditar na imprensa!

março 8, 2006

Teodoro Sampaio, esq. com Virgílio C. Pinto, 13 h. e 40 min. . Uma senhora, esbaforida e gorda, dá sinal para mim, do lado esquerdo da via (eu vinha pela direita). Seta daqui, jeitinho dali, aguento um xingamento e embarco o boneco*.
(B) – TV Record, por favor. Pegue aqui à sua esquerda, pela Av. Sumaré, blá, blá, blá…
(EU) – Pois não.
(B) – Olha, nunca estive tão atrasada em toda minha vida… (ela quer dizer para eu não enrolar na corrida)
(EU) – Puxa, e justo eu fui o contemplado… (eu quero dizer: o atraso é todo seu, eu passei na hora certa)
(B) -Não, tudo bem. (ela se tocou que é pra não se estressar, senão a corrida não termina no meu carro)
A passageira começa a assoar o nariz. O ar-condicionado está ligado.
(B) – Parece que eu cheiro cocaína, né? Mas não, tenho rinite. O pessoal que cheira vive assoando o nariz.
(EU) – Quer que desligue o ar (eu penso: calor do caralho, e essa fera vai mandar desligar)?
(B) – Não, está bom. Não, é melhor desligar (eu penso: ela passa horas num ambiente com ar, e veio ter ataque de rinite no meu carro).
Segue o bonde, em direção à emissora do pastor.
Não costumo puxar assunto com passageiro, mas foi ela quem começou:
(B) – Sabe, eu entro às 13h. (eu penso: isso não é um atraso, é um dia descontado do salário!). Tenho uma reunião de pauta às 14h. (eu penso: dá tempo, tranquilo… ela é jornalista!).
(B) – Sabe, esse horário é muito ruim, vou mudar para as 14h. Assim dá tempo de fazer as coisas de casa, preparar uma comida, almoçar em casa (eu penso: com essa circunferência, comida é prioridade zero…), e deixar o almoço pronto para meu filho adolescente. Ele tem mania de ser magro, só come frango com salada.
(EU) – Puxa, tem que tomar cuidado com o menino nessa idade e tão preocupado com peso.
(B) – Em que sentido?
(EU) – Essas coisas de anorexia, bulimia, e tal.
(B) – É, a gente tem de se preocupar com as drogas (eu penso: cuma??). É complicado ser mãe, não vem manual de instrução (eu penso: ai, meu deus, o bicho vai pegar!).
(B) – Ele se desenvolveu muito rápido, tem 14 anos, 1m86cm, calça 46, tem barba cerrada. Tem muita dificuldade para se adaptar, quer sempre estar com pessoas mais velhas, um gênio terrível (eu penso: esse moleque tem pai incerto e não sabido, vou perguntar…).
(EU) – E o pai?
(B) – Eles não se falam mais. Se davam bem, mas o menino cortou relações, brigaram; também, o pai é um idiota (eu penso: se foi essa a imagem que ela passou, brigar com o pai ficou barato). É um alcoólatra, inútil. Veja bem, alcoólatra não é aquele que bebe até cair, mas aquele que bebe muito todo dia (eu penso: será que ela está querendo aliviar a barra do bebum, dar-lhe um vernizinho… Será que ainda nutre algum sentimento pelo imprestável?)
(EU) – Você é jornalista? (como se eu não soubesse.)
(B) – Sou. É uma loucura. É uma profissão maldita.
(EU) – Na TV, então, é uma máquina de fazer doidos (belo lugar-comum, ideal para abrir o coração do boneco)
(B) – Ah, você nem imagina. Mas esse pessoal da Tv, tem uns caras aí que aparecem na tela, é tudo ilusão, não sabem nem escrever! Mas o Paulo Henrique Amorim é sensacional.
(EU) – Acredito… É, ele é bom mesmo.
(B) – Nesse meio, a pessoa “pé-de-boi” nunca é valorizada. Quem faz tudo ao mesmo tempo é deixada de lado. Aquele cara que enrola, faz só uma coisa, esse sim é valorizado… (eu penso: ela deve ser aquela levantadora de pauta, checadora de matéria, fica lá procurando o telefone do entrevistado/citado, etc. – não é uma função desimportante, muito pelo contrário, mas ela não deve achar que estudou só para isso. Seu sonho era ser uma Fátima Bernardes, ou, pelos dotes físicos, uma Sílvia Popovic).
(EU) – Chegamos, e a senhora não vai perder a reunião.
(B) – Quanto foi?
(EU)-14 reais (eu penso: a caixinha é este post…).

*”boneco”: gíria profissional, significa “passageiro”, não tem gênero (“boneco” pode ser tanto homem quanto mulher.). Acho que é porque o cliente fica feito um boneco no banco de trás, sacolejando na viagem.


Rogério Ceni

março 7, 2006

Finalmente o Faustão dos Desportos, Ivete Sangalo dos Gramados e Zé do Caixão do Jornalismo Esportivo, Galvão Bueno, teve o papai aqui como dileto espectador de seu programa semanal. Estava lá o Rogério Ceni. Vou logo deixando claro, sou Palmeirense, mas, acima de tudo, prezo alguns valores que o Marcão já os tem (e de sobra, diga-se), mas, com o Sãopaulino (a maiúscula é para fazer uma média com o Vini e com o Tomás, vá lá…) a situação fica polêmica.
Como o Marcão é o boa gente em pessoa, simples e direto, tipão interiorano, todo mundo o tem como um irmãozão mais velho. Já com o Rogério, não são poucos que o taxam de mascarado, pedante, arrogante e por aí vai. Só pode ser por despeito!
P´ra começar, o cara foge do estereótipo música chimfrim – correntão de rapper – cabelinho frufru -, a santíssima trindade da boleirada. Não invoca Deuses sobre todas as coisas, inclusive sua capacidade. Não é adepto da humildade obrigatória e servil (que muitos utilizam apenas como máscara). É bem articulado, discute de igual para igual com qualquer um – não apenas futebol -, apresentando conteúdo e profundidade. Até Pink Floyd o cara ouve !!! E ainda arranha uns bends na guitarra.
Resumo da ópera (rock, of course) … você imagina um diálogo decente desse cara com o Grafite, por exemplo? Pois é. Não se trata de crítica a este último, mas de mera base para efeito de comparação. Aí um monte de jornalista esportivo fica de muxoxos com o cara. Me parece que eles gostam mesmo é de respostas óbvias (ou melhor, da mera confirmação do teor de cada uma de suas perguntas), dada por jogadores sem a menor formação. Ou seja, querem sempre molezinha do entrevistado … em havendo o menor sinal de conteúdo, não serve. Daí a mediocridade da cobertura esportiva, algo que deveria ser levado mais a sério, pois, segundo Juca Kfouri, das coisas de somenos importância, o futebol é das mais sérias.
Portanto, onde estiverem Rogério Ceni, Marcão, Junhinho Paulista, Sócrates dentre outros poucos, sinto que vale uma paradinha p´ra conferir. Mesmo que o animador de auditório não mereça crédito.


Sobre Prepotência

março 7, 2006

Os episódios recentes do zagueiro Antônio Carlos e do Militar do overbooking no aeroporto são amostras precisas de um fenômeno que vem assolando o mundo. A prepotência.
Não vale a pena discorrer sobre os casos elencados acima … os protagonistas são dignos de desprezo. Ocorre que o ato de sobrepor-se a outrém está se generalizando de uma maneira avassaladora, inclusive nos momentos de mínima convivência em sociedade. Seja no trânsito ou na fila do supermercado, imperam a esperteza, a astúcia, a mão grande e a malandragem. E olhe que trata-se aqui apenas de fatos cotidianos e banais. Imagine quando os fatos vão se tornando mais sérios e complexos. Imagine ao chegarmos à luta pelo poder.
Não se chega a lugar algum dessa forma.


Grande prêmio DIOGO MAINARDI DE LITERATURA

março 7, 2006

Para homenagear o grande beletrista e imortal DIOGO MAINARDI, ícone da classe mérdia e dos deformadores de opinião, estou propondo neste espaço a colaboração dos amigos, inimigos e neutros, no sentido de produzirem textos “ao estilo” DM. Vejam bem, não precisam usar o “conteúdo”, basta a “forma”: Frases curtíssimas (como aquelas crianças que recém perderam a oralidade nos textos), com palavras mais sofisticadas (como de quem acabou de ler um dicionário escolar), entremeadas com termos em inglês, francês ou italiano (próprios de um cidadão “do mundo”- mesmo que financiado pelo papai). Citações em latim também serão benvindas. Um estilo, digamos, “pueril-chique”. Dêem asas à imaginação. O vencedor receberá em sua residência, livre de despesas, um livro do beletrista e imortal (não autografado, pois aí já é demais!), acompanhado de um recorte de jornal que critica – negativa e injustamente – obra de tamanha envergadura. Entrega sujeita a certa demora, pois terei de procurar numas caixas cheias de papel velho e objetos inservíveis. Aliás, agradeço à Profa. Antonieta, nossa cliente, por ter-me agraciado com tal produção literária, motivada que foi por ver-me no ponto de táxi sempre lendo algo no carro.

ALEA JACTA EST!


Eu acabo torcendo pelo Togo

março 6, 2006

A coisa ficou braba até mesmo na nossa torcida canarinho, capitaneada pela onipresente campanha cervejeira para a Copa do Mundo. Dentre as cinco estrelas simbólicas de nossas conquistas no futebol, fazendo a tabelinha futebol-música brasileira, constam duas extraídas diretamente dos péssimos programas de auditório dominicais. Portanto, se você, caro torcedor, não perde seu tempo com trilha sonora para beijo em bloco pago, cercado de pobreza por todos os cantos – que dizem carnaval de rua -, ou ainda, com a pobreza estética de um tal funk carioca – que deve estar fazendo o bom e velho Tim Maia se revirar no túmulo -, não se meta a estragar a festa.
A escolha desses dois Arakens do Futebol Moderno se deve a alguma pesquisa qualitativa, que marqueteiro tanto adora. E ai de vocês que não entendem o gosto popular, a tradução do que é brasilidade em tempos de Copa, do mainstream da emoção que a camisa canarinho desperta! Vai ser tachado de antípático, elitista e mau torcedor, ou seja, um traidor da pátria de chancas. Gostaria apenas de torcer em paz, pelo simples prazer de ver a molecada do meio de campo para a frente arrebentando com a auto estima da gringaiada. Mas não, meu prazer deve ser subsidiado por essa mediocridade toda.
Decididamente, se para me engajar nessa nova empreitada coletiva, o pressuposto é aceitar o mau gosto e a pobreza estética, um dia acabo me pegando torcendo pelo Togo.


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