Mea maxima culpa

maio 31, 2006

Fiz um pequeno exercício de CtrlC / CtrlV. Cinco minutinhos de trampo na Internet. Apenas ordenei os trechos das entrevistas, sem qualquer manipulação para alterar os sentidos.
O cara é Mackenzista, Malufista, Pefelista juramentado. Portanto, acima de qualquer suspeita. Bom divertimento.

“…O consumismo estragou o Brasil …”

“…é claro que a educação é necessária … O grande problema é a falta de ética … Faltou a possibilidade de educar para o consumismo… O consumismo brasileiro é desenfreado. Os produtos de luxo têm de ser mais tributados….”

” … Eu me assusto com toda a realidade social brasileira. Acho que tudo isso foi um grande alerta para o Brasil. … Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa. …”

“…Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar. … Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país. …”

“… A casa grande tinha tudo e a senzala não tinha nada. Então é um drama. É um país que quando os escravos foram libertados, quem recebeu indenização foi o senhor, e não os libertos, como aconteceu nos EUA. Então é um país cínico. É disso que nós temos que ter consciência. O cinismo nacional mata o Brasil. Este país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a quem doer, destrua a quem destruir, porque eu acho que só a verdade vai construir este país.
O que eu vi foram dondocas de São Paulo dizendo coisinhas lindas. Não podiam dizer tanta tolice. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo. …”

“… A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações. …”

“…Mas se nós não mudarmos a mentalidade brasileira, o cerne da minoria branca brasileira, não vamos a lugar algum. …”

Cláudio Lembo *

*Atual Gopvernador. Exerceu os cargos de secretário dos Negócios Extraordinários entre 1974 e 1979, secretário de Negócios Jurídicos entre 1986 e 1989, secretário de Planejamento em 1993 na prefeitura de São Paulo, além de ter exercido o cargo de prefeito por diversas vezes, na condição de secretário dos Negócios Jurídicos entre 1986 e 1989.


Aqui jaz

maio 28, 2006

Sensacional a definição de Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, sobre a “explicação” de Veja a respeito de publicar o “Dossiê Daniel Dantas”:

“Veja”: “Investigamos exaustivamente; não concluímos nem que era verdade, nem que era mentira; assim, publicamos.”
Alberto Dines: “Isso não é uma piada. É um epitáfio. Um atestado de óbito jornalístico.”


Gerente?????

maio 28, 2006

Vinha este pobre taxista trafegando pela aristocrática Rua Estados Unidos, quando me deparei com um Renault Clio em frente do não menos aristocrático Club Paulistano com um adesivo no vidro traseiro, contendo os dizeres: “O Brasil precisa de um gerente – Geraldo Presidente”, emoldurado por uma imagem parecida com um arco-íris (talvez para cativar o eleitorado gls…).
Pra começo de conversa, digo que uma das coisas mais absurdas no adesivo é exatamente sua frase central: nenhum país, nem este aqui, pode alçar um “gerente” ao posto de presidente da república. Porque uma nação não é uma empresa; seus habitantes não são “funcionários”, nem “clientes” do governo. Um país é um amontoado de pessoas com interesses totalmente difusos, conflitantes, paradoxais. Um quer um prato de comida, outro quer escolher um novo iate… Um quer se internar no Einstein, outro está na fila do HC. E todos eles, independente de suas demandas, devem ser tratados como IGUAIS. E essa noção de igualdade nunca está associada ao gerente. Gerente que se preza escolhe, prioriza, busca resultados focados num único objetivo. Passa como um trator sobre todos os que estiverem “fora da curva”. Dissecam gráficos e apontam correções friamente; demitem, vendem, compram, enfim, são os donos da situação.
O Brasil não precisa de gerente porra nenhuma. Precisa, isto sim, de um grande mediador. Um cara que se coloque na cabeceira da mesa, ouça as partes, pondere com sabedoria e imponha um veredicto, sempre visando descontentar o mínimo de cidadãos sob sua batuta.


Com mel e açúcar

maio 27, 2006

Estou aqui mexendo no computador, e o Tomás – meu filho, para quem não conhece – colocou um DVD do Ray Charles (live em Montreux, 1997). Tudo bem, Montreux parece festival de San Remo, mas o que vale é o homem. Baita naipe de metais, bateria espetacular (sem ser espetaculosa), o figura num piano elétrico e as sensacionais “Raelettes”, quatro mulheres que sabem tudo. Tá facinho, nas bancas, a preço de DVD pirata dos RBD (rebeldes, SBT).


Resumo da Ópera

maio 26, 2006

Conforme já explicado ao meu parceirão Vini, anda meio difícil formular qualquer raciocínio ultimamente, daí minha ausência provisória. A velocidade dessa raça toda em demonstrar estupidez tem sido infinitamente maior que a minha de digerir tudo isso.
Mas o Bate Bola entre o Ilustre Causídico Sérgio Wesley “PCC” da Cunha e o Nobre Deputado Arnaldo “Falastrão” Faria de Sá – Farinha do Mesmo Saco, a rima é pobre mas, vá lá, tudo isso aí não merece maiores sofisticações – , com a conseqüente prisão deste, não dá p´ra deixar passar batido.
Tá tudo aí, impossível poder de síntese maior. Vejamos:
Adevogado Sérgio Wesley: você assinaria uma procuração p´ra esse cabra? Com esse nome?
Deputado Arnaldo Faria de Sá: você daria seu voto p´ra essa figura? Com esse partido?
Depoimentos em Comissões: você compraria uma Brasília confiando na palavra de qualquer um dos depoentes que têm passado por lá ultimamente? Com aquelas fichas corridas?
É o Resumo da Ópera a que chegamos. Quem sair por último que apague a luz.


Vamos brincar?

maio 24, 2006

Exercício lúdico para entender como funciona a doentia mente dos “donos do poder”. Não requer prática, nem tampouco habilidade!

1. – Pegue os balanços dos maiores bancos brasileiros; procure um quadro chamado “Apuração do Resultado no exercício”, ou “Demonstração do Resultado do exercício”;

2 – Procure a rubrica “despesas operacionais” e multiplique por 2 (dois);

3 – Recalcule o resultado, mantendo todos os outros valores. Não se preocupe, é apenas aritmética. Geralmente, aparecem, no canto esquerdo de cada item, os sinais das operações a serem feitas, mas, se não aparecerem, por dedução você descobre;

4 – Se der positivo a rubrica “Lucro/prejuízo do exercício” significa que este banco (banco é só exemplo, serve para qualquer empresa de prestação de serviços) poderia DOBRAR O SALÁRIO DOS FUNCIONÁRIOS ou DOBRAR O NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS DE SEU QUADRO, e, ainda assim, GANHAR MUITO DINHEIRO!

Depois vêm os idiotas de sempre dizer que a culpa é do não menos idiota Delúbio Soares…


PCC x PCC

maio 24, 2006

Sempre achei que rico tinha inveja de pobre. Debocham dos churrascos da favela, mas quando vão às suas megafestas, passam a noite sorrindo amarelo, reparando na roupa do outro, e saem falando mal do anfitrião. Exceção feita, é claro aos aficcionados de, digamos, aditivos químicos, que chegam animadérrimos, mas, quando bate a nóia, dão escândalos memoráveis e vão parar na DP mais próxima, sempre assistidos pelo “passador de pano” de plantão, com sua poderosa carteira, a abafar o caso.
A inveja é uma merda, já dizia o vidro traseiro da Kombi. Para extirpar este vil sentimento do seio dessa “jente de bem, onesta e onrrada – valeu, Capellari-, proponho à musa dos endinheirados, Eliana “daslu” Tranchesi, a criação do seu próprio PCC (Peruas, Colunáveis e Criminosas). PCC de grife, é claro! Não aquela coisinha chinfrim de Marcola, celularzinho brega, advogadinhos de porta de cadeia. Coisa de elite: “jumbo” com espumante, caviar, trufas. Advogado, o que liga é de Mariz de Oliveira to up. E celular, só via satélite, que o bloqueador não derruba.

RDD PARA ELIANA TRANCHESI. Ela também é filha de Deus.


D.D.Dingrid

maio 23, 2006

Ora, somente um pessimista de meia-pataca, como Vinícius – o “Duarte”, não o “de Moraes” – poderia considerar que a referida sra.Ingrid não é um ser humano.
Mais do que isso, ela é um talento nato.
Sua verve; sua dose de polêmica, humor e inteligência dizendo as verdades, doa a quem doer (arrgghh!!!)…
Toda boa publicação tem seu colunista “polêmico”, e aqui não será diferente.
Dona Ingrid, queremos você!!!
Entre em contato e nos dê o privilégio de contar com sua coragem e indignação, qualidades tão raras neste país governado por estes comunistas, bandidos e quadrilheiros!!!


Ato Patriótico no Brasil

maio 22, 2006

Passou meio que despercebido, graças ao destaque que o PCC recebeu nos últimos dias.O jornal USA Today publicou aquilo que deverá fazer a alegria de todo adepto das idéias convencionalmente(mal)definidas como “teorias da conspiração”: o governo americano teria grampeado seu próprio povo desde o 11 de Setembro.Modéstia.Os conspirólogos denunciam que isso é feito há muito mais tempo.A desculpa do governo Bush é o surrado “combate ao terrorismo”.Como já foi o “combate ao comunismo” a justificativa pelo apoio a ditaduras sanguinárias ao redor do globo.A novidade é que não se trata de artigo publicado em sites de ufologia e afins, mas de um “jornalão”.Todo cidadão norteamericano, suspeito ou não,teve seus telefonemas rastreados por um sistema de espionagem hi-tech, monitorado por agências de espionagem, como a NSA.O que isso tem a ver com o Brasil?Quase nada, mas serve como introdução ao tema a seguir:a paranóia observada no Estado de São Paulo, devido aos ataques atribuídos ao PCC, está servindo como justificativa para a recrudescência da brutalidade por parte dos agentes da lei.A compreensível resposta vigorosa da PM ao crime no Estado veio acompanhada de relatos e suspeitas de abusos e, pior, assassinatos considerados gratuitos por testemunhas e conhecidos das vítimas.Chacinas e esquadrões da morte voltam a ser destaque nos noticiários e conversas cotidianas.A “opinião pública” exige respostas e não se opõe ao uso desmedido de violência contra pessoas que tiverem o azar de cruzar com uma polícia desmoralizada e às voltas com seus próprios conflitos internos de ordem moral, espiritual, psicológica e material.Locais onde a população prefere os bandidos à polícia são alvos da desforra indiscriminada.Após o ataque às Torres Gêmeas, a música de uma nota só que passou a ser entoada,quase em uníssono,nas paradas americanas foi aquela que dizia: quem não está conosco, está contra.O chamado Ato Patriótico, restringindo as liberdades civis dos cidadãos americanos, seria então aceito sob a bandeira da Segurança Nacional, e as vozes contrárias às represálias preconizadas por Bush e seu Ministério da Guerra, seriam colocadas em xeque, sujeitas à pecha irresistível de anti-patrióticas ou anti-americanas.Semelhanças à parte, deve-se temer que velhos baluartes da troglodice tropical saiam de sua leve hibernação, brandindo seus tacapes e, auxiliados pela gritaria supersônica de programas de rádio e televisão, instiguem a população traumatizada pelos acontecimentos contra valores de seu próprio interesse, como os direitos civis e humanos que alguns insistem em preservar.


Abram a bolsa!

maio 22, 2006

Foi surpreendente a entrevista do governador de SP, Cláudio Lembo, à Folha e, posteriormente, ao Terra Magazine. Afinal, o discurso de Lembo cairia melhor num político de esquerda, não do PFL. Algumas considerações devem ser feitas: Lembo é elite, é fato. Mas é reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Os americanos (principalmente os protestantes) têm uma consciência social muito mais apurada, ou seja, já perceberam há séculos que ganhar dinheiro é muito bom, mas não deixar a desigualdade ficar muito acentuada garante a paz, o bom convívio e, principalmente, mais lucros.
Comentários irados de pessoas que nem têm tanto dinheiro assim bombardearam o pobre Sr. Burns, que caiu de pára-quedas no campo minado pela desastrosa administração tucana no estado de SP. Bem em cima da mina mais explosiva de todas, a da segurança pública. Voltemos à bolsa.
Os (poucos) ricos brasileiros talvez constituam o que há de mais abjeto na espécie humana. Este é um país com indicadores econômicos de primeiro mundo e sociais de quarto. Os ricos adoram dizer “sou cidadão, pago meus impostos, gero empregos e contribuo para o desenvolvimento do país”. Pois bem, vamos destruir estes mitos hipócritas:

1- “Sou cidadão”: ser cidadão pressupõe muito mais do que ter um CIC, RG, título de eleitor e nome limpo na praça; cidadania significa contribuir para o bem comum, através de ações que façam a coisa funcionar para todos. Se você, elite, é daqueles que não se importam em cometer infrações de trânsito – tenho dinheiro para pagar multas e a pontuação eu apago via suborno – , costuma agir à base de “carteiradas”, do “sabe com quem está falando”, se não instrui o seu serviçal a catar o cocô do seu cachorro, seu conceito de cidadania é, digamos, um tanto distorcido…

2- “Pago meus impostos”: Paga mesmo? Gozado, diversos estudos mostram que a carga tributária no Brasil é das mais injustas do mundo, pois, proporcionalmente, os pobres e a classe média pagam muito mais imposto que os ricos. Você paga somente o imposto que quer pagar.

3- “Gero empregos”: Você gera é uma legião de pessoas que trocam sua dignidade, quando muito, por comida, roupas e moradia precária. Duvida? Visite a casa dos seus serviçais, abra seus armários, passe um fim de semana com eles.

4- “Contribuo para o desenvolvimento do país”: É mesmo? Então porque o país não se desenvolve? Deve ser culpa dos pobres “que procriam feito baratas”, como disse a intelectual Ingrid. Deve ser culpa do governo, que você elegeu, injetando dinheiro e colhendo benesses.

Para não ser interpretado como crítico de palavras vazias, faço propostas aos ricos e poderosos para que a situação, pelo menos no raio de ação deles, melhore:

1- Seja cidadão: respeite as leis, não as discuta. Conviva de maneira harmoniosa com todos, trate todos de igual para igual. Não discrimine as pessoas. Não se ache mais importante que ninguém, olhe para si e veja que as moléculas, tecidos e órgãos de seu corpo são iguais às dos outros, e que terão o mesmo fim; coloque-se no lugar do outro, não tente levar vantagem em tudo (Vila Rica já não existe mais);

2- Pague impostos: o governo é corrupto? não vê onde seu dinheiro é aplicado? Cobre, fiscalize, mas PAGUE SEUS IMPOSTOS! Dispense aquele monte de “consultores e engenheiros tributários” da sua empresa. Crie uma “alíquota própria”, um imposto que você mesmo gerencia para aplicar nos pobres próximos a você. Seja um “governinho”. Sabe aquele carro de 500 mil que você ia comprar? Compre um de 250 mil (ainda seria um puta carro), e com o troco construa 10 casas. Aquele vestido da Daslu, que custa 10 mil? Compre um de 5 mil (um puta vestido), e invista a diferença em 200 uniformes escolares.

3- Gere empregos: o tempo da escravidão já deveria ter passado, mas ainda não se foi. Só vocês podem mudar essa situação, já que são os donos dos postos de trabalho. Paguem salários dignos, eduquem seus funcionários. Em vez de aceitar (sub)contratar um policial como segurança nas folgas dele, pagando 1000 reais/mês, ofereça a ele a oportunidade de se desligar da polícia recebendo, por sugestão, 4000 reais. Estará dobrando o salário e tendo-o disposto e alerta em tempo integral. Aquele jardineiro burro que não corta a grama na medida desejada pode ser encaminhado a um curso de jardinagem, e, de quebra, a uma palestra sobre planejamento familiar, para que não fique “procriando feito baratas”.

4- Contribua para o desenvolvimento do país: Se só você cresce, o PIB aumenta, mas o país não se desenvolve. Pense na acromegalia, uma doença onde uma pessoa tem suas extremidades crescendo desproporcionalmente ao resto do corpo: o queixo cresce, mas o rosto não. As mãos aumentam, mas os braços não. É bonito isso (salve, Lilico)? O país só vai crescer se todos os cidadãos crescerem. Isso é desenvolvimento: crescimento harmônico e constante.

Pra arrematar, uma frase para você, elite, repetir todos os dias ao acordar:

“Ele é pobre, eu sou rico, mas as bactérias não fizeram faculdade de economia”.


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