Entrei na escola em 1971, no Grupo Escolar Brasílio Machado, escola estadual. Nestes 35 anos, muita coisa mudou no mundo. Os velhos costumam dizer “no meu tempo era melhor…”. Acho que estou ficando velho, pois esse bordão me parece inevitável. A diferença é que eu ainda consigo identificar exatamente onde e quando as mudanças ocorreram.
De 71 a 76, afora o fato de termos de hastear a bandeira todas as segundas-feiras e baixá-las às sextas, termos de cantar o hino nacional, canções do tipo “Este é um país que vai pra frente – woh, woh, woh, woh, woh”, ouvir na vitrola o compacto de Don e Ravel e ter aulas de Educação Moral e Cívica, a coisa ia bem. A escola era respeitada, os professores eram comprometidos com o trabalho e os alunos sabiam de seu papel. Em 77, percebi que alguma coisa tinha mudado: apareceram uns professores estranhos, aboliram o uniforme, dava pra cabular aulas pulando o portão do fundo. Minha mãe era diretora de escola do estado e, quando completei a oitava série, mandou-me imediatamente para uma escola particular (que quando eu era menor, era apelidada de “PP-pagou, passou”).
Tudo isso para dizer que o “Gegê do Mangue”, líder do PCC, tinha o nome de Rogério e estudou no Brasílio, bem na época do desmonte. É um sobrevivente, pois a maioria dos seus colegas de classe (escolar, bem entendido) que entrou para o crime está hoje morta.
Este é o resultado de uma desastrosa administração pública na área de educação, começando de maneira mais acintosa no governo Maluf (o que disse a lapidar frase: “professora não é mal remunerada, é mal casada). Hoje eu entro para participar da reunião de pais na escola (pública) de meus filhos, e parece que entrei num presídio amotinado. A obra ficou pronta, senhores. Um brinde à destruição da escola pública!
Em Zurique não tem PCC, em Estocolmo não tem CV. A Austrália é muito parecida com o Brasil, tem pouco mais de 500 anos, foi colônia, fica no sul e não tem ADA. O comum entre estes três lugares (Suíça, Suécia e Austrália) é a prioridade à educação das pessoas. Elas têm todo o direito de se tornarem criminosas, mas por aqui é quase a única saída. Ficam oito anos na escola, saem semi-analfabetos e ignorantes. Não conseguem trabalho, e acham uma excelente fonte de renda no crime. Aí, dá nisso.
Este governo que aí está teve 12 (doze) anos para reerguer o sistema educacional. Preferiu alimentar a indústria criminosa e investir na construção de presídios. A continuar assim, poderemos unir as pastas de Administração Penitenciária com a de Habitação, economizando muito com o “enxugamento da máquina” e praticando o “choque de gestão”. Afinal, logo, logo, só vai ter bandido em SP, e precisaremos de “casas” para a bandidagem morar em paz.
Escrito por Vinicius Duarte