Aqui jaz

Maio 28, 2006

Sensacional a definição de Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, sobre a “explicação” de Veja a respeito de publicar o “Dossiê Daniel Dantas”:

“Veja”: “Investigamos exaustivamente; não concluímos nem que era verdade, nem que era mentira; assim, publicamos.”
Alberto Dines: “Isso não é uma piada. É um epitáfio. Um atestado de óbito jornalístico.”


Gerente?????

Maio 28, 2006

Vinha este pobre taxista trafegando pela aristocrática Rua Estados Unidos, quando me deparei com um Renault Clio em frente do não menos aristocrático Club Paulistano com um adesivo no vidro traseiro, contendo os dizeres: “O Brasil precisa de um gerente – Geraldo Presidente”, emoldurado por uma imagem parecida com um arco-íris (talvez para cativar o eleitorado gls…).
Pra começo de conversa, digo que uma das coisas mais absurdas no adesivo é exatamente sua frase central: nenhum país, nem este aqui, pode alçar um “gerente” ao posto de presidente da república. Porque uma nação não é uma empresa; seus habitantes não são “funcionários”, nem “clientes” do governo. Um país é um amontoado de pessoas com interesses totalmente difusos, conflitantes, paradoxais. Um quer um prato de comida, outro quer escolher um novo iate… Um quer se internar no Einstein, outro está na fila do HC. E todos eles, independente de suas demandas, devem ser tratados como IGUAIS. E essa noção de igualdade nunca está associada ao gerente. Gerente que se preza escolhe, prioriza, busca resultados focados num único objetivo. Passa como um trator sobre todos os que estiverem “fora da curva”. Dissecam gráficos e apontam correções friamente; demitem, vendem, compram, enfim, são os donos da situação.
O Brasil não precisa de gerente porra nenhuma. Precisa, isto sim, de um grande mediador. Um cara que se coloque na cabeceira da mesa, ouça as partes, pondere com sabedoria e imponha um veredicto, sempre visando descontentar o mínimo de cidadãos sob sua batuta.