Esquizofrenia – Não à Internação

A revista “Época” deu capa a Ferreira Gullar, pai de dois filhos portadores de esquizofrenia, onde ele aborda a necessidade, em alguns casos, de internação, indo contra a chamada “luta antimanicomial” no Brasil.

O bonitão da novela das 8 surtou – diga-se, a autora da novela vem retratando de maneira bastante razoável o assunto -, e as pessoas vêm tomando contato com o problema, que atinge muita gente. Gente que pode estar bem aí, ao seu lado, e você nunca percebeu. Às vezes, nem ele percebeu.

Estou convivendo de perto com um portador de esquizofrenia e conhecendo a história do seu tratamento. Ele tem hoje 40 anos, e já foi internado inúmeras vezes; a família dele TINHA posses, e ele foi tratado nas “melhores” clínicas do Brasil, pelos “melhores especialistas”. O mais correto, no caso dele, seria substituir “melhores” por “mais caros”. Em alguns casos, substituir por “picaretas”. A família quebrou, e, como sói ocorrer aos quebrados, as portas desses “melhores” foram se fechando, até que tiveram de recorrer ao SUS e seu braço ambulatorial para transtornos mentais, os CAPS - Centros de Apoio Psiquiátrico.

Há coisa de duas semanas, fui assistir a uma palestra na UNIFESP, onde o pai desse portador iria dar um depoimento sobre seu filho e a experiência acumulada no tratamento do transtorno. As lágrimas me vieram aos olhos quando ele disse que, mesmo com todo o dinheiro gasto (não foi merreca, não, acreditem!) desde que o problema apareceu, nunca seu filho teve um tratamento tão bom como está tendo agora, com o pessoal do SUS-CAPS Itapeva. O cara tá melhorando como nunca, em poucos meses de tratamento; se tivesse começado antes, poderia ser alguém totalmente integrado á sociedade. Ainda não é, mas vai chegar lá.

“Chorô purquê, mermão?” . Chorei porque eu estou virando um velho chorão. Chorei porque eu estou vendo gente no serviço público que gosta do que faz, faz bem feito e se empenha muito mais do que os tais  ”melhores”, sem receber nem 10% do que esses medalhões ganham para manter seus “spas psiquiátricos”. Chorei porque, por causa desse meu amigo, agora eu entendo uma pá de nego dormindo embaixo de uma ponte, com o mesmo problema dele, que a família não soube como tratar e abandonou. E ele podia ter sido tratado de graça, pelos bravos servidores do SUS.

Lendo (um trecho) da reportagem da Época, chorei de novo porque eu acho que reabrir uma discussão sobre um procedimento comprovadamente ultrapassado e ineficaz (internação psiquiátrica por longos períodos) divide forças entre as pessoas interessadas na recuperação dos portadores, quando foi exatamente a união desses em busca da melhora das condições de tratamento o fator primordial para a atual situação de excelência dos CAPS.

Depois o assunto volta, fiz até uma categoria especial para ele.

Quem quiser saber mais sobre esquizofrenia, procure a ABRE – Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia.

Tá, tá, tá, tá bom… Pode assistir a novela, também. Já é alguma coisa.

Uma resposta para “Esquizofrenia – Não à Internação”

  1. André Nogueira Disse:

    Vinicius,
    No seu próx níver já sei o que te dar: http://www.lencospresidente.com.br/ (escolha o modelo).
    Tenho um pouco de contato, muito pouco, mas tenho por conta do trabalho, da experiência como acompanhante de enfermos e por tabalhar dentro de hospitais públicos por um período da minha vida.
    Presenciei alguns episódios onde, apesar dos pesares, o serviço público de saúde atendeu melhor que o privado.
    Os fatores que levam ao surpreendente bom atendimento/resultado, resumidos por mim como “abnegação”, são primordiais pra isso.
    No sistema privado dedicado à classe média/baixa, o atendimento/agendamento de consultas demora tanto qto no SUS.
    Por serem privadadas, algumas operadoras de saúde administram suas empresas (englobe aí: ausência de medicina preventiva, logística de atendimento péssima, acompanhamento do tratamento inexistente) “proporcionalmente” pior que o setor público.
    Excluo os centros de excelência da crítica, pois não os conheço suficientemente.

    Vinicius: Legal, André. Pô, taí um negócio que não afundou com a modernidade… Lenços de pano.

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