Morreu? Antes ele…

Junho 5, 2009

Somente alguém tolerante e reconhecidamente sábio como o Vinícius para escrever um longa-metragem lírico, com a provável intenção de fazer aqueles acéfalos pensarem um pouco.

Por isso, estou com o André: ESQUEÇA!

Já faz um tempo que estou para escrever algo sobre futebol, mas para mim é o tema que merece o mínimo esforço. Aliás, em breve mudarei este “Gravatar”, que alude a um tempo em que eu era “fera” no futebol de botão. Naquele tempo – nem tão distante e, por isso, é mais difícil aceitar o que vem ocorrendo, já que o “passado” está ainda fresco na memória- você não matava e nem morria por causa de uma bola.

Mas o esporte, em si, é o de menos. Vivemos numa sociedade “malandra”. Mas não o malandro que faz do limão uma limonada. O malandro que, numa situação emergencial, improvisa e compra um vidro de Super Bonder para “colar” um coração e estancar uma hemorragia, coisa que não está prevista nos compêndios de medicina, mas que salvou uma vida. Esse Brasil já era. O malandro atual que me refiro é um adolescente chorão no corpo de homem feito. E um adulto que tem tempo de sobra para não pensar em nada e um monte de propaganda consumista na cachola. A escolaridade é o de menos. O pai de muita gente não sabia ler e escrever, mas sabia exigir dos filhos que pedissem licença e agradecessem. Que não deixava os filhos para os outros tomarem conta. Em suma, eram pessoas grosseiras, mas que tinham vergonha na cara. Que sabiam que seu nome era uma das poucas coisas valiosas que possuiam. Que não cortavam o cabelo de um jeito, só porque um debil mental ( que ficou rico num programa onde a regra é ser mau-caráter ) corta deste jeito.

Era um tempo em que  a palavra “humildade” era representada por um Jesus Cristo lavando ou beijando o pé de alguém, e não um eufemismo dito por alguém que não sabe  ( por falta de amadurecimento e masculinidade ) ouvir um “não”, e fala enquanto gesticula como se estivesse te apontando uma arma ( no caso, o certo seria “umildade” ) para te intimidar ( “na umildade”, claro ) e conseguir as coisas de seu jeito. E cada vez que eu olho ou escuto um destes jogadores da atualidade se “expressando”, eu vejo um desses torcedores limítrofes ( Marcos, Kaká e Rogério Ceni à parte, claro ).

E, seria exigir muito desta geração de jogadores, que tivessem alguma articulação intelectual e coerência para que, em protesto a esse estado de coisas, decidisse não mais jogar bola, recusando o papel de “motivo” das brigas e tretas. Em último caso, lembrem-se, os jogadores “defendem” um clube, um time, e é em nome destes times que os tais torcedores fazem as cagadas de praxe. Mas, dizem que o espetáculo deve continuar. A sociedade do espetáculo exige isso: quem quiser “espetáculo”, deverá abdicar do amadurecimento. Em suma, deverá permanecer uma criança teimosa e birrenta. Decorre daí que o resto da sociedade que não aprecia o mesmo tipo de “espetáculo”, deverá se submeter aos caprichos infantis da maioria infantilóide. Que não aceita “nãos” e nem limites. Vejam: alguém pode me explicar quando foi que o futebol assumiu um status de intocabilidade? De inquestionabilidade? Que passou a ser algo líquido e certo na vida das pessoas, a ponto de alterar costumes e cotidianos, sem contestações? Oras, até quem não gosta deste esporte tem a vida interferida por algo que não deveria passar de “gosto e interesse” pessoal de outrem.

Um exemplo: se, quando um filme brasileiro ( sei lá, pode ser o “Quatrilho” )perdeu a disputa pelo Oscar, os fãs e apreciadores de Cinema revoltados, passassem a quebrar tudo o que vissem pela frente, o que se diria? Diria que eles não tinham o direito de fazer isso. Ora, mas se eles são cinéfilos fanáticos ( como “torcedores fanaticos” ), eles teriam o mesmo “direito” de fazer quebra-quebras, não? Por quê o futebol merece um tratamento privilegiado, se é apenas questão de “gosto e interesse pessoal”, ainda que de maior alcance?

Que vocês acham daqueles que tatuam seu amor pelo clube no corpo todo? Que se tornam um personagem de quadrinhos que só fazem uma coisa e só agem de um modo, de forma que você já sabe o que ele vai fazer?

Enfim, há duas escolhas para ( verdadeiro ) o fã de futebol: torcer para que o Tostão viva 200 anos e prossiga escrevendo elegantemente como sempre faz, ou seguir se entupindo de Lance, um jornal feito por e para debilóides cuja única preocupação na vida é seu time de futebol. O tipo de “rivalidade” boçal que estes jornais ( eu usei o Lance como exemplo, mas pode ser estes “Mesas Redondas” ) estimulam não os exime de culpa. Tratam os jogadores mental e intelectualmente incapazes como deuses e referenciais. Alguém um pouco mais preparado, como o citado Rogério Ceni, é apresentado ou visto como “arrogante”. A popularizice vulgar e obscurantista é vista como algo positivo. Como se o popular de antes não fosse melhor que o popular atual ( sabe, tipo Elizete Cardoso ou Jacob do Bandolin versus “O Créu” )

Aliás, há uma terceira: deixar que se matem e boicotar o futebol, que já torrou o saco.


Facadas e Pauladas – Parte 3

Junho 5, 2009

A caravana da Força Jovem rasgava a Dutra. Dentro dos ônibus, maconha e cachaça à vontade. Pó tinha também, mas era só pros “guerrero linha de frente”. Maicon bebeu. Bebeu e fumou. Gritou e cantou. A maconha fez ele ver seu braço como na foto que ilustrava seu nick. O álcool deixou-o valente como nunca.

Na altura de Guarulhos, ROCAM a postos. Comboio interceptado. “Aê, galera. Sujô! Muquia os BO que os rato cinza vai revistá!”. Comandante falou, tropa obedeceu. Todo mundo sentado, tipo excursão da escola. Janelas abertas, olhos vermelhos, risos contidos.

O tenente da PM se apresenta ao primeiro ônibus: “Pessoal, bom dia. Queremos que vocês se divirtam, tenham um bom jogo. Daqui em diante, vocês vão escoltados até o Pacaembu. Não quero ninguém pra fora dos ônibus, sem provocação, sem gritaria, ok?”

A turma aquiesce. O tenente sai do ônibus e as motos são ligadas. Vinte e duas, para quinze ônibus com cinquenta pessoas cada. As motos vão na frente e a caravana segue. Fim da Dutra, o fedor do Tietê invade os ônibus e se mistura ao cheiro de maconha, sovaco e cachaça dos torcedores. O Pacaembu é logo ali.

Na altura da ponte Cruzeiro do Sul, o tenente recebe aviso pelo rádio: “QAP, tenente?”. “Prossiga”. “Tenente, tem uma QRU aqui na altura da Ponte das Bandeiras, interceptamos um ônibus do Corinthians, estamos averiguando o interior e os ocupantes, QSL?”. “Putaqueopariu, sargento! Justo aí? O comboio do Vasco tá a um km daí, porra! Vou mandar parar e quando estiver liberado daí me avisa, ok?” .”QSL, tenente. Vamos agilizar por aqui.”

(continua no próximo post, QSL?…)


Facadas e Pauladas – Parte 2

Junho 5, 2009

(continuação do Post anterior)

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ATENÇÃO – antes que algum acéfalo*, turbinado pelo Google, caia aqui e faça/diga/escreva qualquer coisa, informo: O TEXTO ABAIXO É FICÇÃO**. FICÇÃO PURA.

*  Acéfalo = Ser vivo que perdeu ou não tem cabeça.

**Ficção = Coisa que não aconteceu realmente.

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“Timããããão, eôôôô, Timããããão, eôôôô!”

Rosinelson, de mãe Rosimeire e pai Nelson, 19 anos, recém desempregado (tava no seguro desemprego) embarcou no metrô em Itaquera, rumo ao Pacaembu. Rapidinho, meia hora, estaria na Barra Funda, seguiria a pé pela Av. Pacaembu e chegaria ao estádio.

O trem estava cheio de corinthianos, e logo Rosinelson estava enturmado, batucando nas paredes e bancos da composição. Ele não era da Gaviões, mas tinha todos os “artigos”: camisa, blusão e “bombeta” com o símbolo da torcida. “Friuducarai, mano!”. Rosinelson puxava assunto com Perninha, o mais animado e puxador dos gritos de guerra. “Podicrê, mano! Mas é tudo pelo coringão, nénão, Jão?”. “Vixxx, é nóis! Vascú, vaitomanocú! Vascú, vaitomanocú!”.

“Estação Penha”, anunciou o falante do metrô. Perninha ia descer lá. Chamou Rosinelson: “aê, mano, vem cunóis no bonde da Rua São Jorge! Tem busão direto e é só zoeira!”. Rosinelson não curtia muito, tinha medo. Ficava junto com os Gaviões no estádio, era até conhecido, mas ia e voltava por si só. O pai dele, corinthiano das antigas, vivia dizendo pra ele ficar longe de torcida organizada. Mas Rosinelson aceitou a liderança do Perninha e resolveu ir junto.

A galera estava reunida na Rua São Jorge, aguardando a chegada do busão. Perninha, Rosinelson e mais uns cinco que estavam no metrô se juntaram a eles. Chegou o ônibus. Uma lata velha, porque nenhum dono de ônibus bom aluga pra Torcida Organizada, sabe o perigo que corre o patrimônio. A molecada vai entrando e ocupando os assentos, “tocando o terror”:  os gritos de guerra viram, literalmente, chamamentos ao confronto, inclusive a “inimigos” fora do front de batalha: “Ô bicharada, nóis vamu é ti matá; Aqui é rua São Jorge, você pode acreditá; A rima tá da hora porque nóis é chapa quente; Escuta bicharada, podicrê é chumbo quente…”.

Rosinelson entrou no clima e gritou como nunca. Era contagiante, os caras punham metade do corpo pra fora do ônibus, batiam na lataria e xingavam qualquer um que estivesse na calçada.

O busão entrou na marginal Tietê, rumo ao estádio; cinco carros vinham “na escolta”, “só diretoria”. Era “uma reta só: marginal, ponte da Casa Verde, Av. Pacaembu.

(continua no próximo post…)


Gladiadores palermas.

Junho 5, 2009

Essa porra de violência de torcidas organizadas já encheu o saco.

A partir de hoje sou contra toda e qualquer medida de segurança para evitar brigas e mortes entre torcedores adversários.

Não tem como colocar na cabeça desses caras que um colega de empresa que trabalha em outro estado possa estar no meio dos adversários.

Também é impossível mostrar que existe, ali no meio da pancadaria, um cara que gosta do mesmo tipo de música e freqüenta o mesmo samba-rock aos sábados.

É impensável a possibilidade de que o acaso os tornasse amigos de infância.

São pessoas com histórias de vida muito parecidas, cuja vontade de eliminar a si próprios, faz com que agridam seus semelhantes/clones.

Agora a moda das fusões chegou às torcidas. Até então restritas ao meio empresarial, chegaram às organizadas. O motivo é o mesmo: superação dos adversários/concorrentes.

Por tudo isso, repudio qualquer tentativa de apaziguação. É tarefa inglória. Esqueçam!

Querem armar emboscadas?

Ok.

 Avisem com antecedência para que a polícia possa preparar o local e evitar riscos para inocentes que passem no local.

Os “maria-vai-com-as-outras” pensariam duas vezes antes de entrar numa enrascada dessas e poderiam ser salvos.

Será a nova “Evolução Espécies”. Melhor, seria mais um passo da evolução das espécies. Afinal…bem….acho que não preciso explicar…

Uma vez todos extintos, teríamos paz.

Pensando melhor, infelizmente essa idéia não surtirá efeito.

Infelizmente o ódio é o mais emocionante e agregador dos sentimentos.

Teríamos que melhorar a educação, cultura, formação moral, desigualdade, etc., etc, etc..

A batalha não terá fim.


Facadas e Pauladas – Parte 1

Junho 5, 2009

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ATENÇÃO – antes que algum acéfalo*, turbinado pelo Google, caia aqui e faça/diga/escreva qualquer coisa, informo: O TEXTO ABAIXO É FICÇÃO**. FICÇÃO PURA.

*  Acéfalo = Ser vivo que perdeu ou não tem cabeça.

**Ficção = Coisa que não aconteceu realmente.

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O Maicon trabalhava num escritório no RJ, como office-boy. Era vascaíno fanático, e passava oito horas do seu dia rodeado de flamenguistas, tricolores e (até) botafoguenses. Os caras não aliviavam: era “segundona” pra cá, “segundona” pra lá. As mesmas piadas que os corinthianos daqui de SP aguentaram no ano passado. Mas ele levava na boa: carioca é um bicho bem-humorado, e sabia que o troco viria. Afinal, os times do RJ não estão nenhuma maravilha, e o Vascão ia de vento em popa na série B e, melhor ainda, tinha tudo para chegar à Libertadores primeiro que os rivais.

Maicon era integrante da Força Jovem, torcida organizada do CRVG. Mas era um moleque “sangue bão”, ia só pela farra. Nunca se meteu em treta, nunca bateu, nunca apanhou. Também, com aquele físico, aqueles óculos… Não frequentava a sede, mas era cadastrado na “comu” da Força no orkut.

Maicon participava dos fóruns, e às vezes se empolgava no mundo virtual: metia uns tópicos invocados no orkut, com seu nick “CRVG Muai Thai”, ilustrado com um bíceps que nem com 30 anos de academia iria ter: “Domingão no Maraca urubu vai morrê!”, “emboscada no Engenhão”… Mas ele era só “isqueirinho”, jogava o tópico e os “da pesada” iam recheando com os planos de ataque.

O mundo virtual encurta distâncias, e Maicon fez vários amigos em SP, graças à “irmandade” Mancha Verde-Força Jovem. Os palmeirenses torciam contra o Corinthians com ânimo reforçado, afinal era a torcida-irmã a adversária dos “gambás”.

Maicon nunca havia viajado com a torcida, mas esse jogo era fundamental para calar a boca da galera do trampo. Afinal, se o Vascão ganhasse, a Libertadores seria a cura de todas as chagas do rebaixamento, que os adversários não deixavam cicatrizar. Viu o preço da passagem – $ 40 para sócios da torcida, já com o ingresso – e resolveu: ia ao Pacaembu.

No dia do jogo, Maicon pediu um “vale” no escritório, pediu para sair na hora do almoço. Tinha moral com os “homi”, nunca faltou, nunca pedia “vale”, era ligeiro no trampo. Não disse onde ia realmente; não queria ser zoado na volta, em caso de derrota. Saiu de Copacabana rumo a São Cristóvão, de onde sairia o “bonde do 9º Comando”, uma subfacção da Jovem. De lá, iriam até a sede, onde embarcariam para SP.

Maicon estava excitado. Entoava os gritos de guerra da Jovem a plenos pulmões, turbinado pela aglomeração que aguardava o momento de entrar nos busões.

(continua no próximo post…)