Calma, calmaí! Nada de filosofia, nada de religiosidade, nada de esoterismo, nada de metafísica. É só negócio.
O blog do Juca Kfouri noticia, auxiliado pelo Estadão, que a gloriosa FIFA está de saco cheio com essas comemorações brasileiras, das camisetas “I belong to Jesus”, Ave-Marias no centro do gramado e coisas quetais. Diz a FIFA que isso dá margem a manifestações de extremistas religiosos (como sempre, apontam o dedo para os muçulmanos). Querem um “esporte laico”. “A religião não tem lugar no futebol”, afirmou Jim Stjerne Hansen, diretor da Associação Dinamarquesa (what???). A melhor coisa que a Dinamarca fez no futebol, depois do Laudrup, foram os uniformes que vestem na copa (quando se classificam, claro).
A melhor forma de se combater a intolerância foi sempre pregar a tolerância. No caso da FIFA, ela quer proibir que se professe a fé para que todos aceitem a fé alheia? Deveria ser assim: todos devem dizer a que deus servem, se assim quiserem, sem discriminação. Ou não?
Tenho aqui comigo que isso tem muito mais a ver com marketing do que com discussões religiosas. Cada vez que um atleta despe o manto sagrado da Nike, Adidas, Reebok ou Puma para exibir ao mundo uma mensagem religiosa estampada numa camiseta branca, segundos preciosos de exposição das multinacionais são surrupiados dos “sponsors”, que pagam milhões para exibi-las aos espectadores. Um jogador leva cartão amarelo quando tira a camisa na comemoração do gol (mesmo que não tenha nada por baixo dela) exatamente por isso! Por analogia, levaria a punição mesmo se portasse uma camiseta com “eu acredito em Papai Noel, Saci e Duendes”, “Deus não existe” ou “Eu amo a banda Soweto!” (êêê, Denílson, tu já fez desaforo com dinheiro bagarai, hein? Haja Vietnã!).
Conversa fiada. Se o Vaticano, a Igreja Renascer, a Congregação Islâmica ou o Templo Budista comprarem uma cota de patrocínio da FIFA, os caras liberam tudo. Vale sinal da cruz, reza ajoelhado na direção de Meca… Business Plan, mister!
Escrito por Vinicius Duarte