Diz-se muita coisa sobre os motoristas de táxi. Aqui em SP, com esse trânsito horrível, muitas vezes eles são responsabilizados indevidamente, pois os outros motoristas vêem o que está acontecendo FORA do carro, mas não o que acontece lá dentro. Posso falar porque conheço bem “a parte interna” de um carro de praça. Vamos fazer um “mythbusters” sobre táxis:
1 – Taxista é “barbeiro”: sim, existem taxistas “ruins de roda”, mas na mesma proporção em que existem “brações” no conjunto da população motorizada da cidade onde eles atuam. Ninguém nasce taxista; são todos motoristas comuns que resolveram abraçar a profissão. Não existe um “curso prático de taxista”, com aulas de volante; apenas um curso teórico, de uma semana (e que, na verdade, não ensina nada de útil). Portanto, se você acha que todos os taxistas da sua cidade são “nós-cegos”, tenha certeza de que todos os motoristas comuns dessa mesma cidade também o são, pois a origem é a mesma.
2 - Taxista “enrola” com o passageiro para faturar mais: entre as “enrolações”, costumam citar que o motorista fica “andando devagar para a corrida aumentar de preço”. A tarifa do táxi é composta de três itens: a) a bandeirada, cobrada quando o passageiro entra no carro; b) os km. rodados; e c) a “hora parada”, computada toda vez que o veículo fica PARADO ou rodando abaixo de 10 km/h (quase parado). Essa é a importante: um táxi lento não é “mais caro” do que um táxi rápido, a não ser que se locomova como uma tartaruga (menos de 10 km/h) durante todo o trajeto. O dinheiro mais “limpo” que o motorista de táxi ganha é o da bandeirada. Portanto, o objetivo do taxista é ficar livre o mais rápido possível para poder embarcar outro passageiro, assim receberá outra bandeirada. É muito mais lucrativo para o profissional fazer 20 corridas curtas (e rápidas) do que fazer 5 longas, gastando combustível e o carro.
Outra sobre “enrolação”: o taxista fica “segurando” para o semáforo fechar e ficar mais tempo parado. Veja o escrito no parágrafo anterior e acrescente isso: Duas coisas que mais amedrontam o motorista de táxi: 1) quebrar/bater o carro, 2) levar uma multa. Sobre a primeira: se você, motorista comum, bater/quebrar o carro, vai trabalhar de… táxi; se o taxista quebrar/bater o carro, ele fica DESEMPREGADO. Sobre a segunda: a probabilidade de ser multado aumenta com a quantidade de km. que você roda, aliado à sua imprudência. Se um taxista dirigir como um “motorista comum” de SP, que costuma levar 2 multas por ano, ele, certamente, levará 40 multas, estará FALIDO E DESEMPREGADO, pela apreensão da sua CNH. Sim, porque um táxi roda, em média e em SP, 180/200 km. POR DIA, vinte vezes mais do que o “motorista comum”. Daí o “medo de aproveitar o amarelo”, visível nos taxistas. Tenha certeza, não é pessoal: eles fazem isso com ou sem passageiro no carro.
3 – Taxista pára em qualquer lugar: verdade, mas precisa acrescentar: pára em qualquer lugar para atender solicitação de passageiro. Tem passageiro que não sabe se postar para acenar para o táxi: fica em esquina, faixa de pedestre, entre carros estacionados… colabore com o taxista (e com o trânsito!), ficando em local onde ele possa embarcá-lo com segurança e sem atrapalhar o tráfego. Quando for desembarcar, oriente-o a parar onde seja possível, mesmo que não seja exatamente em frente ao seu destino.
4 – Taxistas são “erráticos”, fazem conversões abruptas e parecem estar no “mundo da lua”: verdade. Olhando de fora, é o que parece. Vamos entender isso, “entrando no táxi”. Sobre os “erráticos”: quase sempre esse comportamento é gerado pelo PASSAGEIRO, que não sabe direito para onde vai, e fica dando instruções desencontradas ao motorista. Tipo: “isso, vai reto!” (o motorista acelera). “Não, não!” (o motorista freia). “Ah, vira aqui!”. (o motorista, em cima, dá seta e “embica” o carro na curva). “Não, não, é a próxima!” (motorista “desembica” e continua reto). Pronto, merda feita e você, que vinha atrás, passa mostrando o “dedo do meio” para o infeliz.
Outra coisa comum: o táxi está vazio, a 60 km/h, na faixa da esquerda, e a velhinha na calçada estica o braço. Bem, isso aí é complicado: eu não pegava, mesmo porque quem quer apanhar passageiro fica na direita. Mas taxista é meio desesperado por dinheiro, né? Um conselho aos usuários: se o táxi estiver na esquerda, esqueça. Espere o próximo.
Sobre o “mundo da lua”: você já viu comportamento de motorista falando ao celular enquanto dirige, né (tá, eu sei: todos, menos você…)? Analogicamente, se em vez do celular, você tiver uma MATRACA contando a vida dela no banco de trás, o efeito “mundo da lua” é o mesmo. Tem passageiro que é um celular com viva-voz instalado no banco traseiro! Isso tira a concentração e faz com que, automaticamente, o motorista reduza a velocidade e se posicione mal na via. Fale com o motorista somente o necessário. Se quiser contar a vida a alguém, procure um psicólogo. Ou um amigo.
O espaço está aberto para a discussão.
Escrito por Vinicius Duarte