Por culpa única e exclusiva do Luiz Antonio Magalhães (o Sr. me paga!), que linkou no twitter dele um calabouço site chamado “Mídia sem Máscara”, dei de cara com um estrupício articulista de nome KLAUBER CRISTOFEN PIRES, bacharel em Ciências Náuticas (???), que escreveu um amontoado de merda artigo sobre O FGTS. Vou dar uma “reinaldada”, e picotar o texto do cara. Não por covardia, mas porque é comprido e facilita a leitura. Repito: é por isso que a oposição ao governo não leva nada por aqui: os caras são MUITO RUINS de serviço:
“Ontem vi uma propaganda televisiva do governo sobre o FGTS. Quando o governo põe-se a fazer reclames assim, é porque algum escândalo estourou ou vai estourar (nossa, então o FGTS já faliu. Tem “reclame” desde 1967!). Eu já escrevi anteriormente um texto sobre o FGTS (ainda bem que eu não li), de modo que este vem requentar o assunto. Antes, porém, vamos tratar um pouco sobre linguagem política. Isto é importante porque, em se tratando de um instituto criado a pretexto de proteger o trabalhador, faz-se necessário dar-lhe a compreender o mecanismo nocivo que lhe mete a mão no bolso e o empobrece. (bem, vejamos: o FGTS determina que AS EMPRESAS devem depositar, em uma conta, 8% do valor que paga ao empregado. Em última análise, todo empregado ganha 8% A MAIS do que lhe creditam em conta - se for demitido sem justa causa (o normal), ainda ganha um bônus de 40% do total depositado. É inacreditável um cara querer defender que isso é um roubo ao trabalhador, mas tem louco pra tudo.) Aliás, todo aquele que quiser desmontar a rede de influência e drenagem de poder e recursos que a esquerda construiu ao longo dos anos (isso, agora quem inventou o FGTS “foi o Lula”, em 1967, no governo MILITAR DO COSTA E SILVA!) não pode descuidar de mostrar justamente às classes trabalhadoras que são sempre elas quem mais sofrem.
(BULSHIT -PULEM ISSO) Quando, em linguagem comum ou mesmo jurídica, dizemos que João deve algo a Pedro, apontamos que João tem uma obrigação para com Pedro. Se, por exemplo, João deve pagar a Pedro um valor de mil reais mensalmente até que ele se forme na faculdade, então João carrega uma obrigação a seu cargo.
Mui diferentemente, quando o governo, por meio da sua constituição ou das leis, estabelece para si próprio uma “obrigação”, tal como, por exemplo, a de fornecer saúde e educação “gratuitas”, aí ocorre uma obrigação apenas em sentido figurado, ou melhor seria dizer, ocorre uma obrigação em sentido “político”, pois a verdadeira obrigação é a dos cidadãos, que deverão pagar para manter serviços de saúde e educação estatais. Trata-se de um jogo semântico. (FIM DO BULSHIT – deste trecho, claro!)
A “obrigação” de prestar tais serviços, portanto, converte-se, na prática, a uma reserva de mercado, impedindo ou limitando os cidadãos de poderem escolher aqueles que consideraria como sendo os melhores prestadores destes serviços. Em tempo: onde está o CADE? (CADE??? Tá bom, você quer privatizar o FGTS, é isso? Vá em frente.)
Agora, sim, vamos ao FGTS.(ATÉ QUE ENFIM!) Tenho dito que o FGTS é, na verdade, uma forma dissimulada de empréstimo compulsório. E aqui a manobra semântica carrega duplo alcance, como será apresentado. Por primeiro, trata-se de um empréstimo compulsório porque, sendo a poupança a forma de investimento mais básica, mais, como diria… instintiva, e sendo que ela remunera com o dobro de juros que o FGTS ( a poupança rende 6% ao ano e o FGTS, 3% ao ano), então é óbvio que o trabalhador está emprestando dinheiro para o governo a uma taxa super camarada. (Aqui, o cabra confunde “empréstimo compulsório” com “poupança vinculada”. Ele poderia mandar bem, defendendo uma “privatização do FGTS”. Eu faria isso, no lugar dele – absurdo, mas iria melhor -. Esqueceu-se, convenientemente, que os trabalhadores podem optar por aplicar o seu FGTS em ações que, como “o ouro” do Silvio Santos, “valem mais do que dinheirooommm!”. Deixa pra lá.)
Em seguida, o governo afirma que o pagador do FGTS é o patrão ou tomador do serviço, e que não deve descontar do salário do empregado (“não deve”, não. NÃO PODE. O governo não “afirma” nada, ele “determina”. É a LEI.). Esta é uma das mentiras mais bem solidificadas no imaginário nacional. Ora, desde quando um empregado é admitido, o empregador já conhece de antemão todos os custos que ele irá acarretar, e todos estes custos são, para o empregador, o salário do empregado, quer ele receba na mão…ou não. Jamais o empregador irá contratar alguém por um valor acima do retorno financeiro que este possa lhe proporcionar. Ninguém admite um empregado para depois começar a pensar em quanto irá pagar de FGTS. Um exemplo cabal: quando ocorrem licitações de serviços terceirizados, os concorrentes devem apresentar seus preços conforme uma planilha exaustiva em que se demonstram analiticamente todos os custos, insumos, salários e encargos, bem como a parcela de lucro – e olhe lá o FGTS – bonitinho, constando destas planilhas! Isto somente significa uma e uma só coisa: quem paga o FGTS não é o empregador: é o trabalhador! Simples assim (“simples assim????” É inacreditável o seu contorcionismo verbal! E saquem a contradição: ao mesmo tempo em que discorre sobre o aumento de custo das empresas com o FGTS, diz que “quem paga” é o trabalhador, usando um exemplo sem pé nem cabeça.). Se não existisse o FGTS, o funcionário receberia o valor correspondente em dinheiro (quem te disse isso? Baseado em quê você pode afirmar que o empregador iria dar o FGTS como “aumento” ao empregado, caso fosse extinto???), porque o seu salário é, e sempre será, a expressão de sua produtividade econômica. (Ah, então tá. Não esqueça de avisar a todos os seus amigos empresários.)
Agora, não acaba aí a enganação do estado para com o cidadão (e já começou?). O FGTS também significa outra coisa: a substituição da decisão sobre o uso deste dinheiro, de dezenas de milhões de pessoas por 16 sabichões (claro, assim como qualquer recurso administrado pelo governo. Daqui a pouco você vai propor que o imposto que você paga seja administrado por…você!! Acertei?). É o Conselho Curador do FGTS, um grupo seleto e escolhido pelo governo, que irá decidir como ELES usarão o SEU dinheiro, e sob quais condições VOCÊ poderá sacá-lo um dia (formalmente, quatro destes são representantes dos empregados, e outros quatro, dos empregadores, mas no fundo, é o governo quem escolhe e põe as cartas) (falácia 1 – o “um dia”, sugerindo “fundo perdido”. São MUITO CLARAS as condições de saque: compra da casa própria, demissão sem justa causa, após 3 anos no caso de pedido de demissão, moléstia grave (AIDS/Câncer) e aposentadoria. Atendidos um desses requisitos, a grana vai pra mão do trabalhador, limpinha. falácia 2: “formalmente”, sugerindo que por baixo dos panos, tem treta. Os representantes do CCFGTS são todos conhecidos (Governo, CEF, Trabalhadores e Empresários – galinhas, raposas e donos do galinheiro). Se algum deles sacaneia, é só denunciar.
Aqui, faz-se preciso apenas um raciocínio muito básico (faça um que preste, por favor…): se você entende que 16 sujeitos politicamente escolhidos são mais sábios para utilizarem o seu dinheiro; se você acredita piamente que eles vão utilizá-lo da melhor forma possível – melhor inclusive que você – mesmo contando todas as despesas com os salários deles próprios e com todo o aparato de fiscalização e arrecadação mantido, respectivamente pelo Ministério do Trabalho e pela Caixa Econômica Federal; se você confia plenamente que todos estes recursos não estão sujeitos ao uso eleitoreiro ou de alguma forma propiciando a ocorrência de corrupção; então, o que você está esperando? Ofereça o restante do que você tem a eles. (esse era o raciocínio básico???)
Porém, caso, pense diferente, imagine quantas coisas você planeja fazer e para que fim, este dinheiro, que é seu, poderia servir! Pois então, não é hora de começar a ajudar a acabar com esta fonte potencial de corrupção e mau uso dos recursos? (aula de física: “potencial” não é cinética. Uma pedra no alto da montanha não causará nenhum estrago, a não ser que comece a rolar. Esses celerados “querem acabar com a corrupção” acabando com o governo. Eliminam a febre quebrando o termômetro. E, ao final, não consegui entender a sua proposta: você quer o fim do FGTS ou a “privatização” do FGTS? O FGTS é bom ou ruim para o trabalhador? Chegue a um acordo consigo mesmo.)“
Bom, sr. Cientista Náutico: caso o sr. não saiba, o FGTS foi criado em 1967, pelo governo ditatorial Militar. Ele veio substituir a garantia de emprego instituída na CLT. Era mais ou menos assim: se você mandasse um empregado embora, tinha de pagar a ele, como indenização, um salário por ano trabalhado. Isso desagradava os empresários, e a solução adotada foi “parcelar” essa indenização futura, através do depósito de 8% do valor mensal (8 x 13 = 104, um salário por ano). A “esquerda”, naqueles tempos, estava mais preocupada em se esconder dos raivosos milicos, e não podia sentar-se à mesa com eles para negociar, por óbvio. Mais à frente, (com Collor ou Itamar, não me lembro), por conta de uma alta nas demissões, foi instituída a multa de 40% quando o trabalhador é demitido sem justa causa, que perdura até hoje.
Quanto à utilização dos recursos do fundo, poucas coisas são tão transparentes e “carimbadas”: Habitação e saneamento básico. Se há roubo na execução das obras, isso não é culpa do FGTS, que apenas repassa os recursos.
Sou um defensor FERRENHO do FGTS. Campanhas idiotas como a perpetrada por esse “Cientista Náutico” devem ser repelidas de imediato. Outras bobagens circulantes, como a que diz “se todos sacarem o FGTS, não haverá dinheiro no fundo”, sugerindo malversação, são igualmente idiotas. Porque para que todos saquem o FGTS ao mesmo tempo, estaremos: ou todos com AIDS ou câncer, ou TODOS demitidos, ou todos compramos nossa casa, ou todos aposentados. E, evidentemente, nada disso vai acontecer com todos ao mesmo tempo. (espero, exceto sobre a casa própria. A aposentadoria também, assim ficamos todos na internet esculachando textos imbecis como este).
Escrito por Vinicius Duarte 

