Os carros em SP, Marginal e água da torneira

Não paro de pensar nessa “Nova Marginal”, cujas obras vão, agora, obrigar as pessoas que andam de ônibus a fazerem baldeação, transpondo a pé as pontes interditadas para embarcarem em outro ônibus. É impressionante como os atuais governantes mudam de opinião tão radicalmente sobre assuntos que antes eram questão fechada.

Quando o “Nefasto” foi prefeito, tudo o que tucanos, petistas e pessoas de bom-senso diziam (veja, são três categorias diferentes, mas há intersecção entre elas. Pequena, mas há…) era que o modelo “automobilista” de SP era um fracasso. Jogavam pedra no Prestes Maia e seus projetos (09/07, 23/05, etc.), que causaram desordem no adensamento urbano e dificultaram projetos de transporte coletivo. Faziam oposição FERRENHA às “friueis”, túneis e viadutos malufistas. E isso nem faz muito tempo. Lembra da Soninha no último debate, desancando a “friuei do Maluf”? Engraçado, agora ela é subprefeita do Bonecão…

Fluxo de tráfego é comparável a fluxo de água encanada, com uma diferença: a FONTE do fluxo de água é controlada e centralizada (nível dos reservatórios, bombeamento, direcionamento, válvulas, etc.). A dos carros, é descentralizada e descontrolada, isto é, aumenta de acordo com a vontade de cada um ter um carro e dirigi-lo para onde bem entender. Se a SABESP não controlar o fluxo de água para a distribuição, o líquido (que não tem vontade própria) explode a adutora, certo? Os motoristas não explodem a rua porque não são moléculas burras e ficam parados, esperando a sua vez.

Tá, mas onde eu quero chegar com tanta obviedade? Nisto aqui: se você aumentar a capacidade da adutora da rua (diâmetro), não vai sair mais água pela sua torneira, porque o cano de saída é fino. Só vai gerar mais pressão no sistema, quando ele está cheio. E, se não houver água no reservatório, a torneira ficará seca. Sei, continua óbvio. Tenha paciência, por favor.

Quando você aumenta a bitola da “nova marginal”, os carros vão ter de sair para algum lugar, não? E eles vão para onde? Para as “torneiras de carros”: as ruas, avenidas e rodovias que partem da via expressa. E para essas não há obra possível que as “alargue” mais, senão vamos ter de ir derrubando nossas casas, escritórios e lojas para os carros passarem.

“Sim, mas fazendo a obra, desafoga (pelo menos por um tempo)”. Discutível. Senão, vejamos: uma obra viária para automóveis em SP tem vida útil cada vez menor, por um motivo bem simples e “hidráulico”: a “pressão” aumenta muito rápido! são 1000 carros novos na cidade, POR DIA (útil? deve ser.). Isto significa que são QUATRO QUILÔMETROS de carros na rua POR DIA! Numa conta de padaria, podemos dizer que, quando ficar pronta (em outubro de 2010 – 200 dias úteis), teremos 800 km. de carros NOVOS “rodando” em SP (200.000 carros x 4m/carro);   Se são 46 km. de pistas, vezes 6 (faixas), temos espaço disponível de 276 km., (ou 69.000 carros). CQD, vão ficar faltando exatamente 524 km. de pistas, para abrigar os demais 131.000 veículos novos, emplacados somente DURANTE A EXECUÇÃO DA OBRA!!!

E só um detalhe: lembre-se que o sistema viário está à beira do colapso em SP, certo? Então, temos já um conjunto de ruas lotado de carros, onde uma rua a mais, outra a menos, NÃO VAI FAZER DIFERENÇA, porque a montanha de novos veículos que entram em circulação vai entupir tudo mais ainda.

A solução é “regular a válvula do reservatório”: restringir drasticamente a circulação de automóveis na cidade. Só isso resolve.

É tão óbvio isso tudo que eu tive até vergonha de escrever. É tão óbvio que eu até desconfio estar errado, pois o Careca, o Bonecão e o Vampiro não viram. E eles são tão inteligentes…

44 Respostas para “Os carros em SP, Marginal e água da torneira”

  1. Twitter Trackbacks for Os carros em SP, Marginal e água da torneira « COM FEL E LIMÃO, [comfelelimao.wordpress.com] on Topsy.com Disse:

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  2. Kojima Disse:

    Só tenho dúvida se motorista é molécula burra ou não…

    Kojima, pelo menos pára quando o da frente pára. Pensando bem… tem uns aí que passam por cima do que está á frente.

  3. Conde do Itaim Paulista Disse:

    Até 1993 morei em SP, no Condado do Itaim Paulista, trabalhava na 25 de março. Marginais já davam sinais de estrangulamento. Ia trabalhar de trem(linha variante) acertei horários com patrão:entrar mais tarde e sair mais tarde. Eventualmente às sextas ia de carro e pagava os pecados da semana. Imagino que nesses 16 anos a coisa deve ter piorado muito.
    As Marginais funciona como o torniquete no acidentado. Se soltar o sangue jorra se prender gangrena. Estão gangrenando é isso?

    O trânsito de SP é um tecido em decomposição. Se continuarem “cuidando da gente” assim, nego vai morrer dentro do carro.

  4. Thiago Ferreira Disse:

    Vinicius. Quanto arterias entopem, fazem-se pontes de safena. No meu caso em particular, estou esperando ansiosamente a ponte de safena, que vai desafogar pelo menos em parte o tumulto de veiculos pesados, containers que atravessam a capital com destino ao porto de Santos.
    Acredito em sensível melhora, com a conclusão do Rodoanel Mario Covas.
    A Marginal Pinheiros por exemplo, vai ser esvaziada substancialmente.
    Do outro lado, a Tiete, depende da ligaçao interior, Dutra.
    É preciso desviar o transito de veículos pesados da cidade. com destino ao Rio, e Santos.

    Então, Thiago: por que cargas d’água não investiram no trecho NORTE do rodoanel, que nem começou ainda? E veja o absurdo: quando um caminhão vier da Dutra, e ele puder escolher entre ir pelo rodoanel (pedagiado) ou pela “Nova Marginal” (s/pedágio), ele irá por onde?
    Tem mais: existe um projeto de “revitalização” da Av. dos Bandeirantes (não saiu do papel ainda, mas falaram um monte), além do túnel ligando a Água Espraiada à Imigrantes, sendo realizados junto com o Rodoanel Sul. Lembre-se: o rodoanel é pedagiado. Você acha que uma carreta de 8 eixos vai pagar aquele absurdo de pedágio, se pode ir por dentro de SP? Esses caras só fazem MERDA.
    Se eu estiver errado, você pode vir aqui depois e sentar a marreta, mas digo: essa obra é dinheiro JOGADO FORA. Não vai adiantar porra nenhuma.

    • Thiago Ferreira Disse:

      Vinicius. Voce propos como soluçao:
      “A solução é “regular a válvula do reservatório”: restringir drasticamente a circulação de automóveis na cidade. Só isso resolve.”
      Evidente que está correto. Eu restringiria, com pedagio ou sem essas carretas de 8 eixos sem a menor cerimonia, como primeira providencia.
      Nao da para consertar em 06 meses, decadas de descalabro ou desleixo com as questoes de transito.
      O Rodoanel, Vinicius, embora voce nao concorde, eh sim uma das melhores soluçoes para restringir veiculos pesados pelo centro da cidade.
      Se nao investem ou terminam essas obras, inclusive no trecho norte, estao sendo no minimo irresponsaveis, ou omissos.
      Eu posso estar errado, e voce tambem, porem, retirar veiculos pesados, obrigatoriamente tem que ser a prioridade.

      O projeto original do rouboanel não previa cobrança de pedágio, justamente para isso: retirar o tráfego de passagem. Aí o iluminado do Serra resolveu cobrar, para “pagar o trecho sul”, e depois entregar para os amigos dele, quando ficar pronto. E você não pode impedir um veículo regular de transitar por determinadas vias só porque ele “não é da casa”. Existem diversas carretas de 8 eixos que precisam circular por SP. Se não pode uma, não pode nenhuma.

      • Thiago Ferreira Disse:

        Vinicius. Eu sei que vc. esta putinho com o transito, porem se voce propoe como unica soluçao, restringir automoveis, e acha que nao se pode impedir veiculo regular de transitar porque no eh da casa, eu fico sem entender sua posiçao. Automovel nao, carretas sim? Eh isso?
        Sobre transitar por determinadas vias, de uma pesquisada sobre o quem foi Fontenelle, e a limitaçao de trafego que ele impos.(tem um http://www.saopaulominhacidade.com.br/list.asp?ID=1924).

        Meu querido Thiago, recomendo a ti que leia o texto novamente, e todos os comentários, principalmente. Leia atentamente e com calma, por favor. Não estou “putinho” com nada (exceto pelo sumiço do Putinho). E mais, sobre “restrições”: não sou eu quem “acha”, é assim que funciona: ou você restringe TUDO, ou não restringe NADA. A carreta de S. Leopoldo-RS tem o mesmo direito de circulação da carreta de São Paulo – SP; se uma não pode andar, a outra também não pode. Entendeu?

  5. Willian Cruz Disse:

    Só uma explicação sobre de onde vem o número de mil carros por dia, para que as pessoas entendam melhor e não pensem que é chute:
    http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/transito/2008/04/24/ult5848u12.jhtm

    O link acima conta que em março desse ano houve 48 mil novos veículos indo para as ruas. Mesmo se considerarmos todos os dias do mês, não apenas os úteis, temos mais de mil por dia.

    Nesse outro link você tem os dados oficiais:
    http://www.detran.sp.gov.br/frota/frota.asp

    Essa página dá o total da frota para a capital e para todo o estado, mês a mês. Você pode calcular em quanto ela aumentou subtraindo o valor de determinado mês pelo do mês anterior. Por exemplo, no último mês de agosto tivemos 32.387 novos veículos – novamente, mais do que mil por dia.

    Essa conta considera caminhões, ônibus, carros, motos e todo tipo de veículo automotor. Mas mesmo que você considere apenas os carros, tivemos 21.408 deles indo para as ruas em apenas um mês (nesse caso, podemos dizer que são mil a cada dia útil sim).

    Gratíssimo, Willian. Então, meu cálculo está deveras conservador. A “nova marginal” vai nascer congestionada em quase o dobro, então.
    PS.: Sejam felizes no casamento!

  6. Alê Disse:

    -
    Não Vinícius. Os dias inúteis tb contam. São emplacados em média 30 mil veículos/mês em Sampa. Com alguns picos sazonais, como o do mês de abril/2009 (48 mil veículos emplacados). Mas isso, apesar de grandioso é café-pequeno dentro da realidade global.
     
    Se vc ainda está na padoca com o lápis na orelha, pega ele e rascunha nesse guardanapo aí em cima do balcão:

    A frota de veículos em SP (area metropolitana) é composta por mais de 6 milhões de carros. Há 17 mil km de vias. Transforme tudo em metros e veja o que acontece.

    No dia em que um desses meteoros gigantescos se desviar de NY para cair na Paulista ou se o Godzila ressurgir e resolver destruir a Liberdade ao invés de Tókio, não haverá o tradicional fluxo de carros fugindo, pq não haverá como.

    Alê

    P.S. Acho que achei uma solução, em teste: http://www.online-html-editor.org/
    -

    É, o @wcruz deixou links esclarecedores no comentário dele. Nem precisa fazer mais conta. Só os idiotas caem nessa de “Nova Marginal”. E os espertos mamam.

    • Alê Disse:

      -
      A mim, parece óbvio: inaugurar uma obra vistosa, mostrando à classe média que algo está sendo feito e cacifar o caixa de campanha. Em 2011 ou 12 a coisa implode, mas aí é depois, né?

      Alê
      -

      Exactus. O povo de SP é o mais BURRO do mundo. E, independente das “contas de padaria” (são apenas um exagero retórico, nada mais), eu APOSTO c/quem quiser que essa merda de marginal vai entupir três dias após a inauguração.

      • Alê Disse:

        -
        Bem capaz. Além de burro o paulistano gosta de pagar pra ver/sofrer.
        No dia da inauguração, todo mundo vai tirar o carro, pra-estrear-a-marginal-que-tá-um-tapete.

        Alê
        -
        Ah, sim! O que teve de babaca que foi andar na “ponte chique” na inauguração foi uma grandeza. E sobre o “tapete”, pode escrever também: com 5 meses de caminhão passando em cima, aquela merda de asfalto que fizeram vira outro “craterão”. Que, por sinal, está do mesmo jeito. E dizem que vai inaugurar a linha 4 até o meio do ano que vem.

  7. Thiago Ferreira Disse:

    Quanto a essa obra Malufiana da marginal, realmente eh ideia de jerico.
    O Rodoanel deveria ser priorizado e concluido, ontem.

  8. André Nogueira Disse:

    Meu caro,
    As obras já pioraram o transito pra cacete.
    O fim da obras já dará a falsa impressão de que o projeto deu certo.
    A classe mérdia paulistana não usa transporte coletivo terrestre nem a pau, tem medo de desconhecidos, acha os balaustres melados. Tudo bem, são mesmo. Mas e daí? Cria anticorpos. Por isso que vivem doentes. Se tranca na caranga, liga o foda-se e esquece da seta.
    Eu adoro andar de busão. Chego até a sentir falta. Tudo bem, faz tempo que não pego uma liga lotada, muitos podem me mandar a merda depois que falei isso. Conhecia gente pra caramba, paquerava umas gatas. Por conta do trabalho o carro ficou meio obrigatório, mas sempre que posso pego o cata-loko e vou trabalhar. Ainda me dou o prazer de voltar os 9Km a pé escutando Songs in the Key of Life do mestre Stevie até em casa, desviando dos buracos das calçadas inclinadas que torturam os tornozê-los.

    Mestre Stevie teria muita dificuldade em caminhar por aqui. E não usam, mesmo. ônibus é coisa de pobre (“balaústre melado” foi foda!). Metrô (o do trem novinho, linha verde, com A/C), ainda passa, mas fora do horário de pico. Nos fins de semana, pode até ser, pra dar aquele “arzinho” descolado: rasteirinha no pé, calça molinha e tererê no cabelo. Mas o papai deixa na porta da estação, com sua Hyundai Tucson 2007/2008 financiada em 72 vezes.

  9. alex Disse:

    blz mano?

    Beleza, e você? (é cada uma que aparece aqui…)

  10. Thiago Ferreira Disse:

    Vinicius. Se formos levantar ou parar obras por suspeitas, denuncias de corrupçao o pais pode parar de vez e fechar para balanço.
    Neste momento, lendo o blog do padrinho do putinho, vejo uma campanha contra os jogos no RJ, com a bola sendo levantada, primeiro ja antecipando julgamento que haveria corrupçao, e agora aproveitando a violencia em evidencia neste momento.
    Ora, vamos mandar esse pais para a puta que o pariu entao. Nao presta pra nada.
    Porra, se tem um povo ou cidade que mereceria uma olimpiada, eh o carioca, (eu sou paulista), e isso deveria ser encarado como uma chance a eles de aproveitar o evento para que algo seja feito por la de util. Precisam.
    So porque elegeram mal seus governantes, ninguem tem o direito de negar a oportunidade, ou chance de uma coletividade, de trocar quantas vezes forem necessarias seus politicos.
    A menos que queiramos importar Hugo Chavez.
    Nao pode olimpiada no RJ porque vao roubar nas obras, abandona-se o rodoanel pelo mesmo motivo?
    Da um tempo, nao que eu seja fan do Serra, muito pelo contrario, mas se ele nao tocar essa obra, eh bom encerrar a carreira mesmo.

    Pô, Thiago, ás vezes fica parecendo conversa de louco, hein? Vê se no meu texto, ou em qualquer comentário, eu disse que tá havendo algum tipo de corrupção na marginal! Apenas disse que essa obra é I N Ú T I L; é dinheiro jogado fora, não vai resolver porra nenhuma no trânsito de SP! SP precisa de transporte COLETIVO. ETRANSPORTE COLETIVO. Se você tiver $ 100 pra gastar em trãnsito, tem de gastar OS 100 em metrô, ônibus, etc. Só isso.

  11. Thiago Ferreira Disse:

    Vinicius. Por falar em putinho, ele fez escola, agora com o seu time. kkkkkkk
    http://juvenaljuvencio.blogspot.com/

  12. André Nogueira Disse:

    Cara, complementando meu comentário anterior. A baldeação com trajeto a pé para usuários dos coletivos é o maior prova da absoluta falta de preocupação do governo com o trasporte público.
    Parem em ônibus!O carros, 90% com só uma pessoa dentro, têm prioridade. O povo, que já está acostumado a sofrer nos coletivos, que ande a pé e não atapalhe os particulares.
    Se tiver caindo uma tempestade que se fodam, os ônibus têm lona nos assentos, não ficarão molhados!
    Logo mandarão destruir as calçadas e apagar as faixas de pedestres.

    Exatamente.

  13. Conde do Itaim Paulista Disse:

    Do twitter para paulistanos:

    @botecoterapia Essa é porreta! RT @silviolach:

    Pra aguentar os engarrafamento de SP os trabalhadores deviam receber Valium Transporte.

  14. Angelo Disse:

    É aquilo que te falei: Maluf way of life. E “todo mundo” gosta.

    “Maluf FAZ, FAZ, FAZ…” Vê só: o Maluf “fez” o PAS, o “plano de saúde do pobre”, Serra entregou os hospitais para as OSS/OSCIP. Mesma coisa, com plumagem tucana. Maluf quer fazer friuei, Serra faz “nova Marginal”. O PSDB inventou o eufemismo governamental.

  15. Arthur Golgo Lucas Disse:

    “A solução é “regular a válvula do reservatório”: restringir drasticamente a circulação de automóveis na cidade. Só isso resolve.” (Vinícius)

    O problema, Vinícius, é que ninguém quer ser o sujeito que tem a circulação limitada. É muito bom limitar a circulação dos outros, mas a minha circulação não pode ser limitada. Quase todo mundo pensa assim, e os políticos sabem que quase todo mundo vota. Portanto, a culpa dos engarrafamentos é da democracia burguesa. :)

    (Hehehehe… ficou com cara de panfleto do PSTU ou do PCO.) :)

    Observa que, se todo mundo que não tem carro votasse em vereadores que assumissem o compromisso de campanha de limitar pra valer a circulação de automóveis particulares e priorizar a qualidade e a agilidade do trasporte público, o trânsito de qualquer grande cidade passaria a fluir com facilidade. Entretanto, isso não ocorre e eu duvido que possa acontecer a não ser quando o colapso do trânsito seja total, com engarrafamentos que impeçam as pessoas de circular com qualquer tipo de transporte.

    Essa dinâmica ocorre em função da morte das ideologias. O proletariado não se torna socialista porque acha que terá que entregar metade de seu roupeiro ao lumpemproletariado de debaixo da ponte. (Ih, baixou o exu do Marx no meu vocabulário hoje, mas asseguro que é acidental.) Todo mundo sonha comprar um fusquinha 68 com motor retificado e sem muita ferrugem. Os sonhos de consumo direcionam a postura política muito mais fortemente que qualquer análise realista da conjuntura.

    Existe uma imensa bibliografia técnica sobre esta questão. Eu recomendo a leitura do melhor texto dos últimos quarenta anos sobre o assunto, o original de THE TRAGEDY OF THE COMMONS, do brilhante cientista Garret Hardin, direto no site da SCIENCE:

    http://www.sciencemag.org/cgi/content/full/162/3859/1243

    Desaconselho expressamente a leitura dos debates sobre o artigo antes da leitura do original e de alguma meditação a respeito, mas aconselho ler as críticas e contra-críticas depois. O tema é fascinante e profundo.

    Incrível como o que parece ser um “simples” engarrafamento tem raízes muito mais profundas no modo como o ser humano gerencia toda a relação entre o público e o privado, não é?

    Grande abraço!

    Vou ler o artigo do link, depois comento.
    Arthur, é evidente que um transporte individual é defendido por seres individualistas. E que uma sociedade composta de seres individualistas está fadada a desaparecer. E é tarefa de um governo propor medidas concretas para que o interesse coletivo se sobreponha a esse individualismo. Falemos de transporte: um governo que esteja gastando essa bala toda numa via pra estimular transporte individual, está amarrando a corda em volta do seu pescoço. SP vai parar, e não demora muito. Quando parar, beleza: as pessoas vão tomar transporte coletivo RUIM, e na marra. O fusquinha 68 vai ficar na marginal, parado.

  16. Arthur Golgo Lucas Disse:

    Nã-na-ni-na-não… o fusquinha e o ônibus vão ficar parados juntos, um ao lado do outro. Olha para o número de helicópteros que hoje pululam no céu de São Paulo e me diz se é mais provável que os governos tomem uma atitude para o bem comum ou que os mais ricos resolvam o seu próprio problema desenvolvendo uma estratégia de transporte que a maioria não tem condições de usar.

    Eu sempre chamo a atenção das pessoas para o fato de que não existe interesse coletivo, porque não existe este “ser”, “o coletivo”, para ter interesses. Esta é uma abstração perigosíssima. Lembras do tempo em que se dizia que “o Brasil vai bem, mas os brasileiros vão mal”? Este paradoxo é a prova maior que não existe um conflito entre “interesse coletivo” e “interesses individuais”, o que se precisa produzir é um acordo que equalize e harmonize os diversos interesses individuais.

    Aliás, a diferença teórica entre “ditadura do proletariado” e “democracia” costuma ser definida em termos do respeito aos direitos das minorias, uma vez que ambas são “a vontade da maioria”. A ironia é que em qualquer dos casos é perfeitamente possível que quase todos os cidadãos fiquem descontentes apesar do perfeito funcionamento do respectivo regime!

    É por isso que Garret Hardin diz em seu histórico artigo que “para alguns problemas não há solução técnica” e que “a humanidade precisa encontrar novas soluções no terreno da moralidade”. Ele estava falando de política, é claro. :)

    Isso: “acordo”. As pessoas vão entender, na marra, que o sistema do “cada um por si” é inviável. Ficarão descontentes, mas aceitarão deixar o fusquinha na garagem, por absoluta falta de condições de circular de carro em SP. O fato é que os governos precisam sempre colocar o bode na sala, isto é, criar a dificuldade (no caso, desestimular transporte individual e investir tudo em transporte coletivo).

    • Alê Disse:

      -
      Só para ilustrar.Sobre helicópteros.

      Sou fotógrafo e fui contratado para cobrir um evento. Tratava-se de uma reunião ordinária para aprovação de novos membros da FNQ. O local da reunião era o moderníssimo e inteligentíssimo prédio do Bank Boston da marginal pinheiros. Havia umas 25 pessoas na reunião; top-administradores de empresinhas como Bradesco, Serasa, Petrobrás, Vale, enfim…

      Ao término da reunião, saí junto com o primeiro pelotão, cerca de 12-15 pessoas, e ficamos todos no saguão dos elevadores, aguardando.
      Acontece que na parede, ao lado do painel dos botões dos elevadores, há um monitor que além de te cumprimentar nominalmente(!), oferece informações típicas: cotações, clima, manchetes e, claro; trânsito.

      Era fim de tarde e como sempre; havia lentidão e congestionamento. Foi quando um dos dotô-vip-bacana, ao ler sobre as condições do trânsito comentou que “putz! ele ainda precisava voltar pra sede, mas ainda bem que a empresa dele havia trocado recentemente o esquilo-fusca-lerdo(?) pelo helijet-xyz-3000-supersônico…”

      Foi a senha. De repente todos estavam comentando modelos de helicópteros com a mesma naturalidade com que se fala sobre modelos ford ou vw. TODOS.

      Eu, um reles, um pobrinho, roupa remendada mas limpinha, cabisbaixo e fungando, agarrando com força o meu precário bilhetinho de metrô, foi o único que desceu para o térreo. Todos os outros – repetindo: 12 ou 15 -, subiram para o heliponto. Era setembro de 2006. De lá para cá…

      Alê
      PS. virá o dia em que o mercado de helicópteros baratinhos ou de 3a mão se tornará acessível à classe-média (blindados não era coisa somente de megamilionários?). É o futuro. Mas qual? Jetsons ou Blade Runner?
      -

  17. Conde do Itaim Paulista Disse:

    Bota muito trem, metro, ônibus, charrete, bicicleta a disposição de todos. Acaba com os estacionamentos e garagens no centro.
    Não quer acabar? Aumenta o preço.
    Proiba estacionamento de automóveis nas vias públicas das 7 as 19hs (são públicas e vias, não estacionamento privado) penso que resolve grande parte.
    Quero ver governante com culhão.
    Não conheço mas me disseram que em Tóquio uma vaga de garagem custa mais caro que apartamento, dizem que o trânsito flui.

    É isso aí: Marca pesado o dono de carro, e alivia o que usa TC. Só assim melhora.

    • Alê Disse:

      -
      Concordo.
      Abole-se estacionamentos ou aumenta-se obscenamente o iptu e outros impostos que incidam sobre essa atividade, de modo que o repasse se torne absurdo. Coisa de 70,00 reais a hora.
      O mesmo com as zona azul. Aumente-se a fiscalização proibindo/multando/guinchando quem estacionar nas ruas. Acabam-se os carros, os flanelinhas e os manobristas.

      Pressionada, a classe-média vai exigir que o transporte coletivo melhore em efeito-cascasta.

      Do contrário, somente quando contratos valio$o$ forem perdidos por causa de atrasos provocados pelo colapso no trânsito ou a vida de alguns figurões forem pro saco, pq a ambulância não conseguiu chegar a tempo que alguma atitude efetiva será tomada.

      É esperar pra ver.

      Alê
      -

  18. Rodrigo Cardia Disse:

    Vinicius, o que tu escreveste é tão óbvio, que as “otoridades” em trânsito não entendem… Tanto em São Paulo como em Porto Alegre.
    Cada vez mais, a diferença entre as duas é só o tamanho das cidades. Porque aqui também está complicado se locomover. Quando entrei na faculdade, em 2004, ia de ônibus e fazia o trajeto bem mais rápido do que hoje, quando continuo USANDO A MESMA LINHA. E a qualidade do serviço decaiu, em proporção inversa à paciência necessária para enfrentar o trânsito da cidade.
    A 3ª Perimetral, cuja construção foi iniciada pelo governo do PT (que fez a maior parte da obra), tem um corredor de ônibus. Só que o volume de carros aumentou tanto, que já tem gente sugerindo a retirada do corredor para que os carros tenham “mais espaço” – e se nossa prefeitura gostar da sugestão (o que não duvido), aí o que vai acontecer é que o congestionamento será mais democrático, os ônibus também terão de ficar presos nele…
    O problema, realmente, é achar políticos que tenham culhão de desincentivar o uso do carro através da medida mais eficaz para a classe média, que é o famoso “doer no bolso”.

    Sobre os corredores: é um absurdo, e algo me diz (registro aqui) que, quando a tal “linha 4 – craterão – luz” ficar pronta, trombetas paulistanas soarão para desativar o corredor Rebouças, que fica sobre a linha. Tudo o que os portoalegrenses passam aí com TC, a gente começa a passar aqui, desde a chegada do Serrasab. Só que pior, dadas as diferenças de tamanho das cidades.

  19. Rodrigo Cardia Disse:

    Faltou explicar o “doer no bolso”: é restringir o uso do carro através do aumento do preço das garagens (se não for possível acabar com elas)… E aumentar impostos sobre veículos (aí não dependeria apenas do município). E claro, oferecer transporte público de qualidade e tratar a bicicleta como meio de transporte, não simplesmente lazer – sei que em SP já se deu alguns passos nessa direção, Porto Alegre continua sem ter sequer uma ciclovia decente (as raras que existem ligam o nada a lugar nenhum).

    Sobre bicicletas: aqui não se fez nada, só uma “ciclofaixa de lazer”, aos domingos. Ainda tratam bicicleta como brinquedo. E o “doer no bolso” passa, em SP, pela implantação do pedágio urbano. Que vai ser implantado, mais dia, menos dia. O difícil é saber quem vai ser o corajoso, já que, aqui, significará a morte política do cara.

  20. Arthur Golgo Lucas Disse:

    Gente boa do meu Brasil, vocês estão dizendo que “elitizar é a solução”? :)

    Tudo bem, mas qual é a fórmula que vocês vão usar para convencer os políticos a convencer o povo – e qual será a fórmula que os políticos vão usar para convencer o povo – que aumentar o preço dos combustíveis é bom, que aumentar o preço dos estacionamentos é bom, que aumentar os impostos e as taxas é bom, que aumentar as dificuldades para quem comprou um carrinho com seu suado dinheirinho é bom e que deixar seu carrinho tão caro, lindo e confortável em casa é bom?

    Não é fácil prever que o político que propor qualquer destas coisas será alvejado pelo discurso fácil de seus opositores, que o acusarão de ser inimigo do povo e insuflarão emocionalmente a turba contra os malvados cerceadores do direito de ir e vir?

    Não é fácil prever as acusações de “retorno às cavernas”, de “reimplantação do regime soviético”, de “cubanização do Brasil” e outras semelhantes?

    Não é fácil prever que o político que votar pelo aumento de qualquer tarifa com objetivo de encarecer tanto o transporte particular que se torne inviável para a maioria da população será massacrado nas urnas?

    Quem resolver essa questão e ao mesmo tempo melhorar seu cacife eleitoral será um mago da política.

    (Paulo Coelho para presidente! Hm?) :)

    Arthur, SP adotou, na questão do trânsito, o modelo Los Angeles. Vai ter de mudar para o modelo Londres. Algum louco vai ter de implantar o pedágio urbano em SP, para desestimular as viagens que poderiam ser feitas de TC (que, mesmo quando funciona bem, é sempre deixado de lado e usado somente por quem não tem outro meio de se locomover).
    O paulistano vai ter de se reeducar na utilização do automóvel. Não sou a favor dessa “penalização do pobre”, apenas digo que a cidade vai ter de criar mecanismos para desestimular o uso ABUSIVO do carro. Tem um post meu, perdido por aí, falando sobre transporte escolar, por exemplo. O uso massivo do transporte escolar reduziria, e muito, os congestionamentos na cidade. Até em LA as crianças usam transporte escolar. Aqui, se uma escola tem 500 alunos, 50 vêm de perua e 450 de automóvel. As peruas são confortáveis e seguras, mas mesmo assim poucos usam. E, quando usam, é por falta de carro ou incompatibilidade de horários.

    • Alê Disse:

      -
      Arthur, sempre haverá argumentos pró ou contra qquer atitude (ou falta de) de um governante. As acusações que vc citou se aplicam a qquer situação, com as devidas adaptações. Não estamos aqui (e em muitos outros lugares) criticando a opção governamental pelo transporte individual? Olha o que aconteceu com a lei antibagismo.

      Ser do governo é isso.

      Com certeza um político será mesmo duramente criticado por tentar restringir o transporte individual. Mas SE ele conseguir e SE der certo, o cara será considerado um herói.

      É apostar e torcer pra dar certo.

      Alê
      -

  21. FPS3000 Disse:

    Não acho que a solução seria adotar o modelo Londres por apenas um motivo: é o que faltava para matar o centro que nunca foi vivo de verdade.

    O que deveria ser feito por aqui era adotar o modelo de Bogotá, ou seja: tá, tudo bem, vc tem seu carro, sua moto, anda por onde quiser … mas ANTES do seu carro vem o MEU ônibus e a MINHA bicicleta, tudo bem?

    Não? Então tá … mas vai ser assim mesmo.

    Concordo plenamente, FPS3000. Prioridade total na via para o TC. Quando a Marta inaugurou o corredor e acabou de entupir a Rebouças, os automobilistas ficaram emputecidos, sem nenhuma razão. Afinal, a prioridade no deslocamento tem de ser da MAIORIA. Não dá pra 40 pessoas ficarem disputando o mesmo espaço com apenas 3 (um ônibus ocupa o lugar de 3 carros). E o prefeito atual não fez UM METRO de corredor novo.

    • Alê Disse:

      -
      A prefeitura devia era fazer calçadão em todas as “bocas” do centro.
      Sta Ifigenia, 25 de março, Luz, etc.
      Onde houvesse um grande fluxo comercial, com fácil acesso pelo metrô deveria ser totalmente calçado. O sujeito que viesse de carro fazer compras ou bater perna teria que deixar o carro em algum prédio garagem, qto mais próximo do destino, mais caro seria estacionar.
      Com isso a pessoa pensaria duas vezes antes de sair de carro, ou então deixaria o carro próximo a alguma estação de metrô/terminal de onibus ou bolsão de estacionamento (igual fazem na fórmula-1)distante do centro. Seria uma forma de efetivar o pedágio sem precisar passar pela aprovação da câmara.

      Alê
      -

  22. Arthur Golgo Lucas Disse:

    Bem, pessoal, eu vejo por mim: eu sou biólogo, sou mestre em ecologia, sou ativista ecológico desde criancinha (literalmente), comprei um carro pra nunca mais precisar entrar em um ônibus e desde 2002 se eu peguei ônibus mais de vinte vezes foi muito. Eu odeio ônibus.

    Ônibus é o meio de transporte urbano mais fedorento, gosmento, grudento, nojento, barulhento, desconfortável, apertado, irritante, limitado e insatisfatório que existe. Salvo os masoquistas e os excêntricos, duvido que mais de meio por cento da população goste de andar de ônibus. Aliás, o exemplo acima (“Aqui, se uma escola tem 500 alunos, 50 vêm de perua e 450 de automóvel.”) indica bem isso.

    Agora analisemos: 90% dos políticos são safados, corruptos, sem-vergonhas, ladrões, cretinos, vigaristas, hipócritas e outras dezenas de adjetivos deste naipe, fora os que eu não vou escrever para não obrigar a classificação do blog subir para 18 anos, mas não são burros. Eles sabem que a audiência principal dos meios de comunicação de massa onde ocorrem debate políticos é a classe média, que a classe média odeia ônibus e não tem helicóptero, que uma medida que encareça o transporte individual a ponto de reduzir 20% do trânsito paulistano seria mega-mal-vinda e que a gritaria seria imensa e politicamente devastadora.

    Qual é o político numa democracia que vai assumir este desgaste pelo bem da cidade?

    Qual é o partido que vai querer vincular sua sigla a uma medida destas?

    Portanto, por mais que haja uma solução técnica, na prática ela é inexeqüível.

    Então, deixa como tá? O governo vai gastar o dinheiro onde? No ônibus fedorento que, se andar, todo mundo chega em casa, ou em pistas inúteis para carros ficarem estacionados? Não entendi onde você quer chegar.

    • Alê Disse:

      -
      Nem eu. Começou bem lá em cima e aqui se descabela?

      Volto a insistir que o sujeito que conseguir consertar o trânsito e oferecer um TC decente será considerado um herói. Não foi isso que o Jaime Lerner fez em Curitiba? (não é pergunta retórica, sei que o JL fez algo de muito bom pelo trânsito de Curitiba, mas não sei o que foi)

      Um TC limpo, espaçoso, confortável e regular. Não é um absurdo, pois é isso que é oferecido em outras cidades, dita civilizadas, pelo mundo afora. E, digo mais, pelos benefícios indiretos que um bom TC pode proporcionar à manutenção da cidade, à qualidade do ar, redução da poluição sonora e à saúde e bem estar da população, esse TC deveria ser mais barato, bilhete único válido por 24h.
      Alê
      -

  23. Thiago Ferreira Disse:

    Acho que se o objetivo é privilegiar a “maioria”, então que se institua o tranposrte coletivo gratuito.
    Ora, critica-se pedágios no rodoanel, e propõe-se pedagiar vias urbanas?
    Vinicius. O assunto eh complicado, mas a medida que foi sendo discutido neste post, revelaram-se grandes incoerências.
    Aquele pai de familia pobre, da zona norte, ou da periferia, elegeria uma múmia em qualquer eleição.
    Depois do “bolsa familia”, sugiro aos politicos que criem o “bolsa transporte”. Estarao eleitos, e resolverao o problema do transito. Quem não aprovaria?

    Sabe o que acontece, Thiago? Você pega um trecho de um lugar, outro de outro, cola tudo e vê incoerência. Aí, velho, até eu!

    Eu sou contra o pedágio no rodoanel e sou a favor do pedágio urbano. Por quê? Porque o rodoanel foi feito para retirar o tráfego DE PASSAGEM OBRIGATÓRIA por SP. O cara não tem culpa se, para ir da Bahia ao RS ele é OBRIGADO a passar por aqui. No pedágio urbano, o cara, se não quiser ir de carro e pagar, arruma um jeito: táxi, ônibus, metrô… Tenho várias idéias a respeito, mas não vou esticar muito isso.

    Eu aprovo. Aliás, essa é uma bandeira antiga da ultra-esquerda brasileira: transporte público gratuito e universal.

  24. Alê Disse:

    -
    Fui lendo e comentando, sem saber o que havia sido escrito mais abaixo. Por isso a redundância de alguns comentários que fiz acima.

    Gratuito, sou contra. O que é de graça não tem valor. Mas barato e compatível com a realidade do bolso brasileiro, concordo plenamente. Que algum imposto (sobre veículos ou sobre os estacionamentos) subsidie o valor das passagens.

    Alê
    -

  25. André Disse:

    Concordo com o transporte público gratuito, sem cobrador, sem catraca, todos sentados, motor traseiro e rodas menores.

    Rodas menores?

  26. Thiago Ferreira Disse:

    Ficamos assim entao Vinicius. Sem pedagio no Rodoanel, transporte publico gratuito, e pedagio nas vias da cidade.
    O pedagio subsidiaria o transporte publico.
    O povao adoraria, evidente.
    O rico entao, o pedagio nem faria cocegas em sua carteira,pagando com gosto, e desfilariam seus Tucsons nas ruas limpas so pra eles, sem flanelinhas enchendo o saco.
    E nois da fita aqui, deixariamos o carro na garagem, para economizar uma grana, e passariamos a lotar os onibus, que evidentemente teriam que ser duplicados (ou mais?)
    Ruas limpas, só com onibus, carroes, motos e bikes.
    Com o dinheiro economizado, nois da fita, pegariamos a familia e entupiriamos a rodovia dos imigrantes nos finais de semana, rumo a Praia Grande, que ninguem eh de ferro, certo? ahahahahaha

  27. André Disse:

    Os ônibus usam rodas e pneus de caminhão. Para enfrentar enchentes e buracos é interessante, mas torna o acesso ao ônibus mais difícil e desconfortável.

  28. André Nogueira Disse:

    Caros,
    O cidadão da classe média padrão não acha “de bom tom” dividir o assento do ônibus com sua empregada doméstica, porteiro, etc. Transporte Público de qualidade não elimina esse preconceito.
    A tendência é que isso piore, pois cada vez menos crianças de classe média usam ônibus/metro/Trem(?!). Insegurança, medo, super-proteção e topeirice, mixados com um chatíssimo sotaque da jovem elite paulistana.
    As linhas de trajeto curto, que ligam bairros nobres aos centros comercias, são um pouco mais misturados. Nesse caso, aqui em Sampa, dependendo de onde mora é muito mais vantajoso ir de bumba ou metro pro Centrão. A distância é pequena, mas o Centro tem muitas limitações ao trafego de veículos, falta estacionamento, muitas ruas fechadas. Como diz o ditado, a necessidade faz o sapo pular.
    Depois dos posts acima farei uma profecia :) : A Armageddon do transito resultará em encalusamento da população (trabalho em casa) e, enfim, nos pulos dos sapos, que começaram uma mobilização para exigir algo que nunca pensaram: a melhora do transporte público.
    Depois dessa profecia (sotaque paulistano on) super hiper original, tudo vira masturbação mental.

    É por aí. A primeira parte do armageddon eu já estou fazendo, :D

  29. Alê Disse:

    -
    Big Brother do trânsito

    O governo federal deu detalhes de como vai funcionar o monitoramento automático dos veículos brasileiros, um projeto que deve entrar em prática num prazo de cinco anos. As frotas das grandes cidades – São Paulo será a primeira a dotar o sistema – passarão a ser monitoradas por chips instalados nos veículos.

    Segundo o Estadão, além de permitir melhor gerenciamento do trânsito, a tecnologia coloca a capital paulista a um passo do polêmico pedágio urbano. O chip vai monitorar, entre outros, a velocidade do veículo, em tempo integral.

    Inclusive nas rodovias. A ideia é acabar com a freada apenas quando um radar se aproxima. Como a cobrança de pedágios será virtual, a adoção do dispositivo pode dispensar as praças de pedágios.

    O monitoramento por chip também será um instrumento de segurança pública. Todos os Detrans do país terão de abastecer uma base de dados com informações sobre veículos roubados, furtados, clonados ou usados em sequestros. Toda a frota, nova e velha, terá de circular com chip. Carros novos ganharão o aparelho no emplacamento. Nos antigos, a instalação será gradual, seguindo provavelmente o calendário do licenciamento.

    via @ofiltro

    Alê
    -

  30. FPS3000 Disse:

    Olha, pedágio urbano para mim é uma idéia até bonitinha, mas que a médio prazo só vai conseguir matar as regiões urbanas afetadas por ele – tipo assim, o Centro, que já é meio morto, vai se tornar um zumbi se tal coisa acontecer (vide a valorização da Berrini e de outras áreas que ficam fora do rodízio de veículos).

    Bem, nos lugares onde foi implantado não parece ter acontecido isso.

  31. Alê Disse:

    -
    Centro, meio morto? Só se for aos domingos ou de madrugada. Pq de segunda a sábado aquilo é um formigueiro. quem nunca viu uma matéria sobre a 25 de março?

    Alê
    -

  32. Arthur Golgo Lucas Disse:

    Gente, um pouco mais acima o Vinícius me perguntou:

    “Então, deixa como tá? O governo vai gastar o dinheiro onde? No ônibus fedorento que, se andar, todo mundo chega em casa, ou em pistas inúteis para carros ficarem estacionados? Não entendi onde você quer chegar.” (Vinícius)

    Pensei que meu ponto tinha ficado claro: eu estou afirmando que o trânsito de São Paulo e de outras grandes cidades não tem solução enquanto não acontecer um colapso que paralise de vez as ruas.

    As medidas necessárias para resolver este problema são (muito) impopulares, nenhum político vai meter (muito) a mão no sagrado direito do cidadão circular com seu carrinho enquanto puder empurrar o problema adiante com a barriga.

    Só quando a cidade estiver quase parando é que será possível intervir sem grande prejuízo eleitoral, portanto não é razoável supor que alguém cometerá suicídio político implementando qualquer medida impopular para desatravancar o trânsito.

  33. Arthur Golgo Lucas Disse:

    Ah, mais uma coisa: transporte universal gratuito? Sonho distante.

  34. Eduardo Jorge, o “verde”, nos tratando como idiotas « COM FEL E LIMÃO, Disse:

    [...] saco quando eu vejo isto, porque HOJE, 2009, ele se transformou num defensor desta merda de obra, que não vai adiantar porra nenhuma. Veja aqui (não dá pra incorporar, procure pelo vídeo “Debate Nova Marginal” – [...]

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