A FSP em seu dia de “Marronzinho”

novembro 30, 2009

Sempre fico com um pé atrás com essa história de “PIG“: acredito (mesmo) naquela coisa de “imprensa é oposição…“. Também não fiquei muito a fim de falar do artigo de César Benjamin na FSP, porque achei de muito mau gosto, coisa de ressentido, tipo marido traído que fica falando mal da esposa depois que ela foge com o Ricardão.

De tudo que li por aí do fla e do flu, uma coisa não encontrei: o fato da FSP ter publicado uma denúncia cabeluda contra o Presidente da República em forma de ARTIGO ASSINADO. Este é o cabuloso do troço.

Acredito que esse negócio de escrever artigo funcione assim: “fulano, escreve aí um artigo pra mim?”. O fulano escreve, e entrega pro editor/diretor. O cara lê e, se achar conveniente, publica. E foi aí que o bicho pegou pra FSP.

O Otavinho (ou seu preposto) pegou o texto do Benjamin, leu e publicou direto, como se fosse um artiguinho de opinião qualquer, do tipo daqueles do Maílson da Nóbrega criticando o Guido Mantega. Mas não era, era uma puta duma história cabeluda, envolvendo o Lula, jogando lama na biografia do cara. Um texto que, se verdadeiro, ajuda a ferrar o presidente da república; se falso, é criminoso. E vindo de uma pessoa altamente suspeita. Suspeita por ser um ex-companheiro de Lula, que agora cerra fileiras na oposição.

Mesmo que o Otavinho (ou seu preposto) tivesse perguntado: “mas Cesinha, isso aqui rolou, mesmo?” e o Benjamin tivesse dito “eu ouvi da boca do homi. Publica, que eu seguro o BO”, ele não poderia ter publicado, pelo menos EM FORMA DE ARTIGO. Por quê?

1 – Otavinho sabe muito bem dos “bicos” entre Cesinha e o PT/Lula; eu, que não tenho um jornal, costumo dar bastante desconto para histórias contadas por desafetos sobre desafetos. E você?

2 – mesmo que Otavinho julgasse o artigo verossímil, deveria, jornaleiro que é, transformá-lo numa REPORTAGEM, usando o texto de Benjamin como uma “informação privilegiada”. Isto, até do ponto de vista “comercial”, lhe seria muito mais vantajoso; daria uns dez dias de assunto. Ele preferiu jogar a merda no ventilador, sair andando e usar o mantra-escudo “a opinião publicada não reflete, necessariamente, a opinião do veículo”. Ficou parecendo que contratou um pistoleiro pra atirar no Lula.

3 – Artigos assinados, via de (boa) regra, são textos OPINATIVOS, análises de conjuntura, nunca denúncias. Podem até tratar de investigações feitas por repórteres, mas nunca vi conterem “A” denúncia em si, em primeira mão. A FSP NUNCA fez isto, pelo menos que eu me lembre.

Foi assim que o “Marronzinho” ajudou a derrubar FHC na eleição para a prefeitura de SP/1985. Estampou o “é ateu e maconheiro” e deixou rolar. Só que ele, todo mundo sabia a serviço de quem estava. Ao “maior jornal do país”, isto não é permitido. Ou não era, sei lá. As coisas têm mudado muito mais rápido do que a minha capacidade de entendê-las.


Sem tesão, não há solução

novembro 30, 2009

O Brasileirão/09 deve ficar com o único time que demonstrou em campo o mínimo interesse em vencê-lo, o Flamengo. Com Ronaldo redigindo e assinando seu aviso de férias e o comovente empenho do Felipe no pênalti batido por Léo Moura, venceu seu penúltimo jogo, e agora só não será campeão se a profecia maia de 2012 for antecipada.

O SPFC, que ao longo do ano trabalhou como se fosse uma repartição pública com 100% de funcionários à espera da aposentadoria, levou mais um sacode, desta vez para o hipermotivado Goiás. Ver o Washington sair chorando foi uma cena inesquecível. A diretoria deveria colocar um busto dele na entrada do Morumbi. Pensando bem, busto, não: uma “canela de bronze” talvez seja uma homenagem mais adequada. Brigadão, “goleador”! Agora passa no caixa, pega a tua rescisão e vá cuidar da saúde debilitada.

Passou da hora do JJ deixar de lado essa política de estabilidade no emprego: o SPFC, hoje, é um conjunto de jogadores desmotivados, burocráticos e sem compromisso com o trampo. Jogador de futebol é bicho burro, só funciona na base do terror. Quando nego pedir pra sair, DEIXA IR LOGO EMBORA, não vem com papinho de “fulano se identifica com o clube”. Boleiro se identifica, sim, com putaria, dinheiro, carrão e correntona de ouro. E 10 Gb de pagode no IPhone.

De positivo e surpreendente neste ano, apenas um cara que eu não botava a menor fé: Júnior César. Ontem, os ceguetas do comentário viram nele uma “avenida” para o Vítor, esquecendo-se de que ele SEMPRE joga assim, mais à frente. O negócio dele é atacar. O problema foi a zaga, montada com o Rodrigo “Embolia” e o Renato Silva. Sobre este, mais uma corneta: quando é que o SPFC vai perceber que contratar zagueiro do BOTAFOGO não dá certo?

Feliz ano novo aos campeões de 2009. E, se o SPFC conseguir a proeza de ficar fora da Libertadores, talvez seja um bom momento para se baixar a bola e começar a mudança de rumos, parar de contratar velhotes e falsos medalhões, olhar para a base. Tem moleque bom ali, e com fome. Gato gordo não caça rato.


Cruz, Cláudio e Eu

novembro 26, 2009

Pela primeira vez, ousei comentar no blog do Seo Cruz. O tema do post é surrado, fala sobre arrogância, apatia e falta de compromisso da torcida do meu time, comparando-se com o dele e do Cláudio. Eu até já escrevi aqui um texto bem porco (no sentido de “sujo”, CRUZ!) sobre o assunto.

A tese defendida pelo CLÁUDIO e pelo CRUZ é a seguinte: corinthianos e palmeirenses são torcedores “de verdade”, e os sãopaulinos são “torcedores-fake”. Mais do que isso: o SPFC seria, ele todo, um grande embuste futebolístico, mais assemelhando-se a uma desapaixonante franquia da NBA. Simplificando: SCCP e SEP são times, SPFC é “bizines” puro. E, como no mundo do “bizines” a sujeira campeia, praticamente todas as conquistas tricolores seriam maculadas por “tenebrosas transações”. Ponto a ponto, vamos tentar rebater:

O SPFC, dos grandes clubes brasileiros, foi o último a ser fundado, na forma pela qual existe hoje. Sim, ele é a fusão de outros clubes, mas nada pode assegurar que as torcidas deles (se é que as havia em grande número) migraram automaticamente para o novo clube.  Suponhamos, então, que o SPFC de 1935 fosse uma espécie de São Caetano ou Paraná Clube. Nasceu de chocadeira, 25 anos depois dos rivais. Estes, por sua vez, contavam com torcidas apaixonadas, arregimentadas num tempo de semi-amadorismo, estádios precários e atletas que, após o jogo, saíam pra tomar umas com os fãs. Devia ser uma época linda, mas EU não a vivi. Nem o CRUZ, nem o CLÁUDIO. E nem a minha mãe, a pessoa que me ensinou a gostar de futebol (meu pai morreu quando eu tinha nove anos).

Tradição é algo que se passa de pai para filho. Meu avô era sãopaulino fanático, mas teve dois filhos corinthianos e dois tricolores. Foi incompetente para passar a tradição a 50% da sua prole. Minha mãe, zelosa, teve 100% de sucesso com seus três rebentos. E EU mandei bem e ensinei o bom caminho” a todos os meus dois filhos, que o seguem. Mas voltemos lá para 1935.

Se o SPFC não tinha torcida, e os dois rivais tinham, como hoje temos tantos torcedores (depois entramos no mérito da “torcida verdadeira”)?

1 – os corinthianos e palmeirenses não souberam perpetuar a tradição entre seus descendentes;

2 - futebol é uma diversão em que a graça está em vencer, e não é divertido torcer por um time que acumula derrotas. Taí a Portuguesa pra não me deixar mentir. Algumas pessoas escolhem seus times por conta dos resultados alcançados;

3 – A soma dos dois fatores acima.

Tomemos como exemplo clássico um time que, até o surgimento de um extraterrestre para vestir sua camisa, tinha como rivais o Jabaquara e a Portuguesa Santista. Passou quase vinte anos aplicando surras homéricas nos grandes da capital e encantando o mundo. Passou de clubinho de cidade média para o rol dos maiores do Brasil. Pais sãopaulinos, palmeirenses e corinthianos se descabelaram com filhos “convertidos” ao SFC. Faltou aí a “mão pesada” do pai apaixonado. E afirmo, sem medo de errar: a maior baixa ocorreu na torcida alvinegra, seguida pela tricolor. Sim, porque os palmeirenses ainda comeram umas migalhas deixadas pelos praianos nesse período, enquanto o SCCP e o SPFC armavam times pífios. Nesse período, auxiliados pelo extraterrestre, faturamos três copas do mundo, e todo mundo começou se interessar por futebol. Neste ponto da história, entram CRUZ, CLÁUDIO e EU. Nascemos por aqui.

Com o fim da carreira do extraterrestre, os três grandes de São Paulo voltaram a reinar. O primeiro tricolor que eu vi jogar tinha  Gérson, Pedro Rocha, Forlan, Roberto Dias, Terto, Toninho e Paraná. Um time do caralho, temido por todos. E a torcida? Pequena, em comparação com os outros dois do trio de ferro. Mas, façam as contas: se saiu do zero em 1935, ganhou corpo até 1957,  e, a partir daí, perdeu adeptos pela “fila do Morumbi”, mais a chegada do extraterrestre, como poderia ser grande? Não dá uma geração completa! Não dava tempo de nascer um filho sãopaulino nesses dois lapsos temporais. Portanto, o ato de ser tricolor começou a crescer em 1970, quando os primeiros palestrinos e corinthianos já eram “nonos”, ostentavam robustas proles, netos e até bisnetos.

Os “novos tricoloresseriam, a partir de então, e embalados pelas conquistas (como ocorrera com o SFC tempos atrás – e a esse ninguém chamou de “modinha”- ),  os imigrantes nordestinos (que chegavam aos montes em SP), os “filhos tradicionais” (remanescentes da geração 1935/1969 que não desertou) e… os filhos de corinthianos, palmeirenses e santistas que viriam a nascer depois de 1970 e viraram casaca (ou estavam sem nenhuma e vestiram a do vencedor).

Depois dessa longa explanação, ficam as perguntas:

1 – cadê os pais dessas crianças, nascidas de famílias alviverdes e alvinegras, verdadeiros “menores abandonados”, capturados pelo Tricolor campeão paulista de 1970/71/75/80/81/85/87/89, brasileiro de 77/86, vice paulista de 72/73/78/82/83, vice brasileiro de 81/89/90?

2 – aos que dizem haver uma “conspiração midiática” para expor o SPFC favoravelmente e influenciar a opinião pública, expliquem-me: como pode a imprensa esconder, ignorar ou esculachar um clube que, em vinte anos, só não foi o primeiro ou segundo em seis?

3 – Como impedir que as pessoas, diante disso, não se encantem e passem a torcer para o SPFC, da mesma forma que milhões viraram santistas na década de 1960?

4 – Qual a diferença entre uma tradição de 100 anos e uma de 50 anos, quando as duas são passadas para as gerações futuras?

Voemos, agora, para o  “abate do canarinho voador”, que levou um tiro em 1982 e foi atropelado em 1986. Espertinhos sacaram que futebol dava dinheiro, muito dinheiro. E que aceitava qualquer tipo de dinheiro. Servia, inclusive, para lavar dinheiro.

Em 1987, os maiores clubes brasileiros, propondo “um novo paradigma para o futebol”, criaram um tal de “Clube dos 13″ como sendo a redenção de um futebol que ameaçava se “Uruguaizar”: jogadores sendo transferidos a granel para o exterior, carência de ídolos, estádios vazios. Era o fim do futebol-paixão, começava o “bizines”.

Vejam como os períodos de “renascimento” do SPFC e do ‘bizines’ se sobrepõem. CRUZ, CLÁUDIO e EU, vimos muito pouco do futebol-paixão, mas o tempo suficiente para arraigar em nossa memória o quanto era bom aquele tempo. Só que “aquele tempo” acabou. Não só para sãopaulinos, mas para TODAS as torcidas. A diferença é que quase toda a história tricolor (e a grandeza de um time se faz pelas glórias alcançadas) remonta ao início do ‘bizines’. Essa é nossa cultura. Errado? Certo? Quem pode dizer HOJE, 2009, tempos onde todos os clubes devem seguir esse caminho, sob pena de se extinguirem? O SCCP e seu manto sagrado com espaço publicitário no sovaco?

Hoje, todos os times querem “arena multiuso”, CTs de “primeiro mundo”, “setor Visa”, “camarote VIP”, “bar temático”. O futebol que levou CRUZ, CLÁUDIO e EU a amá-lo acabou. Nem várzea se pode mais acompanhar por amor à arte, é semi-profissional, só rola grana: é Copa Kaiser, TV, site e o caralho. Vamos a Javari, onde o Abilio Diniz enfia dinheiro e “revela craques“?

Que futebol é esse, onde um dono de supermercado (Sonda) trata os clubes que amamos como gôndolas do seu empreendimento, pendurando lá os Souzas e Bills da vida? Onde um ex-repórter de campo vira um milionário player (sem nunca ter chutado uma bola) e praticamente arrenda um time de massa para expor sua “carga viva”?

Hoje, todos são “clubes-modinhas”, amici. As torcidas, idem. O Zé Italiano já morreu, o Peirão de Castro foi pras picas, e no lugar deles colocaram o Flávio Prado, Chico Lang, Cogumelo do Sol e ASSOVESP. Reconheçamos: nós três estamos ficando velhos, e não conseguimos passar para as gerações seguintes o verdadeiro amor pelo futebol. Eles venceram. O que liga, agora, é ouvir o PVC e sua memória de HD para concluir o óbvio, cadeira numerada e coberta, ir ao bar da Vila Madalena usando “camisa oficial“, azarando as menininhas com “camisa oficial baby look“, com telão rolando pay-per-view, e ver jogador beijar um escudo diferente por mês. Essa é a lei vigente, para qualquer clube ou torcida.

Tenham certeza, CRUZ e CLÁUDIO: se seus times desandarem a ganhar títulos, suas torcidas crescerão em PG, MUITO MAIS RAPIDAMENTE do que a do tricolor cresceu nos anos 70/80. Hoje tudo acontece mais rapidamente. Pessoas viram ídolos com um vídeo caseiro postado no youtube. “Modinha rules“, como dizem por aqui na internet.

Mas, se servir de consolo, quem sabe um dia torcedores apaixonados como CRUZ, CLÁUDIO e EU não viramos verbete na Wikipedia?


O mundo é um moinho

novembro 24, 2009

Veja como são inventivos os jornalistas, e como as pautas se renovam. Ou como nossa vida é besta e sempre igual: inspirado neste post aqui, da sempre brilhante Marina Miyazaki, busquei no gúgol a expressão “13º deve ser usado para…”. Os resultados:

Em 2001, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2002, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2003, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2004, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2005, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2006, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2007, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2008, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Este ano, a surpresa: disseram que era para… PAGAR DÍVIDAS!!!

Por que cargas d’água os meios de comunicação não fazem assim: um “jornal anual”, editado em 1º de janeiro, contendo essas pautas repetitivas e inúteis, abrindo espaço nos veículos para assuntos diferentes?


“Fumá unzinho aí, filhão?”

novembro 23, 2009

"Mamis, cabô u fumu!" "Peraí, Pedro Henrique, mamãe já tá enrolando mais um!"

Capa do “Folhateen” de hoje: “Em casa, é legalize”, mostrando uma nova “tendência” (galera curte uma “tendência”, não?): pais que fumam maconha com os filhos.

Na leitura “em diagonal” que eu fiz, aparecem pais que defendem a prática sob o argumento de “sou amigo do meu filho”, alguns invocam até uma suposta “redução de danos” (eu APOSTO que são contra a distribuição de cachimbos e seringas na cracolândia). Uma psiquiatra vai ao ponto: “adolescente precisa de pais, amigos ele já tem muitos.”

Muito embora eu considere a maconha uma droga altamente deletéria, e que deixa sequelas irreversíveis nos usuários – observação empírica -, o importante aqui é abordar esse pretenso “companheirismo” entre pais e filhos adolescentes, essa figura do “pai/mãe englobados”, como brilhantemente define a minha filha.

Pai e mãe têm de ser modelo de vida adulta para os rebentos, não mais um adolescente na galera. Vejo mães, em saída de escola, que se vestem como as filhas, provocando comentários dos coleguinhas: “nossa, a mãe da fulana é mó gostosa, mano! Eu pegava a véia, e você?”. Isto mesmo: disputam as atenções dos meninos com as próprias filhas.

Pais/mães de hoje são tão mimados quanto os filhos que criam: não sabem lidar com rejeição ou oposição dos filhos a eles, uma coisa perfeitamente natural, esperada e necessária na relação pai/filho. Não oferecem aos moleques o necessário contraponto que os preparará para a vida adulta, e acabam estimulando os filhos a acreditarem naquelas bobagens que todo adolescente pensa nesta fase da vida. Daqui a pouco, estarão disputando “quem pega mais na balada”. É um excelente jeito de escapar da responsabilidade (mais uma) de criar um ser, passar valores e atitudes que serão fundamentais para eles na vida adulta. Talvez este seja mais um dos motivos que estejam fazendo a adolescência durar até os 30 anos, hoje em dia.

O pai tá apertando, a mãe tá acendendo, o filho tá dando um tapa. E fica a pergunta: quem é que vai tomar conta da lojinha?


A Cizânia

novembro 18, 2009

Bigas ensandecidas tomam de assalto vilarejo gaulês

“Aê, filhodumaputa, por que você não enfia essa merda desse carro na buceta da tua mãe?”

“Só se for na da sua, seu arrombado, velho do caralho!”

São dez da manhã numa pacata rua de bairro (outrora de trânsito local), e é esse afável e cordial diálogo que entra pelos meus ouvidos. A curiosidade me faz ir até até a janela e espiar: podem ser vizinhos, vai saber. Por aqui todos se conhecem, temos intimidade até para nos enfiarmos numa eventual briga, como naquela velha aldeia gaulesa onde cenas de pugilato entre moradores eram resolvidas com um javali no rolete. Mas que não me venham os romanos!

O cenário é aterrador: uma fila monstro de bigas, de uns 200 metros. Todos aguardando a abertura do semáforo. E os dois – um senhor de barba branca e um rapaz de uns 30 anos – ali, se xingando, bem na porta da minha casa. O velho faz menção de sair e partir pra agressão; buzinas são acionadas, e me sinto como se minha casa tivesse sido transplantada para a Vinte e Três de Maio.

“De quê estão rindo? Os romanos invadiram a aldeia, o céu desaba sobre nossas cabeças!” Abracurcix
 

O último reduto caiu. Ainda sou acordado ao som de um galo velho (desafinado como Chatotorix), mas os romanos estão por toda a parte: invadiram a vila gaulesa com suas bigas enormes e edificações monumentais. Estamos cercados. Obelix foi morar no Campo Limpo – ele diz que é “Morumbi Sul” -, depois de vender sua fábrica de menires a César. Este, cansado de apanhar, encontrou a fórmula para nos destruir: infiltrando-se, tornando-se “um dos nossos”, comprando nossa tranquilidade com seu dinheiro, jogando-nos uns contra os outros. “É o progresso”, ele diz.

Aqui na aldeia, muita gente acredita em César. E estão negociando suas choupanas com ele, em troca de “uma vida tranquila” no Morumbi Sul. Obelix não gosta de lá – não tem amigos, na churrasqueira do prédio nem cabe um javali -, mas disse-nos que “levantou uma boa grana, comprou três apartamentos e agora vive de renda. Gordo como nunca, comprou uma biga oriental Tucson, preta, igualzinha à de César.

Esses romanos são mesmo uns lunáticos neuróticos!


Conosco, é torpeza; com alguns, é “intimidade”

novembro 16, 2009

Quem me conhece sabe que eu, em 1990, registrei uma criança, dando-lhe o nome de Tomás. Registrei porque era meu filho, óbvio. Registrei, criei e cuidei, do melhor jeito que eu pude.

Um ano depois do meu Tomás, nasceu o filho de um então senador da república, que viria a se tornar presidente do Brasil, fruto de uma relação extraconjugal com uma jornalista da Rede Globo. Foi registrado, pela mãe, com o nome de Tomas (ou Thomas, não descobri a grafia correta). O pai, dado como desconhecido, inexistiu na certidão do menino.

Meu filho não foi fruto de relação extraconjugal. Mesmo que fosse, seria a minha obrigação assumi-lo e registrá-lo. O pai do Thomas/Tomas não era desconhecido de ninguém. Desconhecido sou eu. Se eu tivesse fugido da responsabilidade de registrar meu garoto, ele seria só mais um caso de gente com “tracinhos no RG”. E isto nunca seria notícia, a não ser que o meu Tomás se tornasse uma “pessoa pública” e quisesse expor a todos a rejeição paterna de que fora vítima. Quem sabe, indo lá no Ratinho pedir DNA. Que tal, Tomas/Thomas?

O filho de FHC tem “tracinhos no RG“. FHC foi senador e presidente da república por (longos) oito anos. Até os plânctons da imprensa sabiam do Tomas/Thomas. Mas isto nunca foi notícia. Quem se informa através da grande imprensa consegue saber até quem é o Theo Becker, mas nunca havia ouvido falar de Thomas/Tomas Dutra Schmidt.

Em 2001, a revista Caros Amigos deu capa e longa reportagem sobre o assunto. A repercussão foi, como era de se esperar, quase nenhuma. Afinal, aquilo é um “antro de comunistas infiltrados”, e tem uma tiragem pífia. E, dos poucos que ouviram falar do caso, não é raro ouvir um “isso é boato, imagina que a imprensa não fosse dar se fosse verdade”. Aqui é assim: não deu na Globo, não aconteceu.

Monica Bergamo, em 2009, “deu”. E aí, liberou geral. Mas sabe o que é engraçado? Que a “blogosfera neo-independente”, também resolveu “dar”! E quando se pergunta ao “blogueiro neo-independente” por que não “deu” antes, a resposta é: “isso é questão íntima, devemos preservar a intimidade…”. Ei, senhores, onde nós estamos? Que lógica torta é essa? Um assunto íntimo, depois de dezoito anos, deixa de ser íntimo?decurso de prazo para expor intimidade de pessoa pública? Ei!! Intimidade? Desde quando se preserva TORPEZA de alguém que exerce função pública sob o manto da intimidade?

Meu pai morreu quando eu tinha nove anos. Ele me fez muita falta. Mas eu o conheci, ele botou o nominho dele lá no meu RG, me criou. Se o presidente da república, que está no cargo para ser o “pai” de 180 milhões de indivíduos, não é homem o suficiente para dar seu nome a um FILHO, é capaz de escondê-lo nas profundezas de Barcelona para não manchar sua imagem de “homem bom da nação”, do que não seria capaz?

Se isto não é notícia, não sei mais o que é. Para quem “enterra” um filho vivo, vender a mãe e não entregar é pinto.


Maucaratismo, irresponsabilidade, doença…

novembro 13, 2009

Eu tinha prometido (pra mim mesmo) que nunca mais tocaria no nome dele, nem faria qualquer referência. Promessa rompida, por uma boa causa. Aquele espaço pútrido não merece ser citado, pois virou (ou sempre foi) um antro de falsos loucos (os verdadeiros, eu respeito e admiro). Só que o rapazinho está extrapolando qualquer limite aceitável.

Graças ao Cláudio, corinthiano do bem (existe!), fiquei sabendo da exposição absurda do Seo Cruz naquela página cancerosa.

Se o filhadaputa é pago para achincalhar moinhos de vento, inimigos imaginários, duendes, fadas, ogros ou “o poder corrompido”,  o problema é dele; se vai começar com putaria contra gente como a gente, aí eu não vou ficar quieto. Colocar o emprego suado de uma pessoa em risco,  incitando a gaiola de doidos dele pra foder a vida do cara é coisa de mau-caráter, covarde e irresponsável.

Paulinho do blog, faz um favor: VAI TOMAR NO CENTRO DO SEU CU, das 6:00 às 24:00, ok?


Reflexão sobre arbitragem, “futebol moderno” e uma promessa

novembro 12, 2009

boleiros

"Fica na tua e joga bola, porra!"

 

 

Primeiro, a promessa: NUNCA MAIS, neste blog, eu comentarei erro de arbitragem de futebol, muito menos tecerei minhas delirantes teorias conspiratórias a respeito do assunto. Post de futebol, aqui, será só aquela coisa de “fulano joga muito, time tal joga porra nenhuma…”. Quem vive de falar de bastidores é o Juca Kfouri, deixa ele lá. Mesmo porque, pra falar do jogo em si, ele é um zero à esquerda.

Agora, a reflexão, baseada num comentário que deixei no “Esporte Fino”, belo blog esportivo: está ficando insuportável essa blitz contra arbitragem de futebol. Insuportável e covarde.

Eu sou “das antigas”, do tempo da câmera única de TV. E quando a gente dizia que o juiz era ladrão, havia uma GRANDE possibilidade de ser, mesmo. Veja, por exemplo, o Belluzzo, que é mais “das antigas” ainda: para fazer uma analogia com o gol anulado do Obina, recorreu ao célebre gol anulado do Leivinha contra o SPFC em 1971. Trinta e oito anos depois, o cara ainda se lembra daquilo. E eu também. Deve ter havido um buzilhão de “erros” naquele jogo. Como não ficaram apontando um a um, sobrou o REALMENTE importante.

Esse negócio de ficar vendo falta em tudo, impedimentos ridículos de 20 cm., criando polêmicas intermináveis e acusando todo juiz de ser ruim por não ter marcado em 1 seg, com dois olhos, o que você precisou de três dias (e trinta “olhos”) para ver é absolutamente insano. E torna o futebol uma coisa cada vez mais chata e manipulável. Sim, porque quanto mais você aponta erros, mais difícil fica distinguir o erro da sacanagem.

Vejam os jogadores de futebol atuais: desde a “escolinha”, são treinados para simularem faltas. São acostumados a “se protegerem”. No meu tempo, isso se chamava PIPOCAR. Ninguém mais divide, “deixa o pé”. Nem zagueiro: se um chegar primeiro na bola, o outro já voa, como se atingido por um míssil.

Mirandinha1974

Nem precisava, mas a foto é do genial (e sortudo) Domício Pinheiro

Este tipo de lance aí não ocorre mais no futebol. “Ainda bem”, dirão. Claro que a fratura absurda sofrida pelo Mirandinha ninguém mais quer que se repita. Mas se o lance fosse transportado para os tempos atuais, o zagueiro seria expulso, teria pego três jogos no STJD e o Mirandinha estaria com a perna intacta, jogando a próxima partida. Quer ver? Substitua a foto acima por uma colorida, com Dagoberto no lugar do Mirandinha e um “Maicon” qualquer no lugar do zagueiro do América-SP: era uma bola na lateral, dividida; os dois vinham rasgando. Dagoberto iria com o pé alto; o “Maicon”, vendo isso, também levantaria o dele (ou já estaria indo de carrinho); ato contínuo, o avante recolheria o pé alto dele, projetando-se contra o defensor, saltando sobre ele e rolaria, gritando mais do que o Mirandinha aí de cima deve ter gritado. E a bola? Ah, isso é um mero detalhe nos dias de hoje.

Jogadores atuais, de até 100 kg, desabam na área com um leve puxão na camisa, tal bebês de um ano quando puxados pela fralda. Se Zico, 66 kg., que teve a sua camisa rasgada por Gentile dentro da área fosse seguir a nova cartilha, teria voado de encontro às arquibancadas do Sarriá! O juiz não viu Zico ser puxado (nem a TV), mas hoje o infeliz teria de ver o dedinho do “Maicon” enroscado na etiqueta da camisa do Washington, só porque a câmera 632, postada na grua 85 “flagrou a irregularidade”? Isso só faz o Washington ficar “hipersensível” em qualquer lance de área, pois sempre haverá algum “Maicon” perto dele. E uma câmera amiga, onde ele poderá exibir seus dotes dramatúrgicos. É futebol, isso??

Os jornalistas precisam entender: não existe, ainda, arbitragem eletrônica. O controle do jogo é feito por seres humanos, falíveis. Se quiserem levantar suspeição sobre arbitragem, devem investigar a vida do “homem de preto” FORA de campo. É lá que as coisas sujas acontecem, em essência. Dentro de campo, se houver maracutaia, será só consequência do que já foi acertado lá fora. Se não há maracutaia, então é só erro. Foda-se, e segue o jogo. Arrumem serviço e deixem os árbitros em paz.

 


Quem fala demais, dá bom dia a cavalo

novembro 11, 2009

E, aqui na internet, é bem pior. Hoje recebo um link no twitter de um ângulo diferente de TODOS mostrados no JN pela Globo. FOI FALTA DO OBINA. Repare nessas imagens aí (tão ruinzinhas, mas dá pra ver) que, ANTES da bola chegar, o Obina tá com o braço PRA TRÁS e SOBRE o ombro do zagueiro. Este movimento impede que o adversário se antecipe a ele.

Mesmo que você não concorde, este post é só para mostrar que eu mudei de opinião sobre o que disse no post anterior (que o Palmeiras foi ROUBADO). Na pior das hipóteses, agora só falo em erro, dando o direito ao Símon de enxergar uma falta no lance. Falta que a Globo, mesmo com 6.736 ângulos diferentes, tira-teima e o cacete não captou.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 31 other followers