“Aê, filhodumaputa, por que você não enfia essa merda desse carro na buceta da tua mãe?”
“Só se for na da sua, seu arrombado, velho do caralho!”
São dez da manhã numa pacata rua de bairro (outrora de trânsito local), e é esse afável e cordial diálogo que entra pelos meus ouvidos. A curiosidade me faz ir até até a janela e espiar: podem ser vizinhos, vai saber. Por aqui todos se conhecem, temos intimidade até para nos enfiarmos numa eventual briga, como naquela velha aldeia gaulesa onde cenas de pugilato entre moradores eram resolvidas com um javali no rolete. Mas que não me venham os romanos!
O cenário é aterrador: uma fila monstro de bigas, de uns 200 metros. Todos aguardando a abertura do semáforo. E os dois – um senhor de barba branca e um rapaz de uns 30 anos – ali, se xingando, bem na porta da minha casa. O velho faz menção de sair e partir pra agressão; buzinas são acionadas, e me sinto como se minha casa tivesse sido transplantada para a Vinte e Três de Maio.
- “De quê estão rindo? Os romanos invadiram a aldeia, o céu desaba sobre nossas cabeças!” Abracurcix
O último reduto caiu. Ainda sou acordado ao som de um galo velho (desafinado como Chatotorix), mas os romanos estão por toda a parte: invadiram a vila gaulesa com suas bigas enormes e edificações monumentais. Estamos cercados. Obelix foi morar no Campo Limpo – ele diz que é “Morumbi Sul” -, depois de vender sua fábrica de menires a César. Este, cansado de apanhar, encontrou a fórmula para nos destruir: infiltrando-se, tornando-se “um dos nossos”, comprando nossa tranquilidade com seu dinheiro, jogando-nos uns contra os outros. “É o progresso”, ele diz.
Aqui na aldeia, muita gente acredita em César. E estão negociando suas choupanas com ele, em troca de “uma vida tranquila” no Morumbi Sul. Obelix não gosta de lá – não tem amigos, na churrasqueira do prédio nem cabe um javali -, mas disse-nos que “levantou uma boa grana, comprou três apartamentos e agora vive de renda“. Gordo como nunca, comprou uma biga oriental Tucson, preta, igualzinha à de César.
Esses romanos são mesmo uns lunáticos neuróticos!



novembro 18, 2009 às 12:37 pm |
Antigamente quando os cães “se enroscavam” na Rua Particular – Vila Escolar – Itaim Paulista, era comum as zelosas mães correrem com baldes de água (ainda não havia água encanada) e molhando os “amantes” garantirem que seus filhos não vissem safadezas.
Deixe uma mangueira preparada e àgua fria neles!
Aliás tenho uns conhecidos que escrevem para a família no NE e dizem que moram no Morumbi, salvo alguns que dormem na obra a maioria mora numa favela homônima ao bairro chic.
Aqui, tem de deixar um lança-chamas pra torrar essa raça.
novembro 18, 2009 às 12:39 pm |
A garota do texto que escrevi, gentilmente publicado por vc – http://comfelelimao.wordpress.com/2009/10/30/isnt-she-lovely/ – deve ser filha do velhote ou irmã do outro.
Pra complementar seu post, um clássico:
http://www.youtube.com/watch?v=x_jVumbjoVU
Este vídeo é espetacular! Aqui não tem gentileza não, nego. O baguio é bom, nóis pubrica.
novembro 18, 2009 às 1:26 pm |
Puta post, véi !!!!
Só que você quebrou meus eixos … já tinha engatilhado um “ESSES ROMANOS SÃO MESMO UNS NEURÓTICOS” …
Só que o post foi tão perfeito que fechou com o meu “caco”.
Grava logo o canto do “Galo do Xoxê” em MP3, antes que uma arminha de paintball, da janela de uma SUV, termine com o que resta de civilização por essas paragens.
Putz, é isso mesmo: “NEURÓTICOS”, não “lunáticos”. E já deve ser a terceira geração de galos da “família Xoxê”. Logo serão dizimados.
novembro 18, 2009 às 2:58 pm |
HAHAHAHAHA!!!
Mas nem tudo está perdido. Alguns de nós já estão fazendo o caminho inverso, abandonando as metrópoles para ir morar nas aldeias, em busca de espaço para assar seus javalis na fogueira, para as crianças correrem soltas pelo meio das ruas sem risco de atropelamento, para convidar o vizinho que passa carregando as compras a sentar e tomar um chimarrão e ter o prazer de sua companhia por meia hora, pois ele realmente aceita o convite.
Eu sou um destes.
Estou funcionário público há dez anos e não aturo mais. Vendemos nossa minha casa na rua em que moro desde que nasci e vamos deixar a capital do estado, uma cidade com um milhão e meio de habitantes, para morar na zona rural de uma aldeiazinha com três mil moradores, onde vou me dedicar à produção animal, à música, aos esportes, aos estudos e principalmente à família e aos amigos.
Minha nova (
casa) cabana fica a 2,5 km mato adentro por uma estrada esburacada de chão batido que já arrancou duas vezes a surdina do meu carro e amassou o tanque de gasolina do carro do meu pai. Meus transportes preferenciais passarão a ser a bicicleta e o caiaque. Minha maior preocupação é comprar um gerador a diesel, porque lá quando falta luz é porque um galho caiu sobre os fios durante uma tempestade.Telefone, só celular. Internet, só sem fio. Correspondência, só se o carteiro deixar no mercadinho. Coleta de lixo, só se eu deixar o saco de lixo no container da aldeia. Barulho, só se der trovoada. Trânsito, só se um dos três vizinhos receber visita.
Ou eu volto correndo em seis meses, ou eu encontro o Nirvana.
O problema nem é tanto o tamanho da aldeia, mas o desequilíbrio e a selvageria que chega junto com os romanos.
novembro 20, 2009 às 9:58 pm |
Eu comecei a responder aqui, mas ficou quilométrico e virou um artigo: http://arthur.bio.br/2009/11/20/comportamento/darwin-explica
novembro 18, 2009 às 7:12 pm |
Vinicius. Na quinta feira levei 2 horas e 22 minutos cronometrados, para percorrer, vindo pela Rodovia dos Bandeirantes, o trecho da Marginal Pinheiros, até a Washington Luiz. A marginal, completamente utilizada por caminhoes, carretas, containers, e o caralho, entupida ate o entroncamento com a Regis.
Na volta do litoral, a Av. dos Bandeirantes, com duas pistas, ocupadas pelos mesmos, desde a imigrantes ate o inicio da Pinheiros.04 horas,respirando diesel.
Se essa porra de Rodoanel, construido com vigas de barro, nao for concluida, a cidade morre, e ninguem mais nasce aqui, pois pesquisa apontaram que poluição causa impotencia.
Enquanto isso, esse careca, e seu amigo que esperam se reeleger estao preocupados com essa merda do video abaixo. Como bem disse o Marcelo do Vertebrais, uma obra para transportar as empregadas domesticas contratadas da zona leste, Itaquera, para servir os bacaninhas do Morumbi, motoristas de Tucson.
http://www.youtube.com/watch?v=NGwFqWMXfHI&feature=player_embedded
Para de se preocupar com metrô e faz rodoanel? Fodam-se as empregadas de itaquera que trabalham no Morumbi, só porque o patrão usa Tucson? Não entendi. Mas fique tranquilo, porque com as novas “vigas de barro” o prazo de conclusão do rouboanel foi abreviado em 14 meses. E, com a nova marginal, sua viagem vai ficar 30% mais rápida. Thiago, às vezes sua lógica fica incompreensível pra mim.
novembro 18, 2009 às 8:49 pm |
Eh isso. A preocupaçao desses caras eh enfiar dinheiro para levar gente para assistir jogo no Morumbi. Pelo menos eh o que informa esse video de propaganda do careca. Ja levou fumo na eleiçao.
Ah, Thiago… metrô é pra isso? Tá bom, então.
novembro 18, 2009 às 8:52 pm |
E, acabei de ver essa dos caminhoes que vem do sul e do norte entrando nas marginais, no Jornal Nacional.
Veja que eu postei as 7:12. Os caras da globo, (sua inimiga) leem seu blog com certeza. kkkkkkkkkkkk
Fique tranquilo: a Globo não é minha inimiga. Ela nem sabe que eu existo.
novembro 18, 2009 às 8:55 pm |
E, para o ROUBOANEL, como vc. chama, o que eu quero, façamos o SEQUESTRO DO METRO
Sem palavras.
novembro 18, 2009 às 8:57 pm |
Saiu sem eu terminar. kkkkk
E enfiemos 30 bi para obras do “entorno” do elefante da copa, de uma semana. O ROUBOANEL, vai virar delito de trombradinha perto disso. kkkkkkk
Na boa, você está misturando as coisas. Mas deixa pra lá. Segue o bonde.
novembro 18, 2009 às 9:04 pm |
Desculpe, dar tanto palpite. As vezes parece que eu estou enchendo o seu saco.
Vai ai o video:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1161933-7823-CAMINHOES+CAUSAM+TRANSTORNOS+NO+TRANSITO+DE+SAO+PAULO,00.html
A quantidade não enche o saco. A qualidade, sim, às vezes irrita um pouco. Mas quem mandou abrir blog, né? Abs.
novembro 18, 2009 às 9:15 pm |
Vinicius. Desculpe, eh que eu sou um pouco lerdo pra alcançar o objetivo do seu blog. Estava ainda naquela post la atras que vc expos suas brilhantes soluçoes para o caos do transito. Eu realmente misturei, esse post com aquele.
Mas me uma chance, que um dia eu chego pelo menos perto do seu elevado nivel neh?
Abs. Vou secar o verdao agora. Boa noite.
Já estou secando.
Tá me tirando? Elevado nível? Isto aqui é um lixo. Só te peço que leia com mais atenção as coisas antes de comentar, senão a gente fica batendo boca à toa, só isso.
novembro 19, 2009 às 7:14 am |
Viram a briga entre o Carlos Eugênio Simon e o Obina? Ou foi entre o Maurício e o Simon?
Opa, abriu precedente pra tirar mais 2 do SPFC e abrir o caminho do título para o Fla.
novembro 19, 2009 às 10:10 am |
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Putz! Não entendi o post (ou penso que não entendi). Trata-se de alguma private joke com seus amigos? Ou um desabafo por conta do …hã… “progresso” que está deteriorando seu bairro (seria a Vila das Belezas?)
Se der pra desenhar, o retard…digo; o leitor aqui agradece.
Alê
PS. Conheço bem Asterix, mas não identifiquei a analogia dos personagens.
Pps. Sobre automóveis/trânsito/motorista, ontem mesmo, saiu uma notícia trágica -> http://vqv.me/We
(note que Campo Grande está longe de ser considerada uma cidade estressante e que o agressor não é um pitboy)
Ppps. Morei anos no morumbi-sul e anos numa aldeia baiana (Arraial D’ajuda; na época havia malemale umas duas mil almas). Ambas tinham seus atrativos e inconvenientes. Sinto nostalgia pelas duas moradias.
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Não é private joke, é um desabafo contra a invasão de “romanos neuróticos” num bairro outrora tranquilo, que não é a Vila das Belezas. Recomendo a leitura da aventura homônima ao título do post , e tudo ficará mais claro.
novembro 19, 2009 às 10:45 am |
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Ah, tá! A mim, o post havia ficado meio hermético, meio pascálico…
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Tenho a coleção, acho que, completa de Asterix. Há anos que não releio e não lembro dessa estória. Uma hora dessas eu me aventuro a procurar e abrir a caixa onde estão meus gibis da adolescência.
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Dia desses, andei pela ruazinha tranquila onde passei minha infância. Que tristeza!
Coitadas das crianças que não sabem o que é brincar na rua.
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Um texto legalzim, relacionado, ainda que indiretamente, ao assunto -> http://vqv.me/Wg
Alê
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Legal.
novembro 19, 2009 às 12:08 pm |
Vini,
Talvez você deva tomar a bebida moderna do Asterix para relevar a invasão dos romanos.
É o jeito, mas as 10 da manhã é ruim, hein?
novembro 19, 2009 às 12:58 pm |
A poção mágica do Druida Panoramix é Red Bull com Uísque, rsrs
novembro 20, 2009 às 9:38 pm |
Caro Vini
Sua “parábola” do transporte rodoviário urbano nos revela muito além dos congestionamentos. Colhemos os frutos de um modelo equivocado de ir e vir. Os xingamentos são apenas um pequeno acréscimo da falta de civilidade. Ótimo texto, grande abraço Gibão
Ahhh, moleque! Este cara aqui é dos tempos da “velha Gália”! Valeu!