Instinto e Impunidade

Após a exibição da selvageria em Curitiba, no estádio Couto Pereira e nas ruas da cidade, diversas vozes se levantaram sob o argumento infame de “esse é o país que vai sediar a copa-2014?”. Sim, é ele mesmo. E, se este incidente for fator impeditivo para a realização, levem a copa para a LUA. Aqui na Terra, não há lugar próprio.

Cenas de violência em eventos esportivos não são, e NUNCA serão, exclusividade de países subdesenvolvidos. Ocorrem no mundo todo. Ontem mesmo, a riquíssima Itália foi palco de cenas lamentáveis, no jogo Lazio x Roma. O pau comeu feio, e estamos apenas no meio da temporada por lá. Ninguém caiu, ninguém foi campeão.

São muito comuns as cenas de depredação e violência em comemorações de títulos nos Estados Unidos. E lá não rola só futebol (aliás, não rola futebol): tem hóquei, basquete, futebol americano e beisebol. Na Inglaterra, hordas de hooligans arrebentam tudo, na vitória e na derrota.

Estes incidentes têm muito mais a ver com problemas de comportamento humano em meio a multidão do que com educação, civilidade ou desenvolvimento social. O homem, quando acobertado pela massa, libera os seus piores instintos.

Os mesmos que se incomodaram com a “piada” (aspas necessárias) de Robin Williams – que, a bem da verdade, atacou muito mais o Comitê Olímpico do que o Brasil -, prejudicam muito mais a imagem brasileira no exterior com esses comentários em tom de autoflagelação, atribuindo ao povo brasileiro uma culpa que não é exclusiva dele.

Toda essa baboseira aí de cima não exclui, evidentemente, a necessidade de punição exemplar a todos os envolvidos, inclusive o time do Coritiba. E isso, sim, é um problema nacional: se fosse na Itália ou na Inglaterra, iria direto jogar a série C em 2010.

O crime é igual no mundo todo, o problema está na aplicação do castigo. E isso, ninguém ataca de maneira séria.

ps.: Parabéns ao Flamengo, campeão de 2009. E de 1980, 1982, 1983, 1992. Esqueci algum?

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18 respostas para Instinto e Impunidade

  1. Só pra provovar…
    http://esporte.uol.com.br/ultimas/multi/2009/08/07/04023962C0A19346.jhtm?belluzzo-eliminaremos-corinthians-na-libertadores-em-2010-04023962C0A19346

    Belluzzo tá mandando bem: manda “matá os bambi”, acaba atrás na tabela; manda “eliminar o SCCP da Libertadores”, e o time fica fora.

  2. Ademir disse:

    Ah para, Vinicius!
    Não curto nem um pouco o Flamengo, mas eles são hexa sim.
    No site da revista trivela tem uma matéria completa sobre o assunto.
    Só dois torcedores ficam nesse papinho, os do vasco e os do sport, será q os tricolores vao embarcar nessa bobagem? Justo o SPFC q foi um dos grandes articuladores da Copa União?

    É zoeira, Ademir! Não posso perder uma piada, senão não durmo.

  3. Thiago Ferreira disse:

    Campeonato dos “pontos parados”. Onde ate o Uoshington perna de pau faz 03 (exatamente o necessario para eventual empate em pontos???) felizmente acabou.
    E 2009, em Sampa, so nois na fita de campeao. Ate 2010
    / ehehehe

    “Felizmente acabou” porque campeonato bom, pra corinthiano, é só aquele em que o time dele vai bem. Se o SCCP estivesse lutando pra ganhar, seria o máximo. Há outros 19 times e torcidas disputando. Se vocês não gostam de futebol, o problema não é o campeonato.

    • André Nogueira disse:

      Vcs “,”
      Eu gostei do campeonato. Acompanhei com um olhar meio voyer, mas achei supimpa.

      Opa!! as exceções só tem uma utilidade: confirmar a existência de uma regra. :D

      • André Nogueira disse:

        Hehe. A exceções sempre estão do lado oposto.
        Fulano é um bambi gente boa, ciclano é porco consciente, beltrano é corinthiano, mas é digno de nosso convívio.
        Nos fim, as exceções são percentualmente iguais em todas as torcidas. E puxam a saca uns dos outros pela afirmação de diferenciação. Falei.

        Falou, e eu não entendi. Mas vou tentar explicar mesmo assim: :D
        Tão chatos quanto os “modinhas” são os fanáticos fundamentalistas, pessoas autocentradas, onde o futebol começa e termina no time dele. E existem em todas as torcidas, assim como os “modinhas”.

    • Thiago Ferreira disse:

      ahahaha. Quem nao gosta de campeonato que nao vai bem?
      O Timao? Por falar nesse assunto, o “Paulistinha” vai bem obrigado. ahahahah. O ano que vem a Libertadores vai virar “copinha satã….der”. ahahaha

  4. Onde passa um boi passa uma boiada.

    Pisaram na bola ao deixar os primeiros invadirem.

    Sem dúvida, Carlão. Deu pena dos PMs (meia dúzia) com aqueles escudinhos.

  5. Ademir disse:

    Ah bom! Hehehehe…o trouxa aqui nem se ligou.
    Esse é um dos poucos assuntos que eu fico do lado da globo e do flamengo…..

    O ano foi bom para o meu leão, 6º lugar (acredite, isso é um BAITA feito por aqui), espero que continue nesse caminho no ano q vem…

    Nossa torcida é F-O-D-A!

    Ah, mas vê aí que eu disse num comentário antiiiigo teu, que o Avaí tinha um time bem arrumadinho. Mereceu pra mim até beliscar a 4ª vaga da Libertadores.

  6. André Nogueira disse:

    Provocações e assuntos alheios ao seu post limados, posso falar. Tenho uma puta inveja qdo assisto campeonatos europeus e vejo um cabra cobrando escanteio a um palmo de distância da possibilidade de um “pedala” do torcedor.
    Temos que copiar só o lado ruim dos Europeus?

    Sim, mas lá, se cai um copinho na cabeça do jogador, os caras interditam o estádio e prendem o agressor na hora. Aqui…

  7. Thiago Ferreira disse:

    Sobre a violencia no futebol, tenho a conviccao que grande parte cabe a formadores de opiniao da midia, quando deixam de lado a critica no campo tecnico, e partem para o lado pessoal de jogadores e treinadores.
    Isso da manivela beleza, em torcedores “curtos”.
    A semana que antecedeu esses jogos finais, o que assistimos foi uma barbaridade de acusacoes e ofensas absurdas. Deu no que deu.
    Ou vcs. acham que nenhum besta vai tentar assassinar o jogador de seu time, que foi acusado de “vendido” levianamente?
    Estamos cheios de hipocritas nesse meio, com microfone, camera, e computador na mao.
    Viraram DEUS (eles pensam).

  8. Ademir disse:

    “Parabéns Inter pelo Vasquésimo lugar”, NPTO.

    uahuahauhau…uma das melhores do ano!

  9. Max disse:

    Mas que coisa mais ridicula e covarde o que esse filhinhos de papai fizeram ontem no estádio.

    Faltou é cintada na bunda, ou uma bela de uma sopetada com vara de marmelo nas costas.

    Pais coniventes, filhos marginalizados.

    Tem que prender todos estes pilantras. Os rostos estão ae para quem quiser ver, mas daqui a pouco todo mundo esquece…é só mais um colocar $ na cueca ou mostrar o projeto das Olimpiadas e tá td certo.

    Como diria o paranaense Alborghetti, cadeia neles.

  10. Alê disse:

    -
    E pq existem torcedores violentos no mundo todo, as atitutdes de ontem justificam-se? Se o país tem pretensão de realizar uma copa exemplar, tem mais é que dar o exemplo, punindo com rigor todo mundo (os tais “torcedores de verdade”) que estiver envolvido em arruaças. Em Curitiba, no Rio, em Sampa e onde mais houver essa explosão da turba anti-esportiva.

    Se a coisa ficar por isso mesmo, imagine o que aconteceria se na final da copa de 2014, no maracanã, o Brasil perdesse pra Argentina?

    Em 1950, qdo a seleção perdeu pro Uruguai houve uma tristeza geral, uma ressaca sem fim, dizem.

    Em 2014, o que aconteceria? Terrorismo com o uso de Homens-Bomba?

    Alê

    Acho que você não leu o post com atenção.

    • Alê disse:

      -
      Li sim. Mas não consegui sintetizar meu comentário.

      A idéia inicial era escrever sobre os instrumentos de manipulação social, exemplificar com as copas de 70, 74 e 78.
      Comentar que foi a partir da copa de 78 que os brasileiros começaram a detestar os argentinos, relacionar a manjada metáfora de guerra que envolve partidas de futebol e rivalidade entre torcidas.

      Traçar um paralelo entre os torcedores atuais e os de outras gerações, etc, etc, etc. Até a letra daquela música do Gonzaguinha (Se meu time não fosse campeão) eu pensei em usar como argumentação.

      Aí me dei conta que não seria um comentário, mas um post. Imenso. Tentei resumir, porcamente, e saiu esse texto esquisito aí, sem amarração.

      Desconsidere.

      Alê
      -

      • O SENHOR TEM ALGUMA REFERÊNCIA SOBRE ESSA INTERESSANTÍSSIMA “TESE” DO INÍCIO DA VIOLÊNCIA NO FUTEBOL BRASILEIRO OU ELA FOI BASEADA NO PUTO ACHISMO?

        SE O SENHOR TIVER REFERÊNCIAS, FAVOR ENVIAR UM EMAIL PARA ANDRADENETO96@GMAIL.COM.

        ANDRADE NETO, VERITAS ODIUM PARIT.

        Quem, eu? Que tese?

      • Alê disse:

        -
        É comigo? Se for, lamento decepcioná-lo, caro sr. Andrade. O que tenho são apenas observações empíricas a respeito do início da violência no futebol mundial. Gente que entende muito mais de futebol do que eu, pode confirmar ou corrigir meu pensamento.

        Em minha opinião, a violência surgiu (ou consolidou-se) no final dos 70, tomando de empréstimo a ideologia e os exemplos dos grupos terroristas europeus (Baader-Meinhhof, IRA, ETA). Some-se a esse caldo cultural, a eclosão do movimento punk, o surgimento do neo-nazismo e o desemprego massivo e sem perspectivas promovido pelo governo neo-liberal da M. Tatcher e eis que aparecem os holligans.

        De lá pra cá…

        Mesmo reconhecendo o tom jocoso de sua personificação, segue alguns textos de interesse acadêmico, a respeito das torcidas. Talvez alguém queira comentá-los.

        VIOLÊNCIA ENTRE TORCIDAS ORGANIZADAS DE FUTEBOL

        Resumo: O presente artigo busca compreender o fenômeno da violência entre “torcidas organizadas”, a partir das justificativas de explicação dos atos de violências utilizadas pelas “autoridades públicas” e torcedores. Mostra, em síntese, que a violência produzida pelos grupos de torcedores é parte da dimensão cotidiana dos grandes centros urbanos na sociedade brasileira contemporânea, conseqüência do esvaziamento político-cultural-coletivo dos novos sujeitos sociais.
        -> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392000000200015

        “O complô da torcida”: futebol e performance masculina em bares

        Resumo: Este artigo busca discutir aspectos da interação social ocorrente em bares
        onde são transmitidas partidas de futebol, em particular aqueles relacionados a
        performances de gênero. Os dados analisados referem-se a pesquisa etnográfica em
        curso desde o início de 2004, em bares da região metropolitana de Porto Alegre. São
        destacadas três modalidades performáticas ocorrentes no setting pesquisado: a
        presença no bar, os desafios verbais entre participantes e a teatralização jocosa.
        Considero que esses elementos – entre outros – revelam aspectos do complexo campo
        de significados relativos à masculinidade em nossa sociedade, compondo parte do
        fenômeno a que denomino “relações jocosas futebolísticas”.

        -> http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-71832005000200006&script=sci_pdf&tlng=pt

        AS CONTRADIÇÕES DO FUTEBOL BRASILEIRO

        Resumo: O presente trabalho pretende uma compreensão do futebol brasileiro a partir de uma análise cultural. Assim, o futebol seria mai que uma modalidade esportiva com regras próprias, técnicas determinadas e táticas específicas; não seria somente manifestação lúdica do homem brasileiro; nem tampouco o ópio do povo. Mais que tudo isso, o futebol é uma forma que a sociedade brasileira encontrou para se expressar. É uma maneira do homem nacional extravasar características emocionais profundas. Nesse sentido, é uma forma de cidadania. A partir dessa ótica, o artigo procura analisar algumas aparentes contradições do futebol brasileiro, tomando‐as como expressões da sociedade.
        -> http://www.boletimef.org/biblioteca/1873/artigo/BoletimEF.org_As-contradicoes-do-futebol-brasileiro.pdf

        Alê
        -

      • SENHOR, DE FATO CRI QUE A SUA HIPÓTESE ERA MUITO INTERESSANTE.

        ANDRADE NETO AGRADECE AS REFERÊNCIAS E AS BUSCARÁ MAIS, POIS PREPARARÁ NO NOVO DECÊNIO UM COMPÊNDIO SOBRE ESTE ASSUNTO.

        ANDRADE NETO, VERITAS ODIUM PARIT.

  11. menon disse:

    Muito bom Vinícius. Muito bom. Posso reproduzir?

    É nóis, nego! Fique à vontade.

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