O impostômetro e os impostores

Deu hoje na página principal do UOLTributos pagos pelos brasileiros chegam a R$ 500 bilhões nesta quarta. Tá, mas e daí? Isso é muito ou pouco? É muito, se for comparado com o que eu tenho na carteira. Mas, e para tocar um país do tamanho do Brasil, é muito ou pouco? Não sei. E nem o rapaz do UOL sabe. Ele só sabe que, com essa grana aí, dá pra comprar milhões de carros populares, milhões de TVs LCD e um porrilhão de apartamentos. Comparação equivalente a dizer que, com o dinheiro que pago de pensão pros meus filhos daria pra comprar vários engradados de cerveja pra mim. Ou seja, não quer dizer nada.

Não há nenhum cidadão no mundo que pague imposto sem chiar. E, claro, é por isso que o bagulho se chama IMPOSTO. Se não, seria “voluntário”, né?

Já devem ter passado pelo congresso uns 10.000 projetos de “reforma tributária”. Remenda daqui, ajeita dali, esquece acolá. Quem tá na oposição quer menos impostos, quem tá no governo quer mais. Como há um revezamento de poder, a oposição trabalha a favor da redução dos impostos até virar governo, e aí desfaz todo o seu trabalho anterior. Além disso, existe uma gigantesca máquina de arrecadação do Estado, com milhares de funcionários públicos que ficariam sem serviço (e outras cositas más) caso o sistema de arrecadação fosse simplificado.

A questão a ser atacada não é QUANTO se arrecada, é COMO se gasta o dinheiro dos impostos. Façamos uma analogia (se você morar em prédio) com o seu condomínio. Você, para xingar o síndico, se utiliza de dois parâmetros básicos: o estado geral do seu edifício e o boleto da parcela condominial. Você NUNCA pega o balancete e olha O TOTAL arrecadado pela administradora, porque isso, em tese, de nada importa. Um edifício de quitinetes arrecada “X”, um prédio de alto padrão arrecada “10X”. A você só interessa saber se está pagando o mesmo do que os demais condôminos, e se o dinheiro está sendo bem aplicado.

Por que no “Condomínio Brasil” o total de impostos arrecadados é notícia? Porque isso interessa a QUEM NÃO PAGA IMPOSTO COMO DEVERIA, (acha que) não depende do Estado pra nada. Eles têm plano de saúde, seus filhotes estudam em escola particular, não usam transporte público, etc… Não é por outro motivo que esse tal “impostômetro” é financiado pela Associação Comercial de SP, cujos membros são useiros e vezeiros em driblar o fisco e convidar os contribuintes a fazerem o mesmo (“com nota é preço cheio, sem nota tem desconto…”). A idéia é demonizar os tributos (mais do que já são demonizados…) para justificar uma eventual sonegação, transformando SACANAGEM em “desobediência civil”. E, para isso, nada melhor do que apresentar números grandiloquentes e frenéticos num painel, como se estivéssemos todos sofrendo um roubo coletivo, infindável e desesperador.

Que pare de rodar o “impostômetro”, então. Entreguem todas as escolas, hospitais e demais serviços do Estado para os particulares. Só que, em cada um deles, instalem-se novos equipamentos, os “lucrômetros”.  Garanto que sua raiva vai ser bem maior, pois eles nunca vão te mostrar o número real, e você sabe. Afinal, quem acredita nos balanços da Vivo?

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33 respostas para O impostômetro e os impostores

  1. Carlitos disse:

    Deixando o “curica” de lado, o Vinícius volta a ser o velho Vinícius, afiado, equilibrado e exato no ponto.

    Parabéns pelo ótimo texto.

    Vocês são uns pauteiros da porra, hein? Brigado, irmão. :D

    • Aproveitando o comentário do Carlitos “Putinho”, devo dizer que o NCDJ está pior do que o badalhoca´s blog original, hein? Todos os tarados mentais que habitavam o Paulito´s blog e conseguiram a proeza de ser expulsos de lá, migraram para nosso outrora asséptico espaço.
      E quer saber? Você tem culpa nisso, meu chapa! E sua consciência, não dói? Virou curica curica curica e escatologias à rodo por culpa dos punheteiros retardados que certa vez tu defendeste, e agora ninguém toma providências para resgatar o Ashram da Vaçalagem que aquele espaço costumava ser…
      Pobre vaçalagem…

      Pô, Matheus, virou “curica, curica” porque VOCÊS dão trela, xingando os caras. Eu não tenho nada a ver com isso. Ele viu que no 1nho não tava mais dando “audiência” -ninguém respondia – e caiu fora. Você acha que eles “descobriram” o NCDJ por causa do post sobre o Lina? NCDJ é TOP BLOG do WP, mano! Só a postagem sobre o “vigário” tem mais de 200 links espalhados por orkut e outros sites, teve dezenas de RTs no twitter e 20.000 acessos só no 1º dia. E, de mais a mais, eu GARANTO que o chatonildo lá não é o Lina. Deixe o babaca falar sozinho, daqui a pouco ele vai embora. Abraço.

  2. Jairo Teixeira Mendes Abrahão disse:

    Vinicius.
    Abraço-o pelo post!! Só verdades!!

    Bravo!!!

    Jairo

    Valeu, Jairo.

  3. Ademir disse:

    Esse pessoal que reclama se esquece de falar que esse dinheiro todo é para custear um país de dimensões gigantescas, que oferece o SUS (que por mais q seja uma porcaria é algo que não se ve muito por aí no mundo), sem falar em uma previdência que é generosa para os padrões do mundo subdesenvolvido.
    Mas é isso aí, teatrinho que TODOS os candidatos vão fazer, assumiu a conversa é outra.
    Sem falar que esse papinho de comparar o valor dos impostos com o de produtos como carros, tvs lcd, é de um ridiculo que só a classe média que assiste “Bom dia Brasil-Jornal Nacional-Jornal da Globo” pode proporcionar.

    É, vêem as pingas que o governo toma, mas não vêem os tombos que ele leva.

  4. rafael disse:

    Só pra dizer: me lembrou uma parte do filme com o Milton Santos (assistiu? recomendadíssimo): não há cidadania no Brasil, porque aos pobres são negados os direitos mais básicos; e a classe média não quer direitos, quer privilégios. Esquecer os serviços públicos, vá lá, problema de cada um que quer pagar o seu plano de saúde e sua escola, se retirando do jogo. Mas só olhar pro umbigo e reclamar dos impostos por si só já é sacanagem. Por que não voltam à arena, usam os serviços públicos, brigam por melhores condições assim como brigam com a empresa de celular por descontos, pra fazer valer o imposto que pagam? Pensamentozinho pequeno, viu. Chega a dar raiva.
    Forte abraço, Vinícius, seu texto é cirúrgico, como sempre.

    É aquela história, Rafael: resolvo o MEU lado e foda-se o resto.

  5. tatiana disse:

    tudo verdade, só um detalhe: não recebemos de volta, por pagarmos altos impostos, bons serviços de saúde, transporte e educação. esse é o ponto. falo como usuária do transporte público e ex-estudante de escola pública. O fato de uma classe reclamar sem ter razão não muda a essência.

    E esse “detalhe” está devidamente consignado no texto, muito embora não seja esse o tema: não importa o total arrecadado, importa como é gasto.

  6. Augusta disse:

    Cara que texto maravilhoso!
    (nem precisa publicar isso, só queria dizer mesmo…nem tenho cometário inteligente ou que acrescente algo na discussão, ótima reflexão, lúcida como sempre, apesar de vc se achar o ranzinza trollador…parabéns!)

  7. Vinícius:

    Pra variar, eu comecei a escrever uma resposta e ela acabou ficando maior que o artigo original, então resolvi modificá-la um pouco e postá-la no meu blog como um artigo independente… :-)

    Dá uma olhada lá: http://arthur.bio.br/2010/06/03/economia/os-impostos-que-pagamos – eu te dou o crédito pela inspiração e recomendo a leitura da tua postagem. ;-)

    Abraços!

  8. Luiz Ribeiro disse:

    Não há como um pobre mortal desvendar a caixa preta da arrecadação de impostos e a aplicação do erário. Entra governo sai governo e os assuntos que pipocam na imprensa se repetem: obras superfaturadas, contratos escabrosos, corrupção, favores, vantagens, desperdícios, etc.. Essa avalanche de denúncias nos remetem a imaginar que se os recursos públicos fossem administrados criteriosamente talvez a pressão sobre o bolso do contribuinte fosse amenizada ou até mesmo uma melhor qualificação quanto a contrapartida por parte do governo face aos impostos pagos. O impostômetro expõe um lado da questão, porém, como o outro lado é obscuro não temos como criar um juízo de valor.

    A questão central aqui, Luiz, é a seguinte: não dá pra chamar teu síndico de ladrão só olhando o total arrecadado pelo condomínio. Nem de ladrão, nem de probo. Portanto, essa informação do “impostômetro” NÃO SERVE PRA NADA, a não ser dizer que o imposto é feio, chato e bobo, e autorizar os defensores do “estado mínimo” e sonegadores a continuarem com seus discursos pobres e práticas nefastas.

  9. Dois pontos: Neguinho que paga um montão de imposto não PRECISA de atendimento no SUS e nuito provavelmente não precisa de obras de saneamento em seu bairro.
    Neguinho que paga muito imposto não depende de escola pública nem anda de trem/ônibus urbano. 500 bilhões é pouco para distribuir entre os mais de 5 mil municípios cuja maioria mal consegue arrecadar para pagar a folha de pagamentos mensal. Que culpa tem o cidadão de Nova América da Colina(PR) ou Leópolis(PR)se o caboclinho em SP mora bem e ganha 35/40 mil por mês? Sem falar que 500 bilhões deve representar uns 20% do que seria arrecadado se os filiados da ACSP não fosse sonegador!

    PS: “neguinho” é termo genérico para qqer. fdp independentemente de cor, raça, religião ou time para o qual torça

    OPA, alto lá! Pra falar de Nova América da Colina, Assaí e região, tem de pedir autorização pros meus chapas do clã Ambo, a família mais gente boa do pedaço. E os únicos japoneses bons de bola que eu conheci.:D

    • Pois estou aqui ao lado e bebo tanto numa quanto na outra. A sacanagem é que os 20km que nos separam custa R$23,00 de pedágio. É, aqui também tem essa porra criada no período fhc quando o governador era o Jaime Lerner.

      A última vez que estive aí a estrada era um tapete e só paguei pedágio na Castelo Branco. Bons tempos.

  10. Pedágio não é imposto. Contribuições não são impostos. A tal “caixa-preta dos impostos” ( sic ) tem que ser tratada, antes de tudo, da seguinte maneira: DE QUE É COMPOSTA A CAIXA-PRETA DOS IMPOSTOS? ICMS, Taxa do poste, IPVA? Quem mais paga impostos no país? A Petrobrás, talvez, e isso é computado, mas quase ninguem quer se dar conta disso. Entretanto, quem gosta de bradar contra a suposta “fúria arrecadatória” sabe distinguir bem, e joga com a ignorancia geral em seu favor.
    A quem interessa manter as pessoas confusa achando que o bolo arrecadado sai apenas do bolso dos consumidores da rua? E outra: é “Impostôr-metro”

  11. Vinícius, tem o seguinte… o percentual do Produto Interno Bruto consumido pela massa de impostos pode ser comparado entre diferentes países e então podemos comparar também indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano, o Coeficiente de Gini e a Felicidade Interna Bruta. Isso já seria um bom parâmetro para avaliar se o que pagamos em impostos está sendo revertido eficientemente em benefício da população.

    Tá, mas esta medição não consta no “impostômetro”.

  12. Sebastião Marques disse:

    Se o povo brasileiro fosse menos otário, se importaria com a questão dos impostos.
    .
    Leia: http://delrei.wordpress.com/2010/03/28/brasileiro-%e2%80%9cexperto%e2%80%9d/ – Parece-me que o brasileiro não gosta de levar vantagem. Se ele gostasse, não aceitaria ser feito de troucha.
    .
    Mas fazer o que?

    Eu me importo com a questão dos impostos. Tanto é verdade que eu escrevi este post. Só não sou demagogo e aproveitador barato, montando um taxímetro pra mostrar o quanto foi arrecadado, uma vez que essa informação, como tentei explicar, em nada ajuda a esclarecer a questão.

  13. [...] sobre o impostômetro e os impostores. Leia maisOs países mais burraldos do mundoOutra do economista da educação Gustavo IochpeGustavo [...]

  14. André disse:

    Quando aquelas moças se afogaram no lago de Brasília, o Bóris Casoy, todo indignado, pediu mais fiscalização (ou seja, mais funcionário público, mais equipamento náutico, mais treinamento, mais aposentadoria e, portanto, mais impostos). Logo em seguida veio uma reportagem sobre a elevada carga tributária brasileira e o mesmo Bóris, indignadíssimo, pediu menos impostos. No final, eu não consegui entender se a vergonha era pagar muito ou pouco imposto.

    Talvez seja porque o BC ache que as coisas do governo saem de graça.

  15. Claudio disse:

    Duas coisas que me chamaram atenção nesse troço: 1) colocou nariz de palhaço pra protestar, perdeu a razão; 2) o protesto foi encabeçado pelo Endireita Brasil. EnDIREITA. É o novo Cansei?

    Parece que é um “Cansei” mais engajado.

  16. Cara, que inveja dos países nórdicos, lá você também paga uma porrada de impostos, com as devidas diferenças:

    – Quem ganha mais, paga mais, é lógico;
    – Lá tem retorno (saúde, educação, segurança e afins).

    Só uma dúvida: Você têm twitter?

    Abraços

    O meu twitter é @viniciusduarte, tá aí do lado. Abraço

  17. Leonardo disse:

    Meo Deos, quanta bobagem e mistificação em um post só.

    Pegou uma asneira de um estagiário do uol (nisso eu concordo), bateu tudo no liquidificador e jogou o resultado nas costas de uma classe inteira de comerciantes.

    Dizer que os comerciantes são “useiros e vezeiros” em sonegar impostos, contribui tanto para a discussão quanto dizer que todo favelado é bandido. Generaliza a conduta, o que é uma inverdade e atiça raivinha.

    Deixa os caras protestarem ué. Dizer o total de impostos pagos é pra chamar a atenção mesmo para o problema, cada um sabe (ou deveria saber) o quanto paga e dizer se está satisfeito com os serviços públicos prestados ou não. Eu não estou.

    Quem paga mais impostos no Brasil são os pobres que compram tudo com imposto embutido e nem se dão conta.

    A lista dos maiores devedores do INSS dá uma boa luz nesta questão. Sempre que sai uma lista dessas, estão lá umas 4-5 empresas falidas e o resto é Petrobrás, CEF, Prefeituras, Estados, etc…

    Só me responda UMA pergunta, Mr. Leonardo: 500 bi em 6 meses é MUITO OU POUCO? Recomendo que você veja um link aí em cima do José Antonio Meira de Castro, que não está “atiçando raivinha” e joga um pouco mais de luz na questão. Quanto ao INSS, você gosta de falar dele, mas acho que não sabe muito a respeito. Traga dados, por favor. INSS é CONTRIBUIÇÃO, não é imposto. Conta pro “impostômetro”? E já é o quarto post meu que você comenta dizendo que só tem bobagem. Não sei porque vem tanto aqui. Só mais uma coisinha: você trabalha no UOL? Como sabe que foi um estagiário que fez a matéria, se ela nem sequer é assinada?

  18. Carlos Rosas disse:

    Você deve ser mais um dos vaçalos que não lêem jornal rsrsrs

    Sou, mesmo. :D

  19. Bruno disse:

    Meu caro, o problema não é o volume de dinheiro em impostos, o problema é que o nível de tributação não corresponde aos serviços prestados pelo governo.

    Concordo com você que não devemos reclamar dos impostos pagos, mas então que o Estado devolva aos cidadãos que pagam os impostos o que é esperado (e olha que nem somos tão exigentes assim).

    Educação básica péssima, saúde pública é um caos, não existe segurança em nenhuma cidade grande do país… Não é para isso que eu pago meus impostos…

    O síndico do meu condomínio usa o dinheiro que eu pago pra manter o prédio em ordem… Já o país está caindo aos pedaços…

    Agora, tem muita gente vivendo muito bem com o imposto que eu pago, né?

    Você só confirmou o que está no post, Bruno: esse impostômetro é tão inútil quanto uma geladeira para um esquimó.

  20. Dado interessante para esta discussão: “Brasil segue a média de tributação dos outros países” no link http://www.sul21.com.br/index.php/permalink/geral/483

  21. PAULO FRANCA disse:

    O problema não é quanto pagamos, e sim o que nós,brasileiros recebemos em troca. Não podemos nos comparar com nações que arrecadam mais e oferecem menos, mas com aquelas com forecem mais.
    Existe sonegação por que os impostos são altos; porque uma grande parcela da arrecadação é desviada pelos politicos; e……………
    Imposto menor, todos pagam, pois o risco da penalidade não compensa a sonegação.
    O IMPOSTOMETRO é apenas uma informação que não custa nada ao contribuinte.Nos produtos em que houve redução de impostos, o totl arrecadado aumentou.

    Informação que é igual conselho: não custa nada, mas ninguém segue. Abraço.

  22. [...] do povo, é um imposto “em cascata”, blablabla. Patrocinadores da causa, os de sempre: os pilotos de impostômetro da ACSP, FIESP etc. E o gado vai seguindo atrás [...]

  23. [...] dinheiro do povo, é um imposto “em cascata”, blablabla. Patrocinadores da causa, os de sempre: os pilotos de impostômetro da ACSP, FIESP etc. E o gado vai seguindo atrás deles. Eu, do alto da minha ignorância [...]

  24. [...] do povo, é um imposto “em cascata”, blablabla. Patrocinadores da causa, os de sempre: os pilotos de impostômetro da ACSP, FIESP etc. E o gado vai seguindo atrás deles. Eu, do alto da minha ignorância [...]

  25. Fábio Santos disse:

    “Eles têm plano de saúde, seus filhotes estudam em escola particular, não usam transporte público, etc… ”

    Vamos começar por partes. Primeiro, quem tem plano de saúde e põe filhos (e não filhotes, pois não são animais) em escolas particulares o faz por um motivo: qualidade. Eu faço isso, custa caro. E não faço isso por que “sou do mal” e “sonegador de imposto”. Faço isto por que a opção é muito ruim.

    É claro que imposto é necessário, mas, obviamente, existem tons de cinza aí. Não é por que o país é grande que temos que aceitar qualquer nível de carga tributária. Por exemplo, hoje ~ 59% do que eu ganho eu pago em impostos (IRPF, INSS e impostos sobre consumo). Ou seja, com 41% do que eu ganho eu consigo pagar para a iniciativa privada os mesmos serviços que o Governo deveria me fornecer que 59% do que eu ganho, certo? Ou seja, tem algo errado no seu raciocínio. Em uma conta básica, se fosse possível parar de pagar parte dos impostos (de forma opcional, por exemplo), eu poderia deixar de pagar por aquilo que eu pago para a iniciativa privada. E isso consome somente 41% do meu trabalho. Sobraria bastante, com certeza.

    Se, por exemplo, em seu condomínio, fosse mais caro pagar a taxa condominial do que contratar diretamente os funcionários para fazer os trabalhos de manutenção, qual opção você tomaria? Tem alguma coisa errada nesta conta.

    Outra falácia do imposto versus qualidade de sua aplicação é que, quanto mais dinheiro o Governo tem, pior ele aplica. Aliás, isso é um comportamento do ser-humano. Quanto menos recursos, mais otimização. Quanto mais recursos, mais desperdício. A pressão pela redução dos impostos é a única maneira de a sociedade tentar fazer com que o dinheiro seja bem aplicado. Nenhuma das outras formas parece ter funcionado até hoje.

    Vamos responder por partes, também:
    1) Eu não me incomodo com filhos de seres humanos serem chamados “filhotes”. E, sim, somos animais;
    2) A solução dada para a baixa qualidade do serviço público foi abandoná-lo e virar o “cada um por si” que você parece adotar no seu raciocínio. Viver em sociedade é bem mais complicado que isso; o Estado tem de praticar a ISONOMIA, tratando os desiguais como desiguais, na medida da sua desigualdade. E o imposto tem de ser assim também: quem pode mais, paga mais e promove a justiça social.
    3) Existem países com carga tributária muito superior à nossa. Ah, retire o INSS do seu cálculo (é contribuição para a SUA aposentadoria – e de outros brasileiros);
    4) Imposto não é uma conta de soma zero, onde o total que você paga deve corresponder à sua demanda por serviço público. Aliás, nem a taxa condominial é assim. Você, por exemplo, rateia a água do prédio em partes iguais com seus vizinhos, mesmo que não gaste uma gota sequer; os funcionários do prédio não são SEUS funcionários, são funcionários DE TODOS os condôminos.
    5) Apresente dados mostrando que “quanto mais recursos, pior a aplicação”.
    6) o ponto central do meu texto é: tanto faz o número que se apresenta no impostômetro, o que importa é o retorno que esses impostos dão para A SOCIEDADE (não à sua família isoladamente). O dia em que nós aprendermos que cobrar o governo é exigir dele a BOA APLICAÇÃO de cada real pago, talvez você (e muitos outros) não precisem pagar por serviços que o Estado já oferece.

  26. EquipeLinux disse:

    Se o imposto é cobrado no MUNICÍPIO e FICA no município, que pode dar uma contribuição, digamos, de 7% para a UF e mais 7% para a Federação – que teria, assim, um ORÇAMENTO IMPERATIVO – e em que o orçamento de um município fôsse empregado APENAS NO MUNICÍPIO, vocês veriam que TODOS OS IMPOSTOS no Brasil estão roubando do povo.

    O dinheiro não precisa passear por Brasília para políticos porem as mãos sujas no orçamento das cidades – que não está nas cidades – para suprir as necessidades do povo.

    A questão não é o IMPOSTO, é ONDE o imposto é COBRADO e ONDE é INVESTIDO.

    O imposto sobre o consumo e alíquotas que favoreçam a subsistência e punam o consumo de luxo é mais justo do que o que está aí.

    Para isto, precisamos instalar no Brasil um Sistema de Governo Federalista em que o PODER seja LOCAL, com a ELEIÇÃO do PREFEITO, do JUIZ da cidade, do CHEFE DE POLÍCIA, do ADVOGADO GERAL DA CIDADE, do LEGISLATIVO, isto é, com a ELEIÇÃO DO PODER.

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