Acompanho o Rica Perrone há um bom tempo, e talvez por isso tenha mais condições de avaliá-lo do que a montanha de gente que só o conheceu hoje, graças ao lamentável post “Hipocrisia tem limite”, no qual comentou a punição ao Cruzeiro no jogo de vôlei onde a torcida chamou o atleta adversário de “viado”.
Preliminarmente, é de se destacar que Rica Perrone (apesar de jornalista formado) escreve mal, MUITO mal. E essa forma escrita claudicante acaba embaralhando até BOAS idéias que ele tenha. É importante dizer isso, não para desqualificá-lo, mas porque estamos todos sentando a porrada no cara por aquilo que ENTENDEMOS que seria o pensamento dele a respeito do assunto homofobia, e a expressão desse pensamento veio de forma escrita.
Pela minha prática de “leitor de Perrones” (é, eu gosto de futebol e leio alguns blogs sobre o assunto por aí), resolvi dar uma dissecada no texto do cidadão e explicar com uma metáfora VOLEIBOLÍSTICA: Rica tinha um match point na mão: se preparou, fintou o bloqueio, foi pra ponta, recebeu a bola redonda do levantador, subiu 4 metros e, na hora de bater, furou. A bola caiu na própria quadra. Os movimentos, quadro a quadro:
Eu sei, é bonito defender causas nobres e que estejam na moda. Sei também que vai pintar ONG pra tudo que é lado me enchendo o saco e interpretando o que eu digo, também, como uma “ofensa” ou “preconceito”. Mas, convenhamos, sem viadagem… já deu né?
Essa introdução já era um prenúncio que ia dar merda. Tá carregada de ironia barata, provocação e referências desairosas a atitudes engajadas. Mas ainda é possível ao autor dar uma arrumada. Insisto, ele vai abordar um tema importante. Adiante:
O Cruzeiro ser punido no Voley porque sua torcida chamou o carinha do outro time de “viado” é a piada do século. Pra mim, é claro. Pra muitos é a “lição de moral” do ano.
Qualé a novidade em uma torcida chamar um adversário de viado? Qual foi o jogo, dentre os últimos 9 milhões aqui no Brasil, onde a torcida local não chamou o destaque rival de “viado”?
Veja o trecho destacado: BONÍSSIMA premissa pra montar um raciocínio bacana e desqualificar a punição, atribuindo a ela o almejado status de “piada do século”. Afinal, como deixou nas entrelinhas do último parágrafo o REINALDO AZEVEDO, essa punição seria cabível até AO CONTRÁRIO (o SPFC, por exemplo, teria de pagar R$ 50.000 a todos os adversários dele, porque sua intolerante torcida insistia em chamar o jogador Richarlyson - do seu próprio clube de coração – de “viado” a cada vez que ele tocava na bola!).
Mas Rica se empolgou (e começou a se enrolar):
Onde é que está o processo contra as torcidas que chamaram o Ronaldo de gordo?
Cadê a liga da justiça pra encher o saco quando xingam a mãe do juiz no futebol?
Não tem ONG “Mamães legais” ainda? Cria uma aí, pô! Se dá grana não sei, mas ibope dá.
Vamos separar as coisas e excluir o oportunismo ignorante, que é o pior que tem.
O sujeito que nasce negro ou branco não pode ser discriminado pela cor que tem. Racismo é CRIME, é absurdo e não faz sentido.
O que não tem NADA a ver com o fato de eu virar pros meus amigos negros e chama-los, carinhosamente, de “Negão”. Pois assim o Pelé, rei do futebol, se chama, por exemplo.
Como nunca dei ataque por ser chamado de “gordinho” ou “alemão”.
São termos que, goste você ou não, perderam o tom ofensivo. É absolutamente popular, comum, inofensivo.
Assim como brincar com seu amigo e chama-lo de “viado”, ou hostilizar um rival com o termo. É normal, não quer dizer que “odiamos você por você gostar de meninos”.
Quer dizer: “Você é viado!”, sendo ou não. É uma forma de mexer com o jogo, só.
Ai, Rica Perrone, você tinha cinco picanhas pra assar e fez uma salada de rúcula pros teus amigos carnívoros? Nem precisa explicar (eu acho, mas se alguém precisar, vá aos comentários e eu respondo).
Ser gay, que no meu conceito é 100% diferente de ser viado, é uma OPÇÃO SEXUAL. Viado é uma “opção pra aparecer”. Assim sendo, é opcional ser gótico, Emo, pagodeiro, roqueiro, palmeirense, flamenguista, etc. Você escolhe o que quer ser e como quer viver. E isso gera grupos que se afastam ou se aproximam de você.
Adoro samba, logo, tenho enorme facilidade em ter amigos sambistas. Não tenho, porém, grandes amigos roqueiros daqueles que andam de preto balançando a cabeça. Sou guitarrofobico?
Porra! São escolhas, e não ofendendo, não menosprezando, é tão direito seu andar de rosa quanto meu andar do outro lado da rua. Qualé?
Você quer ser gay ou amigão da galera? Quer ter direitos ou “mais direitos” que os outros?
Pronto: a partir desse ponto a homofobia do Rica começou a ficar escancarada (mas ele acha uma coisa normal).
Aliás, não seria exatamente uma homofobia, mas uma “homoojeriza”, um “homonojo”, tipo uma placa fincada, com os dizeres: “ae, maluco, tu é bicha, eu aceito porque a galera pressionou, beleza. Mas NEM VEM PERTO DE MIM, eu tenho direito de escolher os meus amigos e não curto viado.”
Ei, Rica, e QUEM te falou que os gays imploram pra serem seus amigos? Eles querem ter o direito de não serem discriminados, de poderem andar pela rua e não verem pessoas como você indo para a calçada oposta, como se fossem eles portadores de uma moléstia infecciosa e mortal. Ou, pelo menos, que não sejam alvejados com tacos de beisebol na Av. Paulista. Aproveitando seus exemplos: por algum acaso você vai pro outro lado da calçada quando vê um emo, um roqueiro, um gordo? Não, eu sei. E POR QUE CARGAS D’ÁGUA cogita fazer isso quando vê um gay na sua linha reta?
Pelo que brigam, afinal?
Porque nunca no esporte ficaram de nhe-nhe-nhe com as ofensas de uma torcida a um jogador e agora vão fazer isso?
Porque ele é gay? E dai? Quem disse que a mãe do juiz não é, de fato, uma puta?
Como fica então as musiquinhas de torcida que ofendem pessoas de outro estado a cada jogo? Puniram alguém por isso?
Fizeram ondinha por isso?
Me lembro que na Vila Belmiro a torcida do Santos meteu faixas tirando sarro do Richarlyson, que jura não ser gay. No outro dia tinha jornal e principalmente moralista babaca na tv dizendo que o “ato homofobico” da torcida….
Que homofobia se ele é homem???????
Homofobico é você, que está chamando ele de gay. A torcida deu a ele o mesmo tratamento que dá ao destaque do time rival, sempre.
Maior palhaçada esportiva que já vi nos últimos tempos a punição ao Cruzeiro. Ridículo, lamentável e hipocrita.
Pois é, Rica, você poderia ter suprimido 70% do texto já copiado aqui, feito umas amarrações mais firmes e ficaria maneiro. Mas agora é tarde, você já cagou com tudo. O exemplo do Richarlyson e a reação da imprensa é realmente intrigante e configura um paradoxo. Mas quem vai dar crédito a um cara que, linhas atrás, quis defender seu direito de, ao avistar um “viado” ou “gay” (você fez essa classificação com base nos trejeitos da pessoa, mas eu não entendi bem), mudar de lado na calçada? Homofóbico é VOCÊ, com base no que VOCÊ escreveu. Sinto muito.
Eu não sou gay, nunca destratei um gay, não sou homofobico, mas não quero ter um filho gay. Como não quero ter um filho gótico e nem Emo, o que não me torna um “emofobico” ou “Goticofobico” e nem gera centenas de moralistas me enchendo o saco.
Porque? Quem está tendo “tratamento diferenciado” agora?
Sejam gays. A gente aceita. Só não forcem pra ser “exemplo”.
Se querem igualdade, taí. O que querem, agora, é tratamento VIP.
Já nos obrigaram, com razão, a respeitar. Não tentem nos obrigar a gostar.
E é essa a “igualdade” que você oferece aos homossexuais? Você não quer ter um filho gay POR QUÊ, CATZO? Explique, Rica! Faça um post sobre as desvantagens de ser gay! Afinal, se você não quer que seu filho seja, deve ser por algum fator NEGATIVO, né? Que você não queira que seu filho seja um assassino, um bandido, todos entendem. Mas gay, essa coisa que você, todo atrapalhado, tentou dizer que não te incomoda (mas que te faz pular pro outro lado da rua)? Que porra de respeito é esse a uma característica que deprecia tanto a ponto de ser INDESEJÁVEL a um ente querido?
Foi mal, Rica Perrone. Sua argumentação acabou por sepultar sua premissa. De novo, pois você é mestre em fazer isso.