Marcelo Adnet é um dos bons humoristas da nova geração: versátil, inteligente, rápido, tem repertório e bagagem cultural. Comanda o “Comédia MTV” e deixou passar este episódio por baixo das pernas.
Em seu twitter, Adnet declara que já havia conseguido impedir que o quadro “Casa dos Autistas” fosse exibido no ano passado mas, desta vez, foi voto vencido. E eu, sinceramente, acredito nele. Não porque o ache o defensor dos oprimidos, minorias e do politicamente correto, mas porque acredito no seu senso de humor. Este esquete não tem graça NENHUMA. Esse é o ponto. Causa qualquer reação, menos vontade de rir.
Tento imaginar o caminho que levou a um desastre humorístico desta monta: um JÊNIO fez o trocadalho do carilho, achou engraçado. O difícil seria transformar uma idéia tão besta em um quadro.
Difícil, não: era impossível. Mas sempre há alguém burro e teimoso o suficiente para forçar a concretização da sua “idéia”. Como muitos quadros, este acabou sendo gravado, mas não foi selecionado para exibição e ficou na prateleira. Um belo dia, não surgia nada na cabeça dos produtores para preencher o programa e o JÊNIO lembrou-se do seu JENIAL quadro engavetado, propondo novamente a sua exibição. E foi aceito, por falta de opção. E HAJA falta de opção para tamanha imbecilidade ser exibida.
Pessoas em situações não-convencionais ou de infortúnio sempre foram utilizadas como tema de programas humorísticos, mas existe um componente importantíssimo para que isso seja, eventualmente, engraçado: o infortúnio deve ser PONTUAL, não habitual (não pode fazer parte do cotidiano do caricaturado). Nego ri de videocassetada porque sabe que aquilo ocorreu EXCEPCIONALMENTE com o infeliz. Afinal, pessoas que tomam tombos de 5 em 5 minutos não são engraçadas, causam pena. Dá vontade de ajudar o cidadão, não de rir dele.
Alguém acha engraçado ver um cadeirante com dificuldade de locomoção em uma calçada esburacada? Por que cargas d’água o imbecil que idealizou o vídeo acharia que alguém veria graça em repetir comportamentos estereotipados de autistas?
Acredito também que os familiares de autistas podem ficar tranquilos, pois o quadro não teve nenhum impacto negativo sobre a visão da sociedade com relação ao problema. Repito, NINGUÉM achou graça, pois NÃO TEM graça. Mesmo pessoas insensíveis a qualquer causa não riram de um espetáculo tão deprimente.
No final das contas (e à revelia do autor), a idiotice pode ter servido para sensibilizar as pessoas sobre o autismo e as dificuldades dos que cuidam deles. E Adnet deveria demitir o inventor deste quadro. Não por punição pelo desrespeito com os autistas, mas para o bem do próprio programa. É um perigo manter um zé-graça tão sem-graça na equipe de criação.

Sobre isso escrevi no blog. Pai de autista, e amigo de um monte de pais de autista. O que vale é que somos mais pessoas do que esse programete tem de audiência.
Velho, esse programa fará mais bem do que mal à causa, ainda que não tenha sido esta a intenção do imbecil. Esteja certo disto.
Me recusei assistir o vídeo até o fim. Me deu repulsa!
Pois é, Maria Fernanda. Este é o ponto.
Assiste sim, no final tem uma piada com o Caetano que compensa o início do vídeo. Espera carregar tudo e adianta até o terço final.
Em épocas de CQC e Pânico, qualquer merda está valendo como humor.
Só conheço o Marcelo Adnet pelo vídeo que ele detona a classe média e os ricos eleitores do Serra após as eleições do ano passado (http://www.youtube.com/watch?v=jrUVle5wdPY), portanto eu não sei se ele é um bom humorista ou mais um da lava de CQCs e Pânicos da vida.
Bons tempos de Trapalhões. E eu só peguei o final deles, um pouquinho antes do Mussum morrer.
noos
nem eu q sou um dos ‘insensíveis’ assisti até o fim
ta uma m*erda
hermes e renato era engraçado pois o bobo era o bobo, e não certas pessoas que nao podem fazer nada para resolver o problema.
Desta vez vc foi muito bem…Realmente lamentável…
Sabia que um dia eu ainda ia te agradar.
Vinicius. De uma olhada nesse blog e no video. O que acha? ahahaha
http://www.imprenca.com/2011/05/higienopolis-lugar-de-gente.html
Já tinha visto. Bacana.