A Praça é Nossa!

setembro 15, 2011

Printei a página porque acho que o grupo deve ser trancado jájá.

Quando você pensa que já viu tudo, a humanidade volta a supreender (e este moribundo blog renasce).

Depois da gente diferenciada da Zona Sul e Central, cidadãos-de-bem-pagadores-de-impostos-que-contribuem-para-o-crescimento-do-país da Zona Oeste da Locomotiva do Brasil se unem, num gesto cívico, para salvar a nação da massa ignara e chupim que só faz sangrar valiosos recursos que poderiam ser aplicados em saúde, educação e SEGURANÇA.

O Hospital Panamericano, incrustrado nas ruas arborizadas e cheias de casas com 30 metros de frente do Alto de Pinheiros, realmente, era algo estranho. Afinal, naquela zona da cidade só tem edificações térreas, e ele era um predião de vários andares. Estranho, sim. Mas São Paulo é uma cidade estranha, e o Alto de Pinheiros é um bairro tão estranho quanto, pois seus habitantes precisam ir de carro à padaria, de tão isolado que é. O transporte público é uma peça de ficção, e os moradores já chegaram a pedir para que os escassos ônibus que atendem a região sejam transferidos para outras ruas mais distantes.

Nunca deu IBOPE aquele hospital privado, apesar da vizinhança abastada. Pertenceu a Intermédica São Camilo, passou para a SAMCIL. Era cheio dos plantonistas bolivianos, eu mesmo só estive lá uma ou duas vezes. Mas é um hospital pronto, um equipamento de boa qualidade, passível de ser encampado pelo poder público (um grande credor da SAMCIL). Fechou este ano, quando o dono do plano de saúde se matou no interior do hospital, atolado em dívidas.

Pois bem: esse grupo de preclaros moradores do entorno resolveu se mobilizar para pedir a DEMOLIÇÃO do nosocômio, com vistas a dar lugar a uma bucólica PRAÇA.

É, senhores: uma PRAÇA. Como ninguém é obrigado a saber a localização do Panamericano, vai um mapinha do google (abrilhantado com a minha conhecida habilidade no “paintbrush”):

Mais praças! Mais praças!

Como se depreende da imagem, se há uma coisa realmente necessária neste carente bairro é uma boa área de lazer para que seus moradores possam esquecer, ainda que por instantes, das vicissitudes da vida dura que levam. Vejam, cidadãos, há apenas SETE praças num raio de 200 metros do hospital. A mais ou menos um km. do local, o Parque Villa-Lobos. SÓ SETE praças (e um parque) para atender esse enorme contingente de desvalidos, onde vamos parar?

Chega de ironia e vamos ser claros: ninguém quer praça coisa nenhuma. Eles mal saem de casa a pé, apavorados com a “violência”.

O motivo é outro: aquele hospital era o tumor do Alto de Pinheiros, e a quebra da SAMCIL deu a chance que eles esperavam. Agora, fechado, imagina se aparece um louco e reabre o Panamericano como hospital PÚBLICO, ou transforma o prédio em outra edificação de uso comum. Babau.

Aliás, se pudessem, os moradores do Alto de Pinheiros erguiriam um muro em volta do bairro. Dissimuladamente, eles já tentam há anos (com relativo sucesso) impedir o trânsito de veículos fechando ruas para evitar que se desvie dos congestionamentos – com os quais eles contribuem regiamente pilotando suas frotas de SUVs – usando o viário alternativo.

Lamento, mas nenhuma iniciativa de moradores que conseguiram fechar uma ESCOLA PÚBLICA para uso como QG da Polícia Militar me espanta mais. Eles, quando querem, sabem por onde atacar e, geralmente, são bem sucedidos. Afinal, até o ex-governador José Serra faz parte do “Grupo Alto de Pinheiros Quer PAZ”.

PS.: se os moradores do Alto de Pinheiros querem botar abaixo um hospital que tem uns 50 anos, imagina se vão deixar uma LINHA DE METRÔ passar pela região.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 31 other followers