A Praça é Nossa!

Printei a página porque acho que o grupo deve ser trancado jájá.

Quando você pensa que já viu tudo, a humanidade volta a supreender (e este moribundo blog renasce).

Depois da gente diferenciada da Zona Sul e Central, cidadãos-de-bem-pagadores-de-impostos-que-contribuem-para-o-crescimento-do-país da Zona Oeste da Locomotiva do Brasil se unem, num gesto cívico, para salvar a nação da massa ignara e chupim que só faz sangrar valiosos recursos que poderiam ser aplicados em saúde, educação e SEGURANÇA.

O Hospital Panamericano, incrustrado nas ruas arborizadas e cheias de casas com 30 metros de frente do Alto de Pinheiros, realmente, era algo estranho. Afinal, naquela zona da cidade só tem edificações térreas, e ele era um predião de vários andares. Estranho, sim. Mas São Paulo é uma cidade estranha, e o Alto de Pinheiros é um bairro tão estranho quanto, pois seus habitantes precisam ir de carro à padaria, de tão isolado que é. O transporte público é uma peça de ficção, e os moradores já chegaram a pedir para que os escassos ônibus que atendem a região sejam transferidos para outras ruas mais distantes.

Nunca deu IBOPE aquele hospital privado, apesar da vizinhança abastada. Pertenceu a Intermédica São Camilo, passou para a SAMCIL. Era cheio dos plantonistas bolivianos, eu mesmo só estive lá uma ou duas vezes. Mas é um hospital pronto, um equipamento de boa qualidade, passível de ser encampado pelo poder público (um grande credor da SAMCIL). Fechou este ano, quando o dono do plano de saúde se matou no interior do hospital, atolado em dívidas.

Pois bem: esse grupo de preclaros moradores do entorno resolveu se mobilizar para pedir a DEMOLIÇÃO do nosocômio, com vistas a dar lugar a uma bucólica PRAÇA.

É, senhores: uma PRAÇA. Como ninguém é obrigado a saber a localização do Panamericano, vai um mapinha do google (abrilhantado com a minha conhecida habilidade no “paintbrush”):

Mais praças! Mais praças!

Como se depreende da imagem, se há uma coisa realmente necessária neste carente bairro é uma boa área de lazer para que seus moradores possam esquecer, ainda que por instantes, das vicissitudes da vida dura que levam. Vejam, cidadãos, há apenas SETE praças num raio de 200 metros do hospital. A mais ou menos um km. do local, o Parque Villa-Lobos. SÓ SETE praças (e um parque) para atender esse enorme contingente de desvalidos, onde vamos parar?

Chega de ironia e vamos ser claros: ninguém quer praça coisa nenhuma. Eles mal saem de casa a pé, apavorados com a “violência”.

O motivo é outro: aquele hospital era o tumor do Alto de Pinheiros, e a quebra da SAMCIL deu a chance que eles esperavam. Agora, fechado, imagina se aparece um louco e reabre o Panamericano como hospital PÚBLICO, ou transforma o prédio em outra edificação de uso comum. Babau.

Aliás, se pudessem, os moradores do Alto de Pinheiros erguiriam um muro em volta do bairro. Dissimuladamente, eles já tentam há anos (com relativo sucesso) impedir o trânsito de veículos fechando ruas para evitar que se desvie dos congestionamentos – com os quais eles contribuem regiamente pilotando suas frotas de SUVs – usando o viário alternativo.

Lamento, mas nenhuma iniciativa de moradores que conseguiram fechar uma ESCOLA PÚBLICA para uso como QG da Polícia Militar me espanta mais. Eles, quando querem, sabem por onde atacar e, geralmente, são bem sucedidos. Afinal, até o ex-governador José Serra faz parte do “Grupo Alto de Pinheiros Quer PAZ”.

PS.: se os moradores do Alto de Pinheiros querem botar abaixo um hospital que tem uns 50 anos, imagina se vão deixar uma LINHA DE METRÔ passar pela região.

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9 respostas para A Praça é Nossa!

  1. Wadilson disse:

    ninguém ninguém ninguém aventou a possibilidade do hospital ser reformado, voltar a funcionar?
    só praça e biblioteca?
    e esse pessoal por acaso já entrou em alguma biblioteca? nem na Unip onde estudam eles entram na biblioteca…

    Bom, tá.. minha pergunta é retórica mesmo…

    Existe uma biblioteca MUITO BOA (Álvaro Guerra), a menos de 1 km. do hospital, está abandonada.

  2. O mais legal foi a idéia da biblioteca…. Entãoi eis que surge uma luz, quando alguem questiona a existencia de uma biblioteca às moscas na regiao.

    O povo é facil de enganar e muitos dos que gritam praça, praça… Nem o sabem porque fazem. E assim caminha a humanidade, com passos de formiga e se vontade, um rebanho a procura de um lider que os leve a algum lugar, mesmo que seja para a panela.

    Um abraço amigo!
    Quanto tempo…

    É isso aí. Só fico pensando que o “líder” do movimento é filho do saudoso Florestan Fernandes. Abraço, amigo.

  3. qualquergordotemblog disse:

    ahaííí… (risada do Carlos Alberto de Nóbrega) Porra Vinícius! Aí vira cirrrco!

    Fez bem em retomar o blog. Espero que empolgue e volte a postar direto. Vale a pena.

    Tudo culpa dessa Ana Murad. Vc tava quieto no seu canto, ela veio e te adicionou nessa. Deve ser uma baita duma troll tb!

    Essa tal de Ana Murad é terrível, mesmo.

  4. Essa idéia da Praça parece ter sido plantada ao acaso, não tem muita cara de classe média (que prefere concreto a verde).

    Pior: da forma como está sendo pensada é capaz da praça se tornar ponto de drogas ou de baixarias em pouco tempo, tamanha a capacidade de certo tipo de gente em criar idéias e abandoná-las rapidamente, tirado o “perigo indesejável” …

    Eles não usam sequer os equipamentos públicos que já existem. É um caso de abandono: não do setor público, mas da própria população. E, aproveitando, eles bem que poderiam consertar as calçadas PODRES que estão defronte à maioria de seus imóveis.

  5. Esses infelizes aí tem empregada doméstica? O nojinho de pobre deles permite que esse tipo de gente entre em suas casas, ou eles lavam o chão sozinhos?

    Geralmente eles têm mais de uma, mas são todas limpinhas, apesar de diferenciadas.

  6. Alemão disse:

    o muro nos entornos do bairro seria legal… ai é só São Pedro cooperar e mandar a água q cai em Santa Catarina toda pra lá…kkkk
    abraços

  7. Esse FFJ parece mais um filho do fhc do que do FF.

  8. Marcelo Abdul disse:

    Que atitude lamentável desses moradores. Mas não se preoucupem residentes do Alto de Pinheiros. “Os Bárbaros” vão invadir e dominar tudo. Questão de tempo.

  9. Fico IMPRESSIONADA com a cabeça-oca de nossos abastados paulistanos. Fazendo um comentário muito #CMS aqui, mas ainda assim, válido, em qualquer cidade cosmopolita do mundo (vide NY, Londres, Paris), existe um metrô a cada esquina, bem como o desejo de ter um hospital próximo de casa. Cidadãos destas metrópoles vão às ruas caso algo que deveria ser primordial e justo – como a existência de um hospital – não exista em seu bairro, ou vizinhança.

    Aqui em São Paulo, como todo mundo come urubu e arrota perú, a hipocrisia é de matar.
    Dessa forma, só vão continuar construindo as nossas “maravilhosas” megaestações de metrô, gigantes e para o povo ver. Hospitais, então… sem comentários.

    São Paulo é uma cidade onde alguns bairros estão lotados de praças, enquanto outros não têm nenhuma.

    É incrível como o povo adora tapar o sol com a peneira, ou o buraco com praça.

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