A TV Record iniciou nesta segunda feira uma série de reportagens sobre os bastidores do futebol brasileiro, destacando os jornalistas Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna (que, nas horas vagas, atuam como blogueiros progressistas nesses links aí) para o trabalho.
Na primeira (capitaneada por LC Azenha), as VELHAS denúncias de sempre contra Ricardo Teixeira, exaustivamente apresentadas durante a falecida CPI da CBF-Nike e (que não se perca pela – falta de – memória) até pela ALIADÍSSIMA Rede Globo, em 2001. Enriquecimento meteórico, casa em Búzios, fazendas cinematográficas, dinheiro de propina via ISL, Lichtenstein, Juca Kfouri, Andrew Jennings e todo o resto. Novidade? Praticamente nenhuma. Mas a reportagem foi, do ponto de vista jornalístico, correta.
Na segunda, o escalado pelo Bispo Macedo foi Rodrigo Vianna, e a missão dada foi bater MUITO em Andrés Sanchez, presidente do Corinthians.
Antes de falar sobre a reportagem, uma digressão. O presidente do SCCP é um sujeito pelo qual nutro alguma simpatia. Não como dirigente, mas como figura humana: destrambelhado, falastrão, com tiradas inteligentes e irônicas, é o tipo de cara que eu gosto de ouvir no futebol. Ele me diverte. Também, parou por aí. Não compraria um carro usado dele, como também não compraria de qualquer dirigente de futebol, empresário e essa curriola toda.
Voltando: do ponto de vista da moralidade, todos os dirigentes merecem apanhar (inclusive Andrés, claro), mas há de se ver o método de surra. O futebol é das coisas mais sujas que existem. A série de reportagens visa atingir Teixeira por todos os lados possíveis: seja batendo diretamente nele, seja dando pauladas nos seus afins.
E o primeiro alvo-satélite do RT foi justamente o cara que destruiu de forma retumbante as pretensões da TV Record de tirar o futebol da telinha da Globo. Esse espinho estava entalado na garganta do Bispo. E com bispo não se brinca, eles têm procuração outorgada por Deus passada em cartório celeste.
Pois bem: lá foi o Vianna, todo serelepe, levantar a capivara do Andrés e fazer a matéria encomendada. Convenhamos que encontrar BO de dirigente de clube não é lá tão difícil. Mormente no Corinthians, onde a briga política é tão acirrada que a oposição nem liga se, para derrubar a situação, tiver de destruir o clube junto. É só parar na porta, ligar a câmera e já aparece um gaiato louco pra denunciar o inimigo.
Só que Rodrigo fez o caminho “certo” para alcançar Andrés, mas usou o veículo errado. Para descobrir as falcatruas do “Taxinha”, deveria falar com alguém da oposição, nada mais lógico. Mas ele resolveu abastecer seu arsenal destrutivo com um “conhecidíssimo” “jornalista” que atende pela alcunha de Paulinho do blog do Paulinho, apresentando-o ao mundo como “profundo conhecedor dos bastidores do SCCP”.
Ora, se há alguma coisa que Paulinho do blog do Paulinho conhece “profundamente” é a arte de escapar de Oficiais de Justiça, e SÓ. O rapaz, atualmente, cumpre pena de prisão domiciliar pelos crimes previstos nos artigos 138. 139 e 140 do Código Penal (conhecidos, no popular, por calúnia, injúria e difamação). Responde a outros inúmeros processos (inúmeros, MESMO, seu Vianna!), nas esferas cível e criminal, todos pelos chamados “delitos de opinião”. Não só contra dirigentes esportivos, mas por colegas seus de profissão, donos de faculdade, juízes de direito, advogados, empresários e gente que nem de futebol gosta.
Outra digressão: Se Juca Kfouri (e outros jornalistas famosos) fizeram um mal ao jornalismo, este foi jactarem-se de serem processados a torto e a direito, conferindo a esses processos um status de “atestado de idoneidade”, por mais paradoxal que isso possa parecer.
Ser acionado judicialmente é risco do ofício de quem dá noticia que possa desagradar alguém, mas transformar a interpelação judicial numa confissão ficta do acusado da veracidade das denúncias beira o absurdo e, pior, joga contra toda a classe jornalística que, pelo exemplo dos medalhões, apura com menor esmero os fatos e assaca contra a honra alheia como quem vende pipocas na esquina, escudada pela “liberdade de expressão” (e por escritórios de advocacia regiamente pagos pelos veículos).
Paulinho do blog do Paulinho não é fonte, muito menos fonte confiável, Vianna. É um aventureiro do jornalismo e umbilicalmente ligado a Antonio Roque Citadini, adversário de Andrés. Duvida de mim? Levante da cadeira e vá a editoria de esportes da Record e pergunte ao setorista do SCCP sobre o rapaz. Pergunte ao Jorge Kajuru o que houve entre eles.
Mesmo assim, o experiente Rodrigo Vianna embasou quase a metade das denúncias contra Sanchez no depoimento pessoal do rapaz, e ainda ilustrou-a com um post do “Jornalismo com Credibilidade” (sim, é ele mesmo quem se atribui credibilidade!), no qual Paulinho afirma ter conhecido um tal Grego e visto diversos documentos comprometedores contra Sanchez (doravante chamado “Taxinha”).
Tanta gente no mundo cheia de ódio contra o Andres, e o Vianna bate na porta do PAULINHO? Por quê?
Tenho uma suspeita: para conferir à matéria um ar de isenção (pra quem não sabe quem é o figura, claro!), tipo “oh, estou aqui com um insuspeito JORNALISTA, nem é oposição, nem nada, viu?”. Tá, abraça.
Logo ele, Paulinho, o cara que:
- publicou que Andrés e Ronaldo estavam bêbados numa boate do RJ, na véspera do jogo CRF x SCCP que eliminou o Timão de mais uma Libertadores (tendo como “fonte” um e-mail anônimo e falso);
- assegurou a seus leitores que Adriano jogara pela Roma com a camisa 105 (em alusão ao Comando Vermelho) com base numa fotomontagem do Kibeloco;
- disse estar o mesmo Adriano com o “fígado em frangalhos” por cirrose hepática avançada;
- há uma semana, “informou” que o goleiro do Liverpool confessou ter sido subornado na final do Mundial de Clubes de 1981 contra o Flamengo (com base numa pegadinha de 2003 do ex-site-de-pegadinhas Cocadaboa);
- e, saindo do campo esportivo, é o mesmo Paulinho que DIVULGOU COMO VERDADEIRA a Ficha DOPS falsa da Dilma e não se retratou até hoje!
É essa a sua fonte, Rodrigo? Como conferir credibilidade a um cidadão capaz de produzir essas belezuras e nem ficar vermelho? E tem muito mais por aí, é só pesquisar.
Entendo que vale tudo para alcançar o objetivo de malhar o Andrés, tarefa dada é tarefa cumprida “e vice-versa”, mas e se o cipoal de denúncias que o Paulinho do blog do Paulinho te apresentou também for baseado em “fontes” como Kibeloco, Cocadaboa ou hoaxes de email, hein? Como é que fica a tua reputação, amigo? A da Rede Record, pouco importa. Eles não estão preocupados com isso, e não é a primeira vez que fazem esse tipo de “jornalismo-vendetta”.
E agora, o principal: em defesa de Vianna, recebi de uma Árvore do PSJ a informação que a produção da Record esteve em contato com o tal Grego e VIU os documentos comprometedores, mas que o referido cidadão não quis repassá-los ao jornalista. Ou melhor, até repassaria, desde que a Record pagasse por eles. A emissora se negou a comprar os papéis mas, como já tinham visto tudo mesmo (e o Paulinho! publicou), era certeza que era tudo quente.
Ei, PERAÍ, a coisa é MUITO pior, então! Que raio de jornalista é você, Vianna, que VÊ a falcatrua ali, escritinha na tua frente, NÃO BANCA SOZINHO a parada e ainda vai se fiar num cara altamente suspeito e desmoralizado por inúmeras denúncias falsas e tosqueiras inomináveis, colocando a matéria toda sob suspeição?
E olhe só como são as coisas, Rodrigo Vianna: enquanto sua produção afirma que o Grego é um escroque que vende documentos, o “jornalista com credibilidade” (ele mesmo, SUA FONTE) responde assim a um comentarista:
E aí, quem está falando a verdade?
1 – O Paulinho, que diz ser o Grego um ratinho assustado pelas ameaças da Máfia Russa;
2 – sua produção (que trata o cara como um mercenário); ou
3 – o Celso Freitas, que disse ao final da reportagem, com a voz empostada: “a TV Record ouviu o Grego, que não quis confirmar nem desmentir a matéria”? OPA, então a Record ouviu o Grego DEPOIS do Paulinho? A matéria já estava pronta? Paulinho do blog do Paulinho não era “elenco de apoio”, mas o pilar estrutural da reportagem, é isso? Explica pra mim, por favor.
Só posso recomendar ao Rodrigo Vianna que torça bastante pra não ter sido “induzido ao erro” pelo “periodista” que “não tem compromisso com o erro”, seja lá o que isto signifique.
Boa noite… e boa sorrrrte.