Sobre transporte público

O Humberto Cata-Milho postou a respeito da utilização de automóveis, com a verve habitual. Aproveito a deixa, e elocubro sobre o tema.
Aqui em São Paulo, temos o chamado rodízio: de segunda a sexta, dois finais de placa são proibidos de circular numa área chamada de “centro expandido”. Assim, o paulistano é obrigado a deixar seu carro em casa um dia útil por semana e utilizar o transporte público (ônibus, metrô, táxi-oba!!-), ou andar a pé. Quando da aprovação desta lei (prefeito Pitta), a chiadeira foi insuportável. O principal argumento era que a lei era inconstitucional, pois feria o sempre invocado “direito de ir e vir”e o “direito de propriedade”. A lei, apesar da grita, passou, pegou e ficou. O rodízio é uma realidade, e o sujeito que furá-lo será multado em 85 reais.
São Paulo é uma cidade que tem um carro para cada dois habitantes, e põe nas ruas quinhentos carros novos por dia. Os vinte porcento da frota retirada de circulação pelo rodízio foram anulados pelo crescimento desta mesma frota, de 1997 para cá. A situação está insustentável, e todos os prefeitos que sucederam Pitta têm em suas gavetas propostas pra lá de impopulares para resolver a questão: ampliação do rodízio, pedágio urbano. Nenhum deles teve coragem de sequer tentar implantá-las. Seriam um massacre eleitoral, avaliam.
A classe mérdia argumenta contra medidas restritivas de circulação de automóveis dizendo que o “transporte público é horrível”. A pergunta me vêm: por que é horrível? Porque os “formadores de opinião” NÃO COBRAM DO GOVERNO A MELHORIA DO TRANSPORTE PÚBLICO! Preocupam-se com ele quando o usam. Como quase não usam, quase não se preocupam. Chiam contra corredores de ônibus, porque segregam uma faixa de tráfego nas avenidas e reduzem o espaço para seus bólidos, chiam contra a tarifa do táxi mas raramente o utilizam, compram mais um carro para escapar do rodízio e entopem as ruas. Enfim, resolvo o meu e você que se dane.
Sua empregada não reclama do rodízio. Não reclama do ônibus, do metrô. Ou melhor, reclama, mas não tem o canal adequado (esbraveja dentro do coletivo, onde não há autoridades), mas você, “formador de opinião”, dispende seu espaço nos jornais, rádios, TV e internet reclamando dos impostos. Não cobra a APLICAÇÃO CORRETA DOS IMPOSTOS. Seja uma voz direcionada aos interesses de sua empregada e sua vida melhorará.

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One Response to Sobre transporte público

  1. Humberto Capellari disse:

    Meu garoto!!!
    Teorias à parte, acho que a discussão(houve??)sobre os automóveis e sua influência na vida da sociedade já vem de longa data.É que eu não disponho de meios, mas uma pesquisa bem elaborada fatalmente chegaria até o cerne do capitalismo ou, sei lá, taylorismo.Eu não entendo nada disso, infelizmente, apenas conto com a minha percepção.
    Mas não mudo uma palavra do que disse.

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