Quando a unanimidade não é burra

Muito legal a edição extra de “Placar – Meu time dos sonhos”, dos maiores clubes brasileiros, escolhidos por personalidades torcedoras dos respectivos. Os convidados têm de escolher os melhores jogadores que já jogaram em seus times do coração e justificar os votos, é realmente interessante.
Ao pegar a revista, pensei: putz, deve ter uns caras que receberam todos os votos: Pelé, Garrincha, Zico, Rogério Ceni, Ademir da Guia, Reinaldo, Falcão. Desses aí, apenas Pelé, Reinaldo e Zico receberam a honraria unânime. Mas um dos que não foram integralmente citados deixou-me com a pulga atrás da orelha: Ademir da Guia. Se eu fosse palmeirense, isso soaria como um sacrilégio digno da excomunhão da seita alviverde. Dos 20 votos possíveis Ademir recebeu 17, não sendo votado por José Serra, Soninha Francine e um jornalista de nome Lúcio Ribeiro, que não conheço.
Serra não justificou a ausência do Divino, preferindo formar um meio-campo com César Sampaio, Djalminha, Jair Rosa Pinto e Rivaldo. Sem mexer no Djalminha (que pra mim, realmente foi gênio), não cabia o Ademir aí?
Na meiúca do Lúcio Ribeiro, os eleitos foram César Sampaio, Jorge Mendonça, Rivaldo e Zinho. O cara tem a minha idade (42). Mantendo Jorge Mendonça (outro gênio), não tem lugar para “O Dez de Parque Antarctica”?
Já a Soninha (sempre tu, minha ex-deusa), fez uma linha média com César Sampaio, Alex, Rivaldo e Djalminha, ressalvando, no comentário sobre a escolha de Alex: “Em todos os tempos, Ademir da Guia. Na minha geração, Alex”. Foi muito justa e sincera, dou o desconto.
Ademir da Guia deu-me uma das maiores alegrias do mundo ludopédico. Certa feita, houve um jogo entre os “masters” do Palmeiras e o E.C. Banespa, no campo de Santo Amaro. Estava lá o Divino, jogando, e eu, olhando o tempo todo para ele, a três metros da lateral do campo. Um jogador do alviverde vira um “tijolo”, da direita para a meia esquerda, com o destino da bola a dois metros de onde estava Ademir. Bola “cheia de bicos”, o cara dá dois passos e domina a a bola, num silêncio sepulcral. Parecia que tinha um prego em sua chuteira, pois a bola, simplesmente, morreu, submissa, no seu pé esquerdo, sem emitir um ruído sequer. Um toque à frente, cabeça erguida, viu Edu Bala disparar pela direita e lançou, ou melhor, SOPROU a bola, pois o impacto de seu pé contra o couro emitiu apenas um breve zumbido e chegou limpa ao valoroso atacante. Nem vi o resto do lance: emiti um sonoro “Puta que o Pariu”, virei as costas e saí andando. Aquilo não existia!
Ademir resumiu, com aquele lance, para ele corriqueiro, todo o meu entendimento sobre futebol. Por ter sido testemunha deste episódio, não admito Ademir da Guia fora do Palmeiras dos sonhos de quem quer que seja.

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2 Responses to Quando a unanimidade não é burra

  1. Humberto Capellari disse:

    Muito bem!! Isso é que é um verdadeiro “CB”: Discorrendo com maestria sobre um time que não é o seu próprio, e sem a cegueira anti-futebolística que acomete aqueles torcedores “é nós contra todo mundo”. Sobre esses , veja a nova bomba em meu blog.

  2. Carlos Pizzatto disse:

    Evidente que não o vi jogar, mas li e ouvi a respeito. Tô contigo! Também achei estranhíssimo Ademir da Guia não ser unanimidade.

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