Resposta ao Zeca

Zeca disse…
Talvez se voces trabalhassem mais e nao preocupassem com o adesivo alheio poderiam tambem ter uma Pajero e nao invejar o proprietario da mesma.
9:00 PM”


Ao verificar a caixa de comentários do post “Fina Ironia”, deparei-me com o texto que transcrevi acima, e gostaria de tecer alguns comentários, se me permitem. Não conheço pessoalmente o Zeca, mas já o vi freqüentando esta espelunca e, se minha memória não me trai, seus comentários são sempre ácidos e amargos. Dentro, pois, da filosofia desse blog. Freguês antigo tem preferência, e ao Zeca dedico essas maltraçadas:

1 – Apesar de meu detector de ironia ser bastante confiável, não a percebi no seu texto. Caso tenha sido essa a sua intenção, desconsidere os demais itens e desculpe-me. Deve ter sido “falha no reverso”;

2- Sobre “trabalhar mais”: não o conheço pessoalmente, Zeca, e acredito que a recíproca seja verdadeira. O “invejoso” que lhe fala trabalha, em média, 14 horas por dia, de segunda a sábado. Trabalhava aos domingos, também, mas ando meio preguiçoso (ô, raça!) e parei. Como ainda não consegui comprar uma Mitsubishi Pajero Full, nem o adesivo-tema do post, estou desconfiado de que essa não é a melhor forma de tê-los. O problema não é o quanto se trabalha, mas como se trabalha. Mas não é isso que quis colocar em jogo, Zeca. Queria que à tona viesse esta visão tacanha das classes AA, A e B, que ainda acredita em uma divisão entre “winners” e “losers”, que a riqueza não é mais bem distribuída por conta da indolência dos pobres, e que eles (os ricos)são “self-made men”, mesmo que sejam herdeiros de fortunas, ou que explorem os pobres para quem “geram empregos”. Não consideram a diferença de oportunidades criadas para eles (os ricos) e os pobres, a educação formal privilegiada que recebem, em comparação com a dos excluídos; as portas que se abrem a eles (ricos, claro…) somente com a apresentação do seu sobrenome. É melhor parar por aqui;

3 – Não me preocupo com o “adesivo alheio”: preocupo-me, isso sim, com o IDEÁRIO ALHEIO. Alheio ao que ocorre à sua volta, aos problemas de uma sociedade doente, que trata os iguais de maneira desigual, que promove a chamada “inclusão social pelo consumo” – essa é da irmã do Humberto -. Aquela conversinha de “faça a sua parte” não tem nada a ver com a frase do tal colante, mas é a única leitura (rasa) que a elite brasileira – em especial, a paulistana – consegue fazer. A mesma elite que não acha caro pagar 500 paus por meia-dúzia de camarões, pois lá no restaurante chique estão os seus pares, mas que já entra no táxi reclamando do preço da bandeirada.

4 – Inveja é um dos sete pecados capitais. Não se aplica a mim, neste caso específico. O sentimento que me vem a respeito dessas pessoas é COMPAIXÃO, uma virtude, segundo a bíblia. Sinto pena deles, pois imagino ser difícil parar num semáforo com medo de ser assaltado, ter de blindar o carro e não poder abrir os vidros, ter de construir um muro de 8 metros de altura e não poder ver a rua de dentro de casa, ter de sair cercado de seguranças que te acompanham até quando vai ao banheiro, ter de manter seus filhos presos dentro de casa, como num cárcere. Enfim, saber que é ameaçado o tempo todo na vida, e não conseguir enxergar o porquê de tanta violência. Quanto aos outros pecados (luxúria, ira, gula, soberba, avareza e vaidade), esses são encontrados, em abundância, nos locais freqüentados pela elite. Comprove você mesmo, Zeca (caso eles te convidem para a festa…).

5 – Sobre ter uma Mitsubishi Pajero Full: não a quereria, mesmo se tivesse dinheiro para tal. Não faz o meu gênero, prefiro sedãs. Odeio ver o mundo “de cima”. Um Vectra, talvez… MAS NUNCA BLINDADO, pois tenho claustrofobia.

Um grande abraço, Zeca! Sua visita é muito importante para nós.

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3 Responses to Resposta ao Zeca

  1. Humberto Capellari disse:

    Meu caro Vinícius, eu sou testemunha de seu esforço. Sabe, eu achava que não existissem mais pessoas que acham que certas, digamos, críticas ( não gosto dessa palavra, prefiro “avaliações” )são fruto de inveja. Na verdade, eu penso o contrário: pelo discurso de apoio à ambição, individualismo e em defesa humilde e submissa de alguém “bem-sucedido” é que percebo a inveja. Algo como:”Eu quero um carro e um salarião. Que nem esse cara da Pajero. Puta cara de sorte! Acho que se eu me comportar direito e ficar do lado dele, pode ser que me sobre alguma migalha… Vou cuidar do meu, que eu ganho mais.”
    Te conheço, Vinícius, e sei que você prefere contemporizar, levar na boa. Não sei como você consegue.
    Já eu não. Tenho vergonha da classe média paulistana e não ligo quando um filho de bacana ( ou de algum “wannabe” ) é sequestrado. Eu rasurei uma campanha liderada pela Glória Perez ( detalhes em meu blog )e por mim, haveria pedágio para os automóveis logo que saíssem da garagem. Não tou nem aí.

  2. carlão disse:

    Zeca tem inveja das suas “mal traçadas” linhas, Vinícius.

  3. leo.sccp disse:

    Esse Zeca é um zé Ruela mesmo!!!!!!!!

    Pq ELE tem inveja do cara da Pajero, o cara acha que todo mundo é igual a ele e tem tb…

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