Jornalismo isento é isso aí!

“todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”

O carro fotografado, bem à frente do meu, é um veículo da Rádio Jovem Pan, circulando, como mostra o adesivo, livre da obrigação de obedecer ao rodízio de placas, criado pela prefeitura paulistana em 1997, para amenizar os congestionamentos (engarrafamentos, para os cariocas).

Para quem não é íntimo da metrópole, o rodízio consiste em restringir, nos horários de pico da manhã e da tarde, a circulação de veículos, de acordo com o dígito final da placa. De segunda a sexta, dois finais de placas são proibidos de circular: segunda, finais 1 e 2, terça, 3 e 4, e assim sucessivamente. Existem, como em toda regra, exceções: carros de médicos (identificados por um selo), ambulâncias, transportadores de produtos perecíveis, táxis, ônibus e mais alguns outros.

Quando tirei essa foto, obviamente, o congestionamento – engarrafamento – era grande. Mas não me revoltei pelo fato de ter sido surrupiado em cinco metros – o comprimento do Corolla – em minha caminhada; somente não entendi o porquê de veículos “a serviço da imprensa” serem imunes ao tal rodízio. Qual é a importância da circulação de carros da imprensa na cobertura dos fatos a serem reportados? Sem carro, sem cobertura? Não há alternativas? Não há outros carros com placas de final diferente? Um veículo automotor pertencente à imprensa tem a mesma importância de um carro de socorro? Ah, sei lá, mas me parece absurdo.

Vem cá, pessoal, vou falar ao pezinho do ouvido: a imprensa escrita é IMUNE do pagamento de impostos na compra de papel para as suas publicações; as rádios e TVs recebem, DE MÃO BEIJADA, concessões para explorar as ondas hertzianas no Brasil, vendem caro os espaços para anunciar os produtos dos seus clientes, e não querem dar satisfação sobre o que transmitem ao povo; os carros da imprensa circulam livremente por São Paulo, aumentando os congestionamentos de trânsito que ela mesma reporta em seus noticiários. Enfim, a imprensa é intimamente ligada ao PODER, e seus “movimentos são friamente calculados *”.

O carro fotografado não tinha nenhum repórter da Rádio JP, é carro da diretoria. Gente que nunca põe a boca num microfone. Repórter anda de Palio, Gol ou Celta. Sem ar-condicionado, carro alugado, com placa de Curitiba.

* por Roberto Gomes Bolaños, em Chapolin Colorado

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2 Responses to Jornalismo isento é isso aí!

  1. Humberto Capellari disse:

    Sem palavras.

  2. carlão disse:

    Tá sumido, hein?

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