CPMF – A ladainha e as carpideiras

Estamos todos sendo bombardeados por notícias sobre a continuidade ou não da cobrança da CPMF: as negociações, os bastidores, os boquirrotos de sempre vociferando impropérios contra o tal do imposto, um verdadeiro maremoto de palavras contra uma, digamos, merda.

É, merda, mesmo, porque o tal tributo é de um valor tão ínfimo que nem me importo em pagá-lo. Às vezes, sinto até que pago menos de CPMF do que o valor das moedas que costumo perder dentro do carro, ou caindo do bolso e rolando pelo meio-fio. Sintetizando, acho que esses caras (oposição e imprensa) não podem estar falando da mesma CPMF que o governo me cobra, tamanha a raiva do impostinho do cheque.

Querem ver uma coisa? Suponhamos um jornalista da “Veja”, que ganhe uns 5 mil reais por mês, gaste 500 reais com energia elétrica, telefone (fixo e celular), água e esgoto, no total, e tenha na sua garagem um carro popular de 2o mil pilas. Fazendo uma conta de padaria, o cara paga, mensalmente:

27,5% de IR (deduzidos 525 reais): R$ 850,00

25% (bitributado, isso ninguém fala) sobre as contas: R$ 200,00

5% de IPVA anual, dividido por 12: R$ 83,33

Agora, a grande vilã CPMF: R$ 19,00.

Agora, vamos falar o óbvio (se é que precisa): Quem está gritando contra a CPMF, dizendo ser um imposto maligno, que “incide em cascata”, etc, etc, etc…… É O MESMO QUE INVENTOU, APROVOU E COBROU A CPMF DESDE O SEU NASCEDOURO, inclusive AUMENTANDO A ALÍQUOTA ORIGINAL, que era de 0,25%. Antes era um bom imposto, e agora não é POR QUE???? Se era tão perverso, porque aumentaram o valor cobrado?

Existem outros impostos (PIS/COFINS, por exemplo), que ninguém grita tanto para que sejam extintos, e são tão “perversos” quanto. Sabe por que não gritam? Porque são fáceis de SONEGAR. CPMF até dá pra sonegar, mas é tanto trabalho que não compensa o crime. Então é mais fácil forçar pra acabar. Imposto bom é o que eu não preciso pagar, né?

Enquanto você está aí, com sua camiseta do “Cansei” berrando pelo fim da CPMF, fique sabendo que os brokers da BOVESPA NÃO PAGAM CPMF sobre suas operações bilionárias na bolsa. 0,38% de um bilhão é igual a R$ 3.800.000,00, só pra situar.

Malandro é malandro, mané é mané, já dizia Bezerra da Silva.

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3 Responses to CPMF – A ladainha e as carpideiras

  1. […] E, claro, antes dos patrulheiros de sempre acharem que eu escrevi isto pra aliviar a barra da Dilma, leia este outro post meu, de 2007. […]

  2. […] Novamente surgiu um bafafá a respeito de uma suposta volta da CPMF, criada no governo do FHC, mantida pelo Lula e extinta pelo Congresso neste ano, depois de várias tentativas anteriores. As justificativas para acabar com a contribuição são aquelas de sempre: “custo Brasil”, máquina estatal de devorar dinheiro do povo, é um imposto “em cascata”, blablabla. Patrocinadores da causa, os de sempre: os pilotos de impostômetro da ACSP, FIESP etc. E o gado vai seguindo atrás deles. Eu, do alto da minha ignorância econômica, nunca entendi o porquê de se acabar com um tributo que, ao final das contas, muito pouco afetava a vida do cidadão comum, “insonegável” e que, se não era lá grandes coisas em termos arrecadatórios, consistia em excelente (o melhor) meio de se fiscalizar o pagamento dos OUTROS tributos. Sim, porque a CPMF “marca” o dinheiro e aponta onde estão os sonegadores/bandidos. Mas é a velha história: fala-se “A”, mas quer se dizer “B”. Dá pra escapar de qualquer tributo no Brasil, menos da CPMF. E, com a CPMF tirando os centavinhos da sua conta a cada débito, e esses centavinhos se somando e transformando-se em reaizinhos, dezenas de reaizinhos, centenas de reaizinhos ou MILHARES de reaizinhos, a brava Receita Federal poderá perguntar ao pacato “cidadão de bem” como ele consegue, por exemplo, pagar R$ 380 por mês de CPMF (que indicaria um movimento de R$ 100.000) e apresentar uma Declaração de IR murchinha, murchinha, alegando isenção por falta de rendimentos tributáveis. Dá pra ver, com um simples cruzamento, quais são as empresas que usam caixa 2. Quem usa laranjas pra esquentar dinheiro. Pode, inclusive, combater o tráfico de drogas (alô, Nascimento!). “Follow the money”, ensinou Eliot Ness há quase CEM anos. Quando se fala em redução da carga tributária, supondo-se que não “brota” dinheiro do nada na economia, entende-se que, se a grana não vai para o governo, vai para outra pessoa. Quando o Lula decidiu combater a crise via redução de IPI, você foi às Casas Bahia e percebeu a diminuição do preço dos produtos: o “sócio” Governo abriu mão da sua parte. Pois bem: o mesmo governo, forçado, abriu mão da CPMF. Esse dinheiro, em tese, reverteria para quem antes pagava o imposto, certo? Você percebeu alguma melhora na vida com o fim da CPMF? Você precisaria ganhar R$ 10.000 mensais para que o fim da CPMF te gerasse, em contrapartida, UMA PIZZA e um guaraná 2 litros. Se ganha menos, daria pra um saquinho de Ruffles no fim do mês. Portanto, quem vocifera contra a CPMF E NÃO É o Afif Domingos ou o Eike Batista está trocando um excepcional instrumento de combate à sonegação por uma batata Ruffles, um chiclete ou, na melhor das hipóteses, uma pizza de muzzarela. E quem escapa de recolher bilhões para a Receita Federal em IR, IPI, PIS/Cofins te agradece, penhoradamente. E, claro, antes dos patrulheiros de sempre acharem que eu escrevi isto pra aliviar a barra da Dilma, leia este outro post meu, de 2007. […]

  3. […] claro, antes dos patrulheiros de sempre acharem que eu escrevi isto pra aliviar a barra da Dilma, leia este outro post meu, de 2007 […]

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