Bernardinho, o Robocop da Vitória

A olimpíada está chegando, então é hora de falar de outros esportes, segundo reza a tradição brasileira: agora tem reportagem sobre badminton, canoagem, pelota basca e luta greco-romana. A pátria de agasalho está a postos!

Se tem um cara que por aqui é o exemplo de vitorioso, ele é o técnico da seleção brasileira de voleibol, Bernardo Rezende, o Bernardinho. Determinado, durão, implacável com os subordinados, organizado, frio e calculista. Em quadra, a única expressão facial que o aproxima de um ser humano é a do ódio, do desapontamento com os erros dos seus subordinados. Esses são tratados sempre como os soldadinhos de chumbo do seu front: devem sacar, passar e atacar com perfeição, e, principalmente, fazer tudo o que o mestre mandar, sem chios ou esperneios. Bernardinho não gosta de perder, mas, na verdade, não sabe ganhar.

As pessoas gostam de esporte porque, assim como num espetáculo teatral, convivem com a glória e a desgraça ao mesmo tempo; sentem amor e ódio durante o jogo, experimentam sensações humanas antagônicas num curto espaço de tempo. É uma montanha-russa, que alterna momentos de aflição extrema e alívio. Pelo esporte os aficcionados riem e choram ao mesmo tempo. Essa é a graça.

Bernardinho só grita, repreende, esperneia, xinga. Depois de (mais) uma vitória do seu laureado exército, sai impassível, fisionomia travada, para preparar a estratégia da próxima batalha de seus soldadinhos. Dizem os seus admiradores que isso é que faz a seleção brasileira uma vitoriosa. Mas, para os amantes do esporte, isso é muito chato. Imagine a situação: você, um torcedor, extasiado com uma vitória do seu time, corre para abraçar o treinador. E ele, dando de ombros, diz: “não há o que comemorar, tenho o próximo jogo. Com licença…”. Nos anos 80, os atletas russos eram malhados pelos brasileiros pela frieza, e havia até lendas sobre confinamento na Sibéria antes das competições e prisão para os que fossem derrotados nos jogos. Sob o comando do Bernardinho, a Sibéria é aqui: fria, dolorosa e implacável com os fracos.

Bernardo Rezende é a síntese do pensamento humano atual: o resultado acima de tudo, destrua o seu oponente, vitória, vitória, vitória!

A unanimidade é burra, e a invencibilidade no esporte é uma chatice.

PS.: os reservas do Brasil PERDERAM para a França (3×2)!!! Coitados…

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