A bolsa caiu? FOOOOOOOOODA-SE!

Estava na fila do supermercado (merece um post à parte), e no caixa tinha aquelas revistas para vender. Tirando as de fofocas, todas estampavam na capa a tal “crise do sub-prime”, receitas para “defender seu dinheiro”, e o resto todo que vocês conhecem. Aí baixou o espírito do Joelmir Betting, e comecei a pensar no assunto.

No tal do “mercado”, aliás como no mercado verdadeiro (aquele onde as pessoas compram e vendem COISAS), um lado é doador (perdedor-comprador), o outro é receptor (ganhador-vendedor). Como pode existir um sistema de TROCAS (o tal “mercado”) onde TODOS PERDEM???? Isso, os compradores perdem, os vendedores também. Onde está o furo? As empresas crescem, mas o valor das ações delas cai; os bois nascem e engordam nos pastos, mas o preço da arroba cai; os mineiros continuam a extrair o ouro, as siderúrgicas a produzir aço, mas o papel que representa essas commodities vai despencando… Simplista? Nem tanto, acompanhe.
Vamos retornar aos primórdios da economia, onde as pessoas produziam bens, prestavam serviços, recebiam dinheiro por isso e, com o dinheiro ganho, compravam o que necessitavam. Nesse ponto das relações econômicas, o preço de algum bem/serviço dependia, basicamente, da disponibilidade deste e da vontade popular em adquiri-lo. Aí apareceram os bancos, que guardavam o excedente de dinheiro da economia e emprestavam esse dinheiro a quem precisasse. Mais adiante, os produtores de bens/serviços encontraram como forma de financiar a produção o chamamento de sócios investidores (emissão de ações). Nesse ponto é que começa o rolo.
Nesse ponto começou a MENTIRA chamada “mercado”: as coisas (ações, commodities, etc.) são vendidas não pelo que valem, mas por quanto se acha que PODEM VALER. E quem é o “achador”? Tem um monte: economistas, banqueiros, donos de corretoras, brokers grandes, pequenos e até “caseiros”. Por isso o nome “especulador”. Ele passa o dia especulando, achando, supondo. E enganando o primeiro trouxa que passar na frente dele. Só que, um dia, o estoque de trouxas acaba, ou alguém grita que está sendo enganado, e espalha o pânico. Tudo o que o “mercado” odeia é a palavra PÂNICO. O “pânico no mercado” é igualzinho àquelas evacuações de navios, com a diferença que o comandante pula junto com os passageiros. Aliás, junto não: eles pulam PRIMEIRO. Taí Lehman Brothers, AIG e Merryl Linch que não me deixam mentir.
Em 1929 foi assim: meia-dúzia de espertalhões começaram a inflar artificialmente o preço das ações, os gananciosos trouxas (pleonasmo-TODO trouxa é ganancioso) foram atrás do lucro fácil, e quem ficou com o “mico” deu-se um tiro na cabeça. Mas agora é diferente.
Escaldados, os “mininu du mercadu” já arrumaram “medidas de proteção”: toda vez que acaba o estoque de trouxas, ou eles são pegos na mentira, REPASSAM O PREJUÍZO para o governo, A ÚNICA EMPRESA DO MUNDO QUE NUNCA QUEBRA! Passando para o governo, pagamos todos nós. Em suma, é isso: eles brincam de equilibristas de vaso Ming, e a gente entra com o super-bonder!
Mas, como sói acontecer com toda história triste, essa tem um lado bom: vai haver uma boa diminuição do estoque de “dinheiro falso” na economia mundial. E, com isso, muitos “ricos falsos” serão tragados. Ricos que nunca produziram um níquel em BENS/SERVIÇOS, mas são beneficiários de tudo e mais um pouco que o planeta pode produzir. Essa é a verdadeira causa do desequilíbrio econômico: se você produz muito, deveria ser rico; se não produz nada, pobre. Mas as coisas não são assim, porque inventaram o tal “mercado”. O que era para regular o sistema de trocas entre as pessoas acabou por bagunçar tudo, e hoje é possível ficar rico do dia pra noite sem o menor esforço. Só que não cabe todo mundo nessa moleza. Aliás, cabem muitíssimo poucos. E, quanto mais ricos eles ficam, mais gente irremediavelmente pobre vai nascendo.
Ficou enrolado, né? Foi mal.
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4 Responses to A bolsa caiu? FOOOOOOOOODA-SE!

  1. André Nogueira disse:

    Putz grila!

    Se a fila do mercado te inspirou a fazer esse texto, imagino o viria se estivesse esperando para entrar na biblioteca do Museu do Louvre.

    O pior de tudo é que meu plano de previdência é do tipo agressivo, ou seja, meu rico dinheiro está sendo espancado nesse momento.

  2. Vinicius Duarte disse:

    tá zoando, né? rsrs. E fala pro administrador do teu fundo (no bom sentido…) que AGRESSIVIDADE MATA!

  3. Humberto Capellari disse:

    Pois é, né… Um mega-enxugamento de “valores”. Parece até provocado: o Bautista Vidal tem dito, há anos, que o dinheiro americano não tem lastro e não passa de papel pintado. E, agora, não sei exatamente como ia funcionar, o governo ia despejar ( não sei exatamente para quem ) 700 bi a título de ajuda. Mas 700 bi de papel pintado? Já que você brilhantemente encarnou um Joelmir Beting, tire, por favor, alguma conclusão disso, já que eu nem do Homenzinho Amarelo estou conseguindo falar. Meu cérebro travou.

  4. Vinicius Duarte disse:

    Ah, velho, tá explicado aí no post: manda a conta pro governo! Ele emite 700 bi em títulos, o “mercado” (sempre esse FDP…) “absorve” – ele absorve mais que aqueles modess antigos, manja? -, ganha uns jurinhos pelo “sacrifício da absorção”, e o “sucker” paga a conta lá na frente. Quando tudo passar, o mesmo “sucker” vai brincar de “home broker” na casa dele, realimentando o “mercado”. Ele dá comida pro urso, e depois vai botar a cabeça dentro da boca do bicho pra ver se tem sujeira no dente.

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