"Torcida de modinha"

para os mais novinhos: antigamente se levava bandeiras ao estádio!
Acabo de ler um texto do Leandro Iamin no blog do Juca Kfouri, falando sobre a torcida do SPFC. É a velha história, que ouço desde os anos 1970, sobre um estigma que acompanha a torcida tricolor: de que é uma torcida “fria”, elitista e pouco fiel. Que só vai ao estádio “na boa”, e coisa e tal. Lembro-me agora de uma série de revistas, “filhotes” da Placar, sobre os grandes clubes brasileiros. Foi lançada em 1978, ano em que o SPFC seria pela primeira vez, campeão brasileiro (antes que me corrijam, a final do brasileiro de 1977 foi disputada em março de 1978). Na revista em questão (que li umas cem vezes), tinha uma “justificativa” sobre esse estigma, que já era corrente: a torcida tricolor é grande, e sabe quando precisa apoiar o time. Eu, que era fanático frequentador de estádios (quase sempre vazios), não concordava com isso, e sofria com as gozações dos corinthianos, palmeirenses e ATÉ santistas sobre a nossa galera. Eu sabia que a torcida era grande, mas não sabia onde ela estava. Até que, em 1981, eu a encontrei.

Junto com uns 30 e poucos caras, fui ao Maracanã, assistir a SPFCxBFR, numa quarta-feira à noite, de busão da rodoviária. Pouca grana e muita vontade, chegamos ao “maior do mundo”, não sem antes levarmos vários sopapos. Éramos como a torcida juventina no Pacaembu contra o SCCP. Para piorar, perdemos o jogo de 1×0. O jogo de volta era no Morumbi. No caminho de retorno a SP, a maior preocupação era se a torcida ia encher o estádio, mesmo com a derrota no primeiro jogo. Chegou o domingo, e o Morumbi tinha 100.000 pessoas. Uma torcida de um jeito que eu nunca tinha visto antes, gritando muito e empurrando o time. Só que empurrou demais, e, com 30 minutos de jogo, JÁ ESTAVA 2X0 para os visitantes. Aquilo, para quem conhecia (ou achava que conhecia) a torcida do SPFC, era a senha para vaias, xingamentos e quetais. Só que, estranhamente, não aconteceu nada disso: a torcida continuava incentivando, e o primeiro tempo terminou 2×1 para eles (Serginho, cobrando pênalti). Durante o intervalo, continuavam os gritos de incentivo. 
O time voltou muito ligado, e, com dois gols de Éverton (um sem-pulo inesquecível, no ângulo), virou para 3×2. E eu chorei, chorei muito. Não pela alegria da vitória, mas porque eu tinha conhecido, depois de anos frequentando o Morumbi, a torcida tricolor. E sabia que ela tinha tido, pela primeira vez sob meus olhares, um papel preponderante na atuação do time. Para mim, tudo estava resolvido, e mais nenhum comentário sobre a frieza do sãopaulino me abalaria. 
Você não precisa provar a todo instante que existe. Mas alguma marca da tua existência você tem que deixar.
Mas isso foram em tempos idos, e hoje o futebol é show-business. E, da mesma maneira que hoje acho idiota uma pessoa que assiste qualquer filme porcaria só porque gosta do ator principal, ou que compra todos os CDs de um determinado músico, acho idiota alguém que segue seu time como se fosse um fiel seguindo uma estátua de um santo numa procissão. A idolatria é cega e manipuladora. 
Pode ser também que eu esteja ainda mais chato que o habitual e não me empolgue mais com essas coisas. Eu amo futebol, mas esse aí de hoje não me seduz como antes.
PS: Sábado “é nóis” no Canindé!!! (o primeiro jogo no estádio este ano, rsrsrs). Ô, “torcida de modinha”!  
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5 Responses to "Torcida de modinha"

  1. Saulo disse:

    O São Paulo é um clube fantástico e por isso causa muita inveja. O time tem grande chance de ganhar mais um título e precisa ter muita calma nessas horas.

  2. André Luís Nogueira disse:

    Vini, concordo contigo em tudo o que escreveu. Mas estádio vazio é uma coisa muito deprimente. Uma festa que já começa com cara de final (de festa). Só falta colocar o Barry Manilow pra tocar.

  3. Vinicius Duarte disse:

    André,

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Barry Manilow pegou pesado!!!!

    Mas tem uma coisa, André: o público do SPFC nos jogos tem subido muito nos últimos anos. O problema é o tamanho e a localização do estádio. 15.000 pessoas no Morumbi (público médio em tempos de vacas magras) é nada, mas no Pacaembu dá um bom caldo… Sem contar que 15.000 no Morumbi viram facilmente 25.000 no estádio Municipal, dada a facilidade no acesso.

    Saulo,

    Uma beleza o teu blog, hein?

    Puta sacanagem o CRF não querer jogar no Engenhão conta o seu Fogão e a CBF ainda “passar um pano”.

    Você se lembra desses jogos aí de 1981? hehe…

  4. Saulo disse:

    Poxa! Obrigado Vinicius. Visite sempre o meu Blog se quiser. O seu é dez também e vou vir aqui várias vezes.
    Sobre esse classico para o Maracanã. É um grande absurdo, uma palhaçada em que nós botafoguenses samos palhaços.
    Porque que a CBF mudou o local só agora?
    Porque não fizeram isso lá no início do campeonato?
    Será porque o Flamengo ainda tem chance pelo título?
    Olha, não é por nada não, mas existe alguma coisa estranha nisso. Não é de hoje que a CBF beneficia o seu time do coração que é o Flamengo.
    E o pior é que nós botafoguenses cansados de ser prejudicados por esses erros absurdos, não temos o direito de reclamar porque logo samos chamados de chorão.
    Portanto, é jogar no Maracanã com um nariz de palhaço e ir pra cima deles. O Botafogo não tem nada mais a perder mesmo.
    Valeu e visite sempre.

  5. Vinicius Duarte disse:

    “seu clube do coração que é o Flamengo”. Seu, deles (CBF), né?rsrs.

    Mas eu acho que o time da CBF é o velho “DFC” – Dinheiro Futebol Clube… Todo mundo sabe que o RT ODEIA futebol, e usou a CBF para enriquecer.

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