CBG na berlinda

Levanta, Jade!
foto: Caio Guatelli – Folha Imagem

Estimulado pelo Juca Kfouri, fiquei acordado até às 2 da matina, assistindo ao “Histórias do Esporte”, na ESPN Brasil. O tema era a Ginástica Artística (antiga “olímpica”), prometendo denúncias arrasadoras sobre maus-tratos às atletas da seleção permanente, em Curitiba. Excetuando acusações feitas por familiares de atletas aposentadas ou excluídas, o que vi foi medo. Muito medo.

Medo das atletas da seleção (Daiane e Laís, agora treinando no ECP): mesmo sendo instigadas pelo repórter a aparentemente confirmarem o que haviam dito “off the records”, tergiversavam ou tiravam o peso das declarações, com os velhos e batidos “isso é normal, todo mundo faz”. Falavam bem do Pinheiros, da nova vida que estão tendo depois de saírem do “campo de concentração” montado por Oleg Ostapenko (treinador), Vicélia Florenzano (pres. CBG) e Eliane Martins (supervisora). Mas não deixaram claro, em nenhum momento, que sofriam maus-tratos.
Medo da Vicélia Florenzano: não disse que não poderia atender à reportagem, e fugiu pela porta dos fundos do prédio da CBG sem dar qualquer declaração. Soou como confissão de culpa.
Medo da “japonesinha” (desculpem, não guardei o nome da ex-assistente administrativa): a reportagem foi a Ribeirão Preto falar com a mulher, que prometeu jogar merda no ventilador, mas amarelou feio. Chegou a consultar a advogada (ela move dois processos contra a CBG), mas não disse nada. O repórter teve um trabalhão com ela, que parecia ter insinuado muita coisa por fora. Até racismo contra Daiane ela ia denunciar, mas voltou atrás.
Medo do médico: acusado de prescrever antiinflamatórios em excesso, fugiu e nada falou.
Sobre a Jade, portadora de uma osteonecrose no punho, agora está no Flamengo e seu pai se queixa do abandono, mas, principalmente, do apoio da CEF que ela não recebe, em virtude dele não ter aceitado o contrato com o banco estatal, que previa participação em campanhas publicitárias.
Mas a parte final, contando a história da Mayra, essa me fez balançar. Atleta promissora, integrante da seleção, sofreu uma fratura por estresse no colo do fêmur, e foi abandonada pela CBG, mandada para tratamento em Natal-RN. Curada, nunca mais foi chamada a competir. Desestruturada emocionalmente, saiu da casa dos pais, ficou grávida aos 16 anos e entregou a criança para que os avós criassem. Hoje sobrevive fazendo tatuagens de henna na pele dos turistas em Canoa Quebrada. Chora quando lembra que foi a primeira atleta brasileira a conseguir executar o “duplo e meio” no salto, sob os olhares atônitos de um recém-chegado Oleg. Chora também quando conta que, para tentar curar-se mais rápido da lesão, subia as escadas da casa das atletas em “parada de mão” (plantando bananeira).
Não vou mais ver ginástica artística. Não é por causa das denúncias, e sim por uma cena inadmissível que passou lá: a Laís caiu sentada, depois de um exercício de solo, e o Oleg chamou-a de “menina idiota”. O Muricy chamar o Éder Luís de burro, tudo bem (eu até gosto, hehe). Mas um marmanjo xingar uma criança daquele jeito, não dá. Se “esporte é saúde“, “esporte é cultura“, bla, bla, definitivamente, aquilo NÃO É ESPORTE.
PS.: E agora, mesmo que tenham falado pouco, a cuíca vai roncar pro lado delas. Veja aqui.
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