Quanto custa a fé? Quanto vale a fé?

Há alguns dias, no famigerado Orkut, reencontrei uma pessoa que não via há uns quinze anos, ou mais. Tudo o que fiquei sabendo dela desde então foi que estava numa merda desgraçada, falida, etc, etc…
Neste “reencontro”, vejo-a feliz e super bem-sucedida, trabalhando como publicitária. No álbum de fotos do mesmo Orkut, um retrato do Estevam e da Sônia Hernandes, com o título “meus pais na fé”, ou algo parecido.
Passei muito tempo da minha vida besta descendo o porrete em religião, mormente quando da explosão neo-pentecostal, Edir Macedo, Estevam, David Miranda e muitos outros. Chegou a hora de aliviar.
O que vale mais na vida de uma pessoa? Uma sessão de psicanálise ou uma “de descarrego”? Não sei, mas as duas custam dinheiro, paga quem precisa, acredita quem quer. Contra a primeira, ninguém se insurge. Contra a segunda, os intelectuais psicanalisados destilam o ódio e intolerância.
Seres vivos procuram conforto. Se gostam de calor, buscam o sol; se gostam de frio, moram em regiões geladas. O homem, diferentemente, constrói o seu conforto: é capaz de morar num calorão e instalar um ar-condicionado, morar na Sibéria e ter calefação.
E o homem, esse ser vivo diferente, precisa também de conforto espiritual. Isso não vende no supermercado, mas é tão necessário quanto comida. Quando o espírito humano está doente, o frio é mais frio, mesmo quando está fazendo calor. E onde “vende” o tal conforto espiritual? Quanto custa? Dá pra negociar na BM&F?
Essa “commodity” não tem preço, mas vale muito. Pessoas milionárias dariam tudo o que têm para alcançá-la. E centenas de religiões, seitas, crenças, ciências ou “ciências” estão aí para oferecer a quem precisa, cada uma a seu modo, a chamada “paz de espírito”. E qualquer dinheiro que se dê a eles é pouco, desde que a graça seja alcançada.
Edir Macedo é picareta? E daí, cara? Quantos desesperados este homem já salvou com suas picaretagens? Milhares, pode acreditar. Muita gente por aí, desenganada pela sociedade, voltou a ter esperança na vida por acreditar no que esse homem diz. Mudou sua atitude, largou as drogas, confiou em si mesmo para trabalhar, achou sua vocação. Caraca, isso não tem dinheiro que pague!
Neguinho esclarecido por aí paga UMA BALA PRETA pra escutar “gurus da administração”, torram bilhões em livros de auto-ajuda, P.N.L., psicanálise, coaching, mapa astral, florais, anti-depressivos… Aí é bonito, né? Agora, entrar em “igreja de crente” é feio! “Um bando de pobre ignorante sendo enganado”… Porra nenhuma! Os caras recebem lá EXATAMENTE o que todos nós procuramos! E, se continuam lá, é porque encontraram. E, como não tem preço (mas vale muito), pagam o que for necessário. 
Se, por acaso, eu fizesse um post dizendo que achava idiota quem paga R$ 2.000,00 para ouvir o Jack Welch ou o Felipão falar uma hora no Hotel Transamérica, o couro comeria. Mas como só estou defendendo (mal) os que cobram para ajudar os desvalidos -e resolvem -, vão só sentir pena de minha “ignorância”.
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12 Responses to Quanto custa a fé? Quanto vale a fé?

  1. Humberto Capellari disse:

    Ou palestra do Luxemburgo. Olha, concordo 99% contigo. Fé, velhinho, se o cara quiser acreditar nos poderes de um tijolo, sua fé não pode ser discutida. E, sim, creio que essas seitas já ajudaram muita gente. Digo isso mas baseando-me no superficial.
    Um dia, vou contar sobre a letra de música que eu e uns amigos fizemos em homenagem a igrejas como esta, ainda em 1990. Acredite ( sem trocadilho ): era um RAP. E o título: “Deus quer grana”. Foi legal.

  2. Vinicius Duarte disse:

    Afinal, nós fomos feitos “à sua imagem e semelhança”, né? rsrs

  3. André Luís Nogueira disse:

    É….
    O ideal seria evoluir pela razão. Na impossibilidade imediata, isso é válido.
    Assisti um suspense/terror chamado “O Orfanato” em que é citada a seguinte frase (ou coisa parecida):

    “Não é ver para crer, mas sim crer para ver”

    O ideal para seria “crer para ser”, mas a estratégia de marketing das igrejas é apregoa o “crer para TER”.

  4. André Luís Nogueira disse:

    Embaralhei tudo e nem bebi.

  5. cremilda estella teixeira disse:

    Aê, menino.
    Mandou bem….
    Sabe que eu nunca pensei nisso?
    Estava inspirado hein?
    …ótimo texto…ótimo.
    parabens.
    http://cremilda.blig.ig.com.br

  6. Anonymous disse:

    Vinicius vc é um tolo! Fala do que não conhece, e analisa o ouvi falar! E mais, demonstra ser muito invejoso!

    Vc é um cego e miserável vivendo de desvarios sobre a vida imaginária de pessoas que não existem; vc as cria em seu inconsciente!

    Vc chama de ignorantes aqueles que enxergam o que vc não quer ver! Vc evita-o!

    Com certeza Edir Macedo, Estevam, David Miranda são oportunistas! Mas não o Deus na qual eles se referem!

    Aparecerão muitos outros Macedos, Estevans e Mirandas, pq é mister que isto venha há acontecer! Mais saiba que aparecerá Um que julgará todos os enganos destes charlatões e também julgará os homens segundo suas obras e fé!

    Eles enganam um povo remido; vc infelizmente nem remido é!

    Leia a Bíblia Sagrada!E procure entender a razão de sua existência!

    Eu era igualzinho a vc; pensava da msm forma! Mas entendi que toda ciência e razão só podem ser explicadas e totalmente entendidas mediante a compreensão das Sagradas Escrituras!

    Pensava que os crentes eram loucos e ignorantes; e acabei descobrindo que os cristãos detém a verdadeira sabedoria! Sabedoria esta que vem do alto, não esta temporã!

    Jesus Cristo te concederá eternidade! Salvação!

    Busque-o; e o encontrará!

    Caso contrário; ignore-o! E pague o triste preço!

    Em Cristo,
    João 8:32.

    Não quiz o ofender; mas apenas falei a realidade! Não endureça vosso coração!

  7. Vinicius Duarte disse:

    É, senhor(a) anônimo(a)…

    As pessoas que “ouvi falar”, só quem realmente me conhece sabe quem são. E são bem reais, não são obra do meu inconsciente.

    Acho que eu não me fiz entender: eu não chamei ninguém de “ignorante”, a não ser a mim mesmo. Esse texto é em defesa de todas as religiões e seus seguidores, independente do “pastor”. Você deve tê-lo lido “na diagonal”. Espero que com a leitura da Bíblia você seja mais cuidadoso.

    E o seu comentário suscitou outra coisa em mim: JC pregava o amor entre as pessoas, a compreensão do outro e a solidariedade. Isso o tornou um ser único, em que todos deveriam se espelhar.

    As suas palavras destilam ira, vingança e ressentimento. Exatamente o contrário do que Jesus pregou durante a sua vida.

    “Resposta calma aplaca a ira; palavra mordaz atiça a cólera”

    Provérbios 15:1

  8. André Nogueira disse:

    Esse tal de Anônimo é sempre tão agressivo, critica as pessoas como se as conhecesse. Sempre o vejo em diversos blogs. Sem falar que tem uma dificuldade absurda pra interpretar textos.
    O “verdadeiro” Cristão julga e critica acidamente ou aconselha com humildade?
    “Santa” Contradição.

  9. Vinicius Duarte disse:

    Olá, Cremilda!

    Agradeço, surpreso pela tua visita (hehehe).

  10. Humberto Capellari disse:

    DEUS te afogará num mar de lava incandescente e sangue de cabrito sulfuroso! Sorte que Deus te ama!

  11. Rubão disse:

    Esse é um tema complicado. As pessoas se recuperaram por causa da fé ou pq lutaram muito por isso?

    O conforto espiritual é importante, mas dar dinheiro a pessoas que o usam indevidamente é uma maneira correta de buscar a “fé”?

    Aliás, o que é fé? É ler a Bíblia, ser boa pessoa, bom filho e fiel ao mandamentos de Deus.

    O mais importante e saber que a “cura” não vem de fora para dentro, mas de dentro para fora. A cura não vem através de uma imagem, a cura está em você.

    Hendrix dizia que a melhor maneira de acreditar em Deus é fazendo o melhor para si, usando suas qualidades para coisas positivas e que isso o fazia sentir Deus.

    Eu acredito que para se sentir bem e ter fé não é preciso ouvir gente berrando no seu ouvido em um templo ou amar uma estátua. É, preciso, antes de tudo viver bem com sua consciência.

    Em tempo: não consigo conviver muito tempo com fanáticos religiosos sejam eles evangélicos, católicos, mesmo meus parentes. O discurso e modo de pensar dessas pessoas é totalmente o oposto meu.

    Um assunto longo demais…

  12. Vinicius Duarte disse:

    Sim, Rubão, concordo…

    Mas existe aí uma espécie de “efeito placebo”, não sei se fui claro. As pessoas sempre precisam de uma “aceleração inicial” que as tire da inércia. Venha como vier (de dentro ou “via placebo”), é sempre bem-vinda.

    Não consigo conviver com NENHUMA ESPÉCIE de fanáticos, também.

    Grato pela visita

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