Promotor Absolvido: Imprensa Condenada

Esse texto não tem a menor intenção de emitir juízo de valor a respeito da decisão do TJ-SP que absolveu o promotor de justiça Thales Ferri Schoedel, e sim condenar a imprensa pela cobertura lamentável do caso. Thales foi absolvido por unanimidade (23 x 0) pelo Órgão Especial do TJ. Prevaleceu a tese de legítima defesa, que exclui a culpa de Schoedel.
A nossa valorosa imprensa “pinta quadros” para ilustrar suas reportagens, e, no caso do promotor, pintou o seguinte: um moleque de vinte e poucos anos estudou muito e assumiu uma função para a qual não estava preparado (devia ser proibido a gente tão jovem assumir o cargo de promotor); era um playboy folgadinho, que vivia arrumando confusão; quis dar uma de Jesse James para impressionar a namorada e descarregou uma pistola (doze tiros!) em dois garotos cheios de vida, atletas, bons meninos, e desgraçou suas famílias; após o crime, Thales buscou todos os meios para obstruir a verdadeira justiça, utilizando-se de suas prerrogativas do cargo, esquivando-se de ir a júri popular, mostrando, mais uma vez, a face corporativista da Justiça brasileira; o resultado do julgamento, portanto, foi viciado e, mais uma vez, um maldito-desgraçado-assassino-coisaruim-lixo está à solta para aterrorizar nossa combalida sociedade com seus atos insanos. E ainda está “sangrando os cofres públicos”, pois seus amiguinhos não o destituíram do cargo.
Bem, vendo um “quadro” desses, realmente é uma história de provocar engulhos até nos mais insensíveis, concordam? Mas como o que parece nem sempre é, dê uma olhada nesses links: aqui, o depoimento das testemunhas de ACUSAÇÃO (isso, para acusar Thales!). Neste outro aqui, a peça de defesa dos advogados de Schoedel.
Você já havia visto/ouvido algum jornalista que tivesse mostrado essas partes dos autos ao público? Não, pois é evidente que o “quadro” pintado por eles levaria uma bela salpicada de tinta preta. O caso ocorreu há quatro anos, e nenhum repórter quis ler os autos com atenção, debruçar-se realmente sobre o caso, ouvir as testemunhas e tal. E nós ficamos privados de formar um juízo a respeito, pois tudo o que tínhamos era o Datena vociferando impropérios contra Thales no seu “Brasil Urgente”. Estar mal informado é muito pior do que estar desinformado.
Quanto ao propalado “corporativismo da Justiça”, é bom lembrar que juízes (desembargadores) e promotores são dois tipos bem bicudos, não se beijam nunca. 
O promotor concedeu entrevista a José Paulo Lanyi, do “Observatório da Imprensa”.
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