Vamos "Enxugar a máquina"?

Taí uma expressão bastante usada, e dela variam muitas, tais como “inchaço do Estado”, “trem da alegria”, “desestatização”, “aprimoramento da máquina”…

Funcionário público é um ser odiado no mundo todo, e sempre tem a mesma imagem: folgado, não trabalha, “mama nas tetas do governo” (ops, outra expressão), faz tudo pra atrapalhar o “povo que paga o seu salário” (outra!), e por aí vai. Veja o grifo acima, ora repetido: no mundo inteiro. Isso, senhores: aqui, em Botswana, Burkina Faso, Estados Unidos da América, Inglaterra, Rússia, China… Eles, os servidores estatais, também me irritam. A diferença é que eu não vejo um só país funcionando sem eles, e não imagino como um Estado Nacional pode ser organizado prescindindo da sua existência.
Por aqui, desde o advento Collor (é, aquele lá em quem você votou em 1989, mas tem vergonha de admitir!), é voz corrente dos postulantes a cargos eletivos o tal do “enxugamento”, a “gestão eficiente”, “corte de gastos”. Mas isso é uma quimera, porque, em verdade, não é o governante que controla a máquina do estado, mas o inverso. Ele pode colocar um milhão de aspones dele em cargos de confiança transitórios, mas quem mete a mão na massa é o funcionário concursado, que sempre estará lá, seja qual for o governo. E ele é estável, só sai da cadeira aposentado ou morto. Escolado, não vai comprar o discurso bonito do aspone que sairá de lá na próxima eleição. Isso é bom ou ruim?
Pra mim, é muito bom. Porque é, em última análise, a única instituição verdadeiramente sólida e politicamente independente de um Estado, e reflete de maneira cristalina o caráter do povo que o habita. Em suma, uma estrutura estatal eficiente revela que o povo daquele país é eficiente, também. Afinal, não foram os funcionários públicos gerados “do nada”, eles são tão brasileiros quanto nós, e, por isso, fazem exatamente o que você ou eu faríamos se estivéssemos no lugar deles. O “patrão” do funcionário público não é o prefeito, ou o presidente: somos todos nós. Se somos complacentes com o empregado, talvez esteja aí uma culpa embutida, uma vez que é difícil cobrar alguém por uma coisa que nós mesmos não seríamos capazes de executar. O velho e bom provérbio Vampetiano do “eu finjo que te cobro, você finge que me atende”. Com o adendo “e eu finjo que fico insatisfeito”.
Deixar o Estado “mais eficiente” tem muito menos a ver com corte de gastos, e muito mais com uma consciência de todos sobre a sua postura como cidadão. O gasto inútil é a febre, não a infecção. E “fazer a sua parte” passa muito longe de pagar os impostos e ficar sentado esperando as coisas acontecerem. Vai trabalhar, vagabundo! Já tô indo! Feliz 2009.
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2 Responses to Vamos "Enxugar a máquina"?

  1. Saulo disse:

    FELIZ 2009 PARA TODOS VOCÊS!

  2. Humberto Capellari disse:

    Caraca, véio!! Essa eu vou roubar, que tá bom prá cara****lho!!

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