Um fato, duas versões (agora, três!)

Colaboradores bissextos deste espaço, André Nogueira e Humberto Capellari, aqui e no sensacional B.F.I., respectivamente, apresentam diferentes visões sobre a questão dos 1.500 professores temporários “zerados” na “provinha” promovida pela Secretaria da desEducação do desGoverno de SP. André destaca o absurdo da situação, e percebe que as coisas vão (muito) mal nessa área; Humberto se descabela contra a divulgação parcial e tendenciosa da informação. Os dois estão certos, mas o fato tem outras implicações.

Enquanto o Capellari levanta teses sobre o real intento do governo em promover a tal “provinha”, destaca o clamor da APEOESP pela realização de concursos para efetivar os temporários (soa como chacota chamar de “temporários” professores que dão aulas há anos, mas, vá lá…), eu tenho algo a dizer sobre isso: há cerca de dois meses e meio, EU estive no prédio da Secretaria da Educação, junto com uma aprovada no último concurso para professor do Estado, para que ela fizesse a escolha do local onde lecionaria a disciplina de Educação Artística. As opções oferecidas eram, TODAS, de escolas muito distantes do centro. Quer dizer que, em tese, as escolas mais centrais estariam com todos os postos preenchidos com efetivos, ok?
Ah, então alguém pode me explicar por que cargas d’água meus filhos, que estudaram em escolas públicas centrais, NUNCA TINHAM AULAS, ou, quando tinham, eram ministradas por temporários/substitutos? Estavam todos os efetivos afastados/readaptados/doentes/sei lá o quê?
Então eu chego à conclusão de que o sistema funciona assim:
1 – o professor presta concurso e passa;
2 – ele escolhe a escola e toma posse;
3 – ele começa a dar aulas, mas se arrepende (porque o barato é louco, mesmo);
4 – como o Estado paga mal, mas paga sempre (até o cabra morrer ou desistir), o efetivo quer continuar recebendo, e tem 3 alternativas:
4.a – arruma uma licença médica ad eternum, lá na R. Maria Paula;
4.b – arruma um político camarada, e fica “emprestado” em algum outro órgão público;
4.c – arruma uma licença médica curta, volta por algum tempo, depois consegue outra. E os alunos têm exatamente a mesma quantidade de aulas dos dias em que o professor efetivo trabalha no ano, uma vez que não poderá ser contratado um “temporário”, pois não se sabe quando o efetivo voltará.
5 – Qualquer que seja a alternativa escolhida, ele continua ocupando a vaga, e um novo efetivo não poderá ser contratado para substituí-lo.
6 – Para suprir a carência, o Estado contrata um “temporário”;
7 – Se o temporário for efetivado, agirá como no item “4”. E, por consequência, os itens “5”, “6” e “7” ocorrerão novamente, num ciclo interminável.
A continuarem as coisas como estão, em breve toda a população adulta e alfabetizada de SP será professor da rede estadual, mas os alunos continuarão sem aulas.

Deixo a solução do “tostines” acima a cargo de quem suscitou o tema, ou a algum especialista.
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6 Responses to Um fato, duas versões (agora, três!)

  1. Saulo disse:

    Enfim, a educação do Brasil continua como sempre. PÉSSIMA!
    Os professores de todo o Brasil merecem um salário melhor.

  2. André Luís Nogueira disse:

    Fato: Nenhum dos dois está pouco se fudendo pra educação. Seus umbigos são a coisa mais importante. Foda-se o proletariado e seus filhos de dentes cariados.
    Caros, conheço o meio sindical…e posso afirmar com conhecimento…
    Já foram bons. Quer pagar quanto?
    Pelo menos “eles” já foram bons…

  3. Vinicius Duarte disse:

    “Nenhum dos dois está pouco se fudendo pra educação

    Nenhum dos dois, quem? você e o Humberto, Humberto e eu, ou eu e você? rsrsrs

  4. André Luís Nogueira disse:

    Ah. Claro que são o Sind e o Gov, pô!
    Pensei nisso depois q apertei enter. huhu
    A gente está muito “si fudênu” e muito se fudeu! E muito “se foderemos” com a educação. há há

  5. Picaretas da Távola Redonda disse:

    Eh o velho pacto da mediocridade: finge-se que ensina e finge-se que aprende. Mais do que salario apenas, precisamos reciclar os professores e seus sonhos. Infelizmente, as entidades de classe soh olham para os salarios e o govenrno soh para numeros…

  6. Vinicius Duarte disse:

    é isso aí, Picaretas!

    Professor finge que ensina, aluno finge que aprende, governo finge que paga.

    Escola-Vampeta.

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