Vamos depredar microfones?

agora tem notícia, né?
Tragédia prevista e confirmada: o clássico SPFC x SCCP terminou em pancadaria nas arquibancadas destinadas ao visitante. Agora querem culpados: PM, Gaviões, Independente, Marco Aurélio Cunha, Andrés Sanches, MP… Eu vou eleger os meus, esses aí estão muito batidos: Ela, sempre ela, a imprensa.
Tudo começou quando alguns energúmenos, munidos de computadores, microfones e câmeras, começaram a demonstrar uma “indignação” contra o fato do SPFC oferecer 10% do SEU estádio para a torcida do SCCP. Um verdadeiro festival de babaquice, quando se sabe que TODOS os mandantes destinam 10% da capacidade à torcida adversária. É assim no Parque Antarctica, na Vila Belmiro. No Pacaembu, o SCCP destina o tobogã (mais de 10%), mas não é por benevolência: é apenas questão de segurança, pois é o único lugar isolado do estádio, tem saída independente e oposta à saída principal.
Esta “indignação” ridícula, além de uma (mais ridícula ainda) “competição de contratos de publicidade” foi o estopim para que, com o auxílio da internet, orkuts e quejandos, torcedores corinthianos propusessem que se depredasse o estádio do Morumbi. Os urubus da imprensa esportiva, barrigudos e preguiçosos como sempre, botavam o microfone na boca de qualquer um que se dispusesse a alfinetar o rival, não com declarações sobre o jogo em si, mas sobre a tal “divisão de torcidas”. Falta de assunto, pois o futebolzinho foi aquele mesmo de sempre, e, como não dá pra encher jornal e grade de TV com uma bolinha tão pequena, o negócio é mostrar desgraça. Mais uma vez, eles conseguiram.
A cabeça de camarão dos integrantes das torcidas organizadas dos DOIS times incumbiu-se do resto (eles são insuflados por qualquer coisa):  a Gaviões entoando seu “grito de incentivo ao time” “ÔÔÔ, A VIOLÊNCIA VOLTOU!”, os “valentões” da Independente jurando os rivais…”EI, FDP, VEM CORRER DE NOVO, SEUS CUZÕES…”
A PM, pilhada, ao menor sinal de confusão (um barulho, bomba, sei lá), senta o porrete em quem tá na frente. É natural, os caras estão lidando com animais ferozes travestidos de gente. Eles também têm medo de morrer. Pessoas correm, e o pisoteamento é inevitável numa multidão apavorada.
Esses bostas de torcida organizada só existem porque alguém os sustenta, e esse alguém não são os sócios destas espeluncas: o os clubes de futebol e seus dirigentes safados. Um corinthiano “normal” ontem pagaria R$ 90 para assistir ao jogo. Os Gaviões pagaram só R$ 40, graças ao presidente do SCCP, reeleito um dia antes do clássico. Roberto Dinamite ainda beija molha a mão da facção criminosa que domina o estádio de São Januário. Belluzo precisa fazer acordo com a Mancha Verde, senão não “governa”. No SPFC, sempre muito reservado, ninguém fala do assunto, mas é óbvio que a Independente é tão dependente do clube como qualquer outra.
Ah, mas eu estava culpando a imprensa, esqueci… Se esses acéfalos que pululam nas redações parassem de alimentar polêmicas imbecis (sob medida para encher a cabeça de imbecis, como esses “organizados”), o problema da violência diminuiria bastante. Vão trabalhar, jornalistinhas de merda!
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4 Responses to Vamos depredar microfones?

  1. André Luís Nogueira disse:

    Certa vez, perguntei para o Juca Kfouri se existia assunto suficiente no mundo do esporte para justificar a existência de tantos programas esportivos, sites, blogs e canais 100% dedicados ao tema. Resposta dele: SIM.
    O jornalismo esportivo, com raríssimas exceções (raríssimas mesmo), é constituído por refugos das faculdades brasileiras. Basta ouvir qualquer entrevista com técnicos ou jogadores para comprovar quão inúteis são esses profissionais.
    Para preencher horários, fechar páginas e garantir audiência o jornalismo (?) esportivo criou uma fábrica de notícias. Logo as faculdades terão em sua grade curricular a disciplina Criação de Notícias:

    1- Criação de Notícias:

    1-1- Criação de factóides.

    1-2- Distorção dos fatos para criação de polêmica.

    1-3- Construção de desastres/audiência a partir de factóides e distorção de fatos.

    1-4- Edição de entrevistas para o aumento das vendas/audiência.

    1-5- Relacionamento ob$curo com clubes e omissão de notícias.

    1-6- Simulação de isenção.

    Agora é só escolher os professores.

    Abraço!

  2. carlos pizzatto - blog do carlão disse:

    É isso, boa parte da imprensa tem sua fatia de culpa.

    Mas quem detém a maior parte do bolo, para mim, são os dirigentes que financiam as organizadas.

  3. Humberto Capellari disse:

    Depois desse post, minha antiga opinião de que os campeonatos simplesmente deveriam ser extintos e os futebolistas e personagens subjacentes arrumar um emprego de verdade, soa meio ultrapassada…

  4. Vinicius Duarte disse:

    André:

    A sua tese sobre a baixa qualidade dos jornalistas esportivos pode ser vista sem grande esforço: basta ler os blogs das figuras! Outro dia, um deles, setorista do SPFC, mandou eu cuidar da minha vida, depois que postei um comentário dizendo que o texto dele era ininteligível, tamanhos os erros de pontuação, gramática e ortografia.

    Carlão,

    é verdade. Os dirigentes de futebol são verdadeiras cavalgaduras. Mas se a imprensa não desse voz a eles, talvez eles desistissem dos cargos, uma vez que só estão lá para se promover pessoalmente. Pena que sempre é um asno entrevistando um burro.

    Humberto,

    Se não existisse o futebol, a Av. Paulista estaria mais repleta de pedintes ainda.

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