Vermelho e Azul

“hoje é meu desaniversário!”
O colunista Reinaldo Azevedo, blogueiro da revista “Veja”, teve o desplante de defender o governo Serra no caso da compra dos livros “chupa rola” para crianças de 8 anos.
 

Ele já defendeu (melhor) causas menos torpes. Os argumentos usados partiram da tergiversação e chegaram ao non-sense puro. Mas ele merece uma homenagem, pois a tarefa eu julgava impossível e ele não fugiu ao seu mister. Fa-la-ei tentando imitá-lo, com o “vermelho e azul” que caracteriza o seu blog. Em vermelho, os trechos do post do Reinaldo:

Uma pergunta retórica aos petralhas — e vocês não precisam responder porque sabem que não publicarei: vocês acham mesmo que, se eu cedesse à patrulha, existiria um “Blog do Reinaldo Azevedo” ou teria existido, antes, site e revista Primeira Leitura? Assim, toda investida é tola em sua própria natureza, inútil mesmo. Um dos meus prazeres — um deles apenas — é demonstrar que vocês estão errados; é desmoralizar a cadeia de falsas evidências criadas por sua azeitada máquina de difamação; é demonstrar, sempre, a mão solerte da militância industriada ou a soldo na invenção de escândalos que buscam desmoralizar os adversários d’O Partido. “Tucano, democrata, reacionário!” Podem babar à vontade. O jornalismo Franklinstein que tente demonstrar minha vinculação com esses partidos. Vai quebrar a cara. Mas eu posso evidenciar com tranqüilidade a cadeia de subordinação do jornalismo Franklinstein. E isso faz uma diferença e tanto.

Bem, aí vão algumas observações: quem é soldado sempre será patrulhado pelo inimigo. É da guerra. RA faz questão de dizer sempre que não cede à “patrulha petralha”, e invocar distanciamento dos oposicionistas “oficiais”. Não convence nem os seus seguidores, e a história das suas investidas editoriais, interrompida pela abrupta míngua de recursos oriundos de entes governamentais estaduais paulistas faz parte de um passado que ele já tentou sepultar várias vezes, mas emerge das catacumbas para puxar seus pés na cama e provocar-lhe os piores pesadelos. Esse discurso, tão recorrente quanto virulento, tem somente o intuito de “limpar a área” – afastar as vozes dissonantes para que ele se arme de coragem e destile a bobagem que bem entender. Mais ou menos como aquele cachorro preso no quintal, latindo para qualquer ser que passe pela calçada. Tudo bem, Reinaldo, pode começar. A claque está a postos e os “inimigos” já foram embora.
Até chegar ao poder, o mantra do petralhismo era este: “Somos diferentes deles; somos diferentes de tudo o que está aí”. A partir de janeiro de 2003 — ou, mais propriamente, a partir da evidência do primeiro escândalo federal (em outras esferas, já os havia aos montes) —, a palavra de ordem passou a ser outra: “Somos todos iguais”. Ou mais: “Somos canalhas mesmo, mas quem não é?” Antes, eles eram os puros em oposição à lama: agora, chamam os adversários para chapinhar com eles. Sem essa! Não vou! Vamos ao caso.
Então, como é que fica? Os “petralhas” são iguais aos tucanos? De que lado você está? De nenhum? Da “verdade”? Ah… Então você vai condenar a compra dos livros? Não? Vai procurar um caso “semelhante” ocorrido com os “petralhas” para justificar o erro do Serra? Ué… Mas não é exatamente isso que você está dizendo ser feio fazer?

Vamos lá

Antes que prossiga, uma observação: em jornalismo, costuma-se mandar para o lead o fato mais recente, ficando as circunstâncias que culminaram nele para os parágrafos seguintes. Atentem para os negritos que vão acima. A “gestão José Serra” (sic) não “afirmou que já determinou o recolhimento”. Efetivamente, a Secretaria de Educação JÁ DETERMINOU O RECOLHIMENTO. O texto diz que “o livro começou a ser entregue na semana passada”. A semana passada começou no dia 11. A secretaria determinou o recolhimento no dia 15. Vamos ver se o ombudsman, tão pressuroso sempre em apontar excesso de rigor do jornal com o governo Lula, vai atentar para a falha técnica da reportagem. Não há escapatória: dada a seqüência de fatos, a notícia principal é o RECOLHIMENTO DOS LIVROS, NÃO A DISTRIBUIÇÃO. Mas isso é lá com a Folha. Vamos ao resto.

Trecho utilizado para “jogar areia nos olhos” do leitor. Discute quem veio primeiro, se a reportagem ou a ordem de recolhimento. Só que o primeiro ponto, sr. Reinaldo, foi QUEM DETERMINOU A COMPRA do livro. Lembra? É assim: estão recolhendo um livro que foi comprado, a mando de alguém. Aliás, só estão recolhendo, tempestiva ou intempestivamente, porque foi comprado, não?

Aí a canalha veio para cá “E aí? O que você tem a dizer? Sobre isso, você não fala nada?” Claro que falo! Espero que a Secretaria de Educação dê um pé no traseiro de quem fez essa escolha. Das três, uma (ou duas ou as três):

– é idiota;
– tem idéias pervertidas sobre educação;
– é sabotador.
Uma só das hipóteses basta para inviabilizar a presença na Secretaria.
A distribuição desses livros, em qualquer das séries, seja no ensino fundamental, médio ou em algum programa especial, mesmo voltado para adultos, é inaceitável.

Que tal uma quarta, quinta ou sexta, RA? Sugiro:

é incompetente, não sabe trabalhar; 
é corrupto, e levou bola da editora para comprar o livro.
é preguiçoso, e não se deu ao trabalho de folhear o livro antes de comprá-lo.

Das três minhas, todas. Quanto às suas três possibilidades, são pueris e depoem exatamente contra quem você quer defender: quem contrata um idiota também é idiota; quem contrata pervertidos para atuar em educação evidentemente não é do ramo; e quem está há tanto tempo governando um estado e ainda não conseguiu identificar e expulsar “sabotadores” é inocente (ou idiota, parafraseando-o) demais para mandar em qualquer coisa.

Em seguida, RA copia/cola/analisa um artigo sobre uma cartilha editada pelo governo federal (os outros não podem comparar, mas ele pode…), versando sobre educação sexual e destinada a adolescentes. Não vou entrar no mérito da análise dele (nem transcrever o artigo), por questões de espaço. O objetivo aqui é mostrar a lógica torta utilizada, não debater questões morais.

Entenderam?

A porcaria que vai acima era destinada tanto a crianças de 13 anos como a adultos de 19, o que, por óbvio, significa que uma criança de 13 poderia se dedicar a tais práticas com um adulto de 19. É estimulo à pedofilia, na hipótese mais benigna. Nesse caso, a perversão é política oficial do governo federal. Como é a distribuição de camisinhas nas escolas e outros mimos da educação supostamente “moderna e avançada”. Mais: não é um material comprado por equívoco. Foi elaborado com os propósitos claramente enunciados.

Como assimmaterial comprado por equívoco“? O governo lança um programa de estímulo à leitura, gasta milhões comprando livros inservíveis, e o RA trata isso como se fosse uma licitação para comprar clipes que vieram enferrujados? Ora, faça-me o favor! A compra dos livros foi elaborada com “propósitos tão claramente enunciados” quanto a elaboração da cartilha de orientação sexual. A única diferença é que não foi o Paulo Renato quem escreveu o livro, mas mandou comprar. Fazer ou comprar feito dá na mesma, do ponto de vista do resultado.

Assim, é inútil os petralhas virem encher o meu saco: “O governo Lula você atacou, mas do governo Serra, você não fala nada” — e, certamente, dirão agora: “O governo Serra, você defende”. Pois é… Essa gente dirá: “É TUDO A MESMA COISA”. E eu digo: “NÃO É”. Uma das razões de ser deste blog é justamente demonstrar que “QUE CADA COISA É UMA COISA”. Esse raciocínio que iguala desigualdades costuma ignorar a natureza dos eventos. É a porta aberta para a burrice. Sob certo critério, Angelina Jolie e um pedaço de presunto são a mesma coisa: tudo matéria orgânica. Eu existo para evidenciar a “diferença” das coisas segundo a natureza de cada fome. 

Aí começa a também recorrente seção “todo petralha é burro” e “se não fosse eu, esses malditos tomariam o mundo“. Não há muito o que dizer, a não ser que a megalomania do RA é, por vezes, bastante bem-humorada. Mas evidencia que o colunista não está aqui para ajudar ninguém, a não ser a si próprio. Uma pena que os “inocentes inúteis” que o incensam não percebem que são tão instrumentalizados quanto a “canalha” que RA diz combater.

Em tempo

A reportagem da Folha falou com uma pedagoga sobre o caso (em vermelho):
“Os erros revelam um descuido do governo na preparação e escolha dos materiais”, afirmou a coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Angela Soligo.
“Há um constante ataque do governo contra os professores e a formação deles. Mas o governo coloca à disposição dos docentes ferramentas frágeis de trabalho”, disse Soligo.

Quem é essa? Como se nota, já se entrevê aí o furor militante. Quando esta senhora afirma que “há um constante ataque do governo contra os professores e a formação deles”, ela já não está mais analisando o caso. Está fazendo política. Ademais, pergunta-se: a formação deles, na média, é boa? O fato de ter havido um erro estúpido não ameniza o problema da formação nem serve de contraposição a esse fato — a não ser na mente perturbada da militância. Mais: o governo acaba de criar uma escola para aprimoramento dos professores. Não se limitou a apontar deficiência de formação.

Retirou um pedaço da fala da pedagoga para achar uma “militância sabotadora”. Todos (que querem saber, claro) sabem do que ela está falando: a “provinha zerada dos ACTs”, o “bônus milionário” para os “poucos bons professores”, as “denúncias de professores-fantasma”, os “professores assassinos da Cremilda“, e por aí vai. Ela apenas deixou claro que a educação em SP é tratada como um jogo de empurra, onde o governo culpa os professores, mas tem ações tíbias quando se trata de oferecer a eles melhores condições de ensino. O “episódio do livro chupa rola” mostrou que, além de tíbia, a ação pode ser deletéria aos propósitos educacionais. 

Note também como a ação governamental é tratada pelo RA: “erro estúpido”. Isso: “erro estúpido”, “fato isolado”, “equívoco”. Não existe sequer UMA linha no longo texto do RA que faça uma reflexão sobre o estado de coisas na educação paulista. Veja, não é o caso de se jogar tudo em cima do tal livro, mas seria, no caso de um analista interessado em melhorar o estado de coisas, utilizar o episódio como mote para dizer o que pensa sobre o assunto (educação pública). É para isso que ele “existe”, não para me ensinar a diferença entre presunto e Angelina Jolie. Para isso, ninguém precisa dele, nem seus fãs (hmmm., pensando bem…).

Espero que Paulo Renato, secretário da Educação, ponha na rua o responsável pela compra e distribuição daquele livro. Aliás, espero que se livre, se houver, da corja de supostos “progressistas” que costumam infestar os programas públicos de educação. Essa gente é matéria para de reflexão psicanalítica, não educacional.

Fim de caso: “vamos lá, camarada Paulo Renato. Queime esses livros na fogueira santa de São Serapião, jogue esses bolchevistas compradores de pornografia que te enganaram aos leões da valorosa imprensa nacional e não se fala mais nisso. Nem nisso, nem na qualidade da gestão educacional em SP.”


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3 Responses to Vermelho e Azul

  1. Humberto Capellari disse:

    Caramba, velhinho! Você detonou o cara, seu “petralha” maldito ( rsrsrs )!

  2. Anonymous disse:

    Gostaria de saber quem lucrou com a compra desses livros e quem vai arcar com o prejuízo.O dinheiro sera devolvido?Pra onde irao os livros recolhidos???
    Ah o Reinaldo Azevedo??Um lixo ne?Nao merece comentario meu!

  3. Anonymous disse:

    Esse Reinaldo, reparou que ele não coloca que o livro foi comrpado para crianças de 9 anos?

    Visite o blog do Chicão e veja este link sobre o Lixo do Reinaldo Azevedo:
    http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/05/o-lixo-reinaldo-azevedo-e-seus.html

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