Facadas e Pauladas – Parte 1

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ATENÇÃO – antes que algum acéfalo*, turbinado pelo Google, caia aqui e faça/diga/escreva qualquer coisa, informo: O TEXTO ABAIXO É FICÇÃO**. FICÇÃO PURA.

*  Acéfalo = Ser vivo que perdeu ou não tem cabeça.

**Ficção = Coisa que não aconteceu realmente.

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O Maicon trabalhava num escritório no RJ, como office-boy. Era vascaíno fanático, e passava oito horas do seu dia rodeado de flamenguistas, tricolores e (até) botafoguenses. Os caras não aliviavam: era “segundona” pra cá, “segundona” pra lá. As mesmas piadas que os corinthianos daqui de SP aguentaram no ano passado. Mas ele levava na boa: carioca é um bicho bem-humorado, e sabia que o troco viria. Afinal, os times do RJ não estão nenhuma maravilha, e o Vascão ia de vento em popa na série B e, melhor ainda, tinha tudo para chegar à Libertadores primeiro que os rivais.

Maicon era integrante da Força Jovem, torcida organizada do CRVG. Mas era um moleque “sangue bão”, ia só pela farra. Nunca se meteu em treta, nunca bateu, nunca apanhou. Também, com aquele físico, aqueles óculos… Não frequentava a sede, mas era cadastrado na “comu” da Força no orkut.

Maicon participava dos fóruns, e às vezes se empolgava no mundo virtual: metia uns tópicos invocados no orkut, com seu nick “CRVG Muai Thai”, ilustrado com um bíceps que nem com 30 anos de academia iria ter: “Domingão no Maraca urubu vai morrê!”, “emboscada no Engenhão”… Mas ele era só “isqueirinho”, jogava o tópico e os “da pesada” iam recheando com os planos de ataque.

O mundo virtual encurta distâncias, e Maicon fez vários amigos em SP, graças à “irmandade” Mancha Verde-Força Jovem. Os palmeirenses torciam contra o Corinthians com ânimo reforçado, afinal era a torcida-irmã a adversária dos “gambás”.

Maicon nunca havia viajado com a torcida, mas esse jogo era fundamental para calar a boca da galera do trampo. Afinal, se o Vascão ganhasse, a Libertadores seria a cura de todas as chagas do rebaixamento, que os adversários não deixavam cicatrizar. Viu o preço da passagem – $ 40 para sócios da torcida, já com o ingresso – e resolveu: ia ao Pacaembu.

No dia do jogo, Maicon pediu um “vale” no escritório, pediu para sair na hora do almoço. Tinha moral com os “homi”, nunca faltou, nunca pedia “vale”, era ligeiro no trampo. Não disse onde ia realmente; não queria ser zoado na volta, em caso de derrota. Saiu de Copacabana rumo a São Cristóvão, de onde sairia o “bonde do 9º Comando”, uma subfacção da Jovem. De lá, iriam até a sede, onde embarcariam para SP.

Maicon estava excitado. Entoava os gritos de guerra da Jovem a plenos pulmões, turbinado pela aglomeração que aguardava o momento de entrar nos busões.

(continua no próximo post…)

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2 Responses to Facadas e Pauladas – Parte 1

  1. André Nogueira disse:

    Fiz um post sobre o assunto, tá esperando sua aprovação.
    Vê se agora termina a história.

  2. […] Facadas e Pauladas – Parte 2 (continuação do Post anterior) […]

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