Tá, não falo mais nisso (só hoje…)

Sim, eu sei, já encheu o saco essa história de TO, violência nos estádios. Mas o tema ainda está sendo discutido, afinal morreu alguém e até a “Vejinha” deu capa para o assunto. E tá faltando assunto aqui!

O Fábio Sallum, do Blog do Trio, escreveu um post (reproduziu) com a palavra dos denominados “Gaviões da Rua São Jorge” sobre o incidente que matou um torcedor antes do jogo SCCP x CRVG. Eu deixei um comentário lá, mas como não sei se será publicado, deixo aqui também. Do post vai só o link, porque não quero ficar repercutindo palavras ao vento de quem diz ser líder de algo e só consegue, no máximo, arrumar desculpas pseudo-sociológicas para se vitimizar depois da merda feita.

Ah, e quanto à reportagem da “VejaSP”, e sua “lista mágica de soluções” (toda vez é isso, quanta falta de imaginação!), adianto: são todas “enxugamento de gelo”, exceto a primeira. Algumas beiram o ridículo. Vejam:

1- prender – e manter presos – os vândalos: hmhm, descobriu a América; prende onde? e os processos, quem dá andamento? qual juiz criminal vai mandar encarcerar um “torcedor” condenado por agressão, sabendo que precisa de vaga no presídio para prender assassino? “Pena alternativa nele”, essa será SEMPRE a sentença.

2- melhorar efetivamente os estádios: qualquer criancinha de colo sabe que os principais casos de violência estão ocorrendo BEM LONGE dos estádios. E, pasmem, muitas vezes por indivíduos que nem vão entrar no jogo, pois não têm ingresso.

3- criar uma polícia exclusiva para o futebol: bem, essa aí não dá nem pra entender onde eles querem chegar. Deve ser para criar mais postos de general, coronel, tenente…

4- fazer jogos com torcida única – em caso de times “de fora”, até vai. No caso de confrontos locais, vide comentário ao item “2”. Ou, então, baixar um decreto: “Nos dias de jogos do SCCP, os torcedores da SEP e SPFC deverão ficar presos em casa.”

5- Identificar os torcedores – ao que me consta, todos os “torcedores”  já são identificados pelo IIRGD, órgão da Polícia Civil que expede RG. Ou será que o fato de expedir mais uma “carteirinha” vai fazer os “torcedores” se sentirem importantes?

6- Proibir a venda de bebidas alcoólicas – no estádio já é proibido. Vamos fazer uma “lei seca” na cidade toda em dias de jogos? Sim, porque o cara pode encher a cara de cana em Itaquera e chegar, ainda bêbado, ao Morumbi. E a maconha? E o crack? E a cocaína?

Abaixo vai a resposta ao Fábio (ou aos Gaviões da Rua São Jorge):

“Fábio,

Lendo o que você escreveu, chega até a dar vontade de enxergar as T.O. como um movimento social organizado, que luta contra a exclusão de seus membros, liderado por idealistas, coisa e tal. Porém, acaba o texto e voltamos à realidade:

Quem são os líderes do movimento, seus objetivos e ideais? Sim, porque todo movimento social organizado tem uma liderança, e as pessoas se aglutinam em torno dos ideais comuns ao grupo. Veja, por exemplo, o MST. Ele tem liderança, propósitos claros, quando invadem uma fazenda dizem a que vieram, gritam palavras de ordem, planejam a ocupação. Tudo planejado antes, discutido e deliberado numa assembléia. A que vieram as T.O.s? Pra “matar a bicharada?” “Dar porrada nos Porcos?” “matar a galinhada?”. Sim, porque é SÓ isso que nós, mortais que não participamos do “movimento” ouvimos: ódio, intolerância e violência gratuita. O que têm a dizer a sociedade? O que reivindicam? Se querem o seu time campeão e bem administrado, isso implica em “matar” os adversários?

Sem essa de querer politizar algo que NADA tem de político. Política é argumento, não socos, pauladas e tiros gratuitos. Política é defender uma causa, e as TOs não têm uma causa. Não passam de uma aglomeração de pessoas que nutrem ódio contra pessoas das quais nem sabem o nome, onde moram, do que vivem. Só sabem que vestem uma farda diferente da sua. Até uma estúpida guerra tem suas leis e seu código de ética: nunca um exército mataria um oponente rendido e indefeso. Agora, entre as TOs, mata-se e ainda se mostra a carteirinha e as roupas manchadas de sangue do “inimigo” na TV! Lembra de Guantánamo? Você ficou chocado com aquelas barbaridades? Então, a primeira coisa que me veio à cabeça quando vi as imagens foi: “nossa, parece TO!”.

Dê um microfone e uma câmera a um “líder” de TO. Qualquer um. Deixe-o falando 5 minutos sobre os objetivos do seu “movimento”. Depois, dê a mesma câmera e o mesmo microfone a 10 integrantes, e verá que os “objetivos” são totalmente aleatórios. Um líder controla e convence os seus comandados. Nas TOs, das duas, uma: ou os líderes dizem uma coisa e pregam outra aos comandados, ou não têm liderança nenhuma sobre eles.

Ouso dizer que NUNCA vocês “marcharão contra o Senado para exigir seus direitos”. Sim, porque isso é um ato de cidadania, exige articulação, liderança e vontade política. As TOs não conseguem nem MARCHAR da sede para o estádio sem deixar um rastro de medo e destruição!! Vão pela rua ameaçando as pessoas, vandalizando bens públicos, agredindo inocentes. É assim que vão “exigir seus direitos”?

Quem anda escoltado é bandido ou milionário com medo de ser roubado. As TOs são compostas de “pobres”, segundo o texto. Eu jamais gostaria de andar escoltado, quanto mais “pedir escolta” para me divertir num jogo de futebol! Será que não percebem o quão absurdo é isso?

Usar a pobreza e a exclusão social para justificar vandalismo e violência (como você tentou fazer no texto) é, antes de tudo, covarde e injusto com os milhões de pobres e excluídos que estão fora dessa baderna e são, felizmente, a grande maioria.

Querem ser rebeldes, “ir contra o sistema”? Sejam, é saudável e democrático. Mas, antes, organizem-se DE VERDADE. E arrumem uma causa mais nobre do que “matar a bicharada, a galinhada, a porcada”. Essas “causas” aí não comovem ninguém a não ser vocês mesmos.”

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One Response to Tá, não falo mais nisso (só hoje…)

  1. humbertoacapellari disse:

    Caraca, meu! É isso, EXATAMENTE, o que deveria ser dito a estes caras. A patética finalidade da existência destes “exércitos” bajulados – sim, eles são bajulados demais por aqueles ( a mídia, para começo de conversa ) que não deveriam tolerá-los.
    Vinícius, você mencionou a matéria da Vejinha, eu dei uma passada de olhos naquilo e deu para notar que a revista se utilizou do tema “violência coletiva” e contrabandeou para ali a repressão policial na USP como se fossem casos similares. Que vergonha.

    Vinicius: é, mas a galera não tá muito a fim de ouvir isso. Tem muita gente “se arrumando” com essa violência das TOs.

    Quanto á matéria da Vejinha, eu não vi nada, não. Se fizeram essa “associação livre”, não é de se espantar. É a cara da Veja, né?

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