Chega de “Soberano”, ok?

Nada como uma crise para a gente repensar o rumo da nossa vida. No futebol é a mesma coisa. O futebol explica quase tudo.

Depois da eliminação na Libertadores, das três derrotas seguidas para o rival SCCP, da demissão do Muricy, dos questionamentos quanto à obsolescência do Morumbi para a copa 2014, das conspirações de “cardeais” tricolores contra JJ – bem ao estilo “corneta palestrina” -, fica a questão: o que aconteceu com o SPFC? Agora, a resposta: NADA.

Existe uma diferença muito grande entre ser o melhor e ser o menos pior. O futebol brasileiro é um covil de bandidos desde que o país descobriu que era este o esporte nacional. O tricolor é brasileiro, e não podia ser diferente por lá: se você vive no meio de marginais e se beneficia dos crimes perpetrados por eles, não pode ser chamado de bonzinho. E nem a tua mãe deveria acreditar que você é o único honesto da turma.

Mas tem mãe que é cega… A torcida do SPFC, embevecida pelas conquistas dos últimos 20 anos, acreditou na diretoria do clube e seus discursos empolados, igual mãe de bandido quando ganha presente caro do filho, e este diz que “trabalhou e comprou”.

Por conta da credulidade da “mãe-torcida” e da “tia-imprensa”, as mentiras do “filho-clube” foram aumentando: “somos diferenciados”, “aqui é tudo lindo”, “estrutura européia”, “Real Madrid brasileiro”, bla, bla, bla. A versão não podia “bater” com os fatos, porque faltavam algumas perguntas, convenientemente omitidas pela “mãe” e a “tia”:

– Como o SPFC faz para contratar jogadores sem entrar em conluio com empresários sacanas, se TODO jogador que se preza aqui tem um empresário sacana?

– Como o SPFC faz para disputar (e ganhar!) os torneios da CBF, FPF e Conmebol sem se submeter às notórias pilantragens de Teixeiras, Farahs, DelNeros e Grondonas?

– Como o SPFC consegue se desvencilhar das armadilhas e chantagens dos detentores de direitos de TV dos campeonatos? Por que aceita quantias pífias por esses direitos, mesmo sabendo do lucro astronômico que o futebol dá às TVs?

– Se o SPFC é tão “diferente”, porque participa de picaretagens do tipo “timemania”, inventada para cobrir rombos tributários gerados por inadimplência fiscal/previdenciária? Se é tão “competente”, porque não recolheu os impostos em dia? Porque assumiu compromissos vultosos com atletas sem ter dinheiro nem para recolher o INSS deles?

Ah, deixa que eu respondo: porque esse é o jogo! É assim que funciona por aqui. Ué, então… Qual é a porra da diferença?

Existe, sim, uma diferença entre o SPFC e os demais clubes: ele adaptou-se mais rapidamente ao mundo sujo do futebol, e criou uma versão diferente para justificar os crimes do qual foi partícipe esse tempo todo. Ele é a vanguarda do álibi forjado. Só que todo álibi forjado cai um dia.

Novamente comparando o futebol a uma quadrilha de ladrões, o SPFC seria, no Brasil, o último a ser pego. O que não significa, por óbvio, que fosse inocente.

Ser “soberano”, no ambiente nojento dos bastidores do futebol, não deveria ser motivo de orgulho. Equivale a ser o chefe da quadrilha. Essa ridícula alcunha, auto-impingida pela diretoria tricolor e própria dos arrogantes, deve ser esquecida. Afinal, no meio da bandidagem, o interessante é não ser notado.

Faça como os outros, diretoria do SPFC: continue com as falcatruas – porque assim é o jogo -, mas vire os holofotes para dentro do campo. Ganhe os campeonatos e não faça mais propaganda da sua “competência”. Porque, quando aponta para si mesma as luzes, todos vêem que JJ, Dualib, Mustafá, Marcelo Teixeira, Márcio Braga e Eurico Miranda são “irmãos” no crime. Afinal, estão dividindo o produto do roubo desde 1950, sentados à volta da mesma mesa.

Atualização muito importante: Fiquei com a pulga atrás da orelha com a contratação do “vencedor” Ricardo Gomes para ser o técnico do SPFC. Se eu fosse menos ingênuo, bastaria ter visto que a “Sra. Ricardo Gomes” é, por coincidência, filha de Ricardo Teixeira, neta de João Havelange e diretora do comitê desorganizador da copa-2014. H O A X – lançado pelo “competente” “jornalista” Milton Neves.

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2 Responses to Chega de “Soberano”, ok?

  1. André Nogueira disse:

    “Soberano” é realmente um termo exagerado para qualquer tipo de esporte. Tudo bem, a palavra é usada no sentido figurado, visto que o significado real é o de autoridade e poder supremos.

    Aliás, o DVD “Soberano” tem na capa, se não me engano, o Hernanes…bem…ficarei quieto…

    O problema é que o Soberano (cujo prefixo é o mesmo de soberba) só o deixa de ser qdo derrubado pela revolta/vitória de seus oponentes que se “armam/articulam para tomar seu lugar.

    No futebol não existe soberania. Aliás, na história do esporte apenas o Santos ficou próximo disso. Mas era soberano na Arte de jogar fubebol. Resultados eram conseqüencia natural do “soberbo” (Belo, grandioso, magnificente, majestoso, suntuoso) futebol praticado.

    Tri-hexa, como o SOBERANO, é outra coisa bizarra originada no criativo marketing do SPFC. Ninguém no país venceu 6 vezes o brasileiro, apenas o SPFC. Só o São Paulo venceu 3 vezes “consecutivas” (o verdadeiro tri-campeão).

    Puta que o pariu! Resultados literalmente “fora-de-série”. Corinthianos e Palemirenses se mordem de inveja.

    Só que o marketing tem que colocar Tri-hexa, o que significa que 3 vezes o SPFC conquistou 6 vezes seguidas o Brasileiro.

    Pronto, falei!

    Claro que tudo isso não significa que meu Corinthians seja exemplar. Pelo contrário. Pensando bem e relendo seu 3º parágrafo… na verdade é exemplar sim…

    Esse negócio de “colocar nome” (soberano, tri-hexa, blablabla) até passaria, o problema é que os inventores acreditam nisso. E os inventores não são os torcedores – o que eu acharia mais lógico e até justificável que acreditassem.
    E mais: As coisas do SPFC nunca vêm de baixo pra cima, talvez por isso que a torcida seja tão fria. Ficam esperando “ações de MKT” para se manifestarem.

  2. André Nogueira disse:

    Cara,

    Se esse post tivesse sido publicado alguns meses atrás vc disputria o Prêmio Pulitzer.

    Sei como é péssimo torcer por um time com essas “qualidades”. Acostume-se ao desprazer.

    Vinicius: ah, claro… E seria, no dia da entrega, espancado pela TTI (torcida tricolor independente – sempre em minúsculas…).

    Só não está “acostumado com esse desprazer” quem é fanático, cego, bobo… Eu sou apenas um cara que acha futebol um troço legal, e não se encanta com as asneiras convenientes dos cartolas de futebol.

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