O “leite com pêra” e o futuro do mundo

Esse post foi inspirado numa resposta que eu dei ao Carlos num comentário do post anterior, e que o Lelo Brito desenvolveu bem. A idéia é a seguinte: nunca, na história da humanidade, as crianças e adolescentes da classe média foram tão protegidas dos “perigos do mundo”. Proteção demais vira prisão. E é isso mesmo: nossas crianças ficam presas no “Fort Knox” (boa, LB) até a fase adulta (alguns continuam presos na casa do papai até durante a fase adulta), e quando ganham as ruas, agem como presidiários que cumpriram 30 anos de cana e são libertos: olham pra cá, pra lá, sem saber o que fazer. São fortinhos, têm todos os dentes na boca, alvos e milimetricamente alinhados, sabem a tabela de eletronegatividade de cor, participam de todas as “mídias sociais” possíveis, sabem tudo sobre “Lost” e “CSI”, mas não são capazes de tomar um ônibus, de preencherem um formulário numa repartição, escapar de um golpe de um estelionatário na Praça da Sé, lavar a própria roupa, enfim, essas coisas miúdas que ainda fazem parte do cotidiano dos adultos.

Se você, como eu, tem um filho adolescente/adulto dependente, pense na vida dele sem você e os demais arrimos, calcule o tempo necessário pro rebento morrer de fome.

Não, ele não vai morrer! Ele vai se virar, acredite. Sim, ele pode!

Ele pode (e vai) se virar, mesmo que nós todos estejamos ao lado dele (não à frente dele!), vivinhos da silva. Só que nós precisamos parar com essa superproteção. Isso não ajuda, só fode a vida do cara lá na frente, porque ele vai ter de aprender coisas no tempo errado. Seria como estar no colegial sem ter cursado o ensino fundamental, com a diferença que não é possível (ainda) contratar professor particular de “andar na rua sem se perder”. E pior que se perder é andar na rua pondo fogo em mendigo.

Temos de soltar esses moleques no mundo, fazê-los criar calos na mão (com trabalho e autonomia, não com atividades onanísticas ou videogame) antes que seja tarde. Eles são muito mais espertos do que pensamos, mas tudo que não é usado, atrofia. Ou hipertrofia outro órgão. O cara é capaz de, com um laptop, invadir o site da NASA, mas não sabe atravessar a rua sozinho.

Estamos ficando velhos, e alguém vai ter de cuidar da gente, trocar nossas fraldas geriátricas, dar comida na nossa boca, escolher nossos governantes…

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Esse foi mais um “momento Içami Sayão” – Ou “Roseli Tiba”? -, com o patrocínio de Leite com Pera Izzy, formando gerações de bundas-moles desde 1990.

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7 Responses to O “leite com pêra” e o futuro do mundo

  1. Onde os campos de varzea?
    Onde as corridas com carrinhos de “rolemã”?
    Onde as pipas e as linhas com cortante? (nem tinha motoqueiro na época)
    Onde os bailinhos de fim de semana no fundo de um quintal com a lona estendida. Ao som de Mamy Blue, “Rockrollulabai”, Creedence?
    Onde as brigas de turmas por causa dos brotos?
    A molecada começava a trabalhar com 13/14 anos, estudava no SENAC (eu na Galvão Bueno), começava como boy.
    Hoje para proteção do emprego do adulto não podem começar antes de terminar faculdade.
    Suco de pera, com água ou leite, é uma merda!

    É verdade, Conde. Tá muito chato tudo isso, e eles não fazem idéia. Isso que você disse me lembra um rap do Thayde.

  2. Em tempo, até a Marilia Pêra virou uma merda. Com ou sem acento.

    A Marília Pêra, que deu de mamar ao Pixote… rsrs.

  3. Lelo Brito disse:

    Caras, hoje a molecada empina pipa no ventilador, joga bolinha de gude no tapete da sala e pião na cerâmica da cozinha. Isso quando eles têm pais que os ensinam isso.
    Enfim, na melhor das hipóteses, eles brincam de tudo isso, desde que seja emulado para Playstation 3.
    Na boa? O mundo evoluiu, as habilidades requeridas são outras e a gente ficou velho, como na música do saudoso Zé Rodrix.
    O que sobrou pra gente foi a missão de tonificar esses nádegas flácidas com o nosso “bom humor” costumeiro.
    Falando nisso, deixa eu tirar a minha filha da centrifugadora…

    CENTRIFUGADORA??? Pô, leva ela no “chapéu mexicano” do parque de diversões, pai desnaturado!

  4. Alê disse:


    Pois é. Desfiz um casamento de 05 anos por algumas razões.
    Uma delas foi justamente porque minha ex criava a filha dentro de uma bolha.
    A menina nunca (repito: Nunca) andou de ônibus urbano ou metrô(!). Nunca viajou de ônibus(!!).Nunca comprou pão ou leite (!!!).
    E ela está hoje com 16 anos.
    A disparidade educacional causada pela criação que ela dava à filha e à criação que eu dava aos meus filhos (criados à antiga) foi uma fonte eterna de conflitos. Qdo todos entraram na adolescência, joguei a toalha e piquei a mula.

    Ia comentar outra coisa e me perdi no comentário acima.
    Hj no jornal do meio dia (Globo) havia uma matéria com uma especialista informando aos pais que salgadinhos de isopor não são saudáveis (ah!vá!) e ensinando como fazer para tirar o salgadinho das crianças sem traumatizá-las.

    É por essa geração que devemos preservar o planeta?

    Alê

    Pois é, ainda tem essa de “traumatizar”. É o fim da picada, Alê. Tudo “traumatiza” essa molecada, nunca vi. Puta bando de cuzão.

  5. Eu sinceramente adorei este post sobre essa geração leite com pêra, sub-15 e afins.

    Acho que tá na hora dessa geração acomodada se levantar, sair das asinhas do pai e da mãe e possivelmente dos avós e ir pra vida.

    E lógico parar de falar tanta m… sobre certos assuntos, que pensam que dominam…

    Parabéns pelo blog. Abraços.

    Sobre esse negócio de moleque falar merda, o que me deixa puto é que eles não sabem porra nenhuma e se negam a escutar quem sabe. Pensam que o mundo começou no dia em que nasceram. Isso também é culpa nossa, porque não valorizamos a história perante eles.
    Brigadão, Cesar. A casa é sua, venha quando quiser.

  6. mari disse:

    “quando ganham as ruas, agem como presidiários que cumpriram 30 anos de cana e são libertos: olham pra cá, pra lá, sem saber o que fazer.”

    “não é possível (ainda) contratar professor particular de “andar na rua sem se perder”. E pior que se perder é andar na rua pondo fogo em mendigo.”

    “O cara é capaz de, com um laptop, invadir o site da NASA, mas não sabe atravessar a rua sozinho.”

    vc gostou mesmo de cismar com esse lance da rua, hein!

    esse post me lembra muito um colega de trabalho, que tem uns 40 e nível técnico: ele vive resmungando que na empresa entram adolescentes com faculdade que não sabem nem 1/9999999 do que ele sabe!

    E, assim, é meio que utopia a geração anterior ficar criticando a atual. Aconteceu sempre e sempre acontecerá.

    Cismei, né? 😀 Esse post é tão antigo que eu nem sei explicar o motivo (deve ter sido alguma discussão na hora, talvez). Mas, se você tivesse lido sem “recortar” tanto, poderia perceber que é muito mais uma crítica AOS PAIS do que aos filhos. Estes são só a consequência.

  7. Layla disse:

    rs, é triste né? eu fui criada a antiga tb… brincava na rua até os 12 anos… estudava, chegava em casa, almoçava e ia pra rua… depois fui ficando adolescente, comecei a trabalhar com 14… ia nesses bailes que o colega citou lá em cima… a molecada de hoje em dia tá tão retardada, vejo pela minha enteada. Pqp! Tem 16 anos. Gosto dela, mas tenho dó, viu? Eu agia como ela qdo tinha meus 10 aninhos…

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