Kafka vive, e trabalha no UNIBANCO

Pilantras bloqueiam seu dinheiro e dizem "sinto muito, Sr.!)

Pilantras bloqueiam seu dinheiro e pagam mocinhas de voz doce para dizerem: "Sinto muito, Sr.!"

Cliente recebe um depósito em cheque em 04/09/2009, da praça, de valor superior a R$ 300,00. Compensável em 1 dia útil, desbloqueado para saque em 2 dias úteis. O prazo venceu à meia-noite do dia 08/09/2009, considerando o feriado. Certo? Para TODO O SISTEMA BANCÁRIO nacional, sim. Para o UNIBANCO, agência 0099 – Bela Vista, NÃO. Quer dizer, sim e não: a regra vale para TODOS os clientes da agência, menos PARA ESTE cliente, especificamente HOJE. Acompanhe: Legenda: (T) – Tatiana-Atendimento 30hs, (M) – Mara-gerente da conta do infeliz, (I) – infeliz

(I) – Oba, vou entrar na internet e pagar este bolo de contas atrasadas!

(I) – WTF!!! PQP!!! Quiporrééssa? Tá bloqueado, ainda??

Infeliz olha a data do computador. Entra num portal qualquer para conferir. Sim, é dia 9. Pega o telefone e começa a saga:

(T) – Atendimento 30hs, Tatiana, bom dia, Sr. Infeliz, em que posso ajudá-lo?

(I) – Tatiana, estou com um valor bloqueado na minha conta, mas já deveria ter sido desbloqueado ontem à noite. O que houve?

Seguem perguntas sobre a praça do cheque, valor, e aquela coisa toda. Volta o diálogo:

(T) – Sr. Infeliz, realmente, consultando aqui no meu sistema, este cheque deveria estar disponível. Infelizmente, por aqui não podemos fazer nada. Sugiro que o Sr. ligue para a sua gerente da conta. Quer o telefone?

(I) – Não, eu tenho. Vou ligar, muito obrigado.

Cinco minutos depois…(leia com a voz do narrador do Pica Pau)

(M) – Sr. Infeliz, em que posso ajudá-lo?

O Sr. Infeliz repete tudo o que disse a Tatiana. Mara, a solícita, responde:

(M) – Sr. Infeliz, , realmente, consultando aqui no meu sistema, este cheque deveria estar disponível. Deve ter havido um erro da central. Infelizmente, por aqui não podemos fazer nada. Mas ele estará disponível AMANHÃ.

(I) (irritado) – Mas, e agora? Eu tenho um monte de compromisso pra pagar HOJE, não amanhã!

(M) (blasé) – É, Sr. Infeliz, eu COMPREENDO…

(I) (irritadíssimo) – Não, não quero que compreenda nada. Quero que RESOLVA!! Compreensão eu tenho dos meus amigos e de alguns credores. Você não é a gerente?

(M) – Sim, mas não tenho como resolver isso.

(I) (soltando fogo) – E quem tem?

(M) – Ninguém.

(I) – Me responda uma coisa, Mara: qual é a diferença entre um gerente e um computador qualquer? Eu respondo. É que o gerente DECIDE, pensa e se coloca no lugar do cliente. Para me responder isso, que um gerente é incapaz de corrigir um erro DO BANCO, pra que serve o gerente? Veja, eu não estou pedindo para você corrigir um erro MEU, pagar um cheque sem fundos, sei lá. O erro é SEU, e você quer me transferir o ônus do SEU erro, me impedindo de usar o MEU DINHEIRO?

(M) – Sr. Infeliz, a gente por aqui não tem alçada…

(I) – Então, quando o banco erra, ele NUNCA corrige o erro?

(M) – Neste caso, Sr. Infeliz, não há o que fazer.

Não vou mais esticar isso, porque a coisa foi MUITO mais barulhenta, e teve outros participantes. Mas, repare com atenção: o UNIBANCO ligou o foda-se no grau máximo: errei, assumo que errei, e a conta do meu erro VOCÊ paga, ficando com o dinheiro indisponível.

As datas estão aí, a agência é verídica, os nomes dos atendentes e fatos são reais e estão até atenuados, porque foi muito pior. Peço a todos que divulguem mais este acinte cometido pelos sacanas bancos brasileiros contra clientes como esse infeliz, que não tem milhões aplicados neles, e, aí, é tratado a pão e água. Mas é “UNICLASS”, cara!  OBA!

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7 Responses to Kafka vive, e trabalha no UNIBANCO

  1. Luciana Paula disse:

    Bem meu anjo, tive um problema parecido, mas com a Nossa Caixa.
    Da minha experiência só posso te dar dois conselhos:
    1. Relatar o caso ao ombudsman do banco. Solicitar indenização referente os juros por contas pagas em atraso.
    2. Ralatar o caso ao Procon o solicitar indenização referente aos juros pagos por contas atrasadas. O dinheiro em si é pouco, mas ele estarão mais atentos a ti na próxima reclamação.

    Agradeço imensamente os conselhos, meu anjo, mas isso não faz nem “cosquinha” neles. O Jurídico dos bancos tem um “depto. de abafar casos” bastante eficiente. O que funciona é MUITO BARULHO contra esse tipo de abuso perpetrado não só pelo UNIBANCO, mas por todos os conglomerados financeiros e outras “arapucas de grande porte”, do tipo Telefônica, NET, etc.
    Bancos só se preocupam com $ e a imagem deles. No caso, o $ é pouco. Tento bater na imagem. Nisso eles gastam milhões. Ficarei grato se repercutir o post.

  2. Alê disse:


    Fui lendo e foi me subindo um nelvoooso, uma réééivaaaa…

    Sério. Toda vez que leio um relato desse tipo (que tem se proliferado pela net, felizmente) chega a me dar até azia. Mesmo.

    Eu desisti do sistema. Não discuto mais com telefônica, deixo de pagar a cta, perco a linha e solicito outra (ao solicitar uma linha nova o atendimento é vip plus).

    Vivo, NET, e cia a mesma coisa. Se eles querem que eu me foda eu quero o mesmo pra eles.

    Bancos idem.
    A última c/c que encerrei foi do Real, recentemente.
    A gerente tb não podia resolver um erro DELES, eu mandei tomar no cu em alto e bom som, que ecoou pela agência e encerrei a cta. Fodam-se.

    A minha sugestão a vc, Vinícius e aos outros leitores, é começar a gravar essas ligações, jogar no youtube, e fazer o viral.
    É pouco? É. Mas dá uma sensação de alívio e evita criar-se uma úlcera por causa desses bostas. Eles não merecem.

    Alê

    Taí, Alê. Poderia ter gravado tudo. Mas eu sou burro e achei que os caras iam resolver, pois é um negócio simples. Nunca pensei que fosse chegar a isso. Eu fui gerente de banco 12 anos, sei como funciona(va) lá dentro. Agora é um bando de imbecis robotizados que não dão um peido “fora do que mostra o sistema”. Não percebem que estão cavando a própria cova, porque substituir esses robôs de carne por robôs de metal é facinho, facinho. Robô de metal não tem direito trabalhista, FGTS, hora extra, licença maternidade…

  3. Alê disse:


    Eu adquiri um “sentido de aranha” que formiga meu corpo toda vez que tenho que telefonar a um call center. Não importa a empresa ou o assunto.

    Se for alguma reclamação ou solicitação, é certeza que vou me aborrecer e 40 minutos depois estarei xingando a enésima atendente e tb todo mundo à minha volta.

    Se eu fosse americano, vestiria meu camuflado, pegaria fuzis, granadas e escopetas e iria prá lá (lá onde?) e cometeria uma chacina. Descabelado, olhos injetados, ensaguentado e berrando: MORRAM CANALHAS!

    Sabe Um Dia de Fúria? Pois é. Aqui em casa qdo vou efetuar uma ligação dessas, já aviso a todo mundo. A molecada vaza e a mulher vai tricotar na vizinha…

    Gravar a ligação, vc sabe, é muito mais poderoso que escrever sobre ela. E o viral se espalha com uma velocidade surpreendente.
    Acho que há algum entrave jurídico em divulgar essas gravações sem autorização da contraparte (acho. não sei) mas se colocar um piii nos trechos em que há identificação da empresa/atendente, creio que a coisa passe sem maiores problemas.

    Alê

    Realmente, há implicações jurídicas em gravar as ligações, identificando o interlocutor. Mas a dica é boa e o gravador tá na agulha.

  4. Ah, então você é um dos que bancam os reclames do unibanco no JN? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    É, ajudo a pagar o salário daquele bonequinho idiota. Se bem que a propaganda tem uma verdade embutida: “nem parece banco”.

  5. Empregado disse:

    Trabalho em banco, e confirmo o que o Sr. Infeliz disse. Eles ligaram o foda-se mesmo. Também desisti a um tempo desse sistema todo, como disse a Alê (embora seja forçado a trabalhar nele, ainda não tenho nenhuma carta de alforria).

    Lá no banco atendo muitas pessoas diariamente. E os problemas são muitos, rotineiros (pensem no porquê dos comerciais de televisão insistirem tanto em associar a imagem dos bancos a algum tipo de paraíso terreno…). E muitos desses problemas são realmente impossíveis de se resolver, não importa se você é apenas um pau-mandado ou o gerente geral da agência. Os meios de solução não existem. O “Sistema” (esse monstro, que nunca consegui visualizar completamente) é falho, e ao mesmo tempo impede que suas falhas sejam consertadas, quando esse conserto vem em detrimento aos seus interesses. Isso é fato. É um tanto idiota discutir isso.

    Mas existe outro problema. Ao meu ver, muito menor do que essa falta de escrúpulos do “Sistema”. Mas que ainda assim é um problema, e que, se resolvido, aceleraria a solução do problema maior. É que a maioria dos lesados, não sabe ou, se sabe, não costuma recorrer a meios mais efetivos de exigências de direito e/ou contratos.

    Muitas vezes atendi ou presenciei colegas atendendo clientes com problemas parecidos, e que, por mais que quiséssemos e procurássemos meios para solucioná-los, esses meios não existiam. A reação de 80% dos clientes, aproximadamente, é agredir o banco, ou os funcionários. Uma reação que descarrega o nervosismo, às vezes raiva, de uma forma e numa direção equivocadas. Equivocada porque isso não resolverá o problema. A agressão ao banco, particularmente, pouco me importa. A agressão às pessoas que estão ali trabalhando é desnecessária. É claro que alguns péssimos funcionários, vez e outra, até merecem algum desrespeito. Mas não é isso o que acontece. A maioria dos clientes reagem cegamente, pensando que gritos ou palavrões resolvem o problema. Ou, nem isso, pensando mais em desabafar o a impaciência que lhe produziu uma má prestação de serviço do que em resolver ou diminuir as consequencias do problema.

    Resumindo, todos nós temos ferramentas para lidar com esse tipo de situação. Infelizmente, volta e meia seremos prejudicados pela má escolha de algum tipo de serviço ou produto. E nestas horas, basta lembrar que existem SAC’s, órgãos de proteção à defesa do consumidor, até ações judiciais, para casos mais graves. Que esse tipo de coisa é cansativa e muitas vezes não compensa monetariamente, não é segredo nenhum. Mas, gritar, agredir, simplesmente descarregar uma indignação improvisada a cada vez que nos sentirmos tolhidos de nossos direitos, não é nada objetivo. Não nos leva a melhora nenhuma. Apenas garante que da próxima vez a recorrência do desrespeito seja ainda muito provável.

    Boas sortes

    Empregado, eu fui, entre outras tarefas, gerente de banco. Fico muito triste com o seu desabafo, mas posso te dizer que nem sempre foi assim. O que vem acontecendo, na minha modesta opinião, é que os bancários aceitaram passivamente a retirada progressiva das responsabilidades delas, pois assim correriam menos riscos de demissão. A “alçada” dos gerentes de banco foi diminuindo gradativamente, até sumir. Hoje não se olha mais no olho do cliente, se olha o “score” dele. E o “score” decide, o “sim” ou o “não” não são proferidos por um ser humano, mas por uma fórmula matemática. E isso é ridículo.
    Os banqueiros acham que esse sistema é o ideal, não confiam nas pessoas que empregam. Mas esse sistema é fadado ao fracasso, porque o crédito e o processo decisório não são atos de inteligência artificial, não se resumem apenas a “sim” ou “não”. É uma atividade tipicamente humana. Máquinas e “sistemas” nunca irão fazer isso direito.
    Sobre o caso concreto, digo: se os bancos puxaram o foda-se pra mim, eu também puxei pra eles. Serei, doravante, o cliente mais filhadaputa que um gerente pode ter na sua carteira. Isso não é vingança, é “reciprocidade” (eles adoram essa palavra, né?). Abraço.

  6. Alê disse:


    Tb fui bancário, numa outra encarnação. Banco Auxiliar. 1980.

    E, lembro muito bem, que a figura do GERENTE GERAL DA AGÊNCIA fazia jus às maiúsculas e ao negrito. Era uma pessoa respeitada pelos funcionários e pelos clientes, exatamente pq ele podia. Podia. Bastava querer.

    Empregado, mesmo humanizando, pela sua voz, o sistema, eu apenas lamento por vc, mas não sinto a menor compaixão.

    A impressão que me passa é que as pessoas estão sendo contratadas, conscientemente, para estarem na linha de frente dessas empresas apenas para servirem como saco de pancadas.
    Qualquer operador de callcenter, sabe que faz parte da descrição do trabalho ser xingado – durante sua jornada de 06 horas -, inúmeras vezes, devido à sua (dele, operador)impotência. Recebendo pra isso um salário mínimo.

    Portanto, se vc se sujeitou a isso, ao trabalho.

    Alê

    Verdade, Alê. E digo mais: em cidades do interior, quem mandava era sempre o padre, o prefeito e o gerente do banco. Gerente de banco, hoje, está fora do triunvirato municipal. Não apita porra nenhuma. São apenas telemarketeiros, apoiados em “scripts” e “scores”. Acabou a luz, apagou a tela, eles morrem, como siriris. Ah, e com a chegada da Universal, o padre foi substituído pelo pastor.

  7. Alê disse:


    Se servir de consolo (daqueles bem grossão e grandão) não é só aqui que os idiotas pamonhas retardados obtusos funcionários transtornam a vida da clientela.
    Olha: Gmail desativado por culpa do banco

    Alê

    As tags tinham entrado no comentário, Alê. Não tem opção de preview de comentários no WP (pelo menos, ainda não encontrei). Tuitei o link.

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