O mundo é um moinho

Veja como são inventivos os jornalistas, e como as pautas se renovam. Ou como nossa vida é besta e sempre igual: inspirado neste post aqui, da sempre brilhante Marina Miyazaki, busquei no gúgol a expressão “13º deve ser usado para…”. Os resultados:

Em 2001, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2002, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2003, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2004, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2005, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2006, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2007, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Em 2008, disseram que era para PAGAR DÍVIDAS;

Este ano, a surpresa: disseram que era para… PAGAR DÍVIDAS!!!

Por que cargas d’água os meios de comunicação não fazem assim: um “jornal anual”, editado em 1º de janeiro, contendo essas pautas repetitivas e inúteis, abrindo espaço nos veículos para assuntos diferentes?

Anúncios

14 Responses to O mundo é um moinho

  1. Claudio disse:

    Até pq, mesmo se não publicassem isso todo ano, é de uma obviedade tão grande que dá vergonha. Comparo essas manchetes com aquelas previsões do tempo: “tempo bom com probabilidade de chuva no decorrer do período”. Nunca falha!

    Fala sério: ou não há vida inteligente no jornalismo, ou os jornalistas inteligentes tomam os leitores como idiotas. Ou os dois, sei lá.

  2. Neste ano eu não vou pagar dívidas.
    Os credores que se “phodam” e deixem para cobrar o ano que vem.
    Aliás depois que virei “micoempresário” não tenho férias e nem 13°.(10 anos já)

    Como diria um Mano Brown adaptado, “10 anos contrariando a estatística”.

    • O sebrae errou.
      Vamos aos trancos e barrancos e haja barrancos para subir. “Sisifu” é pouco! O cão é que não tenho como sonegar. Clientes são entidades públicas e pedem um cuzilhão de certidões antes de pagar a nf.

      • Eu estou funcionário público somente por mais uns dias ou meses (pulo fora entre janeiro e junho de 2010). Nem que me dobrassem o atual salário eu permaneceria, porque lidar com a burrocracia pública me enerva. Tua atividade é com o setor público ou dá pra dividir um pouco entre público e privado, pra não morrer do fígado?

        É quase totalmente com setor público (justiça).

  3. André Nogueira disse:

    Aguarde. Ainda virão as reportagens com Mãe Dinah, Robério de Ogum, leitores de borra de café, cartomantes, médiuns e outros tantos mestres da advinhação.
    Antecipo algumas previsões: Banco do Brasil, Itaú e Bradesco terão lucratividade maior que em 2009, estourará a bolha do financiamento de veículos, descobrirão um bug no Windows 7, Rubens Barrichelo não será campeão da F1, o motoblogueiro será desmascarado e ridicularizado, SPFC perderá 6 jogos do Corinthians, Corinthians será campeão da Libertadores e Bi-Mundial(previsão do Pai André).
    Abraço!

    Tava indo bem, pai André, até chegar na previsão futebolística. Aí, faiô feio. Aliás, por falar em “motoblogueiro”, você viu que é mais barato e muito mais vantajoso comprar uma carteira da ACEESP do que ficar sócio-torcedor? Custa R$ 160/ano, e você entra na faixa em qualquer jogo. É só montar uma “firma” de “comunicação”, pega o CNPJ, pede registro no MTb/DRT (não precisa mais diploma, né?) e leva pro Capriotti, com uma fotinho 3×4. Pronto, já pode ir até na coletiva de imprensa levar “esfrega” do Mano Menezes! 😀

    • André Nogueira disse:

      Por falar em “esfrega”, o Mano mandou muito bem na resposta. “Vamos ver daqui um tempo onde cada um de nós estará”.
      Agora o alvo da psicose do cara é o M.A.Cunha. Imagine a vida dos inimiguinhos do filho de como será…

      É, é por aí, mesmo. O Mano mandou muito bem nas respostas.

  4. Alê disse:


    Antigamente as farmácias distribuiam almanaques. Eram publicações anuais, publicadas em dezembro, que informavam tudo o que aconteceria durante o ano vindouro.
    Tava tudo lá: chuvas de verão com enchentes, avanço da dengue, mortes por bala perdida e por acidentes de transito, congestionamentos nos horários de pico, etc. etc.

    Minha sugestão para evitarmos que ao menos essa notícia do 13º se repita é bastante simples e certeira: Não faça dívidas!
    Se for impossível não endividar-se, então fique o ano inteiro desempregado.

    Alê

    O problema nem é tanto que a coisa aconteça, mas sim que seja tantas vezes repetida uma mesma coisa. Mais ou menos do tipo “Vinicius vai ao banheiro hoje”. Ora, se eu vou ao banheiro todo dia, não é notícia. O jornalismo vai de mal a pior, em todas as frentes.

  5. Luiz Carlos disse:

    Pegando o gancho do jornalismo de mal a pior: recentemente pude ver no programa (10)Observatório da Imprensa, que homenageou os 40 anos do JN, quando o pseudo jornalista Willian Boner fez questão de manter o tom de celebridade pra cima do competente Alberto Dines. O Alberto, coitado, deve ter pensado: onde é que eu fui amarrar a minha égua!!!
    Abraços.

    Luiz, realmente, tá uma baba ser jornalista hoje em dia. Qualquer bonnerzinho vira top. Mas em terra de cego, quem tem um olho não passa de um caolho (acho que é do Millôr esta frase). Aliás, o Millôr tá enfiando um sabugo na Veja.

  6. Thiago Ferreira disse:

    Antes de apontar “falta de criatividade”, acredito muito mais em interesses outros. Nao interessa nem um pouco aos homens de governo aumento de consumo exagerado. E, nao começou em 2001 nao, mas bem antes, muito antes. Fui do meio financeiro e sei disso.

  7. Moziel T.Monk disse:

    E se preparem para as pautas de sempre, do tipo “esse natal será o da lembrancinha”, com matérias na 25 de março, o movimento no terminal Tietê durante o feriado, e por aí vai.

    Ah, essas aí também são infalíveis.

  8. Luiz Carlos disse:

    Acredito que esse jornalismo do dia a dia, de baixíssimo custo para as empresas, atende a grande massa que consome escárnios, tragédias, mesmices, escãndalos, desvios de conduta e tudo mais que possa atrair aqueles que, talvez por falta de opção, tenham que ficar grudados na tela mais que 15 minutos por dia. Quem quer qualidade tem de garimpar… não é muito fácil.
    Outro dia, pela manhã, numa sala de recepção de uma clínica médica, eu esperava “pacientemente” a minha vez em companhia da Ana Maria Braga e do Louro. Sem comentários…

    O nível dos jornalistas e veículos de comunicação segue ladeira abaixo. E a Ana Maria braga no consultório, machuca…

  9. Angelo disse:

    Tava pensando exatamente isso quando vi uma reportagem do gênero ontem. Por aí tem muuitos outros exemplos, rs.

    Ah, nego… Tá cheio! O jornal parece aquele “Almanaque do Pensamento” anual: os caras só trocam os calendários, o texto é o mesmo.

  10. Alê disse:


    “Os jornalistas terão de perder a sua arrogância e agir com seres humanos.”

    ***

    “Eu não assino jornal há muitos anos.”

    * * *

    “Três pessoas fazem a cobertura de um bairro em Seattle, como ninguém fez antes. (…)Tem 50 empresas locais anunciando no site deles. Estão ganhando dinheiro.”

    * * *

    “O que temos hoje são cerca de 40 mil jornalistas nos EUA [na área de impressos]. Em 1992, eram 60 mil. A questão econômica ajudou nisso, mas o ponto central é o avanço da internet.”

    * * *

    “(…)a busca da qualidade no jornalismo on-line é crescente e com o passar do tempo deve chegar no mesmo padrão dos jornais que temos hoje.”

    * * *

    “O que se fala sobre o Twitter é o mesmo que se dizia dos jornais, que colocavam sempre manchetes curtas, que não contemplavam a matéria como um todo, mas que eram suficientes para chamar a atenção para uma notícia. (…)Não é o único, mas é um caminho que não tem volta”.

    * * *

    “Muitos jornais imaginavam que os tablets [como o Kindle] seriam a salvação. Que o usuário iria disponibilizar US$ 400 para comprar o aparelho e que depois ainda iria investir em uma assinatura para comprar o conteúdo. Não vai ser assim. Com relação aos livros, eles duram um pouco mais do que a notícia, que é imediata. A situação também deve mudar nos próximos cinco anos em relação ao que é hoje”.

    * * *

    “Se quer permanecer jornalista, viva on-line o quanto puder. Esse é o conselho mais valioso que posso dar. Faça um blog sobre aquilo por que você se interessa, dissemine isso no Twitter. Aprenda a trabalhar com multimídia, aprenda a usar Flash, programação. O número de pessoas que fazem isso hoje é pequeno. Se você conseguir isso, estará um passo à frente…”

    ***

    Trechos de Joshua Benton, do Nieman Journalism Lab, no Media On 09 – 28/10/2009 (via digestivocultural @anabrambilla).

    Para complementar dois vídeos bem rodados (acho que todo mundo já viu, mas enfim…), produzidos nos distante e longíquo ano de 2007.

    Troque Second Life (oi?) por Twitter e Google Wave, lembre-se da difusão massiva dos netbooks e celulares com acesso à net acrescente o plano do governo de popularizar a banda larga, que a coisa toda fica bem factível.

    Esse vídeo debaixo, coitado, com dois aninhos de vida e já envelheceu um bocado

    Esse outro, ainda tá de pé.

    Alê

  11. Vale um bombom para quem adivinhar no que vou usar meu 13°. 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: