Não quer resolver? Culpe o outro!


Esta foi a minha escola. Hoje eu não sei bem o que funciona lá.

Minha filha estuda numa escola pública estadual. Não é “escola de periferia”, é num lugar bem bacana. Ela recebeu umas apostilas invocadas, “tipo cursinho”, capa dura, coisa e tal. Só que várias delas ela ainda nem abriu, porque o professor ainda não apareceu para dar aula. Pano rápido.

Minha namorada mora a uns dois quilômetros da escola da minha filha, e quer (queria, sei lá) ser professora. Para tanto, inscreveu-se no concurso de professor do estado. Foi aprovada, bem colocada e chamada para escolha do local de trabalho. Estava cheia de esperança, eu até fui com ela lá na Praça da República. Só que, antes de chegar, eu dei um avisinho (que quase deu briga): “nem vai se animando, só vai ter vaga lá na casa do chapéu”. Dito e feito: a escola mais próxima da casa dela ficava em Perus. Teimosa, ainda quis visitar a escola escolhida. Uma hora de carro, e chegamos. Ela desistiu, e ficou me enchendo a paciência com pergunta besta: “como não tem vaga, se na escola da tua filha nunca tem professor, pô?”.

Temos, juntando os parágrafos, dois problemas que, teoricamente, se anulariam: um professor aprovado em concurso querendo dar aula na escola onde não tem professor dando aula. Mas, pelo desfecho, percebe-se que a “solução fácil” não ocorreu.

A presidenta da APEOESP tem este blog aqui no WP. No momento, como se depreende na leitura, ela está bastante preocupada com os ataques de Reinaldo Azevedo contra ela, o Sindicato e a categoria que ela representa. Tá na dela, tem mais é que se defender. Eu, que não tenho nada a ver com isso, só queria saber do meu problema-acima-teoricamente-de-fácil-solução. Mesquinho, eu? Nem tanto, porque o “meu” problema, em verdade, é o mesmíssimo problema de milhões de alunos da rede estadual sem aulas, e de centenas (milhares?) de professores aprovados nos diversos concursos e que desistiram dele por não poderem/quererem se submeter a deslocamentos de 20, 30 km. diários para lecionar. Deixei um comentário no blog (nº 53), logo depois da indefectível “Professora Paula Tejando, nº 47 (o post é sério, mas eu não poderia deixar passar esta, né?):

Prof. Isabel,

Eu só gostaria que minha filha tivesse todas as aulas programadas pela escola. Todo dia falta professor na escola dela.

A Professora respondeu assim, os destaques são meus:

Prezado senhor,
Sua reivindicação é legítima e natural. A razão de ser da escola são os alunos. Cabe ao Poder Público assegurar que as escolas funcionem bem e que todas as aulas sejam ministradas.
Mas, então, por que o Estado vem criando leis que excluem professores das salas de aula? Por que criou uma lei que substitui professores experientes por novos professores que, no entanto, só podem ministrar aulas neste ano, ficando obrigatoriamente 200 dias fora da rede estadual de ensino antes de novo contrato?
O governo Serra impôs uma lei que limita a apenas seis ao ano as faltas dos professores com consultas e tratamentos médicos. Aparentemente partiu do princípio de que todo professor é um malandro, que inventa doenças. Ocorre que nós, professores, somos mesmo uma categoria profissional adoecida – temos jornadas de trabalho estressantes, ministrando aulas para centenas de estudantes, muitas vezes em mais de uma escola, em condições precárias, sem acústica adequada, com lousas mal posicionadas e tantas outras dificuldades. Muitos de nós trabalhamos nas periferias, sujeitos a situações de cotidiana violência. Ganhamos pouco pelo que fazemos. Adoecemos mesmo, e precisamos faltar, com ou sem lei que proíba.
O Estado não tem política para isto. Portanto, não vai resolver o problema, não vai separar o joio do trigo. Quem perde? Todos nós.
Pais, alunos e professores não têm que ser adversários. Juntos, podemos fazer com que os conselhos de escola funcionem, discutam os problemas da escola, elaborem e implementem os projetos político-pedagógicos e, também cobrem do Poder Público que cumpra sua obrigação de assegurar escola pública de qualidade para todos.
Bebel

Tá, professora Isabel. Eu vou cobrar o Serra. Eu já cobro o Serra. Mas a senhora bem que poderia responder algumas perguntas minhas:

1 – Se o professor efetivo está afastado, por que, mesmo afastado, ele comparece à escola para “pegar” aulas que sabe que não irá ministrar, impedindo a escola de atribuí-las a um outro professor?

2 – Por que o professor tem de ser “dono” da vaga na escola que escolheu quando ingressou no magistério, e de lá só sai por vontade própria, morto ou aposentado? Se a prioridade da escola é o aluno, o melhor para o aluno não seria que o governo e a APEOESP resolvessem, juntos, uma forma de manter as equipes de professores sempre completas, antes de abordar questões particulares ou corporativas?

3 – Essas leis a que a senhora se refere, salvo engano, se referem aos ACT (temporários). Professora, mas e os efetivos, onde estão? Todos doentes? Só tem ACT dando aula na rede, presidenta! E por quê? Porque quando uma tonta feito a minha namorada presta concurso, não acha vaga, porque está tudo preenchido por “professores virtuais”, que só são vistos na escola no dia da atribuição de aulas (ou nem nesse dia)! Estou enganado, professora Isabel?

4 – O governo tem culpa, sim. As escolas estão caindo aos pedaços, os professores ganham mal pra cacete. Mas como o governo pode pagar salários melhores se “a metade” dos efetivos não vai trabalhar e os ACT têm de segurar a bucha? Ele tem de pagar duas vezes pelo mesmo serviço: paga o efetivo, ele fica em casa (tá, eu sei, ele tá doente). E paga o ACT pra substitui-lo. Aí o ACT fica doente, ele paga o ACT substituto do ACT, repeat chorus, fade out. Onde vai parar isso, caramba?

Enquanto isso, minha namorada está costurando roupa, minha filha acaba de chegar em casa (duas horas antes do previsto) porque teve “aula vaga”, o Serra fica escondendo gente no porta-malas, e a Bebel fica brigando com o Reinaldo Azevedo. E eu aqui, gritando à toa pela volta do meu Grupo Escolar Brasilio Machado de outrora, onde todos os professores eram efetivos e vinham trabalhar.

ATUALIZAÇÃO (e o post subiu por isso): Vocês tiveram a visão de um pai de aluno aqui. No post da Bebel, a do sindicato. Mas toda visão fica mais abrangente com um terceiro ângulo, né?

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25 Responses to Não quer resolver? Culpe o outro!

  1. Fernando Pedroso disse:

    O limite de seis faltas justificadas anuais não é invenção do Serra. Ele existe desde, sei lá, dos tempos do Franco Montoro.

    Acho que a Prof. Bebel se refere a um limite no número de dias em licença médica, algo do tipo, que o Serra implantou. As chamadas “faltas abonadas” já são coisa muuuito antiga.

  2. Cara E se eu te disser que conheço um montão de professores(as) efetivos que estão de licença médica ou por tempo de serviço e prestam serviços em escolas particulares? E se eu te disser que tem uma porção que tira licença sem vencimentos por 2 anos e vai dar aulas em escolar particulares e qdo volta tem a vaga garantida na escola onde estava? E se te disser que… deixa prá lá você sabe de tudo isso.

    Grato pela colaboração, e por não me deixar falando sozinho. Porque, logo, logo, a tropa de choque da APEOESP (cuja base sindical é só de ACT) vai chegar me baixando a porrada. Só que eu não sou a Cremilda, não.

  3. Tem uma coisa que a APEOESP faz bem prá kct é mover ação contra o governo, vamos reconhecer. Parente nossa aqui aposentou-se há 20 anos e vez em quando ainda recebe uma grana de ações do tempo do Montoro, Maluf, Quercia e o kct.

    Geralmente, quem entra com essas ações é o CPP – Centro do Professorado Paulista.

  4. Luiz Carlos disse:

    Com absoluta certeza as abordagens citadas pelo Conde estão previstas em brechas de legislações mal feitas que foram criadas para resolver um determinado problema e acabaram disseminadas em desvios de conduta. Por mais que políticos falem ao contrário, todo mundo sabe que educação pública no Brasil NÃO É prioridade. Na cabeça deles quem estuda em escola pública não vai chegar a lugar algum, logo, qualquer porcaria que for oferecida já estará de bom tamanho. Em MG, por exemplo, criaram, há décadas, uma tal modalidade de ensino que não tem repetência. Os professores fazem de conta que ensinam e os alunos fingem que aprendem. Agora estão querendo mudar e passar a borracha no estrago que foi feito, são milhares de analfabetos à deriva com diploma de 2º grau na mão. No mais, a Tia Bebel é pau mandado (não resolve nada)e se ficar enchendo o saco perde a boquinha que tem.

    Aqui também essa “escola” Eu apelidei aqui, num passado remoto, de “Escola-Vampeta”.

  5. lucas disse:

    E minha mãe ainda pega no pé pq eu me formei em história e nunca lecionei.

    Na “iniciativa privada” dá pra tirar uns trocos, Lucas. 🙂

  6. André Nogueira disse:

    Vinicius,

    Existe um problema de intenção.

    Uns defendem qualquer coisa que o sindicato faça ou fale, afinal são representantes da esquerda. É o raciocínio direcionado a acatar a versão sindical.

    Outros fazem a mesma coisa tendo como objeto o Estado, direita. Acatam a versão do governo com a orelha abaixada.

    Disputam o campeonato de quem tem a “melhor argumentação”, não a “melhor solução”. Teóricos inúteis.

    O pensamento exposto em seu texto é o que gera soluções. Os dois que citei só servem pra ocupar páginas estéreis na internet.

    Só uma obs: O Alves Cruz está sendo elogiado por uma colega de trabalho aqui. Professores presentes.

    Ah, é? Você acabou de dedurar a tua priminha. É lá que ela estuda. Tá cabulando aula, então? 😀

    • André Nogueira disse:

      Putz! Pois então vou comentar uma coisa contigo. Ela elogiou, pois a filha dela saiu de um colégio de elite, e imaginava que seria muito pior do que é. Claro, pra quem imaginava tiroteios e maloqueiros dominando o espaço, a EE é o paraíso. Faço a correção para salvar a priminha de uma bronca e fazer justiça. O material também não é suficiente para a sala toda.
      Fim do relatório.

      Agora não adianta mais, vou tirar isso a limpo. 😀 Mas ela tem razão. A Nicole tá gostando da escola.

  7. rafael disse:

    Fala Vinicius! Cara, curto muito teu blog, passagem diária obrigatória. Já fui professor – na verdade, estou afastado pra fazer meu mestrado – e o que mais acontecia na minha escola era dispensar aluno mais cedo, por falta de professor. Eu imaginava como deveria ser a vida de uma família que não pode contar com o compromisso da escola em manter o filho lá dentro até o horário acertado. Pouco confiável e pouco seguro, inclusive. Por outro lado, nos três anos que eu estive lá, como efetivo, faltava mesmo: razões médicas – sinusite atacada pelo pó do giz – ou saco cheio da estrutura, dos pais e dos alunos – chega uma hora que dá no saco. A melhoria do salário, eu acho, contribuiria para que a Educação atraísse gente qualificada e boa: no caso da sua namorada, por exemplo, se ela fosse ganhar muito bem, talvez valesse o esforço, não? Não ia melhorar a aula do professor picareta que já está lá, mas ia arregimentar gente em busca desta profissão. No curto prazo, e aí eu discordo da apeoesp, tem mesmo é que renovar o pessoal, manter o professor atualizado, informado e jovem na escola, tirar de circulação os velhos – no sentido da palavra mesmo, os envelhecidos, de pensamento curto, “burocratas” que dão a mesma aula há 15 anos – ACT’s. Ser contra a avaliação, só quem é louco. O que tem mesmo é discutir a avaliação, e não negá-la. E tem tantas outras coisas que, sinceramente, foi por isso que eu saí. E não pretendo voltar.

    Pois é, Rafael. A estrutura é engessada, e as entidades sindicais não querem discutir vários pontos, porque não interessa à corporação. Pra mim, fica claro que o problema salarial é decorrente, dentre outras coisas, dessa estrutura, que o governo não consegue transformar e o sindicato não quer que mude. O aluno? Que se foda o aluno. Valeu.

    • rafael disse:

      Matou a pau. Ninguém quer resolver a Educação. A apeoesp quer é fazer política, fazer o próximo secretário de educação talvez, fazer o lance da “ação entre amigos” com o Governo; este, quer índice: porcentagens, números absolutos etc., pra pôr na propaganda bonita da TV, com o moço de voz firme narrando. Mas algumas soluções, realmente, parecem-me muito simples, não? Não resolver tudo, mas o básico, só pra roda girar direitinho: horas de aula, contratação de professores, ligação com as universidades de ponta do Estado, sistema de reprovação, progressão salarial e funcional, dedicação exclusiva etc. Dei uma olhada aí embaixo, a galera já começa a polarizar em partidos, nem precisa ir até aí, eu acho. Valeu.

      Toda solução para um problema deve ser tratada passo a passo, né, Rafael? Se aparece um aí e sobe o salário dos professores pra R$ 5.000 do dia pra noite, a APEOESP escreve lá: “vitória dos professores”. Mas algo me diz que minha filha e a galera toda não vai ter grade completa no dia seguinte.

  8. FUI LAH DAR UMA OLHADA NO BLOG DA PRESIDENTA.
    A TIAZONA ATEH QUE EH UMA GATA VELHO.
    EU CAIA PRA DENTRO ALI, SUSSA…

    8)

    EH HOJE VINICIUS !!! DA-LHE TRICOLOR !!!

    ***(*) ******(*)

    Tremenda gata, mesmo. Eu curti. E a Paula Tejando também. 😉 Tá confiante, hein? Eu, nem tanto. Esse time tá meio mole.

  9. Caríssimo, eu sou professor. Sem falsa modéstia, dos bons. Na minha sala de aula, quem dá aula sou eu, não um aluno que preparou um “seminário”. Eu mando ler o capítulo da aula seguinte em casa antes da aula e parto do princípio que o aluno leu. Para ter certeza que leram mesmo, volta e meia faço prova-surpresa no início da aula, antes de tirar as dúvidas sobre a matéria (lógico que tem que saber preparar provas adequadas para fazer isso). Eu explico a matéria para quem tem cérebro para aprender, não para quem tem uma opinião sobre o que não conhece. E minhas provas não são do tipo que dê para colar passando borrachinha com as respostas.

    Sabes onde estou lecionando? Em nenhum lugar. Ninguém paga o que eu acho que a minha aula vale, então eu não leciono. Estou largando a porcaria do serviço público, onde me colocaram em desvio de função (sou um biólogo trabalhando em uma biblioteca) para me manter longe do centro de decisões da instituição e vou abrir uma empresa para produzir comida. Vou ganhar no mínimo o dobro do que ganho aqui, provavelmente o triplo, talvez o quádruplo, trabalhando quando quero, se quero, no dia que quero, na beira da praia.

    E quem vai educar meus filhos sou eu, mesmo que eu tenha que levá-los para fora do país para isso.

    Eu eduquei meus filhos (do jeito que eu pude). Ensinar, só o que eu sabia. Ainda dependo do estado para essa tarefa. Boa sorte.

  10. André disse:

    De um modo geral os sindicatos defendem apenas os interesses dos sindicalizados, principalmente da turma que está na direção. Esse papo de que visam a qualidade do ensino é só frase de efeito. E não acho que estejam errados, principalmente se for levar em consideração o histórico das secretarias de educação. Depois de 16 anos no poder um partido de quadros deveria ter pelo menos o diagnóstico dos problemas e uma proposta de solução. Sinceramente, eu tenho poucas esperanças de melhorias.

    Você não acha errado a APEOESP só se preocupar consigo mesmo e fazer “frase de efeito” usando os alunos como mote, e aprova essa atitude pelo fato do governo ser inoperante? PQP, minha filha e os milhões de alunos da rede estadual estão na roça, mesmo. Só te digo uma coisa, velho: se o PT levar aqui em SP, fizer tudo o que esse sindicato quer e minha filha continuar SEM AULAS, a gente volta a conversar. E te digo mais: se a APEOESP fosse responsável, ELA teria o diagnóstico, pois está com a “mão na massa” há muito mais tempo que o PSDB. Bebel pra secretária de Educação, JÁ.

    • André disse:

      Em qualquer área se o poder público fizer tudo que os sindicatos querem essa área vai para o saco. A APEOESP tem o diagnóstico: baixos salários, classes superlotadas, etc. Não concordo com alguns deles e concordo com outros. O caso é que a solução tem que partir de cima e tem que ser negociada. Ou, de repente, o que poderia dar mais agilidade e aumentar o poder de pressão dos pais seria municipalizar tudo.

      Falta muita coisa nesse diagnóstico da APEOESP. “De cima”, já está vindo. O problema da negociação, André, é que, se uma das partes está pensando em outra coisa (não na solução efetiva do problema), dá merda. E o problema principal é a EDUCAÇÃO. Se resolver isso, todo mundo fica contente. Até o sindicato. Lula pensa assim, tenha certeza.

      • André disse:

        Gostaria que os sindicatos fizessem parte da solução, mas não tenho mais essa ilusão. Acho que a solução, se vier, será apesar da APEOESP.

        Pelos caminhos que a APEOESP vem tomando, não é com ela o assunto de resolver o problema da educação.

  11. Claudio disse:

    Cara, acho que tu tá pegando o lado fraco da corda pra expor o problema – e não é a omissa Apeoesp. Amanhã tem uma Patrulha exatamente sobre isso lá no Chuta e talvez sirva como contraponto pro teu post.

    De imediato, adianto que o problema do troço é, exatamente, o de fuder com quem quer trabalhar. E aí, depois de alguns anos, muita gente se enche tanto que começa a nadar de acordo com a corrente.

    O “lado fraco da corda” são os alunos sem aula. Só eles. Estão sendo, há muito, utilizados pelos dois brigões (APEOESP e governo) para justificar suas ações. Nenhum dos dois está pensando neles. Desculpa, mas eu não caio nessa. Vou ver teu post amanhã.

  12. Carlos disse:

    Cara, que coincidência!
    A Paula que vc conhece é professora, mas eu conheço a Dra. Paula Tejando, aqui de Curitiba, que é especialista em DST, principalmente as venéreas, eheheheheh…

    Essa Paula Tejando atua em muitas áreas. É multidisciplinar. 😀

  13. Alê disse:


    Tô acompanhando a discussão e se não opinei ainda é pq não tenho certeza da viabilidade de algumas proposições/implementações, que costumo imaginar em momentos de delírio alcoólico, sobre o assunto educação-professores.

    São propostas heterodoxas, pragmáticas e neoliberais. Se julgarem valer a pena ler e debater algo que duvido que possa vir a concretizar-se um dia, eu posto aqui.

    Vinícius, existe algo parecido com uma bolsa – formal ou informal – de vagas?
    Professores mudam de residência e interesses como qquer pessoa e é natural que um professor lotado em determinada escola queira após um tempo transferir-se para outra escola.
    Como esse processo é realizado? Se o professor da escola X entrar em contato com o professor da escola Y e combinarem, a troca é realizada? Sua namorada poderia comprar a vaga (igual taxistas vendem chapas) na escola perto da casa dela?

    Mais: enqto a situação da escola de sua filha não se resolve, sua filha fica sem estudo. Um tempo valioso que vai se esvaindo.
    Houve uma época, há alguns anos, que achei que uma escola particular seria a solução. Matriculei meus filhos em uma típica escola classe-mediana (Colégio Morumbi-Sul) e fiquei horrorizado com o que vi; situações de absoluto desrespeito entre mal-criados alunos prepotentes e serviçais professores temerosos de desagradá-los; compra e venda de trabalhos escolares a céu aberto, etc. Meus tres filhos estudaram lá somente por um ano e voltaram para a rede pública (outro horror, com outras características).

    A solução que achei foi ensiná-los em casa, complementando as aulas que eles não tinham na rede pública, usei filmes, documentários, implementei leitura obrigatória, matriculei-os no Kumon e dei muita explanação durante o jantar. Foi o melhor que pude fazer. Deu mais ou menos certo (o caçula entrou essa semana na USP e o mais velho fugiu com o circo – literalmente).

    Alê

    Sobre a “bolsa de vagas”, o mais próximo disso são os chamados “concursos de remoção”, com pontuação por títulos e tempo de serviço. Um rolo só, nem sei explicar direito. Não pode “comprar vaga”, ou coisa que o valha.

    • Flávio Gonçalves disse:

      Sobre os concursos de remoção, os professores só podem se inscrever caso preencham as seguintes condições:

      – Ser efetivo por no mínimo 2 anos;

      – Ter um mínimo de pontos (aulas) dadas;

      – Verificar se a Delegacia de Ensino para onde deseja se mudar se existe vagas para a disciplina que deseja lecionar (não é uma obrigação em lei, mas uma prevenção, pois a situação em algumas disciplinas varia muito de região para região);

      – Levar todos os documentos que atestem que o docente está de mudança.

      Portanto, não existe a “permuta”, onde um profissional Y troca de vaga com um X, mesmo que seja na mesma delegacia de ensino.

      No fundo, o professor é um surdo-mudo que tem os olhos vendados..

      • Alê disse:


        Flávio, imagino que essa burocracia seja uma preventiva para evitar que haja o comércio de vagas (e, claro, para dar poder a quem consegue dar um jeitinho na situação).

        Na minha infância, escola pública era sinônimo de escola boa (ou razoável). Escola particular (com exceção das tradicionais) era vista como alternativa para quem ia bombar.
        O apelido pejorativo delas era PPP (papai pagou, passou). Me refiro ao primeiro grau.

        O segundo grau, eu cursei numa estadual na av Pompéia (Zuleyka de Barros) e já era uma avacalhação só. Ninguém ensinava nada, ninguém aprendia e ficava por isso mesmo.

        Em que momento a escola pública deteriorou-se tanto? Foi o ECA? A implementação dessa política educacional absurda que não repete ninguém?

        Alê

  14. André disse:

    Exemplos da jestão tucana na educação (tirado do jornal local): 1) A prefeitura daqui fez um processo de licitação para contratar a empresa que faria o transporte dos alunos, levou um tempão e teve que solucionar um monte de rolo. Do nada, a secretaria de educação mandou retirar os alunos “estaduais” da parada porque preferia dar o passe. Só que até ontem o passe não veio. 2) Na última atribuição de aula teve um monte de professor que ficou com aulas em escolas diferentes de cidades diferentes. 3) O professor entra ganhando uma miséria, se aposenta cedo, no auge de sua sabedoria, e vai dar aula em escola particular. 4) Todo ano a entrega de material e uniforme atrasa um ou dois meses, nunca pensaram em começar o processo de compra um ou dois meses mais cedo?
    E não estou nem entrando em questões mais cabulosas como qualidade de ensino, currículo, faltas excessivas dos professores, etc.

    A jestão tucana é uma merda mais do que comprovada na educação.

  15. Fontes fidedignas me dizem que os professores, em sua maioria, são pró-tucanos. Em segundo lugar, acho que nunca se dá muita atenção a isso, tem que conhecer o papel do diretor da escola e dos coordenadores pedagógicos nesse troço todo, e isso a gente não conhece, certo?
    Terceiro, o lado mais fraco, o aluno, poderá ter um futuro ainda pior, já que, debaixo de todas essas diretrizes, competências, metas, e coisa e tal, o objetivo programático dos tucanos é JUSTAMENTE sucatear a educação, para privatizá-la. Então, lança-se mão de todo tipo de estratégia, a começar pela desqualificação do quadro. Ou alguém acha que os tais “bônus”, que recebem manchetes generosas, existem ou são daquele valor insinuado ou que todos recebem tais valores, quando eles existem?
    Usar a ( correta ) existência de maus e acomodados professores como munição para generalizar e denegrir o quadro educacional todo é estratégia. O Collor fez isso, FH também. Por fim, existem as minúcias técnicas que apenas os especialistas e atentos à questão conhecem e que realmente dificulta a compreensão dum universo complexo. A gente so vê as feridas externas.

    A gente já teve várias discussões a respeito disso, né? Sabe que eu estive pensando numa coisa: a solução para esse problema seria o professor, através das suas entidades, buscar o entendimento direto com os alunos. Trazer a comunidade para dentro das suas reivindicações, e que esta comunidade visse alguma vantagem em abraçar essas bandeiras. Daí, seriam 2 contra um. É um raciocínio um tanto complexo e que demandaria uma série de iniciativas. Talvez eu escreva outro post a respeito.

  16. Augusta disse:

    Olá,

    Sou professora da rede pública no Rio e apesar de não estarmos em greve, reconheço semelhanças entre os sindicatos, a situação de trabalho dos professores, sistema de ensino etc. Descobri esse blog ontem pois um de meus amigos me enviou o post sobre o CQC, o qual gostei muito de ler, principalmente a repercussão dos comentários, o bom nível do debate, a lucidez e riqueza de fontes e informações. Fui parar nesse post antigo que chamou minha atenção pelo tema de ensino, professores, educação e afins. Teria algo a dizer sobre o tema e ampliar a reflexão, já que tenho uma situação sui generis como professora pública, não posso me queixar de salário e muito menos de estrutura e condições de trabalho pois dou aula em uma escola de ensino técnico, mas que também conta com o ensino Médio. Temos plano de carreira, somos – em sua maioria- professores com dedicação exclusiva, jornada de trabalho que permite com que nos aperfeiçoemos em cursos de mestrado, doutorado, palestras e congressos. Claro que somos ainda uma exceção na educação pública e talvez não seja possível que todas as escolas tenham essa infraestrutura, porque, sendo realistas, o custo de um aluno é bem caro e grande parte deles é de classe média uma vez que o concurso para entrar é bem disputado. Existem até mesmo cursinhos preparatórios para que alunos entrem lá. Os CEFETS existem em várias cidades, estão em expansão e foram impulsionados pelo Lula, em parte por sua origem metalúrgica.
    Enfim, é apenas um depoimento que ensejava mais parabenizar o ótimo blog e os bons textos e debates que provocam do que dar uma luz à questão que acho bem complexa e difícil de entender.

    Professora, que beleza de comentário (falo sério)! E veja como as coisas funcionam por aqui: quando a escola é boa e privada, quem estuda é quem pode pagar; quando a escola é boa e PÚBLICA, o cliente é o mesmo (aquele que poderia pagar por uma escola privada)! Isso gera novo post. Grato.

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