O Jornalismo-comédia do CQC

O programa CQC fez uma matéria considerada por muitos como um exemplo de jornalismo-denúncia-contra-a-bandalheira-que-assola-essa-república-das-bananas. Eu não gostei e vi lá: 1) uma pitada de ilegalidade, 2) uma porrada de covardia e, principalmente, 3) a exacerbação de um sentimento muito preocupante, que os Datenas da vida estão cultivando: a vontade de se vingar, de destruir, de humilhar as pessoas. Desculpem, mas isso não é, nem de longe, a justiça que uma sociedade desenvolvida deveria almejar. Em suma, é o tipo de reportagem que não ajuda, só estereotipa o funcionário público como um pilantra safado.

Resumindo: o CQC fez uma “importação” de um quadro da matriz argentina, entregando uma TV LCD para a Secretaria da Educação de Barueri. Essa TV tinha um GPS acoplado, e a reportagem ficou três meses acompanhando o roteiro dela. Até que, “um belo dia”, ela foi encontrada na casa de uma servidora da escola onde o bem deveria ter sido entregue.

1) A pitada de ilegalidade: segundo cansativas pesquisas no google e amigos do twitter Código Penal e Jurisprudência correlata, colocar um GPS na TV esperando o malandro cair em tentação é o chamado flagrante preparado, inválido como meio de prova. Portanto, se você é daqueles que quer ver os corruptos na cadeia, pode excluir o CQC como seu aliado de luta, pois suas denúncias bombásticas de nada valem perante o homem-da-capa-preta. Montar casa-de-caboclo não é fazer justiça, é justiçar.

2) a porrada de covardia: se o flagrante é preparado e nada vai ocorrer com o meliante, não há nenhum serviço de utilidade pública sendo prestado. Eles estão, com suas imagens, repórteres e equipamentos, apenas fazendo coro com você quando diz que us pulíticu é tudo ladraum i us funcionário público é um bandu di safado. Só que você, quando diz isso na mesa do boteco, generaliza e coisa e tal. No caso da reportagem, a funcionária foi filmada diversas vezes e sob diversos ângulos, foi ridicularizada com aquelas coisinhas de computação gráfica, perseguida em casa (a casa dela foi filmada, o carro também). Quando estourou o bafafá ela pediu demissão, afinal o clima ficou ruim pra ela. Jogou fora um emprego por causa de uma TV. Burra, né? É. Quem nunca levou um bolinho de papel A-4 da firma “pro filhão desenhar” que atire a primeira pedra. Sorte sua que o papel não foi “doação” do CQC.

Agora todo mundo sabe quem rouba TV LCD em Barueri, ótimo! Moralidade, já! Vamos aos envolvidos e o saldo da operação: o poder público está de posse do bem; o CQC bateu recorde de audiência. E a “Mariazinha ladra de bem do estado”, aquela pilantra? Tá lá, escondida na casa dela, sem emprego e sem TV, provavelmente sendo zoada pelos vizinhos. Bem feito, quem mandou? OOOPA!

3) Todo crime merece castigo. E o castigo, no nosso sistema penal, procura ser proporcional ao dano causado. Aqui não tem vendetta, ou não deveria ter. Essa moça vai ser, provavelmente, crucificada na praça da matriz de Barueri, por ter cometido o chamado crime de experiência. Que o Ministro Nelson Hungria definiu:

no caso do flagrante preparado ocorre um crime de ensaio ou de experiência, sendo que os protagonistas participaram, na verdade, de uma comédia.

Isso é o jornalismo CQC. Jornalismo-comédia, que a muitos encanta, mas que a ninguém presta serviço.

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57 Responses to O Jornalismo-comédia do CQC

  1. O que vejo no caso é uma ação por danos morais, e o cacete a quatro. Não sei mas parece que não foi feita uma denúncia a nenhuma delegacia né? Querem implantar uim estado policialesco? Que fiquem espertos todos que receberem a equipe do cqc em suas casas, escritórios ou casa da Maria Joana. Você poderá ser o próximo. Depois não reclamem quando um policial corrupto plantar um papelote de cocaína ou uma tonelada de maconha no seu carro e te prender em flagrante delito. Os fdp bajulam o Serra, Maluf e outros tubarões e depois querem pegar um lambarizinho. Cadê a OAB? Me Ajuda AÊE !!!

    Pois é… Se eu tivesse uma OABzinha, eu defendia a Mariazinha.

  2. Ademir disse:

    Jornalismo-moralista-classe-média-que-não-leva-a-lugar-algum.

    Éééé, por aí mesmo…

  3. Júlio disse:

    Nego bravateia da mesa do bar que o Jornal Nacional é a principal causa da Sindrome de Down no país e proclama o CQC – graças a “matérias” desse tipo – como o Duque de Caxias da imprensa nacional.

    Isso é humor mal feito, ofensivo até, vestido de vida real. Aposto que tem coelho nesse mato.

    É, naquela fita lá dos busões escolares no PR tinha treta forte. Tu é gênio, nego. Falo muito sério. Valeu.

  4. rafael disse:

    belo texto. explica esse negócio aí dos busões do paraná.

    assim, esse flagrante preparado é legal em alguns lugares do mundo, não? tipo eua? não q isso melhore em nada o lance do cqc.

    Não sei, Rafael. A justiça dos EUA funciona sob outra doutrina do Direito, lá tudo é diferente. Por exemplo, os Nardoni poderiam propor um acordo com a promotoria pra escapar de uma condenação à pena de morte (no caso do crime ter sido cometido num estado onde houvesse).

  5. rafael disse:

    cara, completo com o q escrevi agora num outro lugar sobre o mesmo assunto, após recomendar seu texto.

    o quadro me dá uma impressão geral de que o doador, ao doar, vira senhor de quem recebe a benemerência. não diminui o delito do tal funcionário, mas passa uma perspectiva meio “eu pago impostos então funcionário público é meu empregado”.

    em nenhum momento entra-se no “problema” q é não haver estrutura de controle sobre doações. dá-se a impressão de que também não há controle sobre o que é patrimoniado, comprado normalmente pelo Estado, o que é mentira.

    Bem levantada essa questão, Rafael. Quem viu a matéria percebeu que, no início, eles praticamente agem como se estivessem deixando um cachorrinho abandonado na porta da prefeitura; não exigem recibo, nada. É a funcionária gorda que explica (errado) como funciona. No final, quando o prefeito tá lá com o Gentilli, um japonês explica que a doação tem de obedecer uma série de trâmites burocráticos, inclusive a apresentação da NF da TV.

  6. Adriana Salles Gomes disse:

    “Agora todo mundo sabe quem rouba TV LCD em Barueri!” Texto ótimo, só consegui ler agora, congrats! Nunca vi CQC, apesar de todo o buzz em torno do dito cujo, então tenho dificuldade de opinar. Mas faz TODO o sentido esse seu raciocínio.

    A questão que ele me provoca, inclusive, fica mais embaixo: quais as implicações disso (dos primeiros dois pontos, não da sede de vingança, 100% inadmissível) sobre o jornalismo na pele do lobo de forma geral? Toda matéria de câmera escondida, com repórter que não se apresenta como tal, é inválida?

    Um exemplo bem tosco: eu faço guias de viagem e instruo meus repórteres a ir a hotéis e restaurantes sem se identificar como repórteres (uma praxe não incomum, embora não generalizada), para uma experiência menos “enviesada”, mais independente. Isso é errado? Michael Moore faz um monte de coisas questionáveis no jornalismo comédia dele, mas assim consegue transmitir mensagens importantes de maneiras mais “atraente”; ele está errado? (Lembrando que guia é jornalismo de serviços e que Moore faz documentários, sendo que de documentários espera-se que tenham uma tese a defender, diferente do jornalismo mainstream).

    Estou pensando alto mesmo, sem respostas prontas. Acho as linhas divisórias bem tênues na hora de definir quando os fins justificam –ou não– os meios.

    Longo, né?! Desculpa aí. 😉

    Dri, façamos um paralelo: no caso do Moore, ele tem (como você bem disse) uma tese a defender – no “Sicko”, por ex., mostrar que o sistema de saúde dos EUA é uma porcaria. Você também (mostrar que o hotel “x” é bom ou ruim). No caso do CQC, eles não tem nenhuma tese. Ou melhor, têm a mesma tese do cara no boteco: os func. públicos são safados. Não havia denúncia, nem investigação contra a funcionária. Pegaram um bem de alto valor e armaram a arapuca. A cidade foi sorteada “na bolinha”! E ouso dizer que, se a funcionária não tivesse levado a TV embora, eles comprariam outra e refariam o quadro mais 623 vezes, até que um servidor roubasse o bem. E nada me garante que o quadro não deu errado outras vezes, né? 😉 Parecido com as câmeras escondidas do Silvio Santos. Isso não é jornalismo, é pegadinha do malandro. Aqui não tem limitação de toques. 😀

  7. rafael disse:

    Sabe que eu já gostei muito deles, mas ontem, definitivamente, a sensação de estranheza foi ao limite. Tinha alguma coisa ali que estava descendo mal. Seu texto matou a pau de novo. O pior é que o prefeito ficou com a faca e o queijo na mão para fazer essas ponderações, mas só se afundou… se bem que, contra uma ilha de edição, não dá pra brigar. Em tempo: dá uma vontade louca de colocar esse seu texto lá no blog do Tas: ele tinha que ler isto. Forte abraço.

    No blog do “careca safado” 😀 ? Realmente, o prefeito foi muito mal. Engraçado que, quando o Gentilli foi lá e o cara arriou a botina, eu tinha um monte de coisa na ponta da língua pra falar, se estivesse no lugar dele. O Furlan é muito tosco. Abraço.

    • André disse:

      É pela possibilidade de o acusado ser tosco e não conseguir fazer uma defesa coerente que os jornalistas deveriam se aprofundar nos assuntos que investigam e dar o outro lado, que é diferente de (tentar) ouvir o outro lado. É pela possibilidade de difundir preconceitos contra uma categoria inteira que os jornalistas deveriam ser cuidadosos na forma que usam nas denúncias. Mas parece que o virtuoso Tas não precisa se prender a detalhes bobos como esse.

      O máximo de aprofundamento que o CQC faz na matéria é mostrar como funciona o sistema de rastreamento por GPS. Mais que isso, afasta o público deles.

  8. Thiago disse:

    Vinicius,

    Eu tenho uma posição contrária à sua com relação a enxergar um flagrante preparado. Pra mim, flagrante preparado é quando o agente estimula o sujeito a cometer o crime. Exemplo: policiais disfarçadas de prostituta oferecendo serviços pra prender o cliente, ou policiais se passando por traficante pra prender um comprador. Nesses casos o agente está estimulando o sujeito a cometer o crime com intenção de flagrar. O que o CQC fez foi diferente; eles só tem a condição de “preparar o flagrante” porque o crime foi cometido. Não foram eles que ofereceram a oportunidade de se cometer o crime.

    Com relação ao formato do programa e à maneira como ele expõe as pessoas, aí estou do seu lado.

    Abraço!

    Tecnicamente, a sua explicação corresponde ao chamado “flagrante ESPERADO”. Também não vale como prova.

  9. Fábio Peres disse:

    O que acontece é que a partir de agora ninguém vai aceitar doação de nada por ter medo do CQC passar lá e “avacalhar” com todo mundo – simples, assim.

    E quem quer fazer uma doação se conformará em gastar o dinheiro com coisas mais prazerosas, como doação direta à políticos corruptos, que farão propaganda do SEU nome para comprar votos do cidadão.

    Ou estou errado nisso?

    Toda doação que chegar vai ser submetida a um contador Geiger.

  10. Fábio Peres disse:

    Ah, a propósito: espere daqui a 2 anos para ver se o prefeito de Barueri não será reeleito, ou fará seu sucessor, mesmo com todo esse bafafá …

    A galera curte o Furlan por lá. E, convenhamos, querer colar no prefeito uma atitude de um funcionário…

  11. quantotempodura disse:

    Defina “bateu recorde de audiência”

    (essa não é uma pergunta espertinha pra sacanear. É uma dúvida mesmo!)

    Sei lá, dar uns 7 pontos de ibope no pico? Nem sei, mas eles ficaram bastante satisfeitos com a repercussão. Fizeram uma “reporcagem” pra uma semana e ganharam duas (uma da proibição, com aquele falatório todo, e a da exibição). As cotas de patrocínio do Tas estão todas vendidas, mas a Mariazinha tá na rua da amargura. E sem a TV.

    • quantotempodura disse:

      Poizé, mas é de se avaliar exatamente qual o impacto “real” de programas como CQC e Pânico.

      O povo fica se pelando de comentar CQC e quando você vai ver… dá uns 4 pontos no ibope.

      Porque joia, no twitter se fala muito a respeito. Só que a gente esquece que o twitter não é a “Fiel representação da realidade brasileira” que quiseram nos fazer acreditar em 2009

      Pelo contrário!!

      O número de usuários ativos vem caindo consideravelmente. Link recente do Blue Bus mostra que 80% das contas são inativas. As “pôlemicas de twitter” não resistem a 5 minutos de rua/vida real.

      A minha timeline caiu de produção drásticamente. Tive que adicionar umas40 pessoas pro negócio voltar a andar.

      “O twitter pode ter pouca gente, mas são todos formadores de opinião” – Pouco provável. Tá aí o Fora Sarney que não me deixa mentir (bom, o Twitter esperneou que nem frango e o Sarney tá no mesmo lugar de sempre)

      Seria bacana se alguém (vocês, não a gente porque tamos ocupados aqui) fizesse um post sobre o quanto de representação da realidade está no twitter e qual a influência do mesmo na sociedade.

      Com números, dados, links etc.

      Quebra esss gái pá nóis aê!!! Vamos lá, é um tema bacana!

      Chamou de desocupado na cara dura, hein? Agora também não faço. 😛

      • Fábio Peres disse:

        Twitter caiu em desuso no Brasil desde que descobriram que não dá para fazer amigos pelo sistema – da mesma forma o Facebook começou a crescer depois que se percebeu como ele fucniona.

        Da minha parte passei a usar meu twitter para coisas mais úteis, como divulgar meus blogs, por exemplo, usando uma ferramenta que manda os RSS para ele – mas, se você não tiver nada para dizer ou a ouvir, esse sistema não é para você.

        Eu acho que twitter é coisa pro pessoal mais maduro, a molecada não curtiu. Pra mim (tão maduro que já tô apodrecendo), funciona muito bem, basta seguir o pessoal certo e vira um grande guia de navegação na internet. Além de um botequim virtual muito engraçado.

  12. Silvio Romoaldo Jr disse:

    Conheço bem Barueri, trabalhei lá por 13 anos. O trabalho que a Dinastia Furlan vem fazendo (a situação comanda o município há anos, entre idas e vindas do Furlan) é excelente, Barueri é referência em educação e saúde. Ok, nada mais que obrigação, já que o município arrecada bem graças as primas ricas Alphaville e Tamboré. Isso é uma coisa
    Outra coisa é a subversão dos valores definidos pela sociedade. Alguém deve ter pesando, “Pô, essa tv vai ficar mais util na minha sala, do que nunca escola, pra molecada mal assistir um Pica Pau e logo pegar no sono…Já levei outras coisas mesmo..
    Isso é grave e não é privilégio de Barueri. Como diria Cleber Machado, é uma questão pontual, tema pra reflexão,debate, tese, simpósio, etc.
    Outra coisa foi a matéria jornalística. Jornalística?
    Bem, ai a coisa pegou, né amigos. Os caras nesse afã de fazerem graça e praticar o denuncismo, trocaram os pés pelas mãos, meteram a carteirada de estarem na crista da onda no momento e criaram essa situação toda.
    O Furlan conheço um pouco. Cara honesto, trabalhador, mas que pisada ele deu na bola! Talvez levado por essa indignação pela forma que a coisa toda foi conduzida, surtou e não segurou a onda. Ao final, tentou consertar, mas ficou pior a emenda que o soneto.
    O que tiro desse episódio todo é que alguma coisa está realmente fora da ordem, em todos os sentidos.
    E quem vai sair perdendo nisso tudo? A tiazinha que ficou sem a tv e sem emprego

    Esse é o ponto, Silvinho: o saldo da operação. Não gerou debate político, não gerou discussão séria sobre o papel do funcionário público, nada, nada. Só gerou um denuncismo rasteiro e a demissão e exposição deletéria de uma pessoa que pecou, num momento de fraqueza.

  13. Carlos disse:

    Não gosto, nunca gostei e não assisto o CQC..
    Pra mim, aquilo não é jornalismo-comédia, e sim, jornalismo COMÉRDIA.
    Bem faz o Deputado Genoino, que quando vê um integrante do CQC, já tira um tijolo da maleta…

    Eu vi os primeiros programas, até achei algumas coisas interessantes. Enjoou muito rápido. Eu vejo problema quando eles se propõem a “falar sério”. Esse “Proteste Já” é um quadro abjeto.

  14. Fausto disse:

    Não sou entusiasta do CQC, mas discordo deste texto. Não dá para confundir as funções do Judiciário e do jornaliamo. Algo pode não servir de prova num julgamento mas mesmo assim valer como notícia. O escopo do jornalismo é mais amplo do que o Código Penal.

    Um servidor se apropriar de um bem público é uma sacanagem que merece ser denunciada, sim. Se a Justiça verá isso como crime ou não é outra questão, mesmo porque o jornalismo frequentemente denuncia práticas que não são ilegais, mas imorais.

    Não havia ilegalidade em boa parte das denúncias que envolveram o Senado no ano passado: indicar o namorado da filha para um cargo de confiança, por exemplo, como fez o Sarney, não é crime. Mas alguém defenderia que isso não é notícia?

    Outra coisa. O “flagrante armado” não é aceito no Brasil, mas é uma prática comum em outros países, como os EUA, onde alguém pode ser preso, por exemplo, por aceitar drogas ou oferta de prostituição de um policial disfarçado.

    Fausto, já comentei sobre o flagrante esperado/preparado/forjado nos EUA, que usa um outro sistema de direito. Realmente, o jornalista não é polícia e nem juiz, e por isso mesmo não poderia ter promovido a execração pública e condenação sumária da servidora. Jornalista tem, sim, de ser RESPONSÁVEL pelas consequências advindas daquilo que escreve. Se amanhã a casa da moça for depredada pela turba, ou ela nunca mais conseguir um emprego por ser “aquela que roubou a TV no CQC”, quem paga por isso, se nem o judiciário pôde condená-la? Qual a contribuição para a sociedade desse tipo de matéria? A comparação com o Sarney não me parece correta, pois ali houve uma série de relatos e opiniões sobre fatos acontecidos SEM A INTERFERÊNCIA DIRETA do jornalista. Ninguém “plantou” o namorado da filha no gabinete. Ele já estava lá antes.

  15. Leo disse:

    Pela sua lógica, o Arruda deve ter sido vítima de um flagrante preparado e foi vítima de uma exposição deletéria de uma pessoa que pecou num momento de fraqueza.

    E pelo seu entendimento do que seria a minha lógica, você não leu o post, muito menos os comentários.

  16. Fausto disse:

    Entendo seu ponto, Vinicius: o CQC denunciou um desvio que não teria ocorrido sem a intervenção do próprio CQC. Logo, seria uma denúncia vazia. Eu discordo porque acredito que você ficou preso ao fato: uma TV desviada por uma funcionária. Mas é um fato que revela para uma outra questão maior: a falta de controle da prefeitura local sobre o patrimônio público. Como uma TV pode ir parar na casa da uma funcionária sem que ela seja punida por isso? Um problema revelado graças à intervenção do programa, e não criado por ele.

    Falo isso sem ter visto a matéria. Se não tiveram a noção de perceber que a questão era maior do que só o desvio da TV, podem ter perdido o foco da reportagem. Mas o expediente utilizado me pareceu jornalisticamente válido.

    Talvez o expediente fosse válido se houvesse algo (suspeita) contra a funcionária ou o depto. Agora, escolher uma cidade “na bolinha” e levar aquela TVzona, do nada? Pense nisso: se ninguém tivesse roubado a TV, eles passariam a matéria? Não, claro. Escolheriam outra cidade, e outra, e outra, até que uma confirmasse a tese deles. Se eu ficar com uma câmera escondida na rua o dia todo, posso fazer 2 matérias: se as imagens me mostrarem todo mundo agindo direitinho, faço a “olha como o povo é bacana”. Se aparecer UMA merda, escrevo “olha que merda de povo”. Isso, pra mim, não é jornalismo. Jornalismo corre atrás de fatos, não cria fatos.

    • Lucius disse:

      Se a doação não foi feita da forma prevista na legislação em vigor na verdade ela nem chegou a acontecer de direito. Assim a tv não pertencia à Prefeitura ou à escola.
      O bem, provavelmente, nem foi registrado no controle de patrimônio.
      Grosso modo, arriscaria dizer que não houve ilícito algum.
      Mas confesso que é uma análise preliminar diante do que foi relatado.

      Isso ficou muito claro no final da matéria, quando um japonês explicou como deveria ter sido feita a doação. A tiazinha que atendeu na portaria só fez cagada. Já começou errado o troço.

  17. Nussa Víncius! Como digo em bom mineirês – cê matou a pau agora trem doido,to besta! 😀

    Eu não vi a reportagem, mas minha sobrinha estava assistindo no quarto enquanto a escrava aqui ralava. E ouvindo as risadas dela, vendo os tweets, debati um pouco a respeito no gtalk com um amigo. Não conhecia toda a história (vi aqui, agora) e, no meu entender, esse sensacionalismo não busca promover consciência cidadã, mas o ego dos participantes do programa. E coloca ego nisso.. O tal Marcelo Tas se acha né? Virou palestrante de mídias sociais, comentarista político e defensor do bem e da moral! Eita…

    Pela reação da minha sobrinha, vi que o resultado da ação não despertou qualquer reação crítica de sua parte (e provavelmente a mesma coisa em jovens como ela). Apenas um quadro para divertir – às custas da humilhação alheia. Isso me entristece muito.

    Parabéns pelo post, para variar. E me envia seu email (o meu tá aí agora) para que eu possa colocá-lo em contato com o pessoal do Nossa São Paulo!

    Bjs

    Dri

    Tudo isso foi bondade mineira, povo! Brigadão. 😉

  18. Mauricio Savarese disse:

    Discordo. CQC não é jornalismo-comédia. É só comédia e às vezes esbarra no jornalismo.

    Abraço

    Savarese, você tem razão. Mas tem gente querendo dar o Pulitzer pra eles.

  19. Claudio disse:

    Cara, e eu nem sabia desse papo de GPS na TV… Piorou ainda mais o troço.

    Cana nesses malditos!

    Vale a pena ver, juro. Ali tem de tudo: constrangimento, trollagem e outros bichos.

  20. Valmir disse:

    Nem vi a reportagem … mas se tinha o Rafinha Bastos, já não gostei.
    Ele tem o péssimo hábito de chutar cachorro morto com coturno e sorriso nos lábios.
    É daqueles que, com um microfone nas mãos, vira valente … p´ra mim, ele destoa da molecada do programa … é um Vesgo do CQC, que pega uma boa idéia e exagera pra bem pior.

    Ele fez em parceria com o Gentilli, que vai assumir o quadro. Recomendo que veja, facilita a visão de alguns pontos que eu coloquei aqui. Tem o link aí.

  21. Concordo com Thiago!

    O q o CQC fez foi diferente; eles só tem a condição de “preparar o flagrante” porque o crime foi cometido.

    Não conheço o trabalho do prefeito de Barueri, se o trabalho dele for mesmo bom,como alguns dizem aí, acho que não é justo queimar, por causa desse fato

    Maurílio, coloque as coisas em ordem cronológica, ok? 1-A Mariazinha tava lá, trabalhando na escolinha dela. Nem pensava que ia aparecer uma TV 2-O CQC não sabe quem é a Mariazinha, mas monta uma TV-pegadinha e SORTEIA A VÍTIMA. A Mariazinha caiu em tentação, mas aquilo poderia NUNCA TER OCORRIDO, caso as bolinhas indicassem outra cidade. Dá pra entender a preparação do flagrante? No caso do Arruda, o cara filmou porque JÁ SABIA QUE IA HAVER FALCATRUA NAQUELE DIA. Eu troquei o “Vinicius” pelo “Thiago”

  22. Vinícius disse:

    Perfeito, xará.
    CQC é o lixo dos lixos. E aquele M. Tas é um EXCROTOSSAURO.

    Mas só uma coisinha, que aquele prefeito de Barueri de pinta de filha da puta tem.

    Tem pinta de bicheiro, com todo respeito aos bicheiros.

  23. Concordo com comentário do Thiago *

    O q o CQC fez foi diferente; eles só tem a condição de “preparar o flagrante” porque o crime foi cometido.

    Não conheço o trabalho do prefeito de Barueri, se o trabalho dele for mesmo bom,como alguns dizem aí, acho que não é justo queimar, por causa desse fato

    você assistiu o programa?

  24. Villa disse:

    Sim… estão certos os corruptos! Estão certos os funcionários públicos, que são pagos com o dinheiro do contribuinte para não fazerem nem 20% do trabalho que deveriam, e ainda se apropriar de um bem público.

    O que o CQC fez, foi mostrar pro público, o que acontece na maioria das repartições públicas, um descaso com a sociedade, independente da qualidade do programa e de seus apresentadores.

    No Brasil é assim, tem sempre gente prá defender as irregularidades, apontando falhas numa ação, como se essas falhas, pudessem exumir de qualquer culpa, a ação dos funcionários da prefeitura de Barueri.

    Prá mim, interessa muito mais a irregularidade cometida pela Prefeitura de Barueri, que deve ser dos mesmos moldes de outros órgãos públicos, do que a baixa qualidade dos integrantes do CQC.

    Nós, contribuintes e telespectadores, caso não gostemos de um certo programa, é só mudar o canal, na hora, não precisamos nem da vontade alheia, porém, com esses canalhas no poder, para tirá-los, nós temos que esperar por 4 anos, e ainda corremos o risco de não conseguirmos.

    Eu não defendi corrupto nenhum aqui, amigo. Nem compactuei com bandalheira, ok? Esse maniqueísmo simplista é uma das coisas que mais atrapalha o Brasil, sabia? Ajude o país que eu e você amamos tanto não dando guarida a argumentos fáceis, a soluções mágicas, a denúncias inconsequentes e a falsos profetas como esses moralistas de fancaria do CQC.

    • Villa disse:

      Não foi seu texto que defendeu a corrupção, mas os comentários escrito pelas outras pessoas. Cometi o erro de comentar apenas, sem me direcionar a quem eu queria.

      Mas concordo com o que você disse, quanto a atitude, pois realmente é algo fraco, porém, serve como amostra do que temos nos demais órgãos públicos.

      Sobre o maniqueísmo, em qualquer lugar ele atrapalha, não só no Brasil, apesar de que nenhum governo toma uma atitude pensando apenas no bem do seu povo, na maioria das vezes, essas atitudes são visando a seus pares e a sí próprio, e aí entra o lado do político que não é só “do bem”.

      O papel do comunicador social (aka jornalista) é prover as pessoas de informação veraz e formar opinião consequente sobre os fatos ocorridos. Blablablá não é jornalismo. Fofoca não é jornalismo. Denuncismo barato não é jornalismo. CQC não é jornalismo. Veja o que está ocorrendo lá no forum, com o caso Nardoni: tanto demonizaram os réus, que o ADVOGADO deles apanhou. Quer dizer: pra que júri, né? Mata logo os dois. Mais ou menos o que vai acontecer com a moça que roubou a TV. Vai pagar até a morte (ou o esquecimento) por um erro. Isso é justiça?

      • Villa disse:

        É, como eu disse, independente se o q o programa faz é jornalismo ou blablablá, o que me importa, é a atitude dessa funcionária. Hj uma tv, amanhã outra coisa maior, quem sabe?
        Um parente próximo, muito inteligente e estudado, preferiu sair de um cargo de administração pública de uma universidade estadual, cargo esse que ele ocupava há uns 7 ou 8 anos, por não concordar com certas coisas que ele estava vendo. Coisinhas pequenas, como dizer que vem a São Paulo de carro, só para pegar o dinheiro do pedágio e do combustível, quando na verdade, essas pessoas vinham de ônibus, gastando menos da metade do valor recebido.
        Pois esse parente pediu desligamento do cargo, pois teve vergonha na cara, ele sabe do quanto batalhou para estar onde ele está, e sabe que fez isso da maneira correta, sem pisar em ninguém.
        Pena que são poucos que pensam dessa forma.

        Sobre o caso do Nardoni, espero, sinceramente, que eles peguem uns 200 anos de prisão, mesmo sabendo que o prazo máximo são 30 anos. Só não vê quem não quer,que nessa caso não há outra possibilidade que não o Alexandre e a Ana Jatobá, terem jogado a criança da janela, após terem quase matado a mesma.

        Justiça é a pessoa pagar pelo que fez. Se a funcionária estava com um objeto da prefeitura, que era pra estar na escola, em sua casa, é um erro e ela pagou por isso. Se o objeto é da prefeitura, então é prá uso da prefeitura, não prá uso particular, simples assim.

        Eu tenho uma empresa e jamais uso um cheque ou cartão da conta da empresa, para pagar ou comprar qualquer coisa prá mim. Isso é justo, mesmo que na empresa só tenha eu e meu pai, que é o sócio. Pago todos os impostos, todos, sem exceção e tenho a minha consciência limpa quando falo dos desmandos de quem comanda essa cidade, esse estado e esse país.

        Justiça é a pessoa pagar pelo que ela fez. Correto. Falta dizer: pagar QUANTO? Para isso, inventaram os códigos e leis, Villa. Tenha em mente uma coisa: no dia em que você, eu, o CQC ou o Datena nos arrogarmos o direito de dizer qual é a pena justa, o caos se instalará. Um Estado Democrático de Direito só existe com o cumprimento da lei. E cumprir a lei, na sua totalidade, significa fazer a coisa certa e, caso não faça, ser punido na forma que ESSA MESMA LEI determina, não na forma que um bando de gente (ou “uma” gente, ou um programa de TV) “acha justo”. Todo mundo tem o direito de achar qualquer coisa justa ou injusta, mas não pode impor esse julgamento à sociedade. Quanto aos Nardoni, se fossem soltos na porta do fórum, seriam linchados até a morte. Essa pena (linchamento) não é prevista no CP. Então, quem tá lá na porta do fórum, DIZ que quer justiça, mas não sabe o que é isso.

    • André disse:

      Villa, todo funcionário público faz só 20% do que deveria? Cruel hein?

      Pois é, o tema foi abordado no post. Não sei, e nunca vi matéria comprovando esse dado. Seria bom fazer. Nem precisa de GPS e essas parafernálias todas, sai baratinho. Mas dá um trabaaaaioooo…

      • Villa disse:

        Não, órgãos públicos estão em pleno funcionamento, tudo dá certo, o país está uma maravilha. A prefeitura de São Paulo está trabalhando como nunca e da maneira mais correta, tanto é que os munícipes estão todos contentes. O governo do estado também está fazendo um trabalho exemplar, prendendo bandidos todos os dias, acabando com o tráfico e com as quadrilhas. Quando você precisar da polícia, quando você estiver numa situação de risco, ligue 190 e veja quanto tempo vai demorar seu atendimento. Eles vão te perguntar uma cacetada de coisas e quando chegar ao final da ligação, você já nem vai precisar mais da polícia.
        Ah, e o nosso presidente? tudo acontece debaixo do nariz dele, e ele na maior cara de pau, diz que nada vê.
        Esse país está um lixo. O sistema carcerário é péssimo, o bandido sai pior do que entrou, a constituição é antiga e está ultrapassada, precisava ser revista.

        Você recebe bom atendimento das operadoras de telefonia? Você recebe bom atendimento nos bancos? São privados, não tem funcionário público trabalhando. E são megacampeões de reclamação. Sabe o 156 da PMSP? Só tem op. telemarketing da Atento, empresa privada. A constituição brasileira tem menos de 22 anos. A dos EUA tem 223 anos.
        Já escrevi aqui sobre funcionalismo público. O buraco é BEM mais embaixo, Villa. Em tempo: NÃO SOU funcionário público.

      • André disse:

        Villa, um funcionário público pode trabalhar uma porcentagem entre 20% e 100% do que deveria. Continue assistindo o CQC, é o programa ideal para quem tem muitas certezas e poucas dúvidas.

        Gostei do slogan: “CQC: um programa pra quem tem muitas certezas e poucas dúvidas.”

    • Barros disse:

      Sou psicólogo e funcionário público. Trabalho em um hospital público do estado de São Paulo há 20 anos. Hoje é sexta-feira, trabalhei a semana toda. Cumpri minhas 30 horas semanais de trabalho. Atendi cerca de 50 pacientes, além das minhas atividades de ensino, pesquisa e administrativas. Meu salário base é de R$ 520, com os penduricalhos, como gratificações e prêmio incentivo (?), minha remuneração chega à R$ 2.000. Confesso que usei (roubei?) duas ampolas de soro fisiológico de 10 ml e uma seringa na quarta-feira, porque estou com uma sinusite crônica do caralho e não tenho condições de pagar um convênio saúde para tratá-la. O soro serve para lavar minhas fossas nasais e remediar o problema. É descontado mensalmente do meu holerite R$ 25 para a contribuição ao Hospital do Servidor Público Estadual, onde, à rigor, deveria ser tratada o caralho da minha sinusite crônica. Mas só há vaga para uma consulta com o otorrinolaringologista daqui há dois meses. Venho aqui a este blog (muito bom, por sinal) para me ilustrar e encontro um energúmeno a fazer generalizações levianas. Vai te catar Villa!!!

      Veio 3 x esse comentário, Barros. Publiquei o último. Era tudo igual, né? Toda generalização é leviana.

  25. Ricardo disse:

    matou a pau Vinicius. O CQC tinha tanta coisa pra ir buscar na vida do Furlan (enriquecimento meteórico, os milhares de reais gastos na jogatina – jogar tudo bem, o problema é saber a fonte da $$, etc) e fizeram uma baixeza dessas.

    Isso não provou porra nenhuma. Se a TV tivesse chegado ao seu destino, tampouco acharia o prefeito Rubens Furlan um cara honesto.

    Digo mais, Ricardo. Se a TV chegasse ao destino, eles comprariam OUTRA TV, fariam OUTRO SORTEIO e tentariam pegar outro incauto. E isso se repetiria tantas vezes quanto fosse necessário. Na minha terra, isso é pegadinha do malandro.

  26. Carlitos disse:

    Moralismo e denuncismo baratos que aticem a revolta despolitizada do brasileiro, do tipo “ói aí, como nóis semo troxa! É tudu ladrão, tem que matá essa cambada di vagabundo”, eis a fórmula repetida a esmo pela nossa imprensa, seja ela a humorística ou a “séria” – pelo menos o CQC mostrou que as duas vertentes se equivalem…

    O triste de tudo isto é verificar que ainda nos encontramos em uma fase pré-política na Brasil.

    Política aqui é confundida com moralismo e moralização.

    Não que devamos deixar de lado a preocupação com a moral, muito pelo contrário. Só que política vai muito além da moral, é um complexo que envolve diversos fatores que requerem mínimos conhecimento histórico, capacidade de articulação de problemas reais aparentemente não-correlacionados – como, por exemplo, ausência de educação formal e violência – e muita, mas muita reflexão e energia para se engajar na causa pública.

    Infelizmente, a correria, a falta de tempo, as exigências e ideologia despolitizada predominante do mundo de hoje não permitem que a maioria das pessoas possam ter discernimento suficiente para realizar uma avaliação crítica e politizada de um fato qualquer, como a sua.

    A mídia, por sua vez, se compraz com a completa imbecilização e o baixo nível mental e cultural de seus programas de massa, que se espelham em seus apresentadores e jornalistas não muito menos imbecilizados, ignorantes e reacionários do que seu público médio.

    Está assim armada uma estrutura dificílima de ser solapada. Textos como o seu auxiliam na conscientização e vão na direção de uma verdadeira politização, mas, infelizmente, estão circunscritos a um público de 30 a 50 leitores já preparados para assimilarem o seu conteúdo.

    É realmente uma pena que enquanto vemos Reinaldos Azevedos, CQC’s e Diogos Mainardis ocupando tanto espaço, textos realmente esclarecedores continuem escondidos por ótimos blogs por aí, como o seu…

    Para esse “new-journalism” que anda por aí, coisa boa é coisa de consumo fácil, que não requeira alguma reflexão, que venda como pão quente. Galera gosta é de gritar “assassino!” na porta do fórum e chutar bunda de advogado; entender como funciona o processo ninguém quer, é chato. E, claro, se o povão não curte, vou fazer pra quê, né? Valeu.

  27. Alê disse:


    Cheguei tarde e perdi a oportunidade de me posicionar, sob pena de me tornar redundante. Mas ainda dá para parabenizar (ui!) o Vinícius e todos os comentaristas. Belos textos de todos.

    O nível por aqui anda alto, não?

    Alê

    Graças a vocês, claro. Porque eu continuo a mesma baixaria de sempre. 😀

  28. […] Há quem tenha discordado dos métodos do pessoal do CQC. Apesar da boa argumentação, eu discordo da discordância. hehe […]

  29. Bruno disse:

    Discordo dessa matéria em todos os sentidos.
    Não considero o q isso foi um flagrante preparado. Flagrante preparado é uma pessoa deixar dinheiro no chão de propósito, ou dar uma nota de dinheiro maior do q deveria só pra ver se a pessoa vai devolver ou não.
    No caso deles, eles colocaram o GPS para saber qual era o destino final da TV, se realmente tinha chegado na escola. Também não acho q a funcionária foi ridicularizada, pois o reporter parou a moça e tentou entrevistá-la, dando-a o direito de resposta, ela que ficou fugindo o tempo inteiro.
    Se a doação não foi feita conforme a legislação é um outro erro da secretaria, pois a pessoa que doou se informou como deveria proceder e fez exatamente o que lhe disseram.
    E eu não acho a funcionária nem um pouquinho coitadinha de ter pedido demissão, ela deveria ter sido é demitida mesmo. Pois como o próprio secretário disse: “se a TV está na casa de alguém demito na hora, pois isso é roubo”.
    Depois de tudo, ainda deve o prefeito xingando deliberadamente as pessoas do CQC, inclusive citando nomes.
    Enfim, copiado ou não (afinal, o q a TV brasileira não copia dos outros?) eu achei genial e serviu pra pelo menos alertar a seja quem for sobre esse escândalo. Aliás, gostei da ideia e acho q todo bem público de valor um pouco + elevado deveria ter um localizador.
    Esse pensamento de “Quem nunca levou um bolinho de papel A-4 da firma “pro filhão desenhar”” é que deixa esse país na triste situação em que está. Se a própria população não se conscientizar não restará mais nada a se fazer.

    Isto não é uma matéria, Bruno. É um artigo de OPINIÃO. Eu só te faço UMA pergunta: Qual a diferença entre “dar uma nota de dinheiro maior do q deveria só pra ver se a pessoa vai devolver ou não” e “dar uma TV com GPS pra ver se a pessoa vai instalar na escola ou não”? Abraço.

  30. Bruna Lopes disse:

    Acho que você está tratando de duas (ou mais) coisas completamente diferentes.
    Sobre ter sido inserido um GPS em um bem doado, não sei se é legalmente correto. Entendo que se a doação foi feita a uma escola pública, o bem é “nosso”, deixando a consciência mais tranquila para saber se o equipamento está onde deveria.
    Sobre o que a funcionária fez, acho que não tem nenhuma dúvida: é roubo. Inclusive quando você (ou eu)leva pra casa uma resma de papel A4 do seu trabalho, também é ROUBO.
    Definição: “ato ou efeito de subtrair coisa móvel alheia”; ou ainda, “Apropriar-se de algo, de modo enganoso.
    Sobre a atitude de todos os envolvidos de quererem esconder o óbvio: patético. Já que errar é humano, eu pelo menos quando erro assumo o erro, enfio minha cabeça num buraco e procuro não repeti-lo. Já no programa, o desfecho foi uma agressão sem fundamento por parte do prefeito, que, como irmão do secretário, deveria pedir desculpas e garantir que isso jamais voltará a ocorrer em Barueri.
    –> Doce sonho de uma cidadã brasileira… Ver AO MENOS seus políticos ESCOLHIDOS POR NÓS se redimindo por seus erros.
    Sobre o CQC ser um jornalismo que não presta serviço, acredito que o objetivo dos jornais em geral não é condenar, mas sim informar. E isso foi feito.
    Se o funcionário público foi estereotipado como pilantra safado, perderam uma excelente oportunidade de mudar esta impressão, algumas vezes injusta…

    Essa definição que você deu é de FURTO, não ROUBO. Filigrana jurídica? Não. Clique nos links e veja as diferenças de pena. Sim, você acredita que o CQC instalou o GPS para ter certeza que a TV seria bem utilizada. Sei. Pra que doar com câmera escondida e MENTINDO, dizendo que era de um restaurante em fechamanto, então? Sabe por que, Bruna? Porque eles queriam ter certeza exatamente DO CONTRÁRIO! Se não desse “certo”, comprariam OUTRA TV, instalariam OUTRO GPS, mandariam para OUTRA PREFEITURA, até que um trouxa caísse na pegadinha. Já falei exaustivamente sobre isso nos comentários, querida. Se tiver disposição, leia-os.

    • Bruna Lopes disse:

      A definição é de ROUBO. Pelo menos segundo o dicionário… O CQC instalou um GPS na TV para comprovar o que todo mundo já sabe (o que vc chamou de estereótipo): o mau uso do dinheiro (e dos bens) públicos. É até clichê. E, qual não seria a surpresa: foi comprovado!
      E o que você chama de trouxa que caiu na pegadinha, eu chamo de ladrão que foi pego no flagra. Ok, flagra armado, preparado, ou seja lá o que for, mas foi pego. E certamente o “trouxa” não foi induzido ao erro.

      Bom, Bruna. Eu dei os dois links para os artigos do Código Penal, e você não se deu nem ao trabalho de cotejá-los. Preferiu o dicionário. Que eu saiba, não se julga alguém com base em dicionário. Pior: o teor do seu novo comentário mostra que você NEM LEU o que eu escrevi. Paciência. Sou um trouxa, mesmo.

      • Bruna Lopes disse:

        É verdade.. Nem me dei ao trabalho de ler os artigos, afinal, não sou juíza e não estou julgando ninguém perante a lei, mas sim avaliando o caso segundo meus conceitos de integridade moral.
        E eu li sim o que você escreveu, apenas discordo. Você não deve ser trouxa não, afinal sabe debater com tranquilidade opiniões diferentes.
        Lembrando: já errei também. E costumo assumir quando erro, e não me indignar com os outros.

        Todo mundo erra. Não me indignei com a sua discordância, e sim pelo desprezo aos links que eu forneci, ignorados olimpicamente somente para não reconhecer que sua definição foi imprecisa. E, para defender-se, apoiou-se num dicionário. Por isso me senti um trouxa. Todos deveriam ter ciência das leis, não precisa ser juiz para isso. Conceitos próprios de integridade moral, julgamentos embasados somente nas nossas convicções, algumas vezes, passam longe do respeito às leis. Por isso foi necessário criá-las e é dever de todos cumpri-las.

  31. MEU, NAO CONCORDO COM NADA DO QUE VOCE ESCREVEU.
    NESTE PAIS ONDE A ESCULHAMBACAO E A LEI DE GERSON ESTAO ENRAIZADOS, NADA MAIS “PEDAGOGICO” QUE UMA ESCULHAMBADA NO LADRAO PARA VER SE ELE APRENDE A LICAO.

    O CQC MANDOU BEM PRA BARALHO.

    ***(*) ******(*)

    Você eu deixo discordar, já que é da casa. Mas, se não for pedir muito, PARE DE COMENTAR EM CAIXA ALTA, CATZO! 😀

  32. Fabio Tatú disse:

    Isso aí os meliantes do CQC já fizeram também. Um “ator” deixava cair no chão uma nota polpuda e os caras filmando de longe. Alguns corriam e devolviam pro estabanado “ator”. Os que enfiavam a grana no bolso e iam embora, logo eram perseguidos pelo Danilo Gentili, que perguntava para o cidadão o que ele faria se achasse dinheiro na rua.
    Enfim, não é de hoje que os caras são escrotos.

    Teve também uma do celular, num salão de cabeleireiro, não teve?

  33. Eu concordo com os comentaristas: fez merda tem que pagar! É por isso que TODO DIA, quando chego no trampo, a primeira coisa que faço é LIGAR PARA A CET e alcagüetar que, num certo ponto duma certa avenida, tá cheio de carros estacionados em local proibido. É um ponto viciado ( que os ishperrrtos botam o carro sem pensar duas vezes ) e ligar para a CET já faz parte da minha rotina hahahaha. Os caras só levam no lombo por minha causa Ahahaha. Os atendentes da CET já me chamam até pelo nome: “E aí, Betão, quem é o babaca que vai levar canetada hoje, heim? Manda aí.”
    Não é legal?

    É isso aí, Betão! Lenha na caldeira da “Indústria da Multa”! 😉

  34. Carlos disse:

    Se eu fosse denunciar todo carro que passa na minha frente com o motorista falando ao celular, não faria outra coisa o dia inteiro…

    É verdade. Virou praga.

  35. Wilson disse:

    Vinícius,

    Eu até entendo sua chateação pela funcionária ter sido apanhada e os prováveis exageros do CQC, mas lei deveria valer para todo mundo, inclusive para uma humilde funcionária, se for o caso desta.
    Nosso bom coração cristão não ficaria tão triste se fosse o prefeito, um vereador ou um empresário. Fosse alguém da elite estaríamos menos chateados, pois nossa visão rousseauista de que por natureza o pobre é bom e o rico é safado estaria confirmada.
    Sorry, eu não levo papel da empresa onde trabalho para casa. Acho um perigo enorme o argumento “mas quem não rouba?”
    Essa visão levou o Brasil ao ponto em que não se consegue mais diferenciar o Zé Dirceu do Paulo Maluf.
    Sobre os servidores públicos, é assim que eles gostam de ser chamados, acho que há enormes vícios, alguns centenários, mas uma boa parte é de grande valor. Parece-me que onde o estado definiu uma carreira valorizada a qualidade venceu, cito o Itamaraty, o Banco Central, a Receita Federal e as Universidades. O ideal seria expandir estas experiências.
    Por outro lado, alguns serviços públicos são lastimáveis mesmo, um horror, sobretudo para a parcela mais pobre da população. Mais revoltante ainda quando se lembra da imensa carga de impostos que pagamos.
    Quanto ao aspecto jurídico, não me surpreende que o flagrante preparado seja ilegal, isso é típico do formalismo imbecil da justiça brasileira, que cria uma enormidade de saídas para os inocentes, obviamente, todas elas muito bem e fartamente usadas pelos criminosos.
    Ah, alguém citou Michel Moore, mas ele não faz jornalismo, é puro comércio oportunista, com conhecidas e manjadas manipulações. Ele só achou um filão de mercado e criou tipo, misto de documentarista e jornalista, crítico implacável do capitalismo para encher as burras de grana. Dá um tempo, daqui a pouco vão elogiar o jornalismo de PHA.

    Um abraço e parabéns que o blog continua legal.

    Wilson

    Juro que eu não estou chateado por ela. Sem Rousseau, sem Marx, sem ninguém. Estou chateado por esse tipo de programa ser considerado um marco do jornalismo brasileiro. Alguém citou aí uma outra pegadinha que eles fizeram, deixando um celular dando sopa e depois perseguindo a pessoa. O assunto corrupção é sério. É um crime! deve ser tratado sem leviandade, sem gracinhas, sem exposição de pessoas que NEM SEQUER serão indiciadas criminalmente. Isto vale pra TODOS, ricos ou pobres, barnabés ou tubarões. Não se expõe gente ao ridículo para pagar por qualquer erro, esse tipo de pena não existe no ordenamento jurídico em nenhum lugar do mundo. Grato.

    • Carlitos disse:

      “Não se expõe gente ao ridículo para pagar por qualquer erro, esse tipo de pena não existe no ordenamento jurídico em nenhum lugar do mundo”.

      Perfeito.

      É neste ponto que reside a questão central. O moralismo que reveste muitos comentários se embasa em um princípio básico de reciprocidade social jacobinista que, ao fim e ao cabo, acaba por solapar as instituições ao justificar qualquer meio para se atingir um fim pretensamente “nobre”.

      Ainda que o fim seja nobre, o que sabemos não ser o caso dos nossos amigos do CQC, não se justifica colocar em situação vexaminosa e de humilhação um suposto corrupto, um bandido, um ladrão ou quem quer que seja em um regime democrático de direito, sobretudo se não há queixas formais ou crime a ser apurado legalmente.

      Ou as instituições republicanas passam a ser respeitadas em toda a sua integridade, ou cada um que faça justiça – leia-se vingança – com as próprias mãos e da maneira que mais bem achar conveniente. Defender o meio do caminho é que não dá.

      Pessoal não dá bola muito pra isso não, Carlitos. Tem é que pegar e escalpelar o “pilantra”. Pra eles, Estado Democrático de Direito de cu é rola. Até levarem a primeira paulada da sociedade.

  36. Douglas disse:

    Quanto à pitada de ilegalidade, a lei diz que o flagrante preparado é ilegal se preparado pela polícia, mas isso não impede q vc filme a sua babá batendo no seu bebê por exemplo, se vc desconfiar q isso esteja acontecendo. O CQC não fez nada de ilegal, se é isso q vc sugere. Além disso os atos administrativos devem ser públicos segundo o art 37 da Constituição. Se vc quiser conferir a utilização de algum bem ou serviço público, mesmo q seja sua doação, isso é perfeitamente possível e legal. O mesmo artigo, inclusive, estipula a Moralidade como princípio da Adm pública. Na mimnha opinião acho q a fiscalização deste princípio é exercício de cidadania.
    Quanto ao jornalismo, onde esta escrito que ele deve ser ortodoxo para ser bom? O fato de ser bem humorado tira sua legitimidade? Quanto ao fato de que nada vai acontecer aos envolvidos, creio que não é papel do jornalismo fazer papel de polícia. E essa opinião de que todo mundo rouba e nem por isso devemos denunciar, é bastante conformista e até hipócrita.

    Isso aí, Douglas. O que não falta aqui é hipocrisia.

  37. Carlos disse:

    Vinicius, legal ver como as pessoas se entregam, né?

    Eheheheheh…..

    A menos que comecem a escrever com a cabeça e se entreguem com o rabo, desvirtuando o que escreveram antes…

    Não entendi, Carlos. É comigo, isso?

    • Carlos disse:

      Não, é sobre alguns comentaristas, que começam escrevendo uma coisa e terminam com um raciocinio completamente oposto ao inicio.
      Têm uns caras que são difíceis de entender…

      São as contradições da existência do ser enquanto ser humano contraditório. 😉

  38. Stella disse:

    Vinicius, irretocáveis: tanto o post quanto suas respostas aos moralistas indignados! Minha opinião quanto ao CQC: não vi e não gostei! E também não verei pq sei que não mudarei de opinião! Bj!

    Sumida, hein?

    • Stella disse:

      Sempre te leio, mas nem sempre comento pq muitas vezes não há nada mais a ser dito. Mas estou sempre por perto!

      Um passinho à frente, então. 😉

  39. Que eu lembre vagamente, a dupla ET e Rodolfo fazia coisas parecidas, p ex.ficar na rua caçando alguem que fizesse, tipo, parar o carro na faixa de pedestre, colar no cara, enfiar o microfone na fuça do camarada e perguntar se achava correto deixar o carro na faixa de pedestre. Legal. Só que, como era no Gugu né?

    No Gugu é comédia, no CQC é jornalismo. É isso aí.

  40. Ronaldo disse:

    Cara, também acho que o CQC pega pesado de vez em quando.

    Mas acho que aí não fizeram muita coisa demais não.

    O que a tiazinha tinha feito é roubo. Naõ importa se roubou uma TV. Se tivesse a chance de roubar 1 milhão teria roubado também.

    Isso não quer dizer que todo funcionário público é assim. Gente boa e gente ruim tem em todo lugar, inclusive no jornalismo.

    E quer saber do que mais, não conheço esse Furlan, mas achei ele no mínimo despreparado. E também acho que a esculhambação com esse tipo de pessoa já é uma punição.

    E quem acha que a tiazinha vai sofrer muito, eu digo: -por que ela não pensou nisso antes de roubar. Tem que arcar com as consequencias.

    Não estou aqui defendendo o CQC, mas eles já fizerm isso com o povão, lembram aquela do celular esquecido, da nota de dinheiro derrubada no chão.

    É isso aí.

    Abraços.

    Valeu, Ronaldo. O que eu tinha pra dizer sobre o caso tá no post e nos “comentários dos comentários”. Abraço.

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