Tapinha, tapão, chicotada…só dói, não educa

Começou uma discussão no twitter entre o @doni, o @gravz, a @elianamara, o @arthur_bio_br e eu sobre a lei que pune a violência dos pais contra as crianças, apelidada de “lei anti-palmada”.

Primeiramente, é bom deixar claro que não sou a favor da tal lei, tanto quanto não sou a favor de “palmadas educativas”. E acho que alguns defensores do “este tapinha é para o seu bem, filho” estão se perdendo nos argumentos.

Educação não tem nada a ver com violência, muito menos com uma pretensa gradação friamente calculada de intensidade violenta com fins pedagógicos, e é por aí que alguns pais justificam muitos dos seus abusos contra crianças. O “você vai apanhar pra aprender” ensina, quando muito, que levar um tapa dói no local estapeado. Nada mais. Uma eventual mudança de comportamento do rebento após uma sova ou uma chuva de insultos não é por consequência direta da agressão, tenha certeza. É porque ele quis fazer assim, pensou e achou melhor obedecer. Não trate o seu filho como um rato de laboratório, que faz o que o cientista quer na base do choque/recompensa. O behaviorismo já era nas relações entre humanos.

Quando entre adultos, uma cena violenta é repudiada: os brigões são “selvagens”, “brutos”, “animais estúpidos”. Por que se aceita numa boa um pai/mãe dando tapas em público em seus filhos sem lhes aplicar a mesma pecha? E mais: por que as pessoas chegam às chamadas “vias de fato”?

A agressão (de qualquer modalidade – física ou verbal) significa só uma coisa: o fim da possibilidade de diálogo civilizado entre o agressor e o agredido.  Ou por incapacidade do agressor de se fazer entender (ou convencer o agredido), ou por incapacidade do agredido de captar a mensagem passada pelo agressor (ou ser convencido por ele).

No caso de pais e filhos, o questionamento da autoridade paterna (aka teimosia ou desobediência) é o agente transformador da autoridade em autoritarismo, e a partir daí, cada general decide a ditadura que vai implantar, se é a do soco na cara, do tapinha no bumbum ou no xingamento puro. Todas igualmente péssimas.

A autoridade se conquista pelo respeito, honestidade, clareza e admiração mútuos. Seu filho só te dará atenção se você fizer por merecê-la. Igualzinho você faz com o teu chefe no trabalho: se ele é um escroto sacana, você, no máximo, vai ter medo dele te mandar embora, e não perderá uma oportunidade sequer de desafiá-lo ou desobedecê-lo.

Criar filho enche o saco, já vou avisando a quem não tem. Cansa, é um exercício constante e crescente da sua capacidade de convencer uma pessoa do melhor caminho a seguir, e segurar a frustração quando o teimoso se nega a ir por lá. Quanto mais o filho cresce, mais difícil é a tarefa: ele começa a receber um monte de informações – boas e ruins – do mundo exterior, a adotar valores e práticas diferentes das tuas (isto mais na adolescência).

Nossa convivência com os filhos é tão intensa que, se não nos tocarmos, acabamos achando que eles são parte de nós. E eles não são. São pessoas que estão, dia a dia, conquistando o direito de serem como os pais deles: adultos e autônomos. Como nós, tomarão decisões certas e erradas, farão escolhas e julgamentos de acordo com o que conseguiram aprender na vida, e não necessariamente de acordo com o que você ensinou a eles. Quem aí nunca pronunciou a velha e boa frase “ah, se eu tivesse escutado o que mamãe/papai dizia…”. Já pensou no(a) velho(a) te dando umas boas palmadas hoje, seu desobediente?

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40 Responses to Tapinha, tapão, chicotada…só dói, não educa

  1. Acho que há mecanismos legais, e eles podem e devem ser aperfeiçoados, no sentido de NÃO PERMITIR AGRESSÕES. Proteger, mesmo, as crianças.

    Mas o Estado patrulhar até “tapinha na mão” – e, sem hipérbole, é o que tal Lei faz -, a coisa fica complicada.

    Sua opinião é essa. A minha é outra. A do Doni é ainda diferente e assim por diante. Mas seguramente os três somos contrários às surras. Ninguém é favorável e, se alguém o for, não merece educar uma criança. É contra as surras que o Estado deve agir – e já há mecanismos de proteção contra isso (e esses, sim, precisam ser aperfeiçoados, legalmente ou por meio de rigorosa fiscalização).

    Mas vamos falar do poder de autoridade e da função coercitiva dos pais quanto à formação/criação dos filhos. Em dado momento, não havendo tapa na mão ou palmadinha no bumbum, haverá ao menos uma conversa mais séria e severa, certo?

    Em que medida, portanto, as palavras não podem pesar mais que tais tapinhas? O Estado supõe que as pessoas não têm controle sobre seus atos, a ponto de criar leis para vetá-las quanto às ações físicas, mas ao mesmo tempo as libera para verbalizar tudo que bem entendem.

    A criança não tem direito algum quanto às agressões verbais e psicológicas e estas, pode apostar, são tanto ou mais traumatizantes que os referidos tapinhas na mão ou no bumbum – sobre os quais falamos (reiterando o óbvio: NINGUÉM é a favor de chicotada no olho, cacetada na cabeça, choque elétrico ou algo assim).

    Fica dessa forma: é proibido ENCOSTAR UM DEDO, mas é permitido insultar de todas as mais variadas formas.

    É impossível, sob qualquer ponto de vista, dizer que isso faz sentido. E é bem provável que, no auge do descontrole, muitos pais – os que obedecerão a lei – passem a fazer isso.

    Inventaram o bullying doméstico. Anota aí.

    Bem, eu deixei claro que sou FRONTALMENTE CONTRA essa lei, né? Se o Estado quiser MESMO interferir na questão, acho que o melhor caminho seria criar uma “escola para pais”. E concordo contigo (disse no twitter): uma agressão verbal pode ser MUITO pior do que um tapinha na mão. Mas dá pra educar bem seu filho sem o tapinha, acredite.

  2. marcus disse:

    Quando entre adultos, uma cena violenta é repudiada: os brigões são “selvagens”, “brutos”, “animais estúpidos”. Por que se aceita numa boa um pai/mãe dando tapas em público em seus filhos sem lhes aplicar a mesma pecha?

    Melhor argumento.

    Eu nunca sei quando você tá falando sério, @grandeabobora.

  3. Paulo disse:

    Sua argumentação é válida, porém discordo totalmente.
    Todas as crianças que conheço que não apanharam são insuportáveis, sem limites, birrentas e certas de que o mundo é molezinha.
    A criança não precisa levar palmadas sempre, mas ao menos uma vez na vida precisa apanhar. Depois disso, só o olhar “se fizer de novo, já sabe o que vem” mostrará a ela que todo ato tem consequência – ela já vai saber bem o quanto dói uma boa chinelada e certamente vai pensar duas vezes antes de aprontar.
    Além disso, é melhor ela apanhar da mãe do que apanhar da vida. A porrada da vida não só vai ser muito mais dura como vai doer nos dois: no filho e principalmente na mamãe/papai que teve medo de dar umas palmadas no filho.
    Abraço!

    Realmente, é mais fácil ameaçar do que convencer. Por isso os pais batem nos filhos e eu, quando te encontrar na rua, vou te encher de porrada por ter discordado de mim. O blog é meu, eu sou autoridade e quem vem aqui TEM DE CONCORDAR COMIGO. 😀

  4. Bel Salles disse:

    “farão escolhas e julgamentos de acordo com o que conseguiram aprender na vida,”

    Não concordo com seu texto, principalmente nesta parte que você colocou em negrito… Não na frase em si, mas no contexto.

    Não estou de acordo com as palmadas ditas educativas, porém cabe a cada pai educar seu filho da maneira que acha, claro, sem “espancar” a criança.
    Mas tem horas, que infelizmente, as crianças fazem coisas embaraçosas que faz o pai ficar mal de alguma forma, infelizmente, acontece do pai (ambos pais) dar um biliscão, pegar forte pelo braço e tal.

    E se você cria seu filho achando que somente ele é quem pode agir como quer, não fique chateado então, se seu filho começar a te roubar por causa das drogas, ou bater na sua esposa ou marido por tê-lo proibido de ir numa festa ou de namorar determinada pessoa.

    Os pais tem a obrigação sim de educar os filhos enquanto eles morarem juntos. Quando o filho sai de casa para estudar e trabalhar ou casado, aí sim ele fica a mercê das suas próprias escolhas.

    A atitude de criar o filho para o mundo não é jogá-lo fora do ninho logo que ele começa a voar, e sim, quando ele começa a caçar sua própria comida e/ou constituir o seu próprio ninho.

    Já “apanhei” dos meus pais, sei que algumas vezes eles fizeram por raiva, mas NUNCA os odiei por tudo o que fizeram, pois sei que fui culpada sim de ter dado preocupações, de ter desrespeitado eles na frente dos outros….
    Os pais ensinam, os filhos desobedecem, a maneira é punir. HOJE (ATUALMENTE) não é necessário mais bater numa criança para ensinar o que é certo ou o que é errado, mas é preciso SIM por limites e privar os filhos de certas ações para que no futuro, eles possam saber o que é o certo e o que é errado.

    Não sou a favor da lei. Mesmo que com meus filhos, eu espero não perder a cabeça e bater neles.

    Bem, eu tenho um filho de 20 anos e uma filha de 16. Até agora, não roubaram ninguém, nem fizeram nada que eu possa dizer que eu mesmo não tenha feito quando tinha a idade deles. Eu dei só uma pincelada sobre o assunto, Bel. Não falei sobre a importância de conscientizar os filhos sobre suas escolhas, transmissão de experiência própria a eles, entre outras coisas. Não sou psicólogo/pedagogo, são impressões baseadas no meu “conhecimento empírico”. E sobre “apanhar a própria comida”, isto está sendo cada vez mais retardado pelos pais modernos, sob a desculpa de “melhor prepará-los para a vida”. Se tiver interesse, leia este post.

    • André Nogueira disse:

      Bel,

      Crianças não são vilãs. Pelo menos não sozinhas.

      Fiz comentário lá embaixo que complemento aqui.Os pais acham que a educação só começa qdo a criança começa a ser comunicar verbalmente (para alguns não começa nunca). Primeiro com a criança que quer comer as fezes do cachorro e leva tapa na mão, quer cutucar o aparelho de som com garfo e toma tapa na bunda. Isso vira um vício, um atalho para por limites nos filhos, que só para de ser usado qdo as força físicas se equivalem.

      Aí o filho vai no mercado com os pais, vê um chocolate e pede pro pai. Os pais dizem não. A criança faz então aquilo que aprendeu com o exemplo dos dois qdo contrariados: pega pelo braço, bate e grita. Raciocínio do filhote: “Eu fico quieto qdo apanho, se eu bater neles e gritar vou convencê-los a comprar meu chocolate. Aliás, meus pais se agridem verbalmente qdo bigam, é normal”.

  5. Fábio Peres disse:

    Francamente, a Lei da Palmada só está contribuindo para desmoralizar ainda mais o ECA, na medida em que a grande maioria da população ainda é adepta da disciplina pesada em suas crianças, que acaba virando compensação por “fazerem tudo por elas”, sabe-se lá o que isso signifique.

    Além disso, determinados segmentos sociais veem a palmada como instrumento de edificação, e usam até a Bíblia para justificar que a palmada educa.

    Como nesse versículo, que é a melhor justificativa para dizer que tapinha de amor não dói: “Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá.” Pv. 23.13.

    E, em tempo, não bateria num filho meu – não teria paciência apenas para “cutucá-lo” com a vara …

    Tem essa, também, Fábio. Não sei o que está acontecendo, mais seus comentários estão caindo no spam. Desculpe pela demora em liberar, só vi agora.

  6. Elton disse:

    Só não diga que “O behaviorismo já era nas relações entre humanos”. Minha mulher é psicóloga behaviorista e é a primeira a condenar as palmadas, behaviorismo não defende punição, pelo contrário.

    Dei uma exageradinha nessa parte aí, por causa dos ratos. 😀

  7. qualquergordotemblog disse:

    É com grande pesar que eu digo que nesse caso eu concordo mais com o Gravataí do que com você (só começo a discordar quando ele enfia as opiniões partidárias dele no meio). Já existe o ECA pra coibir agressões contra menores de idade, não acho que precisava de uma nova lei e sim de reforçar os mecanismos existentes para coibir essa prática.

    Então, sem querer, concordou comigo também, já que (como negritado no texto e na resposta ao Gravataí), declarei que sou CONTRA ESSA LEI.

  8. Eu fui um filho excelente e apanhei sei-lá-porquê. Aí, virei alcoólatra. E não apanhei mais.

    Putz. Nem tenho palavras.

  9. André Nogueira disse:

    Vinicius,

    Pais só batem nos filhos pois percebem a própria incompetência na criação dos pimpolhos e são muito covardes pra bater as próprias cabeças na perede.

    100% das vezes em que observei uma criança agressiva, “maleducada” e pude acompanhar um dia de convivência familiar do pestinha, vi pais descontrolados e dando péssimos exemplos de comportamento.

    Criança acostumada com diálogo, compreensão desde o berço pode sofrer influência negativa fora do ambiente familiar. Só que a base é sólida. Estímulo do diálogo/argumentação (diferente de resignação) = estímulo do raciocínio. Pais que impulsivamente agridem os pequerruchos estimulam o instinto, a irracionalidade e prováveis defensores das surras.

    Não há lei que contribua para melhorar essa questão. É responsabilidade da evolução da espécie.

    Lei pra regulamentar criação de filho é absurdo, já disse. E “pequerruchos” foi MASTERPIECE.

    • André Nogueira disse:

      Quem será que foi o primeiro ser que pronunciou a palavra pequerrucho?

      No twitter apareceu alguém dizendo que o correto é “picurrucho”. Procede, capitão?

      • André Nogueira disse:

        Não procede. Correcto é “pequerrucho” mesmo. É verbete em qualquer dicionário decente. Existem variantes de sotaque como pecorrucho, picorrucho ou o citado.
        Só o “pequerrucho” é pequerrucho mesmo. Demais são simples guris.

  10. rafael disse:

    Fala Vinícius.
    Esse seu foi polêmico, na mesma medida da lei. Acho que o Estado teria mil maneiras de interferir nesse assunto, que é sério — agressão contra criança — mas escolheu a pior abordagem: no Brasil, a gente ainda acredita que as leis resolvem os problemas, como a lei anti fumo, a lei do cinto de segurança, a lei de responsabilidade fiscal… veja, misturei tudo no mesmo balaio para dizer que, por causa dessa crença, existem leis “que pegam” e leis “que não pegam”. Nem tudo pode ser resolvido com uma canetada, muitas coisas são práticas sociais, por vezes mais fortes e duradouras.
    Um outro ponto é o próprio objeto da lei. Vejo — da mesma forma que vc — que a agressão se instala na ausência de diálogo e no não-reconhecimento do outro. É ridículo um pai apelar para a violência contra um filho, pois ele assume ser menos inteligente do que o fedelho em questão, por mais pirracento que este seja. Ninguém consegue enfiar na minha cabeça que crescer num ambiente violento possa ser, por qualquer razão, melhor do que crescer num ambiente pacífico.
    Aliás, a “escola para pais” que vc comentou é uma idéia sensacional… 🙂
    Seus posts continuam afiados (apesar de mais rarefeitos, ou é impressão minha?).
    Forte abraço.

    Ando meio sem assunto, mesmo. E também sou contra esse “regulamentismo juramentado” brasileiro, que mais me parece um “jogar pra torcida” do poder legislativo, meio que para justificar sua existência.

  11. Luiz Ribeiro disse:

    Vinícius,
    Políticos não sabem fazer leis, apesar de ser esta a função deles. Veja o caso da lei ficha limpa que nem mesmo o judiciário sabe como aplicar. No caso do tema em questão, os caras deveriam explicar para a população que o objetivo de uma possível lei seria de preservar as crianças dos ataques de pais trogloditas que as espancam, estupram, privam-nas da liberdade, do acesso ao estudo e dos cuidados básicos que toda criança necessita. No mais, falar em reprimir beliscão, chinelo na bunda e afins é pura babaquice. Depois, a lei é sancionada e ninguém vai saber o que fazer com ela.
    Abraço.

    Isto é fato: legislativo brasileiro é ruim de fazer lei. Muitas eles fazem malfeita de propósito, pra dificultar a aplicação e livrar a cara de amigos.

  12. Piazera disse:

    Concordo com voce em partes meu caro amigo. Acredito que o que vale realmente é o bom senso. Acho que pela ordem:

    1 – Conversa
    2 – Castigo
    3 – Palmadinha educativa?

    Mas claro, há um problema na minha teoria. Cada caso é um caso. Acho tambem que a tal palmadinha acaba sendo um remédio pra falta de competencia do educador (pai/mãe).

    outro problema é como medir o limite entre a tal palmada educativa e a agressão e é exatamente aí que mora o perigo.

    Tenho uma “Pequerrucha” que está agora com 7 meses. Nada comparado à sua experiencia com seus dois marmanjos. Vou apanhar muito ainda até aprender e possivelmente errar pra caramba.

    Acredito que nada deva ser tão ao céu nem tão ao inferno. Zebrar a perna não é solução, mas acariciar e pedir por favor tambem nem sempre é!

    Abraço!

    Irmão, eu sou um cara 100% adepto da tese de que qualquer pessoa (adulto ou criança) só faz algo no qual acredita. Para acreditar em algo, precisa estar convencido de que aquilo é bom. Educar, pra mim, é convencer. E, pra convencer alguém, “zebrar” não é o melhor método. A história prova isto. Eu não consegui convencer meus filhos nem de 50% das coisas que eu gostaria, mas o problema estava em mim, não neles. Fiz o melhor que pude, ou soube fazer. O que não pode é um pai/mãe, por preguiça ou incompetência para fazer este convencimento (que dá um PUTA trabalho!), usar um método repressivo qualquer. E, que fique bem claro: isto tudo aqui é o que eu ACHO, não o que eu faço/fiz. Eu errei em muitas coisas, como todo pai erra. Em outras, acho que fui bem. Mas, aí, só perguntando pra eles.

    • Piazera disse:

      Velho, acho que concordamos em muitos pontos. E receio não ter sido muito claro.

      Sei que a matemática não é tão simples assim, mas vou tentar ser mais preciso no que penso:

      COncordo com o convencimento. Acho que a conversa resolve quase tudo. E pretendo mesmo nunca ter que passar da primeira fase da minha respota anterior. Lutarei bravamente contra isso.

      Mas imagino uma situação onde a criança sabe que não pode, entende o porque, concorda que isso é certo e faz… Só pra aparecer, pra provocar, pra mostrar que é independente… Ou seja lá o que for.

      Neste caso acredito que talvez uma simples conversa não resolva. Mas claro. O tal castigo ou palmadinha precisa ser uma coisa racional e não movida por impulsou ou pior, raiva!

      Até pq, por impulso ou raiva, em certos casos, mesmo sem encostar o dedo, o estrago pode ser irreversivel…

      É, tem palavras que a gente solta que doem mais que um bofetão.

      • Piazera disse:

        Só pra completar o pensamento.

        As crianças precisam ser educadas e preparadas para o mundo real. Neste mundo quando se descumpre a lei se paga com cadeia ou trabalhos comunitários.

        Sem entrar no mérito do nosso pobre, inutil e ridiculo sistema carcerario, nossas crianças precisam sabeer que na vida é asssim. Tem que seguir na linha.

        Como eu disse, tudo sem exageros.

        A propósito, parabens pela linda familia. Não é facil criar seres humanos, tão falhos e cheios de defeitos como nós. Quem consegue pode ser considerado um herói.

        Parabens!

        Grato, irmão. Fiz o que foi possível.

  13. Carlos disse:

    Fui educado na porrada, meu pai era grosseirão…

    Tenho dois filhos um de 34 e outro de 31 anos atualmente,e acho que dei umas palmadinhas no bumbum dos dois quando eram crianças.

    Depois era bastante o olhar duro, os moleques já se enquadravam bunitinho.

    Hoje, os dois casados, um já me deu uma neta, e todo mundo diz que me ama.

    Quer mais que isso, meu?

    Não. Esse é o meu ideal de futuro. Netos que me amem como meus filhos (dizem que :D) me amam.

  14. Anderson S. disse:

    Olha, também sou pai, e sou a favor de uma chinelada na bunda de moleque arteiro ou birrento. Porém, da aplicação de palmadas evito ao máximo essa prática, mas admito que existem algumas ocasiões em que isso acaba se tornando inevitável. E a questão é justamente essa, cada pai acredita que sua forma de criação é a melhor, mas que tipo de estudo eficiente existe pra definir qual é o melhor padrão de criação? O autor do post têm a sua, eu tenho a minha, mas alguém ganha nesse taxa de sucesso? Qual filho que vai ser mais feliz, por receber ou não palmadas? De que forma isso é medido? A resposta dessa pergunta só fica nos achismos téoricos. “No modo como crio meus filhos, se funcionou com minha família, pode funcionar pra todo o resto”.

    Essa lei é apenas uma prova da inaptidão dos legisladores brasileiros, porque a Lei contra os criminosos agressores já existe através do ECA. E mesmo assim os maltratos continuam. Mas quem será mais afetado com essa lei serão os pais que amam seus filhos porque agora há uma interferência no direito de criá-los da forma como melhor entender.

    Acho errado o fato do Estado querer intervir na maneira que eu educo o meu filho dentro de casa sendo que ele mesmo não dá condições melhores de educação fora. Neste caso eu “deveria ter” o direito de escolher o tipo de educação que desejo dar.

    Estatizaram os nossos filhos, para criar terroristas domésticos.

  15. Regina Lugli disse:

    VOU TE FALAR UMA COISA : SE MEU PAI ESTIVESSE VIVO HOJE, COM CERTEZA ESTARIA NOS (A MIM E MINHAS IRMÃS) DANDO TAPINHAS…NÃO FÍSICOS, POIS NUNCA FOI DISSO…MAS, VERBAIS, COM CERTEZA…QUE FALTA ME FAZ TER ESSE PORTO SEGURO…A CERTEZA DE QUE CERTA OU ERRADA, IA HAVER O ESCLARECIMENTO E A CONVERSA…QUE FALTA ME FAZ, OS PUXÕES DE ORELHAS…QUE FALTA ME FAZ, A CONDUÇÃO DO GRANDE MAESTRO…DISSO, EU
    TENHO CERTEZA ABSOLUTA : PAI E MÃE, NO MEU CASO, ME SERVIRAM PARA MOSTRAR O QUE ERA CERTO OU ERRADO, RESPEITANDO A MANEIRA DE CADA UM. MEU PAI, SEMPRE PELO CORRETO, O QUE ERA CERTO, O QUE ERA JUSTO…MINHA MÃE, SEM MUITO CARINHO, MAS SEMPRE PRESENTE, COM AUTORIDADE E CHINELADAS (ÀS VEZES).
    OS DOIS, COMO CASAL, NUNCA FORAM UM EXEMPLÃO…
    OS DOIS, COMO INDIVÍDUOS, NUNCA FORAM UM EXEMPLÃO…
    MAS, TODAVIA, PORÉM, ACREDITO QUE CONSEGUIRAM, AOS TRANCOS E BARRANCOS, CRIAR EM NÓS O QUE EU CHAMO DE RESPONSABILIDADE…A NOÇÃO CERTA DE ATÉ ONDE VAI O MEU TERRITÓRIO, E ONDE COMEÇA O TERRITÓRIO DO VIZINHO.
    TENTO, NO MEU DIA-A-DIA, LEMBRAR SEMPRE DOS ENSINAMENTOS.
    SÓ.
    ACHO SIM, UM POUCO DE HIPOCRISIA, DIZER QUE APANHANDO NÃO SE APRENDE…ESPANCANDO NÃO SE APRENDE, ISSO SIM. ACHO SIM, QUE COMO CAVALOS NOVOS, INDOMÁVEIS, DESBRAVADORES DESTE TERRITÓRIO TODO, PRECISAMOS ÀS VEZES QUE NOS PUXEM AS RÉDIAS…NOS COLOQUEM NO CAMINHO…OU TENTEM…SÓ. SEM AGRESSÕES, MAS COM CORREÇÕES…
    ATIRE A PRIMEIRA PEDRA, QUEM NUNCA ERROU…
    QUEM SOU EU PRÁ DIZER “VOU FORMAR E EDUCAR MEUS 2 FILHOS PARA SEREM PESSOAS MARAVILHOSAS E CORRETAS”
    EU SOU ASSIM ?

    DIARIAMENTE APRENDEMOS…NÃO É PORQUE TENHO 41 ANOS (QUASE 42) QUE JÁ SEI TUDO.
    O QUE EU DIGO SEMPRE, TANTO PARA OS MEUS FILHOS, QUANTO PARA OS MEUS SOBRINHOS É : “OLHEM NÓS, OS SUPOSTOS ADULTOS, AGINDO. TENTEM ENXERGAR O QUE FAZEMOS. TENTEM ANALISAR O QUE FAZEMOS. SE ACHAR QUE ESTAMOS FAZENDO ALGO CERTO, CORRETO, LEVEM ISSO PRÁ ADIANTE…SE ACHAR QUE ESTAMOS FAZENDO ALGO ERRADO, NÃO NOS COPIE…NÃO NOS IMITE…SEJA VOCÊ MESMO…MUDE O SEU AMANHÃ…”
    OBRIGADA PELA ATENÇÃO.

    De nada, mas não precisa gritar.

    • Regina Lugli disse:

      Desculpe, não quis parecer ser “gritona”. Acho que toda essa história é balela, só isso. Os famosos “cagadores de regras” que me perdoem : crianças não vem com bula, não tem manual de instrução, não tem tecla sap, nem botão de volume e muito menos, botão de desliga. Cada ser tem sua própria personalidade. Cada indivíduo é uma vida completamente diferente da outra. Ou seja, não há regras. Tenho duas crianças em casa, e assim como o companheiro acima, achei com minha primeira filha, que estava no caminho certo. Ela é tranquila, obediente, educada, LINDA. Com o nascimento do meu segundo filho é que percebi, mesmo sendo filho do mesmo pai e da mesma mãe, que tinha uma criaturinha completamente diferente : questionador, falador, interessado, argumentador, birrento (às vezes). E agora, eu pensei. E agora ? Agora, caros amigos, é respeitar o jeitinho dele, sem dar chance dele querer tomar conta do pedaço e conversar. Conversar, conversar e conversar. Ás vezes, não aguento e acabo cedendo, vou confessar. Mas, na maioria das vezes, ele compreende e entende. Há uns 10 anos atrás, escutei um pediatra, numa entrevista para televisão. Nesta entrevista, uma telespectadora perguntava :”Doutor, o meu filho não come nada, não dorme nada. O filho da vizinha, come toda a comida e dorme a noite inteira. Porque isso acontece com o meu ?”. E prontamente o doutor respondeu “Minha senhora, na sua mão direita, tem cinco dedos. E os seus cinco dedos são diferentes. Como querer comparar um indivíduo com o outro, se nem na nossa própria vida conseguimos ser iguais ?”. Mais uma vez, obrigada pela atenção. Não tô brava não, é o meu jeitão mesmo.

      Você não tá me chamando de caga-regra, né? 😀 Abraço

  16. Velho minha opinião é a seguinte, eu já apanhei pra baralho do meu pai, e da minha mãe.
    Apanhava de chinelo, de vassoura, apanhava na rua, na escola, e nem por isso eu sou anormal.

    ***(*) ******(*)
    HÁ CONTROVÉRSIAS. Com a palavra, André Nogueira. HAHAHAHAHA

  17. André Nogueira disse:

    A vassoura o Pai e mãe do Lina, rules. Lina…

    🙂

    Abraços!!

  18. NRA disse:

    Vou te dizer uma coisa. Fui criado sem agressões e sem palmadas, então pensava exatamente como você. Tive meu primeiro filho (na verdade, filha) e continuei pensando, pois ela “respondeu” ao modelo. Bastava uma conversa, no máximo uma bronca para ela obedecer. Mas aí veio o meu segundo filho, birrento como ele só!! E o modelo deixou de funcionar, pelo menos em todas as ocasiões. Pois esse é o ponto. Não sou adepto da utilização das palmadas como método primário de educação. Não é qualquer “arte” do meu filho que me fará dar uma palmada nele. MAS, existem ocasiÕes e circuntâncias que a palmada será a única forma de obter a resposta adequada dele……e posso relatar várias delas.

  19. mario disse:

    sem querer fugir do assunto, mas o ricardo teixeira nunca deve ter “entrado na cinta”.

  20. O grande problema dos “politicamente corretos” – e neste ponto tu és pra lá de politicamente correto, Vinícius, é a confusão entre o ideal e o razoável.

    O ideal é um mundo cor-de-rosa em que ninguém agrida ninguém com palavras ou gestos. O razoável é não esquecer que criança não é anjinho caído do céu e sim um filhote de primata com instintos primitivos e personalidade própria.

    Há crianças que são dóceis. Há crianças que não são dóceis mas que se deixam convencer – para o bem delas mesmas – com conversa ou com pequenos castigos e recompensas (behaviorismo na veia). E há crianças que vão manipular terrivelmente e até espancar os pais se não receberem um tapa quando derem um tapa.

    Essa lei – somos todos contra, eu sei – vai deixar desesperados, desorientados e desassistidos muitos pais bem equilibrados, vai destruir inúmeras famílias por ingerência de um Estado autoritário e nada realista e vai ter reflexos muito negativos nas taxas de criminalidade.

    Eu já não pretendia deixar meus filhos freqüentarem a escola para não serem contaminados pela mediocridade do ensino brasileiro, agora estou só esperando a promulgação desta lei para decidir emigrar definitivamente.

  21. DISPARADO o melhor texto que li sobre esse assunto.

    Só vou complementar: muitas vezes a violência gera sim a mudança de comportamento na criança, mas é mais pelo medo de apanhar de novo, e não porque ela “aprendeu que estava errada”.

    Você não deve ter lido tantos assim, vá! 😀 tks.

  22. Cacete, para que outra Lei para regular o relacionamento entre humanos se já existe a Lei de Talião ou Pena de Talião?

    #MIL

  23. Renan disse:

    Realmente… seus argumentos são equivocados e contraditórios. Sem muitas plavras, poderia demonstrar dois simples erros no início da dissertação:
    1º:”…O “você vai apanhar pra aprender” ensina, quando muito, que levar um tapa dói no local estapeado. Nada mais. Uma eventual mudança de comportamento do rebento após uma sova ou uma chuva de insultos não é por consequência direta da agressão, tenha certeza. É porque ele quis fazer assim, pensou e achou melhor obedecer. Não trate o seu filho como um rato de laboratório, que faz o que o cientista quer na base do choque/recompensa. O behaviorismo já era nas relações entre humanos.”

    Lembramos que pensar, achar e obedecer são verbos utilizados a seres racionais. De tal forma, não posso comparar a criança com o rato de laboratório. Pois, quantas vezes você colocar o queijo, ele vai pegar, vai tomar choque, e volta a pegar.
    Se a criança leva palmada – o assunto em questão é palmada, não agressões verbais ou espancamento -, ela para a mau criação e obedece, porque aprendeu. O importante é que os pais expliquem para ela porque vai apanhar e depois, porque apanhou. Estamos lidando com seres racionais e que estão formando as concepções.

    2º:”A agressão (de qualquer modalidade – física ou verbal) significa só uma coisa: o fim da possibilidade de diálogo civilizado entre o agressor e o agredido. Ou por incapacidade do agressor de se fazer entender (ou convencer o agredido), ou por incapacidade do agredido de captar a mensagem passada pelo agressor (ou ser convencido por ele).”

    A forma como você se expressa nesse parágrafo, fica explícito que estamos lidando com dois adultos, que tem experiências e conhecem a vida. As crianças estão em processo de formação do caráter, algumas ações são naturais, como por exemplo, o teste do limite. Ela aproveita uma oportunidade e desobedece aos dialogos de correção, é aí que entra o aviso do tapinha se ela não parar, e posterior ação, se necessário. É impossível, que uma criança não tenha esse instinto, corrigido simples e facilmente com uma leve palmada (séria e sem ares de riso). O que não adianta é querer bater depois de velho. Pois, a adolescência e a fase adulta é tempo de resolver problemas apenas conversando, visto que o cérebro já memorizou e sabe que a melhor forma de resolver tudo é dialogando. Algumas coisas, aprende-se pelo conhecimento e outras apenas com a experiência.

    Enfim, percebamos que a maioria das crianças que aprendem tudo, sem precisar de uma palmada, são aqueles adultos que se rendem aos seus opositores, sem ao menos questionar.

  24. gfadsg disse:

    na minha opiniao dependendo da ocasiao vc deve denunçiar quem te bate e te agride verbalmente,eu tenho 11 anos e sofro de maus tratos agora msm minha mae me disse que iria me esfaquiar!!!(estou pensando na possibilidade de a denunçiala)…

    Talvez ela tenha visto seu caderno de português, na lição sobre o uso correto da cedilha.

  25. Cristiane Carvalho disse:

    “Quando entre adultos, uma cena violenta é repudiada: os brigões são “selvagens”, “brutos”, “animais estúpidos”. Por que se aceita numa boa um pai/mãe dando tapas em público em seus filhos ”

    Vou passar a utilizar esse argumento. O problema é que ainda existam pessoas que achem que agredir fisicamente uma criança é um direito dos pais ou responsáveis. Você gostaria de apanhar quando comete algum erro? Eu não.

  26. nelson disse:

    Grupo de discussão sobre a lei da palmada no facebook.

    http://www.facebook.com/groups/211467715599200/

  27. MARCOS CARNEIRO disse:

    Essa lei é tola desde os fundamentos. Partem de uma concepção rósea e luminosa do gênero humano. Ora, as crianças transgridem também, só que com falta de experiência e ingenuidade… Todos nós já fomos crianças um dia, vc não sabia o que estava fazendo era errado? Seja sincero, vc não mereceu a maioria das surras que levou? Pois é… Acho o que eu apanhei, serviu para minha edificação e formação do meu caráter. E os amigos viram as penalidadades impostas? Pérolas reluzentes do absurdo! Não entendo como o brasileiro aceita esse acinte em silêncio. PROTESTEM! o PL foi para o Senado Federal, sabiam? Acessem o seguinte site para saber o telefone dos gabinetes e e-mail dos senadores:

    http://emaildenuncias.blogspot.com/2007/04/senadores-nomes-partidos.html

    Saudações!

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