CPMF, sempre ela…

Novamente surgiu um bafafá a respeito de uma suposta volta da CPMF, criada no governo do FHC, mantida pelo Lula e extinta pelo Congresso neste ano, depois de várias tentativas anteriores.

As justificativas para acabar com a contribuição são aquelas de sempre: “custo Brasil”, máquina estatal de devorar dinheiro do povo, é um imposto “em cascata”, blablabla. Patrocinadores da causa, os de sempre: os pilotos de impostômetro da ACSP, FIESP etc. E o gado vai seguindo atrás deles.

Eu, do alto da minha ignorância econômica, nunca entendi o porquê de se acabar com um tributo que, ao final das contas, muito pouco afetava a vida do cidadão comum, “insonegável” e que, se não era lá grandes coisas em termos arrecadatórios, consistia em excelente (o melhor) meio de se fiscalizar o pagamento dos OUTROS tributos. Sim, porque a CPMF “marca” o dinheiro e aponta onde estão os sonegadores/bandidos.

Mas é a velha história: fala-se “A”, mas quer se dizer “B”. Dá pra escapar de qualquer tributo no Brasil, menos da CPMF. E, com a CPMF tirando os centavinhos da sua conta a cada débito, e esses centavinhos se somando e transformando-se em reaizinhos, dezenas de reaizinhos, centenas de reaizinhos ou MILHARES de reaizinhos, a brava Receita Federal poderá perguntar ao pacato “cidadão de bem” como ele consegue, por exemplo, pagar R$ 380 por mês de CPMF (que indicaria um movimento de R$ 100.000) e apresentar uma Declaração de IR murchinha, murchinha, alegando isenção por falta de rendimentos tributáveis. Dá pra ver, com um simples cruzamento, quais são as empresas que usam caixa 2. Quem usa laranjas pra esquentar dinheiro. Pode, inclusive, combater o tráfico de drogas (alô, Nascimento!). “Follow the money”, ensinou Eliot Ness há quase CEM anos.

Quando se fala em redução da carga tributária, supondo-se que não “brota” dinheiro do nada na economia, entende-se que, se a grana não vai para o governo, vai para outra pessoa. Quando o Lula decidiu combater a crise via redução de IPI, você foi às Casas Bahia e percebeu a diminuição do preço dos produtos: o “sócio” Governo abriu mão da sua parte. Pois bem: o mesmo governo, forçado, abriu mão da CPMF. Esse dinheiro, em tese, reverteria para quem antes pagava o imposto, certo? Você percebeu alguma melhora na vida com o fim da CPMF? Você precisaria ganhar R$ 10.000 mensais para que o fim da CPMF te gerasse, em contrapartida, UMA PIZZA e um guaraná 2 litros. Se ganha menos, daria pra um saquinho de Ruffles no fim do mês.

Portanto, quem vocifera contra a CPMF E NÃO É o Afif Domingos ou o Eike Batista está trocando um excepcional instrumento de combate à sonegação por uma batata Ruffles, um chiclete ou, na melhor das hipóteses, uma pizza de muzzarela. E quem escapa de recolher bilhões para a Receita Federal em IR, IPI, PIS/Cofins te agradece, penhoradamente.

E, claro, antes dos patrulheiros de sempre acharem que eu escrevi isto pra aliviar a barra da Dilma, leia este outro post meu, de 2007.

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31 Responses to CPMF, sempre ela…

  1. Rodrigo Leme disse:

    O problema da CPMF não é ela em si, mas é o fator “mais um imposto”. A carga tributária do Brasil já é absurdamente alta; ações como a redução do IPI são pontuais e isoladas, não políticas rotineiras como o pagamento de impostos.

    E independente da redução de IPI ser boa ou não, muito melhor seria o governo produzir ações que visem otimizar os gastos estatais, aumentar o retorno sobre investimentos, e outras medidas menos publicitárias mas mais benéficas no médio e longo prazo.

    Eu trocaria 100% dos meus impostos por uma CPMF que os equivalesse. Não vamos nos enganar achando que a luta é contra a CPMF: é contra mais impostos. E mais: contra mais imposts e a falta de controle destes.

    Você pode estar lutando contra “mais impostos”, mas os líderes do movimento querem qualquer imposto que eles possam sonegar, e que não deixem brechas.

    • Rodrigo Leme disse:

      Verdade, eu me expressei mal. No último parágrafo, o sentido do que queria dizer era que a gente deveria brigar por impostos justos e corretamente dimensionados, e não por mais impostos. Por mais certos que sejam.

      Agora, se sonegador briga contra a CPMF, é desnecessário dizer que sou contra a posição deles. Mas não é colocando mais impostos em cima de quem paga imposto que vai se resolver o problema de quem não paga.

      Aliás, no longo prazo, o acúmulo de impostos para compensar sonegação só gera mais sonegação. Em um mercado cada vez mais fragmentado, por ser povoado por pequenos e microempresários, o risco de sonegação aumenta exponecialmente.

      A volta da CPMF seria bem-vinda dentro de um contexto de reforma tributária, onde impostos mais sonegáveis fossem substituídos por aqueles menos sonegáveis, como a CPMF.

      Pois é, eu já falei pra Adriana que uma boa solução seria vincular a CPMF (à saúde, pode ser), e permitir o abatimento integral no IR. Assim, tecnicamente, não haveria aumento de tributação para quem já paga. Para os isentos, ficaria um imposto levinho.

  2. Do texto, com sinceridade, não retiro nem uma vírgula.

  3. Leonardo disse:

    Concordo que deveria voltar com uma alíquota menor, basicamente para fins fiscalizatórios, assim a RFB e a PF poderiam apurar indícios de lavagem de dinheiro e caixa 2.

    0,38% é uma alíquota RIDÍCULA para 95% da população. E, é sempre bom lembrar, o governo tentou negociar uma alíquota de 0,01% (só pra marcar o dinheiro), e MESMO ASSIM foi negada. Quem explica o porquê disso?

  4. Sorry, meu bem, mas some o valor da “ruffles” com diversos outros impostos que pagamos… e veja que maravilha é a vida do brasileiro!

    Se pelo menos a CPMF tivesse melhorado o setor de saúde do país, como era a intenção…mas nada! Continua a mesma coisa!

    Não concordo com sua posição. E estou decepcionada por meu atual Governador apoiar isso.

    Não estou disposta a gastar nem mais um centavo para ter serviços públicos cada vez mais ineficientes. Pode, Arnaldo?

    Beijos

    Dri

    P.S. Cuidado com a resposta… lhe processo! rs

    Não é o caso de “somar” nada, querida. E diminuir impostos não têm relação direta com melhora da qualidade do serviço, muito ao contrário. Se você reduz o imposto, o custeio permanece o mesmo obrigatoriamente, e o resultado direto é o corte nos investimentos. Chamam isso de “precarização”.

    • Como muito bem comentou o Rodrigo acima, ao invés de otimizar os custos estão sempre buscando uma maneira de aumentar a arrecadação… que, ao invés de melhorar os serviços prestados apenas enriquecem os bolsos dos “amigos”.

      Se o problema é o controle, não acredito que retornar com MAIS um imposto seja a solução. Existem medidas mais inteligentes pra isso. Que tal uma reforma tributária e fiscal?

      Ah, mas dá trabalho né? Porque não adotar medidas paliativas pra sempre? #macunaimafeelings

      Beijos!

      P.S. Você pode achar ridícula a quantia. Para mim, atualmente, um real faz diferença na minha conta. E, acredito, para muitos brasileiros também!

      Você acha que o fato de eu comparar a CPMF com a batata Ruffles é porque eu estou desdenhando do valor. Estou fazendo essa comparação para ver como as pessoas se julgam espertas em certas ocasiões, levantando ardorosamente bandeiras QUE VÃO CONTRA ELAS MESMAS e não conseguem perceber isto. Se o governo propuser vinculação da CPMF e permitir abatimento do valor pago no IR, mesmo assim não vai passar. Se propuser alíquota simbólica (como já propôs), não passa. Pense nisso e veja QUEM se beneficia REALMENTE do fim da CPMF.

      • Não passava… o senado mudou…

      • Vi,

        você disse no post a seguinte frase:
        (…) Eu, do alto da minha ignorância econômica, nunca entendi o porquê de se acabar com um tributo que, ao final das contas, muito pouco afetava a vida do cidadão comum (…)

        Estou apenas refutando essa afirmação. Pra mim qualquer real afeta. Ponto.

        Sobre a “verdadeira” necessidade de existir a CPMF, apenas coloquei meios de fazer esse controle, sem precisar retornar com a CPMF. Seja valor simbólico ou não. Ou seja, ao invés de debater sobre o retorno de uma contribuição PROVISÓRIA (pq é isso que significa, não é?) existem outras maneiras efetivas de realizar isso.

        Beijos

  5. […] This post was mentioned on Twitter by Maurício Angelo and Macka, Vinicius Duarte. Vinicius Duarte said: Troque o combate à sonegação de impostos pelos tubarões por uma Batata Ruffles, um chiclete ou uma pizza: http://bit.ly/ak91ef […]

  6. Leonardo disse:

    Ahhhh internet, uma maravilha a internet.

    Eu tava pensando em apostar um pacote de batatinha ruffles que se esse blog tivesse uns 20 anos, eu poderia achar lá atrás um post dizendo como a CPMF éra medonha, que era um confisco, mete a mão no bolso do trabalhador, etc.

    Mas nem preciso ir tão longe. Temos um exemplo recente da nota fiscal paulista. O negócio é bacana pra caramba, ajuda a combater a sonegação de impostos (pq quem compra e não recebe nota fiscal tem um incentivo pra denunciar), mostra pras pessoas quanto elas pagam de impostos (ICMS no caso) e ainda diminui a carga tributária sem redução na receita pública que é compensada pela diminuição da sonegação.

    E você tá fazendo o quê? Trolando a NPF dizendo que é “bolsa família da classe média”!!!

    O grande problema tá aí meu camarada, vocês são a favor de tudo quanto é bom e puro, desde que os esquerdinhas estejam no poder.

    Pior ainda é querer jogar a conta da derrocada da CPMF na oposição Vinícius. Você sabe que se o Lula quisesse quebrar lanças pela CPMF, era só falar com o Sarney que o governo tinha a maioria tranquila.

    Eu NUNCA fui contra a CPMF. Quem me conhece, sabe. Eu não tinha blog quando o Jatene propôs o IPMF. E você, do alto da sua capacidade de entender as coisas como lhe convém, acha que eu estou “trolando” a NFP. Não, meu caro. Se eu a comparei com o bolsa-família, quer dizer que sou contra o BF também? Faltou a você um pouco mais de profundidade na análise do meu tuíte. E já que você curte olhar as minhas tuitadas, procure lá o que eu já falei sobre Adib Jatene, que NÃO É PETISTA e é o “PAI” da CPMF. Já falei sobre o chamado “imposto único”, do PL (é, Marcos Cintra, PL, sabe?). Infelizmente você quer transferir o seu furor partidário pra minha conta (e sem pagar CPMF). Não cola, Leonardo, mas pode continuar tentando. Eu não ligo.

  7. Salve Vinicius!

    Lutar contra a volta da CPMF é, no mínimo, mesquinharia.

    Noruega, maior IDH do mundo!

    Com um IDH de 0.938, a Noruega lidera ranking mundial de desenvolvimento humano. Em distribuição de renda a Noruega é o 5o. país com melhor desempenho (os EUA são o 44o.), a inflação anual é de 3.8% , o desemprego é de 2.5% (EUA bateu os 10%), o crescimento do PIB é de 2.0% (acima do crescimento demográfico), o PIB per capita (PPP) é de US$51.985,00 (3o. maior do mundo, com uma diferença de apenas 7% dos EUA, que ocupam a 6a. posição).

    Continuando, o que há por trás desse país?
    Com certeza não é uma economia ortodoxa, laissez-faire…
    nem muito menos uma baixa arrecadação e baixa participação do estado na economia…

    Só em empresas totalmente estatais a Noruega possui:

    A estatal Argentum Fondsinvesteringer (http://www.argentum.no/) funciona como Private equity;

    A Avinor AS (http://www.avinor.no/en/avinor) que opera o espaço aéreo e os aeroportos civis da Noruega;

    A Baneservice (http://www.baneservice.no/) que opera linhas ferroviárias em toda Escandinávia;

    A Helse Midt-Norge RHF (http://www.helse-midt.no/) que opera hospitais públicos em alguns estados daquele país;

    E mais uma lista enorme que pode ser verificada aqui:

    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_government_enterprises_of_Norway

    A Noruega é um exemplo rico de mescla entre o Estado de Bem Estar Social e a Economia de Livre Mercado, com presença forte do estado na economia. A presença estatal se dá mais vigorosamente em setores estratégicos como:
    petróleo (Statoil);
    energia hidrelétrica (Statkraft);
    produção de alumínio (Norsk Hydro);
    o maior banco do país (DnB NOR);
    e o provedor de telecomunicações (Telenor, sendo esta a 6a. maior operadora de telefonia móvel do mundo com 184 milhões de usuários).

    O modelo do Pré-sal, com a criação da Petrosal, foi inspirado no modelo norueguês. Tomara que a inspiração da nossa presidenta não pare apenas na Petrosal, vamos contruir nosso Estado de Bem Estar nos Trópicos!

    Claro, essa liderança da Noruega em termos de “Welfare State” não é tão proeminente em termos de “liberdade econômica”. A arrecadação da Noruega é de 44% do PIB (o Brasil está em torno de 37%). Enquanto isso, os EUA, que tem uma arrecadação de 28% do PIB, gozam a 8a. posição em “liberdade econômica”. Noruega amarga a 37a. posição… o Brasil, apesar de todas as privatizações, amarga a 113a. posição.
    Sinceramente, o que importa mesmo são as pessoas e não os mercados…

  8. qualquergordotemblog disse:

    Como disse o @fcorazza no twitter: CPMF é o novo Irã.

    E a Sakineh é o Afif Domingos? 😀

  9. Conde do Jardim Camargo Novo disse:

    Você começou bem.. “Do alto de minha ignorância econômica”, Disse tudo, ou seja não deveria dizer nada.
    Se não conhece , não dê papiltes.
    Não é só o valor descontado nas contas dos contribuintes que conta. As industrias colocam nos custos dos produtos, as distribuidoras/atacados idem e o varejo também. Imposto sobre imposto..
    O coitado do contribuinte, que não tem como correr e nem sonegar paga toda a conta..
    Ai sobra dinheiro para seus amigos colocarem nas cuecas, etc…
    E o povo como está ? tá com a corda no pescoço…

    Esta sua ignorância e falta de visão explicam esta sua implicância com o nobre jornalista Paulo César (blog do paulinho).

    Olha, IP 189.99.208.159 (Nova Iguaçu-RJ), eu dou palpite NO QUE EU QUISER AQUI, zé-bosta. O blog é MEU. Não te chamei pra ler, muito menos fui na tua casa escrever ou preciso da tua permissão para dizer o que penso a respeito do que eu quiser. A INTERNET é livre, e as pessoas também. Se não gostou, vá ao blog do “nobre jornalista”, um “homem de visão”. Quanto à sua “aula de economia”, dispenso. Tenho fontes muito melhores.

    • Pallocci disse:

      O companheiro tem razão. O CPMF tem consequências muito maiores do que você está pensando.
      Alías você não enxerga um palmo adiante deste puta nariz que você tem sua anta.

      Gostou do meu nariz, mona? Tem outra trombinha aqui em baixo pra você se deleitar.

    • Leonardo disse:

      Vinícius, os asseclas do 1nho estão cada vez mais abusados, agora querem dar lições de economia e, pior de tudo, citando o motoblogayro querelado como exemplo de nobreza.

      É que você não viu os comentários que eu descartei. Elas estão desesperadas. Mas aqui ninguém vai se crescer, muito menos as Chapauletes.

  10. Téo disse:

    Você disse que não tem nada com a Cooperfiel e com o Sr. Matheus Antunes mas ele demonstra uma certa intimidade com você nos posts e nos artigos que ele escrevewu no NCDJ.
    (vide post anterior)
    Agora você está querendo cair fora ?

    Nossa, você é mó engraçadão, né? Viu que lá não tá dando IBOPE, veio me encher o saco aqui. Se você quer tanto pegar esse Matheus, porque não vai atrás dele? Não adianta mudar o nick, teu IP tá te delatando. Ah, e em respeito aos que vêm aqui, é o último comentário teu que eu deixo passar. Já avisei, portanto não vá chorar, tá?

  11. Piazera disse:

    Amigo, desculpe a minnha ignorancia, mas não haveria outra forma de “marcar dinheiro”, sem que haja cobrança de mais algum tipo de imposto?

    Não é o valor em si, é a sensação de ver seu dinheiro sendo “mutilado”de várias formas, por motivos diferentes.

    Um desabafo: ninguem pega os verdadeiros sonegadores. Mas no ano retrasado tive que dar explicações aos generais da receita por um erro na minha declaração. Sou pobre e leigo, eles pegaram.

    É igual a pardal nas estradas. Só pega quem não costuma correr. Pois quem sampre anda a mil, já conhece “as manhas” e escapa ileso na maioria das vezes.

    Grande abraço!

    Talvez haja, mas que esse já existe e funciona, não se pode negar.

  12. É o “discurso anti-impostos” que a turma neoliberal trouxe dos EUA, a pátria do “bilionário não paga imposto”. FHC nos tempos de canto de galo “ampliou a base” de contribuintes do Imposto de Renda. As pessoas, encantadas com a falastrice do mestre da sociologia ficaram felizes com a distinção conferida. O povaréu da classe-média, principalmente, adora ser enganado como na historia da roupa invisível do Rei. Ora, se a “criação de mais um imposto” é motivo de revolta, é mais porque a tucanalha faz o mesmo, mais e pior, só que explicando pro meio de seu vasto arsenal de eufemismos e pseudoacademicismo ( ou academicismo mesmo, só para provarem que são intelectualmente superiores ) para boi dormir. Façam o seguinte: pesquisem sobre o que foi a “substituição tributária” do Serra ( poupando vosso precioso tempo, tem um texto sobre isso aqui: http://digi.to/82ZhL ). Vejam quem reclamou. Vejam os valores envolvidos. E saberão que o PSDB é muito bom em arrecadar, muito e cada vez mais de uma forma tão suave – bastante vaselina – que vocês chegarão a agradecer no final da curra. Mas não, nego gosta – ou só consegue – de ver o evidente, o óbvio, a “taxa do poste”, a CPMF.
    Disse Paulo Nogueira Batista Jr, em 2004: “Qualquer pessoa que observe, com isenção, os dados macroeconômicos do período 1995-2002, verá sem dificuldade que houve de tudo, menos “equilíbrio econômico [ no governo FHC ]… A carga tributária bruta aumentou cerca de 10 pontos de percentagem do PIB em apenas oito anos ( ver “Palocci em Comandatuba” ).
    Márcio Pochmann, do IPEA, disse o seguinte: “Quem tem propriedade é beneficiado pelo sistema tributário” ( “No Brasil proprietário paga menos impostos”,
    MONITOR MERCANTIL, 30/06/2009 ). Agora, quem vai se meter com os ricos, tendo essa classe-média subalterna e cabotina, puxa-saco mesmo?
    Evidentemente, todo reclamão contra “us impóstus” sabe que na conta da “grande carga tributária brasileira” entram as contribuições das estatais, como a Petrobrás ( “Estatal responde por 10% de toda a arrecadação”, O Estado de S. Paulo, 14/05/2009 ), conforme atestou o Estadão, em 2009 : “(…) a Petrobrás é hoje responsável por cerca de 10% de toda a arrecadação de tributos no País (…)”.
    Enfim, estando entre os especialistas, deixa eu sair de fininho…
    PS: Por que é que os falsos detratores da “derrama” não se manifestam a favor do Imposto sobre Grandes Fortunas, bando de lambe-botas?

  13. Leonardo disse:

    Os bancos já são obrigados a notificar o COAF (orgão vinculado ao Banco Central) sobre qualquer operação financeira acima de R$ 10mil (ou 5mil, não sei se mudou isso), portanto esse argumento de “marcar” o dinheiro cai por terra.

    São R$ 10 mil. Mas, por isso mesmo, sonegadores e malfeitores diversos se utilizam de subterfúgios como, por exemplo, comprar Vans de transporte público e outros negócios que lidam com miudezas monetárias pra esquentar dinheiro sujo. Não cai por terra, não senhor.

  14. Ah, achei outra sobre a NFP: “Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!”, diz Fecomércio-SP: http://digi.to/HUMdy

  15. Sem querer participar demais, mas acho que isso aqui ajuda a discussão:
    “Conforme ficou evidente na reforma tributária de 2003, a questão relevante para o governo Lula é a da arrecadação e não a distributiva. Nessa reforma, garantiu-se a CPMF e a DRU (Desvinculação de Receitas da União) em troca do abandono de medidas orientadas para o aumento da progressividade tributária (imposto sobre grandes fortunas, imposto sobre heranças, imposto territorial rural, etc). Dessa forma, o governo Lula mantém a regressividade da estrutura tributária brasileira. A MP 232, focada nos profissionais autônomos e nas pequenas empresas, é um exemplo nessa direção. O fato é que o governo Lula não fez nada para mudar as características básicas da tributação no Brasil: o trabalho é mais onerado do que o capital; os impostos indiretos têm maior peso do que os diretos; e, o sistema tributário agrava a concentração de renda e riqueza (…)”., A Macroeconomia de Lula, Reinaldo Gonçalves, 22/04/2005. Percebam que o ponto é bem esse. Mesmo sendo o texto de 2005, a coisa permanece, e passa bem longe dos reclames da classe-média: vocês querem que rico seja taxado ou não?

  16. Hannibal disse:

    Quem é esse pessoal tosco te enchendo Vinícius? Pô a Dilma tem que criar mais empregos, bando de desocupados…

    É, amigo… Acho que o problema deles não é bem falta de emprego. É falta de cérebro.

  17. Leonardo disse:

    Uma coisa é sonegação fiscal Vinícius, outra coisa é lavagem de dinheiro.

    Eu não vejo como comprar uma empresa que trabalha com dinheiro miúdo pode ajudar alguém a sonegar… desenvolve a tese aí por favor.

    Agora, se a questão é lavagem de dinheiro, aí eh outro esquema né? Eu nunca soube de traficante que paga em cheque em nome da “boca de fumo da quebrada ltda”

    De qualquer forma, se a lei fala em R$ 10mil, poderia falar em R$ 1 que o efeito seria o mesmo da CPMF né? e sem aumentar a carga tributária. O caso é que o próprio BACEN baixou uma resolução dizendo que não se interessa por transações abaixo de R$ 100mil, vai entender o motivo…

    Reduzir o limite do COAF pra R$ 1 = reimplantar a CPMF. Quando eu disse “malfeitores”, me referia a lavagem de $.

  18. Tião disse:

    Posso publicar o teu IP, serve?
    189.96.80.224

  19. Luiz-PR disse:

    Eu tenho certeza ABSOLUTA que um dos grandes males do Brasil seja a sonegação. Aliás, eu tenho uma posição bem radical em relação aos grandes sonegadores, aqueles que sonegam milhões todos os meses, por dezenas de anos, acho-os piores que o pior bandido preso, pois este sonegador MATA, ao longo de sua vida, centenas de pessoas por falta de assistencia médica, falta de medicamentos e de hospitais, tudo isso num País que morre gente por água contaminada, sub-nutrição, etc. etc.
    Eu proponho que seja estabelecido para os sonegadores, visto que: SONEGAR É CRIME PREVISTO EM LEI, que seja aplicada a mesma lei que é aplicado aos traficantes de droga. Se for apreendida mercadoria sendo transportada por caminhões sem nota fiscal, aprrende-se na hora o caminhão e o mesmo irá à lelilão. Como o valor do caminhão é superior na maioria das vezes do imposto ROUBADO, esta é uma das forma de combate.
    Tenho discutido muitas vezes sobre isso. Os sonegadores dizem que sonegam, porque senão quebram. As maiores empresas do Brasil e do Mundo, NÃO SONEGAM. Outra desculpa é que os impostos EMBUTIDOS NOS PREÇOS DAS MERCADORIAS são “roubados” pelos politicos que são “ladrões”, mas não admitem que também são LADRÕES, que apenas roubam antes, Um abraço.

  20. Leonardo disse:

    Aí é que tá Vinícius, reduzir o limite do COAF = reimplantar a CPMF – R$ 40bilhões em impostos.

    Sò que na prática o governo não vai fiscalizar nenhuma transação de R$ 1, como já não fiscaliza, já que o próprio governo baixou uma resolução aumentando o limite da lei para R$ 100mil, ou seja, pretende apenas ficar com o dinheiro dos impostos, obrigado.

    @Luiz-PR aí é que você se engana, as maiores empresas do Brasil são os maiores devedores e sonegadores de tributos.

    Basta lembrar da lista dos MAIORES devedores do INSS divulgada pelo Ministério da Previdência Social. Que logo depois de publicada deram um jeito de abafar o caso e sumir com aquilo.

    É uma vergonha ver que a maioria dos top 50 devedores são empresas/órgãos públicos, como por exemplo:

    2. lugar: Prefeitura de Campinas – R$ 402.835.156,30
    7. lugar: Caixa Econômica Federal R$ 253.734.750,29
    12. lugar: Companhia Docas do Estado de São Paulo – R$ 185.360.286,09

  21. Gisele disse:

    Vinícius,

    Bom te ver de volta. Parabéns pelo post.
    É impressionante como concordamos em matéria de tributos…
    Não é interessante ver como a mais remota menção de criação/aperfeiçoamento de tributação direta (nesse caso, sobre movimentação financeira, que é um reflexo da renda do indivíduo/empresa) causa um alvoroço enorme? Mais interessante, e inexplicável, é ver gente que não tem nada a ver com isso (ou seja, “não-milionários” em geral) se colocando radicalmente contra porque acha que será diretamente prejudicado… Não sei se é “Síndrome de Estocolmo” ou se é aquela velha esperança que (quase) todo mundo tem de ficar rico um dia. Vai entender…

  22. Marcelo Abdul disse:

    O problema é criar mais um imposto quando se deveria diminuí-los ou baixar alíquotas pesadas. Pra mim recriar a CPMF não traria benefício nenhum ao país e sim aos políticos. Não é a toa que Sarney emcabeça a liderança desse acordo. Afinal de contas vai sobrar mais grana para seus “atos secretos” e outros atos espúrios da política nacional. Mesmo que tirem 0,001 centavo de cada transação financeira, a CPMF é uma pornografia rídícula que só alimenta o aumento da máquina pública do PT e seus pares, assim como foi no governo do PSDB.

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