Tiros em Realengo

Se você não estiver sozinho lendo isso, gostaria que olhasse à sua volta e se perguntasse: será que não é possível haver um Wellington Menezes em potencial no aconchego do meu lar? (guarde a resposta para o final)

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Agora, outra pergunta (em formato teste, com gabarito):

Por que Wellington entrou na escola e saiu matando as crianças?

(  ) porque ele era ateu

(  ) porque ele era muçulmano

(  ) porque ele era Testemunha de Jeová

(  ) porque ele era portador do vírus HIV

(  ) porque ele sofreu bullying na escola e resolveu se vingar

(  ) porque o Governo não instalou detectores de metal na porta das escolas

(  ) porque o Código Penal é frouxo e protege os bandidos

(X) porque ele era portador de transtorno mental grave e não foi tratado

As pessoas ditas normais assumem comportamentos distintos perante às que apresentam transtornos psiquiátricos: 1) “aceitam” o louco, mas tentam entendê-lo e julgá-lo pela “régua normal”, ou seja, procurando motivos pelos quais eles (os normais) adotariam o mesmo comportamento anômalo, e, pela falha de julgamento, propõem ao problema soluções inviáveis; 2) deixam o louco ao deus-dará, esperando que a Providência se incumba de manter as coisas sob controle; 3) querem se livrar do louco a qualquer custo, ou escondê-lo debaixo da cama.

Voltemos á pergunta inicial. Procurei, procurei, e não achei UMA coisa: se a família detectou que o rapaz não batia bem (a irmã disse que ele era esquisitão), por que não o encaminhou a um tratamento?

Esse é o ponto: enquanto a sociedade ficar tentando encaixar os porquês das atitudes dos portadores de transtorno mental nos porquês das pessoas normais, estarão sonegando o atendimento necessário aos loucos para que eles possam conviver minimamente em sociedade.

Loucos deliram, ouvem vozes, vêem coisas inexistentes. E não há como mostrar a eles que aquilo (que para eles é a realidade cristalina) não ocorre de verdade. As justificativas das pessoas com transtorno mental para cometerem seus atos não são iguais às das pessoas ditas normais.

E quem percebe primeiro que tem um Wellington nascendo? A família, pessoas próximas. O louco, claro, não assume a sua loucura, mas suas atitudes revelam que ele precisa de ajuda. E o que vemos hoje é a família negando o problema e, consequentemente, adiando a solução ou a redução dos danos (ao doente e à sociedade).

Ninguém quer um sujeito com problemas em casa, principalmente com ESTE tipo de problema, muitas vezes de difícil visualização a olho nu pelas outras pessoas (que já não costumam prestar atenção a ninguém senão a si mesmas) e para o qual se arrumam várias desculpas esfarrapadas em caso de estranhamento de terceiros (do tipo “ah, ele é quietão assim mesmo, é caseiro, gosta de computador e ficar na dele…”).

Mas quem é de casa sabe (e esconde) que o cara não toma banho, não conversa com ninguém, vive isolado, esconde as coisas, é cheio de manias e se tranca no quarto. “Mas é o jeitinho dele, deixa…”

“Deixa”, até que, conectado à internet o dia todo sem qualquer supervisão, delirando e legalmente capaz, o cara compra armas, munição, bola um plano (orientado pelas vozes de Deus, que só ele ouve), entra numa escola, mata 11 crianças, fere 22 e se mata.

E a reação da sociedade depois da merda feita é: bradar contra a violência, a venda de armas, a polícia, o governo, o código penal, o cacete, quando deveria exigir de si própria que não seja hipócrita e não esconda o culpado: ELA mesma, que trata o problema das pessoas com transtorno mental com indiferença (quando longe de si) e com a negação e o auto-engano (quando dentro da própria casa).

O caso do massacre de Realengo é um caso de saúde pública, não de segurança pública. E tende a piorar, pois a vida que levamos está cada vez mais fabricando loucos, de diversos tipos. E, para não buscarmos ajuda para tratar a loucura, resolvemos elastecer o nosso conceito de normalidade.

Até o próximo massacre.

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20 Responses to Tiros em Realengo

  1. eva disse:

    provavelmente as pessoas da escola notaram e avisaram muita gente enquanto ele ainda estudava lá…

    É, e a família achou que era só o jeitinho dele e não tomou providências.

  2. André Nogueira disse:

    Nenhuma vírgula a acrescentar.

  3. […] Inspirado e adaptado de um post do Vinicius Duarte. […]

  4. Walter Jr. disse:

    Muito bom texto, parabéns!
    Eu também assino em baixo.

  5. André disse:

    A família tem uma parcela de culpa, já que prefere não ver que um de seus membros precisa de tratamento, ainda mais para esse tipo de problema. Mas a busca por tratamento normalmente é um calvário. E está se tornando pior, pois recentemente uns loucos resolveram que o melhor tratamento para a loucura é fechar os manicômios. No Brasil parece que a solução para qualquer coisa que não funciona muito bem é a extinção, nunca a evolução. Imagina seu carro queimando óleo e você manda o mecânico tirar o motor fora, assim ele deixa de queimar óleo e ainda não vai mais gastar combustível, pneu, etc.
    Na cidadezinha em que eu fui criado, tinho um louco que vivia andando pelas estradas rurais jogando pedra nos carros, colocando galhos de árvore no meio do caminho. Com tudo isso, as pessoas ainda diziam que ele era apenas um coitado, e ainda era recebido na casa das pessoas. Os avós de minha futura esposa serviam café para ele e até lhe davam algum dinheiro. Felizmente ele morreu antes dos meus filhos nascerem, porque eu não deixaria meus filhos frequentarem a casa dos avós com essa cara tendo transito por lá. Aí já viu a confusão.

    Eu conheço uma experiência (duas, aliás) muito positiva com o tratamento psiquiátrico pelo SUS. Aqui em SP os CAPS funcionam muito melhor do que muitas alternativas particulares de tratamento. Só que o tratamento do transtorno mental EXIGE o envolvimento familiar, coisa que não costuma acontecer. O pessoal quer esconder o doente em algum lugar. Ou, no caso do Wellington, dizer que ele não é doente, só “um rapaz introvertido”.

  6. Natália Maria disse:

    Discordo completamente. Li em uma das tantas entrevistas sobre o caso que esse rapaz tinha sido encaminhado a tratamento mas não concluiu suas sessões, interrompendo o tratamento. Colocar a responsabilidade de um ser como esse nos ombros da sociedade é uma grande besteira. TODAS AS ESCOLAS, AINDA MAIS SENDO NO RJ, não só devem, como não entendo que ainda não tenham, detectores de metal e pelo menos UM guarda municipal zelando por seus alunos. Existem N fatores pelos quais uma pessoa possa sair da linha, e todos eles muito subjetivos e particulares, o que dizer das pessoas com transtornos comportamentais escondidos tão bem que até os próprios acreditam em suas histórias? Enfim, existem riscos, existem perigos, e cabe ao Estado investir em maior segurança para a população. Proteger de sociopatas, de animais que fogem da jaula, de traficantes, enfim, de tudo que possa causar mal.
    É preciso cuidar para não criar estereótipos. QUIETÃO + DIA TODO NO COMPUTADOR + TÍMIDO = PSICOPATA. A pessoa pode apresentar um comportamento completamente “normal” e ter a cabeça mais perturbada que se possa imaginar.

    1) Dificilmente um louco vai aceitar o tratamento “de primeira”. O normal é ele resistir (e a família NÃO PODE sucumbir); 2) Tá, o valoroso Estado tem de criar uma Divisão Especial de Caça-Loucos e transformar as escolas em Unidades de Segurança Máxima. Ainda bem que meus filhos já terminaram o fundamental e não precisarão conviver com esse cenário; 3) Quem criou o estereótipo foi a senhora, pulando um parágrafo inteiro do texto. 4) Concordo plenamente com a última frase do seu comentário.

    • Natália Maria disse:

      Incrível a capacidade que o ser humano tem de ler uma idéia divergente da sua própria e respeitá-la sem responder com “a senhora”, ou ofender-se . Concordar ou não, mas respeitar.
      Entretanto, sou estudante de psicologia e entendo o papel fundamental que família e amigos tem com respeito ao tratamento de pacientes com transtornos mentais. Não discuto isso sob hipótese alguma. Mas infelizmente, não sei se foi irônico ou não da sua parte, mas o Estado tem mesmo que transformar todas as escolas em unidades de segurança máxima, se é isso que se faz necessário para proteger o meu e o seu filho. Sobre o estereótipo, foi só mais um alerta que qualquer coisa, têm-se lido na mídia em geral sobre isso e os rótulos nunca me agradaram. A sociedade não deve ficar a mercê de tratamentos que podem ou não darem certo.

      1) Usei “a senhora” porque não a conheço. Antigamente (no meu tempo), isso significava RESPEITO, não ofensa. 2) Sim, foi irônico, para pontuar a minha discordância (tão veemente quanto a sua com relação a mim). 3) Dei-lhe o espaço para expor a sua opinião na íntegra (pela 2ª vez agora), e gostaria que VOCÊ respeitasse, da mesma forma, o meu direito de discordar dela. 4) E não, não fiquei ofendido. Aqui eu debato IDÉIAS. Você colocou as suas, e eu não as refutei na base do “ad hominem”.

      • Carlos Rosas disse:

        vai ver que ela não conhece o blog do chapaulinho, ai ela ia saber o que é não ter direito a discordar do dono do blog rsrs

        PS: sobre o post eu concordo contigo

  7. Maristela disse:

    Perfeito. À princípio (confesso e assumo a culpa ;)) bradei contra a facilidade de se adquirir armas, contra a não aprovação do desarmamento. Mas lendo seu texto é impossível discordar que casos como esse são de saúde pública com participação mais que especial da família. Ouvi cada absurdo aqui no trabalho que estou atordoada até agora. A reação principal é de extermínio. Exterminar tudo o que não se encaixa e desculpe-me o mau jeito, foda-se.

  8. Natália Maria disse:

    “ad hominem”… =)

    Bom, meu nome é Natália, 26 anos, sem filhos. Legal ter esse papo contigo. Sempre bom conversar com pessoas inteligentes. Respeito sua opinião, só discordei. Afinal, pessoas são diferentes!

    Conselho for life…. Não responda as coisas enumerando, é horrível e extremamente ofensivo.

    1)… HAHAHAHA Olha, Natália, eu não me incomodo quando me respondem assim, às vezes eu faço pros meus comentários não ficarem maiores que o do comentarista. Aqui a discordância é livre, mas o problema é que eu sou muito chato e sempre quero ser o último a opinar. Abraço.

  9. Natália Maria disse:

    Ahhh, nao precisa aprovar o último comentário. Ateh!

    Agora já foi, moça.

  10. Piazera disse:

    Entendi perfeitamente seu texto e concordo com voce em muitos pontos.
    Decretar que a escola deve ter detector de metais não é algo assim tão realista.
    A familia tem sua parcela de culpa.
    É realmente muito dificil detectar uma pessoa com disturbios mentais. Depois que aconteceu é ddificil entender os motivos, ainda mais com o assassino morto. A sociedadde tem culpa de muita coisa sim. E começa com as coisas mais basicas, como pais que se ausentam de educar os filhos acerditando (ou pouco se importando com isso) que é obrigação da escola. Ao mesmo tempo não permitindo que a escola tome alguma atitude mais energica.

    Filhos de pais ausentes crescem conforme o mundo lhe parece ser. A história que conhecemos é aquela que nos apresentam. Permitir acesso a informação é tão benefico quanto prejudicial, quando não há controle do que se acessa.

    A atitude do rapaz aparenta muito o quadro tipico de adolescente “sem graça” que não tem sorte com as mulheres e em seu mundo doido e desorientado passa a odiar o que ele acredita ser o motivo da sua tristeza: As meninas do colégio, que nunca gostaram dele e zombavam. O “gordinho” que ele não quis matar demonstra isso. É mais um dos sofredores como eu.

    Enfim, me estendi e o texto não trata disso. Apenas quis expor uma teoria (quem sabe base para um novo texto seu).

    Pra finalizar, a conta do atentado vai para o estado. Afinal ele é responsável pela segurança publica. Antes que digam que é impossivel prever, isso é outro problema. O responsavel é o culpado, ponto.

    O fato do armamento ser lgal ou não em nada interfere… Ou alguem já ouviu falar de um criminoso que tenha comprado uma arma legalizada para cometer algum delito? Talvez sim, em 0,00001% dos casos, os demais compram no mercado negro. E ai vai mais uma prova da culpa do estado. Pois ele tem a obrigação de coibir este mercado. É dificil, sim, talvez impossiveol, sim… Mas é tarefa dele!

  11. Piazera disse:

    Ops, faltou deixar um abraço.

    Outro!

  12. Leonardo disse:

    Perfeito Vinícius!

    Nesse mar de insanidade que ando lendo por aí, você foi o primeiro a apontar que o problema nesses casos está na causa e não nos efeitos.

    Sim, o cara tinha problemas mentais e pelos depoimentos ouvidos já dava sinais há tempos de que tinha algum problema.

    Realmente não dá pra medir as ações desse cara pela régua de uma pessoa “normal”. A única solução teria que vir muito antes, no âmbito familiar, com tratamento, terapia, internação.

    Tem que ter uma visão muito curta pra achar que detector de metal, grades, seguranças impediriam tudo isso de acontecer. Enquanto isso, tem gente fazendo estimativa de lucro com toda a paranóia decorrente.

    Afinal de contas, a mesma empresa que faz o carregador rápido de 38, também fabrica detectores de metal.

    (E não, isso não é puxa-saquismo, quem lê isso aqui sabe que já bati muito de frente com o Vinícius).

    Abs.

  13. Luiz disse:

    Vinicius: Quase nada a acrescentar ao seu texto. Acho bobagem colocar detector de metais, tipo um banco, num país que faltam escolas, carteiras, livros, material escolar, professores, etc.etc.
    Esta tragédia foi pontual, nunca havia acontecido algo parecido.
    Não acredito que algo pode ser feito, problemas psquiátricos aflige uma parcela enorme da população mundial, a depressão é um mal terrivel. Eu sofro com isso, tomo remédios, ameniza mas não cura.
    Acho que só temos que torcer para que não aconteça mais, embora ache que esta exposição terrivel do fato pode alimentar outras mente doentias a repetir o feito. Um abraço.

  14. Luiz disse:

    vinicius: A sociedade não aceita os “loucos”, se este infeliz estivesse vivo, ele seria condenado a 500 anos de prisão e não iria para um manicômio. Temos exemplos de criminosos loucos que estão em presidios comuns, salvo erro, tais como: Maníaco do parque, o assassino do cinema, etc,, e tem um caso recente, um sujeito em Goiás matou e esquatejou uma moça, Inglesa, o cara completamente pirado, foi condenado a 13 anos de prisao, já fez um filho na cadeia e agora casou com uma outra mulher. Mais 3 anos ele estará na rua…….Tem um caso, o do Bandido da Luz Vermelha, o cara era completamente louco, a sociedade exigiu sua condenação, ficou 30 anos na cadeia e saiu, por pouco não acabou matando outras pessoas, foi morto antes. Agora tem o caso do assassino do Glauco, completamente louco, está num manicômio no Pr. mas leio que a sociedade quer condena-lo e coloca-lo numa prisão……Um abraço.

  15. rafael disse:

    Fala Vinícius.
    Eu estava pensando noutro sentido, mas talvez até as idéias se encontrem em algum lugar.
    Primeiro, parabéns: em dois ou três dias não ouvi nenhuma ideia que valesse a pena discutir: nos jornais, na escola (trabalho em duas), na TV…seu texto foi o primeiro que valeu a lida.
    Aí, estava eu pensando se poderíamos associar este caso com duas coisas: primeiro, óbvio, reflexo de uma sociedade. Uma sociedade individualista – que não se importa com o outro – e violenta – que não gosta de resolver seus problemas com diálogo; depois, o modelo de organização que importamos é o da sociedade do consumo, do enclausuramento nas esferas privadas e abandono dos espaços públicos – modelito americano, não? – que resulta em casos como o atropelador dos ciclistas, das agressões nas escolas, das revistas forçadas por policiais em mulheres e, então, este assassinato em massa. Nada menos surpreendente do que os problemas serem os mesmos de la também.
    Mas até aí eu não estava considerado o cara ser doido, ter algum problema mental de fato. Pensava nele como cidadão comum de uma sociedade, esta sim, doente. Mas talvez o fato de ele ser doido e permanecer por aí, como você ponderou no seu texto, seja mais uma atitude comum a este tipo de vida. Ou seja, estamos falando da mesma coisa, por dois lados diferentes: você escreveu sobre um indivíduo doente e “abandonado”, eu pensei sobre uma sociedade doente e que “abandona”… daí o que vai valer é mesmo a lei do mais forte.
    Divagando.
    Forte abraço.

  16. Thiago Ferreira disse:

    Vinicius. Ao que consta a familia não foi nem reivindicar o corpo. A familia mesmo (a mãe biologica) era esquizofrenica,e morreu. Os pais adotivos morreram, a madastra, parece, em 2010.
    Não dá realmente pra cobrar uma familia (resto???) de irmãos por adoção, para que tivessem a sensibilidade de dectetar um instito assassino.
    Ao que parece, não queriam nem contato.
    Rejeição total. O cara para fazer o que fez, acreditava estar em um buraco, abandonado.
    Domingo andei pela Paulista, e vi moradores de rua.
    Na segunda, um deles esfaqueou uma senhora, e um senhor, ambos idosos, e que nem junto estavam.

    Realmente você tem razão, a nossa volta pode estar alguém, que tenha um surto violento.

    Resta torcer, para que o raio não caia sobre a nossa cabeça, ou de nossas crianças, de novo.

    Alguem disse com propriedade, que se fosse possivel, impedir a circulação de armas, possivelmente ele teria utilizado uma faca, ou até uma bomba.

    Assustador. Talvez deva haver pelo menos um policial na entrada de cada escola. Mas também com certeza, em outro caso como esse, ele será a primeira vitima.

    Como diria aquele psicologo famoso; “É f….”.

    Abraços.

  17. Eu não vou nem me aventurar pelas alamedas desta discussão por uma simples razão, dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Como eu sou são, não quero que me descubram senão vão me chamar de louco…

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